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Title: A escrita do texto acadêmico na graduação: modos de utilização de conceitos teóricos de uma área de conhecimento
Authors: Vieira, José Antônio
Keywords: Escrita. Heterogeneidade. Promoção do outro. Monografia;Writing. Heterogeneity. Other s promotion. Monograph
Issue Date: 27-Sep-2013
Publisher: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Citation: VIEIRA, José Antônio. A escrita do texto acadêmico na graduação: modos de utilização de conceitos teóricos de uma área de conhecimento. 2013. 119 f. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada; Literatura Comparada) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2013.
Portuguese Abstract: Neste trabalho, discute-se a produção de textos acadêmicos de alunos do curso de Letras. Especificamente, analisa-se o texto monográfico, com o intuito de verificar os efeitos de sentido criados na escrita a partir das formas de marcação de outros discursos. Para tanto, buscou-se responder o seguinte questionamento: Como um jovem pesquisador utiliza uma teoria para se inserir em uma dada comunidade científica? Os objetivos principais deste trabalho são: analisar os recursos linguísticos, como citações, ilhas textuais e conectivos, que marcam a presença da voz do outro na escrita acadêmica; e observar os efeitos de sentido produzidos pelos modos como isso se realiza na escrita. A análise centrou-se em dois textos monográficos, selecionados de um grupo composto inicialmente por 23 monografias, produzidas nos últimos cinco anos por alunos do curso de Letras de uma dada universidade pública. Para o desenvolvimento da investigação, aplicou-se o conceito de Kuhn, que aponta para a existência de diferentes significados na produção de ciência no decorrer dos séculos. Tal teoria permite definir a escrita acadêmica como criação que contribui para a produção de conhecimento. A fim de delimitar a concepção de escrita adequada à investigação, o estudo baseou-se na ideia de Coracini de que toda escrita é a inscrição do si, ou seja, a produção escrita parte de uma intervenção do sujeito, e apenas uma imposição do eu o garante como autor do que escreve. A fundamentação teórica para realização deste estudo abrange os seguintes conceitos: a heterogeneidade enunciativa de Authier-Revuz, que possibilitou analisar as marcações do outro na escrita monográfica; a reformulação-paráfrase de Pêcheux e a polissemia e a paráfrase de Orlandi, que apresentam as noções de produtividade e criatividade como formas de produção de sentidos e permitem observar como se estabelece o processo de produção da linguagem na escrita acadêmica; valor de troca e valor de uso de Rossi-Landi, que considera a linguagem como trabalho linguístico, o que possibilita verificar as diferenças de uso e a funcionalidade social de uma teoria; e a noção de indícios de autoria, apresentada por Possenti, através da qual identificaram-se atitudes que configuram o locutor de um texto como seu autor. Verificou-se que a escrita caracterizada pela repetição e reprodução pode desenvolver um efeito de sentido portador da ideia de promoção de um autor, um conceito ou uma teoria. Porém, mesmo quando a escrita se limita a reproduzir os discursos de outros autores e não articula a teoria à análise de dados ou à metodologia, o trabalho avaliado obtém aprovação e legitima-se como produção científica. Isso indica a existência de produções acadêmicas que não desenvolvem a funcionalidade da teoria empregada. Nesses casos, o texto circula a fim de promover a fundamentação teórica, e esta, que normalmente se configura como argumentação e sustentação da produção científica, não exerce função no trabalho realizado. Assim, as marcações do outro na escrita acadêmica destacam afirmações alheias em detrimento do dizer do pesquisador. O modo de escrita pode, portanto, evidenciar um efeito de sentido de promoção de um autor, de uma teoria ou de conceitos teóricos
Abstract: In this study we have developed a discussion about academic text production in the undergraduate course of Literature and Languages. Specifically, we are going to analyze the monographic text writing in order to verify the meaning effects created from the ways of showing other s discourses that constitute a written production. As a means to do that, we are going to answer the following question: How does a young researcher make use of a theory in order to be part of a particular scientific community? We aim to: 1) analyze the linguistic resources, like quotations and signs of cohesion that demonstrate the other s voice presence in academic writing; 2) observe the meaning effects produced through the ways that the one who writes shows the other s voice in the written text. Firstly, we have selected 23 (twentythree) monographs produced in the last five years by students from a Literature and Languages undergraduate course in a determined public university. However, in this study, we have analyzed just 02 (two) different monographic texts. To develop such an investigation, we have inquired Kuhn s concept of science, which shows the existence of different meanings of science production in the course of the centuries. It allows us to define academic writing as science production that develops and contributes to knowledge production. With the purpose of restricting the meaning of writing conception, we have relied on Coracini, who assumes that all writing production is the registration of the self, in other words, writing comes from the subject s intervention, it is to say that only an imposition of the self guarantees the subject as author of what he writes. We have as theoretical basis the following concepts: 1-) Authier-Revus s enunciative heterogeneity, that allowed us to analyze the written marks of the other in the monographic writing; 2-) Pêcheux s reformulation-paraphrase and Orlandi s polysemy and paraphrase, concepts that present notions of productivity and creativity as ways of meaning production, and allows us to observe how the process of language production in academic writing is established; 3-) Rossi-Landi s concept of exchange-value and use-value, which consider language as a linguistic work, allowing us to verify the differences between use and social functionality in a determined theory; and 4-) Possenti s notion of authorship indicia, with which we have identified attitudes that make the one who writes author of his own text. We have verified that writing characterized for repetition and reproduction may develop a meaning effect that constructs the idea that writing production promotes an author, a concept or a theory. We have also realized that a written text that restricts itself to reproduce other authors discourses and does not articulate a theory with data analysis or with work methodology, when evaluated is approved and legitimates itself as scientific production. That demonstrates the existence of academic productions that do not develop any functionality of the employed theory. The text works as a means to promote its theoretical concepts, and theory. It is to say that the theoretical foundantion, which usually is a way to argue and sustain scientific production, does not have any function. Thus, we consider that the way someone shows the other s discourse in academic writing may work as a way to underline what the other asserts to the detriment of the researcher s words. This fact allows us to comprehend that a way of writing may evidence a meaning effect of the author s, theory s or theoretical concepts promotion
URI: https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/16303
Appears in Collections:PPGEL - Mestrado em Estudos da Linguagem

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