TIEGO LUIZ DE ARAÚJO COSTA Orientadora: Liana de Figueiredo Mendes Natal, Junho/2010 II TIEGO LUIZ DE ARAÚJO COSTA PROJETO RAIA DE FOGO: Aspectos populacionais da raia de fogo (Dasyatis marianae, Gomes, Rosa & Gadig, 2000) e pesca de elasmobrânquios no complexo recifal do Parracho de Maracajaú Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Bioecologia Aquática – Área de Concentração Ecologia, do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito para a obtenção do título de Mestre. Orientadora: Liana de Figueiredo Mendes Natal, Junho/2010 Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Setorial do Centro de Biociências Costa, Tiego Luiz de Araújo. Projeto raia de fogo: aspectos populacionais da raia de fogo (Dasyatis marianae Gomes, Rosa & Gadig, 2000) e pesca de elasmobrânquios no complexo recifal do Parracho de Maracajaú / Tiego Luiz de Araújo Costa. – Natal, RN, 2010. 115 f. : Il. Orientadora: Liana de Figueiredo Mendes. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Biociências. Programa de Pós-Graduação em Bioecologia Aquática. 1. Ecologia – Dissertação. 2. Raia de fogo – Dissertação. 3. Pesca – Dissertação. I. Mendes, Liana de Figueiredo. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título. RN/UF/BSE-CB CDU 591.5 III PROJETO RAIA DE FOGO: ASPECTOS POPULACIONAIS DA RAIA DE FOGO (DASYATIS MARIANAE, GOMES, ROSA & GADIG, 2000) E PESCA DE ELASMOBRÂNQUIOS NO COMPLEXO RECIFAL DO PARRACHO DE MARACAJAÚ TIEGO LUIZ DE ARAÚJO COSTA Banca examinadora: Dra. Liana Mendes de Figueiredo Mendes (UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte) (orientadora) Dr. Ricardo de Souza Rosa (UFPB - Universidade Federal da Paraíba) (examinador externo) Dra. Priscila Fabiana Macedo Lopes (UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte) (examinadora interna) Natal, Junho/2010 V AGRADECIMENTOS À Liana Mendes, pela orientação, paciência e, principalmente, pela amizade que cresceu ao longo do tempo e convivência, desde as aulas de Invertebrados (quando quebraram sua concha importada), passando pela minha monografia, até hoje (e que venha o doutorado e as pizzas). À Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, pelo financiamento total do projeto. À Ong. Oceânica, por acreditar na viabilidade do projeto e possibilitar a arrecadação do recurso para sua execução. Ao Programa de Pós-Graduação em Bioecologia aquática – UFRN, pela oportunidade e pelo apoio ao projeto e à minha formação como MSc. em Bioecologia aquática. A CAPES, pela concessão da bolsa. Ao Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente – IDEMA, pela licença de pesquisa na área da APA dos Recifes de Corais - APARC e pelo apoio ao projeto. Ao Programa de Monitoramento Ambiental do Parracho de Maracajaú – PROMAR, que viabilizou a logística de campo. À equipe de monitores ambientais e pilotos do PROMAR, pela contribuição e ajuda. Ao Zé Maria, pela amizade e fundamental ajuda durante as atividades de marcação de raias de fogo (ele nasceu para isso). Ao Estevão e Sandra, pela amizade e por abrirem as portas de sua casa na fase inicial do projeto. À empresa Maracajaú Dive, em especial a Marcelo Zigmond (Ziggy), por disponibilizar os equipamentos de mergulho autônomo e toda a infra-estrutura da marina da empresa para operações com embarcações e acondicionamento das mesmas. A toda a equipe de funcionários da marina da Maracajaú Dive, principalmente ao Fernando, pela confiança e amizade. Ao mecânico náutico, Seu Jorge, pela parceria com o projeto para a manutenção dos motores de popa das embarcações. VI À Secretaria de Educação de Maxaranguape e diretores das escolas municipais Eva Varela Cavalcante e Professor Calixto, por acreditarem e possibilitarem a realização de grande parte do programa de educação ambiental com os alunos. À Janaína Calado, pela amizade e inestimável ajuda no desenvolvimento do programa de educação ambiental, principalmente, com as crianças durante as atividades e por todas as discussões produtivas ou não. À Gracinha Patrícia, Felipe Torquato, Lara Cavalcante, Mayara Cristina, Priscilla Valessa, Samara da Silva, Joelton Igor, André Araújo, Gessyka Kalen e Aline Camila, pela importante ajuda durante o programa de educação ambiental. Ao Altamir, que sempre estava pronto para ajudar de qualquer forma, até ir buscar as crianças faltosas em suas casas para participarem das oficinas no ECOPOSTO do IDEMA. A todos os funcionários do ECOPOSTO dos Recifes de Corais, que além de um excelente trabalho na unidade, sempre contribuíram para a realização das oficinas, reuniões e palestras no local. À Elizama, Paulo Moura, Abraão Moura, Edileuza, Açucena, Jardel, Jéssica Nascimento, Sanderson e David, pela aplicação do questionário e teste com os pecadores locais. Aos professores Ricardo Amaral, Coca, Jorge Lins, Priscila, Fúlvio, Rosângela e Ricardo Garla, pela amizade, confiança e pela indispensável contribuição ao longo do projeto. Ao Giráia, Rizadinha, Bigode, Mazinho e Zé de Ló, pela confiança, gentileza e paciência de me levar, durante a pesca ou não, em suas embarcações para realizar censos visuais e marcar raias de fogo. Ao Iran Costa e Valésia, pela abertura da mídia local, Jornal Litoral Notícias e Rádio Litoral FM 87,9, para entrevistas, divulgação de resultados e informações importantes acerca do projeto. À Dona Pilar e Seu Ariobaldo, pelas conversas e pela casa onde morei ao longo da execução do projeto. Seria impossível listar todas as pessoas da comunidade que me receberam tão bem na cidade e seria um pecado tentar e deixar um nome sequer de fora, mas tenho certeza que hoje não sou um pesquisador, sou O CARA DA RAIA e tenho muito amigos em Maracajaú. VII À minha família, por sempre acreditar e ajudar na execução deste projeto, na minha formação, caráter e na minha vida. A uma pessoa que sempre confiou no meu potencial, que sempre compreendeu e teve paciência com minha escolha profissional, que sempre ouviu meus desabafos, que colaborou em todas as etapas deste projeto e que é meu porto seguro sempre, Marihelly Maria de Oliveira Cunha, minha amiga, meu amor e minha futura esposa. Graças a todos vocês mais esta etapa foi concluída, MUITO OBRIGADO! VIII SUMÁRIO Capitulo I - Aspectos populacionais da raia de fogo (Dasyatis marianae, Gomes, Rosa & Gadig, 2000) no complexo recifal do Parracho de Maracajaú.............................................................................................................. 1 Resumo................................................................................................................... 2 Abstract................................................................................................................... 3 1- Introdução......................................................................................................... 4 2 - Objetivos........................................................................................................... 7 2.1 – Objetivo geral.............................................................................................. 7 2.2 – Objetivos específicos.................................................................................. 7 3 - Área de estudo.................................................................................................. 8 3.1 - Fundo de fanerógamas................................................................................. 8 3.2 - Recifes emersos........................................................................................... 9 3.3 – Recifes submersos....................................................................................... 10 3.4 – Fundo arenoso............................................................................................. 10 4 - Métodos............................................................................................................. 12 4.1 - Observações subaquáticas........................................................................... 12 4.2 - Caracterização da população de D. marianae............................................. 12 4.3 - Abundância e densidade populacional da espécie D. marianae.................. 14 4.3.1 - Censos visuais..................................................................................... 14 4.3.2 - Marcação de exemplares de raia de fogo............................................ 15 4.4 - Caracterização dos hábitos alimentares....................................................... 16 4.5 - Aspectos comportamentais.......................................................................... 17 5 – Resultados........................................................................................................ 19 5.1 - Caracterização da população de D. marianae............................................. 19 5.1.1 - Aspectos reprodutivos........................................................................ 22 5.2 - Abundância e densidade populacional da espécie D. marianae.................. 27 5.2.1 - Características abióticas do local de estudo....................................... 27 5.2.2 - Censos visuais..................................................................................... 28 5.2.3 - Marcação e recaptura de exemplares de raia de fogo......................... 31 5.3 - Caracterização dos hábitos alimentares....................................................... 32 5.4 - Aspectos comportamentais.......................................................................... 38 6 – Discussão.......................................................................................................... 42 6.1 - Caracterização da população de D. marianae............................................. 42 6.1.1 - Aspectos reprodutivos........................................................................ 44 6.2 - Abundância e densidade populacional da espécie D. marianae.................. 47 6.2.1 - Censos visuais..................................................................................... 47 6.2.2 - Marcação e recaptura de exemplares de raia de fogo......................... 48 6.3 - Caracterização dos hábitos alimentares....................................................... 48 6.4 - Aspectos comportamentais.......................................................................... 51 7 – Conclusões....................................................................................................... 55 8 - Considerações acerca da conservação da espécie D. marianae na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN............................................ 57 Capitulo II - Pesca de elasmobrânquios na área do Parracho de Maracajaú e uma abordagem etnoictológica......................................................................... 58 Resumo................................................................................................................... 59 Abstract................................................................................................................... 60 1- Introdução......................................................................................................... 61 IX 2 – Objetivos........................................................................................................... 64 2.1 – Objetivo geral.............................................................................................. 64 2.2 – Objetivos específicos.................................................................................. 64 3 - Métodos............................................................................................................. 65 3.1 - Check-list das espécies de elasmobrânquios na área do Parracho de Maracajaú e litoral do RN....................................................................................... 65 3.2 - A pesca e a relação comunidade com os elasmobrânquios......................... 65 4 – Resultados........................................................................................................ 67 4.1 - Levantamento das espécies (check-list) de elasmobrânquios...................... 67 4.1.1 - Área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú ........................ 67 4.1.2 - Litoral do Rio Grande do Norte.......................................................... 68 4.2 - Relação comunidade – elasmobrânquios..................................................... 70 4.2.1 - Caracterização da pesca de elasmobrânquios no complexo recifal do Parracho de Maracajaú....................................................................................... 70 4.2.2 – Resultados do questionário................................................................ 71 4.2.3 - Índice popular de conhecimento de espécies (IPCE) ........................ 78 5 - Discussão.......................................................................................................... 81 5.1 - Levantamento das espécies (check-list) de elasmobrânquios...................... 81 5.2 - Relação comunidade elasmobrânquios........................................................ 83 5.2.1 - Caracterização da pesca de elasmobrânquios no complexo recifal do Parracho de Maracajaú....................................................................................... 83 5.2.2 – Questionário....................................................................................... 83 5.2.3 - Índice popular de conhecimento de espécies (IPCE)......................... 86 6 – Conclusões....................................................................................................... 90 7 - Considerações acerca da conservação de elasmobrânquios na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN............................................ 92 8 - Bibliografia....................................................................................................... 94 9 – Anexos.............................................................................................................. 109 X LISTA DAS TABELAS Tabela 1: Definição dos estágios de maturação sexual de D. marianae........................13 Tabela 2: Número de fêmeas e machos por localidade..................................................21 Tabela 3: LD dos exemplares capturados próximos a praia e áreas mais afastadas; e LD e peso para machos e fêmeas...........................................................................................21 Tabela 4: Capturas de D. marianae de acordo com os estágios de maturação sexual...............................................................................................................................26 Tabela 5: Caracterização dos embriões..........................................................................26 Tabela 6: Resultados das transecções na área do Parracho de Maracajaú......................29 Tabela 6: Proporção de machos e fêmeas nas diferentes localidades.............................30 Tabela 7: Estimativa populacional de D. marianae para cada habitat...........................31 Tabela 8: Dados da recaptura e reavistamento de exemplares marcados.......................31 Tabela 9: Freqüência de ocorrência (FO%), composição percentual (CPE%), percentual de peso (%P) e percentual do índice de importância relativa (%IRI) dos itens alimentares identificados nos estômagos de D. marianae...............................................33 Tabela 10: Lista dos itens alimentares identificados nos estômagos de raias de fogo...34 Tabela 11: Índice de repleção (IR) médio para cada estado de preenchimento (EP) dos estômagos de raia de fogo...............................................................................................35 Tabela 12: Itens alimentares agrupados por filos zoológicos com valores de freqüência de ocorrência (FO%), composição percentual (CPE%), percentual de peso (%P) e percentual do índice de importância relativa (%IRI), índice de importância relativa (IRI), coeficiente alimentar (Q) e categorias de preferência (CP)...................................35 Tabela 13: IRI dos itens alimentares para machos (N = 65) e fêmeas (N = 36).............36 Tabela 14: IRI dos itens alimentares para adultos (N = 92) e imaturos (N = 9) de D. marianae..........................................................................................................................37 Tabela l5: IRI dos itens alimentares de D. marianae capturados nas localidades Praia, Fanerógama, Parracho e Depois do parracho..................................................................38 Tabela 16: Número e porcentagem de indivíduos ativos e em repouso durante os censos visuais e marcação de raias de fogo.................................................................................39 Tabela 17: Raias e tubarões com ocorrência na área do Parracho de Maracajaú...........67 Tabela 18: Lista das espécies de elasmobrânquios que ocorrem no litoral do RN.........69 Tabela19: Associação entre os nomes citados pelos pescadores da Praia de Maracajaú com as espécies registradas na área.................................................................................74 XI Tabela 20: Respostas dos pescadores quanto à importância dos tubarões e raias para o turismo e para o Parracho de Maracajaú.........................................................................76 Tabela 21: Espécies utilizadas no teste, número de nomes populares e os termos de consenso entre os pescadores locais................................................................................78 LISTA DAS FIGURAS Figura 1: Localização da APARC e destaque para a área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú e os diferentes tipos de ambientes. (modificado de AMARAL et al., 2005)...........................................................................................................................8 Figura 2: Ambiente caracterizado como fundo de fanerógamas......................................9 Figura 3: Ambiente caracterizado como recifes emersos...............................................10 Figura 4: Ambiente caracterizado como fundo arenoso.................................................11 Figura 5: Delimitação das áreas de captura de exemplares de D. marianae no complexo recifal do Parracho de Maracajaú...................................................................................13 Figura 6: Localização dos ambientes que compõem o complexo recifal do Parracho de Maracajaú. (FA – fundo de fanerógamas; RE – recifes emersos; RS; recifes submersos; A – fundo de areia; NI – não identificado).....................................................................15 Figura 7: Detalhe da marcação artificial (A) e natural (B) utilizada para individualizar exemplares de D. marianae............................................................................................16 Figura 8: Número de raias capturadas através da pesca artesanal da Praia de Maracajaú – RN ao longo dos meses de agosto de 2008 a agosto de 2009 (N = 120).................................................................................................................................19 Figura 9: Número de raias por classe de tamanho..........................................................19 Figura 10: Tamanho médio (LD e CD) das raias de fogo por localidade no Parracho de Maracajaú........................................................................................................................20 Figura 11: Exemplares de D. marianae capturados pela pesca nas localidades: praia, fanerógamas, parracho, depois do parracho e NI (não identificado)..............................20 Figura 12: Relação largura de disco (LD) e pesos em machos e fêmeas de Dasyatis marianae, capturadas na área dos Parrachos de Maracajaú – RN..................................22 XII Figura 13: Relação da freqüência de ocorrência de fêmeas maduras ou em maturação com o comprimento (LD)...............................................................................................23 Figura 14: Relação da freqüência de ocorrência de machos maduros ou em maturação com o comprimento (LD)...............................................................................................23 Figura 15: Relação entre LD e comprimento do clásper (CC).......................................24 Figura 16: Sistema reprodutor de machos de D. marianae: apresentando apenas o testículo esquerdo (A); com clásper e testículo esquerdo atrofiado (B), detalhe da diferença entre clásper esquerdo e direito (C).................................................................25 Figura 17: Valores médios do IHS das raias de fogo capturadas através da pesca na área dos Parrachos de Maracajaú entre os meses de Agosto de 2008 e Agosto de 2009.................................................................................................................................25 Figura 18: Distribuição do tamanho (Largura do Disco) dos embriões de acordo com período de registro...........................................................................................................27 Figura 19: Valores médios de temperatura de fundo da água ao longo do período amostral (Julho de 2008 a Dezembro de 2009)...............................................................28 Figura 20: Valor médio da temperatura da água para as localidades do complexo recifal do Parracho de Maracajaú...............................................................................................28 Figura 21: Frequência de ocorrência de exemplares de D. marianae através dos censos visuais nas diferentes localidades do complexo recifal do Parracho de Maracajaú........................................................................................................................29 Figura 22: Valores médios de raias avistadas através de censos visuais para cada localidade do complexo recifal do Parracho de Maracajaú.............................................30 Figura 23: Mapa da área das fanerógamas (AMARAL et al., 2005) exibindo a posição de marcação (X) e recaptura (Y) das raias de fogo e a trajetória (linha reta) entre estes pontos...............................................................................................................................32 Figura 24: Variação dos valores de IR das raias de fogo capturadas através da pesca em cada localidade do complexo recifal do Parracho de Maracajaú.....................................35 Figura 25: Dentição de Dasyatis marianae: mandíbula superior e inferior de um macho adulto (A e B) e fêmea adulta (C e D).............................................................................36 Figura 26: Figura ilustrativa de uma fêmea de D. marianae, com destaque (áreas escuras) para as áreas de concentração das marcas de mordidas.....................................39 Figura 27: Sequência de eventos registrados durante a atividade de alimentação de exemplares de D. marianae: A – natação lenta próxima ao substrato; B – posicionamento das nadadeiras peitorais no substrato, arqueamento da região escapular XIII e cauda; C – erguimento da parte anterior do disco; D – movimento da parte anterior do disco em direção ao substrato..........................................................................................40 Figura 28: Exemplar de tubarão martelo, S. mokarran, capturado na área do Parracho de Maracajaú, e no detalhe um exemplar de D. marianae retirado do estômago do tubarão.............................................................................................................................41 Figura 29: Exemplares de D. marianae capturada na área das fanerógamas no complexo recifal do Parracho de Maracajaú durante a pesca de polvos. Detalhe: uso do bicheiro............................................................................................................................71 Figura 30: Distribuição dos entrevistados (%) quanto à faixa etária (NI = não informado).......................................................................................................................72 Figura 31: Modalidades de pesca (%) citadas pelos pescadores de Maracajaú – RN....................................................................................................................................72 Figura 32: Raias e tubarões (nomes populares) mais capturados na área dos Parrachos de Maracajaú de acordo com os pescadores entrevistados..............................................74 Figura 33: Motivos da diminuição no número de elasmobrânquios na área do Parracho de acordo com os pescadores entrevistados....................................................................75 Figura 34: Atividade turística praticada na área de recifes expostos (RE) do complexo recifal do Parracho de Maracajaú....................................................................................75 Figura 35: Acidentes envolvendo elasmobrânquios entre os entrevistados...................76 Figura 36: Cicatriz do ferimento causado pela mordida de um tubarão lixa na altura do peito direito do pescador chamado Seu Titico................................................................77 Figura 37: Motivos mencionados como causadores dos acidentes envolvendo elasmobrânquios segundo os pescadores acidentados....................................................77 Figura 38: Comparação das médias dos valores do IPCE Biblio e IPCE Pop através do Teste t..............................................................................................................................79 Figura 39: Associação entre os resultados do IPCE Biblio e a idade dos entrevistados....................................................................................................................79 Figura 40: Exemplares de R. percellens (A), A. narinari (B) e D. guttata (C) avistados na área de fanerógamas do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN..............93 Figura 41: fotografias utilizadas na aplicação do teste (IPCE) com os pescadores da comunidade (1 - Carcharhinus falciformes; 2 - Negaprion. brevirostris; 3 - C. acronotus; 4, 7, 12 – C. leucas; 5 – C. plumbeus; 6, 9 - C. limbatus; 8 - Sphyrna mokarran; 10 - Dasyatis guttata; 11 - D. americana; 14- S. tiburo; 15 – Manta birostris; XIV 17 – Mobula hypostoma; 18 – Gymnura altavela; 19 – Narcine brasiliensis; 20 - C. perezi; 21 – Rhinoptera bonasus...................................................................................110 Figura 42: Registro fotográfico das espécies de tubarões e raias identificadas na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN. (A – S. mokarran; B – S. zygaena; C – R. porosus; D – C. acronotus; E – C. limbatus; F – A. narinari; G – R. bonasus; H – D. marinanae; I – G. cuvier; J – D. americana; L – G. cirratum; M – D. guttata; N – N. brasiliensis; O – N. brevirostris; P – R. percellens)......................................................111 LISTA DOS ANEXOS Anexo 1: Questionário direcionado aos pescadores artesanais da Praia de Maracajaú – RN..................................................................................................................................109 Anexo 2: Fotografias utilizadas na aplicação do teste (IPCE) com os pescadores de Maracajaú – RN.............................................................................................................110 Anexo 3: Registro fotográfico das espécies de elasmobrânquios identificadas na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú.................................................................111 - CAPÍTULO I – ASPECTOS POPULACIONAIS DA RAIA DE FOGO (DASYATIS MARIANAE, GOMES, ROSA & GADIG, 2000) NO COMPLEXO RECIFAL DO PARRACHO DE MARACAJAÚ 2 RESUMO A espécie Dasyatis marianae habita áreas costeiras associadas a recifes de corais, sendo considerada endêmica para o nordeste do Brasil, ocorrendo desde o Estado do Maranhão até o sul da Bahia. Exemplares da espécie são comumente avistados por mergulhadores e pescadores na área do Parracho de Maracajaú, um complexo recifal que faz parte da Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Corais (APARC), onde foi desenvolvido o presente estudo, acerca da ecologia e biologia da D. marianae, com a finalidade de caracterizar aspectos da estrutura populacional na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Foram analisados 120 exemplares capturados pela pesca artesanal local quanto ao tamanho, peso, sexo, estágio de maturação e conteúdo estomacal. A maioria dos indivíduos foram machos adultos (1,7:1) e a maior abundância foi para raias com tamanhos entre 25 e 29cm de LD, onde as fêmeas atingem maiores os tamanhos, característica comum a outras raias. Os exemplares de maior porte foram capturados na área de fanerógamas, que é preferencial para a espécie. A distribuição da espécie na área apresentou uma segregação sexual e ontogenética, onde os juvenis ocorrem próximo à praia, que é uma provável área de berçário e crescimento destes, as fêmeas adultas prevalecem nas fanerógamas, que aparentemente tem uma elevada disponibilidade de presas, e os machos adultos se distanciam mais, ocorrendo numa maior proporção nas áreas mais afastadas, sugerindo um hábito mais exploratório quando comparado às fêmeas. A avaliação do sistema reprodutivo apontou 3 ciclos reprodutivos anuais, um filhote por gestação e mostrou que os machos maturam com menor tamanho que as fêmeas. Os filhotes de D. marianae nascem com tamanho de 12 a 15cm de LD. Quanto à dieta, a espécie foi caracterizada como carnívora carcinofágica especialista. A realização de censos visuais em diferentes localidades permitiu avaliar a densidade de D. marianae nos ambientes distintos do complexo. A espécie ocorre em maior número nas fanerógamas, ambiente muito importante para a conservação da espécie. De 100 indivíduos de D. marianae marcados na área do complexo recifal registrou-se uma taxa de recaptura de 3%. Alguns aspectos comportamentais foram avaliados, como padrão de atividade diurna, interação de limpeza com Pomacanthus paru e peixes seguidores como Lutjanus analis e Carangoides bartholomaei. De forma geral, muitas das informações obtidas deverão ser usadas para o manejo adequado da espécie. Palavras chave: Dasyatis marianae; distribuição; abundância; reprodução; Parracho de Maracajaú. 3 ABSTRACT The species Dasyatis marianae inhabits coastal areas associated with coral reefs, considered endemic to the northeast of Brazil, occurring from the State of Maranhão to the south of Bahia. Specimens of this species are commonly sighted by divers and fishermen in the area of Maracajaú reefs, a complex reef that is part of the Environmental Protection Area of Coral Reefs (EPACR), which was developed in this study about the ecology and biology of the D. marianae, in order to characterize aspects of population structure in the area of the reef complex of Parracho de Maracajaú. We analyzed 120 specimens caught by artisanal fishing site of the size, weight, sex, stage of maturity and stomach contents. Most subjects were adult males (1.7:1) and was more abundant for rays with lengths between 25 and 29cm of LD, where females reach larger sizes, a feature common to other rays. The largest specimens were captured in the area of seagrass, which is preferred for the species. The distribution of species in the area showed an ontogenetic and sexual segregation, where the youthful occur near the beach, which is a likely area for nursery and growth of the adult females prevail in the seagrass, which apparently has a high prey availability, and Adult males are more distant, a higher proportion occurring in outlying areas, suggesting a habit more exploratory than the females. The evaluation of the reproductive system indicated 3 reproductive cycles per year, one young per pregnancy, and showed that the mature males were smaller than females. The cubs of D. marianae size at birth 12 to 15cm LD. As for diet, the species was characterized as carnivorous crustacean specialist. The performance of visual censuses in different localities allowed to evaluate the density of D. marianae in different environments of the complex. The species occurs in greater numbers in seagrass, environment very important for the conservation of the species. 100 individuals of D. marianae marked in reef complex area enrolled in a recapture rate of 3%. Some behavioral aspects were evaluated, as diurnal pattern of activity, interaction with cleaning and fish Pomacanthus paru followers as Lutjanus analis and Carangoides bartholomaei. Overall, much of the information obtained should be used for management of the species. Keywords: Dasyatis marianae; distribution, abundance, breeding; Maracajaú reefs. 4 1 - INTRODUÇÃO Os Chondrichthyes são peixes cartilaginosos que incluem duas Subclasses: Holocephali e Elasmobranchii. Os Holocephali são representados pelas quimeras, com cerca de 50 espécies conhecidas (LAST & STEVENS, 1994). A Subclasse Elasmobranchii é composta por espécies de raias e tubarões que são os predadores de topo no ambiente marinho, com um papel importante no controle de populações de peixes e invertebrados em níveis tróficos inferiores (ELLIS et al., 1996; CAMHI et al., 1998). HOENIG & GRUBER (1990) citam que o equilíbrio e a saúde do ecossistema dependem da integridade das populações locais de elasmobrânquios, entretanto apesar desta reconhecida importância no sistema aquático, aspectos como dinâmica populacional, demografia, biologia e ecologia básica da maioria dos elasmobrânquios ainda são pouco conhecidos (CORTES & PARSON, 1996). A Superordem Batoidea, que inclui as raias é composta por quatro ordens, 21 famílias, 63 gêneros e aproximadamente 550 espécies (MOULD, 1995) e a biologia da maioria das espécies ainda é pouco conhecida (SNELSON et al., 1988), estudos em ambiente natural enfocando raias não são freqüentes, com poucos trabalhos publicados que tenham utilizado registros diretos. De forma geral, as dificuldades de realizar estudos com elasmobrânquios surgem em razão principalmente da complexidade das atividades que envolvem coleta, preservação, manutenção dos exemplares em coleções científicas e observações diretas no campo ou cativeiros (GRUBER & MYRBERG, 1977; NELSON, 1977). A Família Dasyatidae (raias), com mais de 70 espécies (NELSON, 1994), ocupam um nicho ecologicamente importante, principalmente em ambientes como baías e lagunas (SMITH & MERRINER 1985; THRUSH et al. 1991; GRAY et al. 1997). Contudo, esses animais ocorrem também em ambientes estuarinos e costeiros até áreas oceânicas e pelágicas. Segundo SANTOS et al. (2004), o gênero Dasyatis (RAFINESQUE, 1810) apresenta 37 espécies e ocorre em todo o mundo (COMPAGNO, 1999a,b; GOMES et al. 2000). Seis espécies do gênero Dasyatis são registradas no Atlântico Sul Ocidental, no litoral brasileiro: D. americana (HILDEBRAND & SCHROEDER, 1928); D. centroura (MITCHILL, 1815); D. geijskesi (BOESEMAN, 1948); D. guttata (BLOCH & SCHNEIDER, 1801); D. marianae (GOMES et al., 2000); e D. say (LESUEUR, 1817). AGUIAR (2005) esclarece que são conhecidos aspectos da biologia alimentar, biologia reprodutiva, padrão de movimentação e estrutura populacional para as espécies 5 Dasyatis chrysonota, D. centroura, D. gutata, D. lata, D. longus, D. pastinaca, D. sabina e D. say. No entanto, com relação à Dasyatis marianae, a espécie foco deste estudo, conhecida popularmente como raia-mole ou raia-de-fogo, inexistem pesquisas semelhantes, provavelmente devido ao fato desta ter sido descrita recentemente por GOMES et al. (2000). A literatura aponta que esta raia habita áreas costeiras associadas a recifes de corais, sendo considerada endêmica para o nordeste do Brasil, ocorrendo desde o Estado do Maranhão até o sul da Bahia. A raia de fogo difere das outras espécies do gênero pelas seguintes características: olhos bem desenvolvidos (diâmetro horizontal igual à distância interorbital), duas membranas caudais bem desenvolvidas na superfície dorsal e ventral da cauda, que terminam aproximadamente na mesma altura, e um padrão exclusivo de coloração ventral (GOMES et al., op. cit.). A espécie foi registrada pela primeira vez na costa do Estado do Rio Grande do Norte por FEITOZA (2001) e recentemente por GARCIA (2006). Exemplares de D. marianae são comumente avistados por mergulhadores e pescadores na área do Parracho de Maracajaú, que é um complexo recifal que faz parte da Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Corais (APARC). Este complexo recifal está localizado a aproximadamente 7 km ao leste da Praia de Maracajaú, município de Maxaranguape (RN) ao norte da capital do Estado, e é alvo de intensa atividade turística e pesqueira. Nas proximidades do Parracho de Maracajaú exemplares de D. marianae, além de outras espécies de elasmobrânquios, são capturados através da pesca artesanal (redes de espera, linhas de mão e caça submarina). Áreas marinhas protegidas, como a APA dos Recifes de Corais, são de grande importância para o manejo e conservação das comunidades biológicas tanto em seu interior como nos arredores. Atualmente está sendo elaborado o Plano de Manejo da APARC e de acordo com MENDES et al. (2009) as informações acerca da diversidade de espécies, abundância, distribuição e importância sócio-econômica destas são fundamentais para traçar as diretrizes de uso e conservação. Estudos populacionais são importantes para conservação, para tanto é necessário conhecer a distribuição espacial da espécie, o que significa que dentro de certos limites geográficos, os indivíduos ocupam habitats com características adequadas e sua abundância depende diretamente da disponibilidade de recursos e presença de predadores. Sendo assim, é necessário saber como a população local é formada para compreender a ocupação da espécie em um determinado local (RICKLEFS, 1996). 6 Aspectos populacionais, como por exemplo, a estrutura e densidade populacional, são informações importantes e servem de base para o monitoramento do comportamento desta população em momentos subseqüentes (AGUIAR, 2005). O presente trabalho enfoca aspectos da ecologia e biologia da raia de fogo, D. marianae, com a finalidade de caracterizar aspectos da estrutura populacional na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN. 7 2 - OBJETIVOS 2.1 - Objetivo geral Caracterizar aspectos populacionais da raia de fogo, Dasyaits marianae (GOMES et al., 2000), na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. 2.2 - Objetivos específicos -Caracterização da população de D. marianae quanto a sua distribuição, estratificação sexual e ontogenética; -Descrição dos padrões reprodutivos; -Caracterização da abundância e densidade populacional da espécie na área do complexo recifal; -Caracterização dos hábitos alimentares -Descrição de aspectos comportamentais enfocando interações ecológicas, distribuição, alimentação e reprodução da espécie. 8 3 - ÁREA DE ESTUDO O Parracho ou Baixo de Maracajaú está localizado a cerca de 7km da Praia de Maracajaú, Município de Maxaranguape (RN) e trata-se de um corpo recifal de 9 km de comprimento por 2 km de largura, entre as coordenadas 5º21’12” e 5º25’30” S e 35º14’30” e 35º17’12” W (ARANTES, 2004). O Parracho corresponde a uma estrutura recifal ovalada composta por vários picos de crescimento coralino-algal sobre uma base arenítica, cujo topo situa-se entre 1 e 3 m de profundidade na maré baixa (MAIDA & FERREIRA, 1997; AMARAL, 2002). O complexo recifal de Maracajaú é formado por diferentes tipos de ambientes: fundo de fanerógamas, recifes emersos, recifes submersos, e fundo arenoso (AMARAL et al. 2005) (fig. 1). Os corpos recifais apresentam-se na área como manchas de corais, arenito e algas calcárias, os quais crescem a partir do fundo arenoso até cerca de três metros de altura. A densidade com que estes corpos recifais estão dispostos na área varia, existindo corpos recifais muitas vezes fundidos uns aos outros, na porção sudeste da área, e corpos recifais dispersos e espaçados sobre fundo arenoso, na região a oeste (AMARAL et al. 2005). Estes ambientes apresentam grande importância econômica quanto à extração de recursos para subsistência e também mercantilização em pequena escala (BONILHA, 2003). Recifes expostos Recifes submersos Fanerógamas marinhas Fundo arenoso NI Figura 1: Localização da APARC e destaque para a área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú e os diferentes tipos de ambientes. (modificado de AMARAL et al., 2005) A seguir é feita uma descrição de cada área identificado por AMARAL et al. (2005). 3.1 - Fundo de fanerógamas 9 Ambiente localizado na parte mais interna do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Possui águas calmas e com visibilidade média de 4,80m, variando de 1,50 a 10,0m. As profundidades foram registradas entre 1,60 a 6,20m, sendo as maiores profundidades a leste da área. O fundo é predominantemente recoberto por fanerógamas conhecidas como capim agulha (fig. 2), formando bancos intercalados por faixas de areia no sentido leste-oeste. Segundo AMARAL et al. (2005), esta localidade apresenta a maior área dentro do complexo, medindo cerca de 4,3km². Figura 2: Ambiente caracterizado como fundo de fanerógamas. 3.2 - Recifes emersos Ambiente localizado na parte central do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Possui visibilidade média de 2,68m, variando de 1,20 a 5,00 metros. As profundidades foram registradas entre 1,20 a 4,10m, sendo as maiores profundidades localizadas ao norte da área. Muitos autores descrevem o complexo recifal caracterizando apenas esta área específica. AMARAL et al. (2005) explica que os corpos recifais da área apresentam-se como manchas de corais, arenito e algas calcárias, os quais crescem a partir do fundo arenoso até cerca de três metros de altura (fig. 3). A densidade com que estes corpos recifais estão dispostos é alta, quando estes corpos apresentam muitas vezes fundidos uns aos outros, na porção sudeste da área e baixa, quando os corpos estão mais dispersos sobre fundo arenoso, na porção a oeste. As formações recifais são formadas por construções coralinas pouco espessas, cujo principal construtor é o coral Siderastrea stellata (LABOREL & KEMPF, 1965; LABOREL, 1970 apud CASTRO, 2002; MAIDA & FERREIRA, 1997; ARANTES, 2004). Durante a maré baixa, aflora um grande número de cúpulas ao longo de toda sua extensão, geralmente com recobrimento do zoantídeo Palythoa. MAYAL et al. (2009) identificaram seis espécies de corais formadores de recifes na área do Parracho de 10 Maracajaú, onde três delas são endêmicas do Brasil (Siderastrea stellata, Favia gravida e Mussismilia hispida) e são consideradas comuns em todos os recifes brasileiros. Nas concreções e arredores do recife crescem esponjas, macro-algas e corais (FEITOZA, 2001). AMARAL et al. (2005) calcularam a área dos recifes emersos em aproximadamente 2,6km². Figura 3: Ambiente caracterizado como recifes emersos. Foto: Liana Mendes 3.3 - Recifes submersos Ambiente localizado na parte mais externa do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Possui visibilidade média 3,96m, entre 1,10 e 9,00 metros. As profundidades foram registradas entre 0,70 a 6,90m. As maiores profundidades estão localizadas a leste da área. No complexo esta área corresponde à margem sul e leste, voltada ao mar aberto, caracterizada por grande turbulência significativa e fundo composto por rodolitos com manchas recifais menores e maiores, por vezes formando platôs baixos. MENDES et al. (2009) explicam que estes pequenos platôs recifais apresentaram grande cobertura de macroalgas bentônicas, sendo as macroalgas frondosas as mais representativas. Dentre os corais, destaca-se Siderastrea stellata. A área total dos recifes submersos é de aproximadamente 3,4km² (AMARAL et al., 2005). 3.4 - Fundo arenoso Ambiente localizado na porção central do complexo recifal. Possui visibilidade média de 2,29m, com mínimo de 1,00 e máximo de 4,00 metros. A profundidade mínima registrada foi de 2,70 e a máxima 4,90m. As maiores profundidades estão localizadas a oeste da área. AMARAL et al. (2005) descrevem esta área como fundo arenoso, no entanto, o substrato é predominantemente coberto por algas pardas 11 frondosas (fig 4) com áreas com areia e lama. Geralmente este ambiente exibe altos níveis de suspensão de partículas, reduzindo a visibilidade durante a maior parte do ano. Segundo AMARAL et al. (2005), esta localidade apresenta a menor área dentro do complexo, com cerca de 1,6km². Figura 4: Ambiente caracterizado como fundo arenoso 12 4 - MÉTODOS 4.1 - Observações subaquáticas Os registros de dados em campo foram efetuados através de observações subaquáticas com início em Julho de 2008, sendo finalizados em novembro de 2009, totalizando mais de 115 horas de observação. Todos os mergulhos foram realizados durante o dia e durante a baixa-mar, devido à redução da visibilidade nos períodos de preamar. Durante a execução do trabalho os pesquisadores utilizaram técnicas de apnéia. Os dados foram anotados com grafite em pranchetas de PVC. Também foram feitos registros fotográficos subaquáticos. 4.2 - Caracterização da população de D. marianae A estrutura da população de raia de fogo foi analisada por amostragens através do acompanhamento do desembarque da frota artesanal da comunidade de Maracajaú – RN. O acompanhamento foi feito de Agosto de 2008 a Agosto de 2009. As raias foram medidas (LD – largura do disco e CD – comprimento do disco), pesadas, sexadas e tiveram seu estágio de maturação identificados de acordo com SNELSON et al. (1988) e SMITH et al. (2007), através de uma avaliação macroscópica do trato reprodutivo (tab. 1). Os locais de captura foram identificados pelos pescadores no momento do desembarque e separados nas categorias: “praia”, para as localidades próximas a praia; “fanerógamas”, ambiente caracterizado pelos bancos de fanerógamas; “parracho”, para as áreas onde estão os recifes emersos; “depois do parracho”, para todas as localidades entre os recifes emersos e a Risca de Zumbi, incluindo a área de recifes submersos descrita por AMARAL et al. (2005) (fig. 5), possibilitando estabelecer a proporção entre machos e fêmeas, biomassa e localidades de captura. 13 Tabela 1: Definição dos estágios de maturação sexual de D. marianae segundo categorias de SNELSON et al. (1988) e SMITH et al. (2007). Figura 5: Delimitação das áreas de captura de exemplares de D. marianae no complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Imagem: Google Earth. Através de uma extrapolação gráfica, utilizando a proporção de indivíduos nos estágios 2 e 3 de maturação em relação ao seu número total e comprimento, foi gerada a curva de freqüência acumulada para fêmeas e machos, onde a mediana fornece uma estimativa do comprimento com que a metade dos indivíduos potencialmente reprodutivos estão em processo de maturação (L50), e um ponto inicial da faixa Sexo Estágio Machos Fêmeas Imaturo (1) Clásper flexível e pequeno, menor que a margem posterior da nadadeira pélvica. Testículos não desenvolvidos. Útero estreito e filamentoso. Ovário não desenvolvido. Em maturação (2) Clásper flexível, maior que a margem posterior da nadadeira pélvica. Testículos pouco desenvolvidos, sem diferenciação. Útero esquerdo parcialmente expandido. Ovário pouco desenvolvido, sem diferenciação (ovócitos visíveis). Maduro (3) Clásper rígido, maior que a margem posterior da nadadeira pélvica. Testículos bem desenvolvidos e lobulares. Útero esquerdo bem desenvolvido. Glândula oviducal diferenciada do útero. Presença de trophonemata. Ovário grande com ovócitos bem diferenciados. 14 assintótica em que todos os indivíduos da população estão em fase de reprodução (L100), conforme VAZZOLER (1962) e FONTELES-FILHO (1989). A partir do peso total e peso do fígado dos exemplares provenientes da pesca foi calculado o Índice Hepatossomático (CAPAPÉ, 1980) para identificar períodos de maior concentração de reservas energéticas, onde: IHS = Peso do fígado x 100 Peso eviserado O aumento da reserva hepática sugere a preparação para o período reprodutivo, uma vez que este órgão estoca grande quantidade de gordura e glicogênio (GERMAM & KOZLOVSKAYA, 2001), ingredientes energéticos estratégicos (TAVARES-DIAS et al., 2000; RANZANI-PAIVA & TAVARES-DIAS, 2002). Segundo TRESIERRA & CULQUICHICÓN (1993) este índice é considerado uma ferramenta indireta para avaliar o ciclo reprodutivo. Observações quanto ao volume de vitelo presente em embriões foram registradas. Este volume foi calculado arbitrariamente a partir da multiplicação dos valores de comprimento e largura do saco vitelínico dos embriões. 4.3 - Abundância e densidade populacional da espécie D. marianae 4.3.1 - Censos visuais Para estimar a abundância e densidade populacional dos indivíduos de D. marianae na área estudada foram efetuados censos visuais empregando-se o método de transecção linear em faixa (cf. HELFMAN, 1992; ROSA & MOURA, 1997). A área de cada transecto foi de 400m² (100 x 4m) e este método consiste em contar o número de indivíduos que aparece em cada amostra (HELFMAN, op cit.). As amostras foram divididas em quatro sub-áreas de acordo com a distinção de ambientes mencionada por AMARAL et al. (2005). O autor divide a área dos Parrachos, de acordo com o tipo de ambiente bentônico, em fundo de fanerógamas (FA), recifes emersos (RE), recifes submersos (RS) e fundo arenoso (A) (fig. 6). Todos as transecções tiveram o ponto inicial, final e trajetória georeferênciados com aparelho de GPS para identificação da localização de acordo com a sub-área do Parracho. Durante o desenvolvimento destas atividades de campo foi medida a temperatura de fundo da água (ºC) com um termômetro de mercúrio com 0.5ºC de precisão, a profundidade e visibilidade em cada amostra. 15 FA A RS RE NI NI Figura 6: Localização dos ambientes que compõem o complexo recifal do Parracho de Maracajaú. (FA – fundo de fanerógamas; RE – recifes emersos; RS; recifes submersos; A – fundo de areia; NI – não identificado) Imagem: Google Earth. 4.3.2 - Marcação de exemplares de raia de fogo Para verificar aspectos da ecologia de D. marianae como movimentação, distribuição e tamanho da população no complexo do Parracho de Maracajaú foi empregada a técnica de marcação e recaptura ("tag-and-recapture”) utilizada por SCHMID (1988). Os indivíduos foram marcados na área do espiráculo esquerdo com um “Nylon loop tag”, uma marca plástica convencional do tipo “Self-locking” que pode ser identificada visualmente sem o auxílio de equipamentos especiais de detecção (KOHLER & TURNER, 2001) (fig. 7). A localização e captura das raias da espécie Dasyatis marianae foi realizada através de mergulhos em apnéia e mergulhos rebocados (plana-sub), executado utilizando uma prancha de madeira conectada ao barco por um cabo e possibilita o observador a cobertura de extensas áreas. Os animais foram capturados com um puçá, embarcados e acomodados em bandeja plástica com água do mar. A partir deste momento, além da marcação, o exemplar foi submetido à medição (LD), sexação, pesagem e individualização com base em particularidades como marcas naturais de pigmentação, sinais, cicatrizes, escoriações, tamanho e sexo (MYRBERG & GRUBER, 1974; GRUBER & MYRBERG, 1977; CARRIER et al., 1994; ANDERSON & GOLDMAN, 1996; KLIMLEY & ANDERSON, 1996; CORCORAN & GRUBER, 1999; CASTRO, 2000; PRATT & CARRIER, 2001; CASTRO & ROSA, 2005). Todos os exemplares marcados foram também identificados pelo padrão de coloração ventral (fig. 7), de forma semelhante à mencionada por SANTOS et al. (2006). Todas as raias de fogo capturadas por pescadores locais e analisadas neste 16 estudo, além de uma vistoria no local de marcação em busca de cicatrizes, tiveram o padrão de coloração ventral comparado com o arquivo gerado no processo de marcação. Segundo HEUPEL et al. (1997 e 1998), o uso de marcas artificiais produz apenas pequenas lesões localizadas, não prejudicando a saúde geral das raias. Desta forma, somado ao curto tempo de manipulação na marcação das raias (média: 8min) e o estado de saúde dos animais ao serem libertados, foi desconsiderada a possibilidade de morte proveniente da marcação. Figura 7: Detalhe da marcação artificial (A) e natural (B) utilizada para individualizar exemplares de D. marianae. 4.4 - Caracterização dos hábitos alimentares Foi realizada a análise dos itens que compõe a dieta da raia de fogo a partir da coleta de estômagos de exemplares provenientes do desembarque da frota artesanal da Paia de Maracajaú no período de Agosto de 2008 a Agosto de 2009. O conteúdo dos estômagos foi posteriormente analisado em laboratório através dos métodos de freqüência de ocorrência (%FO), composição percentual (%CPE) e o percentual de peso de cada item (%P), para o cálculo deste índice foi utilizado o peso húmido de cada presa. O método de freqüência de ocorrência é a porcentagem dos estômagos com um determinado item em relação ao número total de estômagos. Por meio deste método obtém-se informação sobre seletividade e a amplitude do nicho ecológico, considerando a presença ou não de determinado item alimentar no estômago (HYNES, 1950; HYSLOP, 1980; BOWEN, 1996). Tal método é eficaz quando não é possível observação direta da alimentação de peixes (WINDELL & BOWEN, 1978; ROYCE, 1996). A composição percentual é calculada através da porcentagem do número de cada item em relação ao número total de itens analisados. Foi usado o índice de importância relativa (IRI) definido por PINKAS et al. (1971), onde IRI = %FO (%CPE 17 + %P), para estabelecer níveis de preferência para os itens alimentares. O valor de IRI foi convertido em porcentagem. Para a definição de categorias de preferência dos itens alimentares foram utilizados dois métodos. O proposto por GOMES (1995), onde as categorias são calculadas através análise dos valores de IRI, segundo as seguintes equações: IRI ≥ 30 x (0.15 x Σ%FO) - presa preferencial (PP) 10 x (0.05 x Σ%FO) < IRI < 30 x (0.15 x Σ %FO) - presa secundária (PS) IRI ≤ 10 x (0.05 x Σ%FO) - presa complementar (PC) Os limites de preferência para a raia de fogo, representando o universo amostral deste trabalho, foram: IRI ≥1131,75 (PP), 125,75 < IRI < 1131,75 (PS), IRI ≤125,75 (PC). Estes valores são alterados ao se analisar grupos isolados, como por exemplo: machos, fêmeas, indivíduos adultos, jovens ou qualquer outra forma de análise que altere a Σ %FO dos itens alimentares. O outro método utilizado para qualificar a dieta de D. marianae foi o coeficiente alimentar (HUREAU, 1970), onde o valor do coeficiente alimentar (Q) é obtido através de: Q = CPE% x P%. Segundo HUREAU (op. cit.), o item analisado é considerado uma presa preferencial quando Q > 200, presa secundária quando 20 < Q < 200 e ocasional quando Q < 20. Todos os estômagos analisados foram classificados em três categorias: preenchidos menos de ½ (-1), com preenchimento próximo de ½ (0) e mais de ½ (1). O número de estômagos vazios em percentagem do número total de estômagos analisados foi calculado para estimar o Índice de vacuidade (IV) (HUREAU, 1970) e o peso dos conteúdos estomacais em porcentagem do peso total do predador para a estimativa do Índice de repleção (IR) (BLEGVAD, 1919 in HYNES, 1950), formam utilizados na avaliação da atividade alimentar das raias de fogo. Durante a análise biológica do conteúdo estomacal todo material identificado como isca (pedaços de peixes e camarões relativamente grandes, com “cortes limpos”, indicando o uso de ferramentas cortantes) foi excluído das análises de dieta, sendo considerados separadamente, uma vez que esta situação não traduz um comportamento alimentar natural (BROMLEY & LAST, 1990). 4.5 - Aspectos comportamentais Durante os registros subaquáticos para realização dos censos visuais e captura de exemplares de D. marianae, foram anotados alguns aspectos comportamentais. 18 Foram considerados exemplares ativos aqueles quando em comportamento de alimentação, natação, interação ou outro, exceto repouso. Raias de fogo estacionárias e cobertas parcialmente ou inteiramente por sedimento foram consideradas em repouso. Tais registros foram coletados de forma não sistematizada, utilizando o modo “ad libitum” (ALTMANN, 1974) de registro. 19 5 - RESULTADOS 5.1 - Caracterização da população de D. marianae A seguir é apresentado um gráfico que exibe a distribuição das capturas de raias de fogo através da pesca artesanal (fig. 8) 0 5 10 15 20 25 30 35 Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Nº de ex em pl ar es Figura 8: Número de raias capturadas através da pesca artesanal da Praia de Maracajaú – RN ao longo dos meses de agosto de 2008 a agosto de 2009 (N = 120). Os 120 exemplares foram pesados, medidos e sexados, sendo obtidos os seguintes resultados: 76 machos e 44 fêmeas, apontando uma proporção sexual de 1,7 : 1, com diferença significativa do esperado 1 : 1 segundo o Teste Qui-quadrado (p<0,05). O maior registro de capturas ocorreu nos meses de Fevereiro (N=31) e Março (N=21) de 2009 (fig. 8). A maior abundância foi para indivíduos com tamanhos entre 25 e 29cm de LD (fig. 9). 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 13 - 16,5 17 - 20,5 21 - 24,5 25 - 28,5 29 - 32,5 33 - 36,5 Classes de tamanho (LD em cm) Nº de ex em pl ar es Machos Fêmeas Figura 9: Número de raias por classe de tamanho. A seguir, nas figuras 10 e 11, são apresentados dois gráficos com os resultados dos tamanhos de raias capturadas através da pesca artesanal, para localidades no 20 complexo recifal do Parracho de Maracajaú e áreas adjacentes (praia e depois do parracho). 21 22 23 24 25 26 27 28 29 Praia (N=24) Fanerógamas (N=30) Parracho (N=24) Depois parracho (N=32) NI (N=10) (cm ) LD CD Figura 10: Tamanho médio (LD e CD) das raias de fogo por localidade no Parracho de Maracajaú. (ANOVA: F(4, 115)=5,9974, p=,00020) 0 5 10 15 20 25 Im at u ro s Em m at u ra çã o M ad ur os Im at u ro s Em m at u ra çã o M ad ur os Im at u ro s Em m at u ra çã o M ad ur os Im at u ro s Em m at u ra çã o M ad ur os Im at u ro s Em m at u ra çã o M ad ur os Praia Fanerógamas Parracho Depois parracho NI Localidades N Machos Fêmeas Figura 11: Exemplares de D. marianae capturados pela pesca nas localidades: praia, fanerógamas, parracho, depois do parracho e NI (não identificado). Nota-se que na área próxima à praia, onde geralmente é praticada a pesca de arrasto de praia (tresmalhos), foi onde ocorreram os animais de menor porte e na área dos bancos de fanerógamas, os maiores. A área próxima à praia foi onde ocorreu a maioria das capturas de indivíduos imaturos e nas áreas mais afastadas da praia, como Parracho e depois do parracho, apresentaram uma significativa concentração de machos maduros (tab. 2). Em algumas atividades paralelas ao presente estudo foi possível registrar exemplares de D. marianae em outras localidades. Machos da espécie foram observados em áreas com profundidade entre 15 e 25m, em Barreirinhas (cerca de 9km do litoral da 21 Praia de Pirangi – RN) e na Risca de Zumbi (cerca de 20km do litoral da Praia de Maracajaú – RN), respectivamente. Localidade Machos Fêmeas Razão sexual X2 p< Praia 13 11 1,1 : 1 0,16 0,6830 Fanerógamas 14 16 1 : 1,1 0,13 0,7150 Parracho 20 4 5 : 1 10,66 0,0010 Depois parracho 23 9 2,5 :1 6,12 0,0133 NI 6 4 1,5 : 1 0,40 0,5270 Geral 76 44 1,7 : 1 8,53 0,0034 Tabela 2: Número de fêmeas e machos, razão sexual, valor do X 2 e de “p” por localidade (df = 1). A seguir é exibida uma tabela contendo os resultados do Teste t utilizado na comparação do LD de raias de fogo capturadas próximas à praia e em áreas mais afastadas, e comparação entre o LD e peso entre machos e fêmeas (tab. 3). Média I Média II t df p LD (cm) Praia x Áreas afastadas 23,75000 26,54167 -3,94970 118 0,000134 LD (cm) Machos x Fêmeas 24,84211 27,96591 -5,64120 118 0,000000 Peso (g) Machos x Fêmeas 674,2105 1074,318 -7,82758 118 0,000000 Tabela 3: LD dos exemplares capturados próximos a praia e áreas mais afastadas da praia (Fanerógamas, Parracho, Depois do parracho e NI); e LD e peso para machos e fêmeas. Há diferença significativa entre as medidas de LD dos animais capturados próximos à praia e os capturados em áreas mais afastadas. Nestas últimas, os exemplares são em média cerca de 2,8cm maiores que os capturados próximos à praia. Com relação à LD e peso, as fêmeas são cerca de 3,1cm maiores e aproximadamente 400g mais pesadas que os machos. Os maiores exemplares provenientes da pesca analisados foram uma fêmea com 33cm de LD, 17% maior que o exemplar macho, com 27,5cm de LD. Quanto ao peso dos exemplares, o peso máximo foi registrado para uma fêmeas com 1.860g, mais que o dobro do maior peso registrado para macho, que foi de 770g. Nota-se, na figura a seguir (fig. 12) um maior crescimento em peso e LD nas fêmeas. 22 Machos y = 0,0311x3,1021 R2 = 0,9132 0 400 800 1200 1600 2000 0 5 10 15 20 25 30 35 LD (cm) Pe so (g) Fêmeas y = 0,0114x3,4149 R2 = 0,9669 0 400 800 1200 1600 2000 0 5 10 15 20 25 30 35 LD (cm) Pe so (g) Figura 12: Relação largura de disco (LD) e pesos em machos e fêmeas de Dasyatis marianae, capturadas na área dos Parrachos de Maracajaú – RN. 5.1.1 - Aspectos reprodutivos De acordo com os exames visuais acerca dos estágios de maturação das fêmeas foi constatado que apenas o ovário esquerdo de D. marianae é funcional. Todos os exemplares adultos analisados (N = 32) apresentaram o útero, glândula oviducal e ovário direitos atrofiados. Nas fêmeas adultas foi verificada a presença de trofonemata, um análogo placentário que auxilia na nutrição do embrião. Nos machos, os testículos e acessórios direitos e esquerdos são funcionais. A seguir, nas figuras 13 e 14, são exibidas extrapolações gráficas que ilustram a porcentagem de fêmeas e machos em maturação e adultos por tamanho (LD). 23 Figura 13: Relação da freqüência de ocorrência de fêmeas maduras ou em maturação com o comprimento (LD). Figura 14: Relação da freqüência de ocorrência de machos maduros ou em maturação com o comprimento (LD). O comprimento com que a metade dos indivíduos potencialmente reprodutivos estão em processo de maturação (L50) para as fêmeas foi estipulado em 26,5cm de LD e o comprimento em que todos os indivíduos da população estão em fase de reprodução (L100) foi 31cm de LD. A menor fêmea grávida registrada mediu 27cm de LD, 27,8 de CD e pesou 970g. O tamanho de L50 para os machos foi 23,5cm de LD e para o L100 foi estipulado 27cm de LD. A seguir, na figura 15, é exibida a relação entre o comprimento do clásper (CC) e a LD dos machos de D. marianae capturados pelos pescadores artesanais da Praia de Maracajaú. 24 0 1 2 3 4 5 6 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 LD (cm) Cl ás pe r (cm ) Imaturos Em maturação Adultos M e n or e xe m pl a r ad u lto M a io r e xe m pl ar em m at u ra çã o Cl ás pe r (cm ) M e n or e xe m pl a r ad u lto M a io r e xe m pl ar em m at u ra çã o Figura 15: Relação entre LD e comprimento do clásper (CC). Foram observadas 2 fases de desenvolvimento do clásper. A primeira correspondeu a um crescimento lento, onde indivíduos com até 23,5cm de LD apresentaram cláspers medindo até 3,3cm. A segunda fase, de crescimento acentuado do clásper, foi observada em indivíduos com LD entre 23,5 e 27,5 cm, onde os clásperes variaram de 4,3 a 5,5cm de comprimento. Considerando a calcificação dos clásperes e a relação entre seu comprimento com a largura do disco (LD), o tamanho de maturação funcional dos machos de D. marianae é determinado entre 23,5 e 26cm de LD (fig. 15). Dois machos adultos apresentaram anomalias referentes ao sistema reprodutor. Em um dos animais foi constatada a ausência do testículo direito, os dois clásperes estavam bem formados e medindo 5,3cm de CC. O outro exemplar apresentou o clásper esquerdo atrofiado, medindo 3,2cm de CC, enquanto o clásper direito mediu 5cm de CC. O testículo esquerdo deste exemplar estava visivelmente menos desenvolvido que o direito (fig. 16). 25 Figura 16: Sistema reprodutor de machos de D. marianae: apresentando apenas o testículo esquerdo (A); com clásper e testículo esquerdo atrofiado (B), detalhe da diferença entre clásper esquerdo e direito (C). (TE – testículo esquerdo; TD – testículo direito). A figura 17 mostra a variação do Índice Hepatossomático (IHS) das raias de fogo capturadas na área dos Parrachos de Maracajaú durante os meses de amostragem. 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 Ago Out Nov Dez Jan Fev Mar Mai Jul Ago IH S (m éd ia ) IHS Fêmeas IHS Machos Figura 17: Valores médios do IHS das raias de fogo capturadas através da pesca na área dos Parrachos de Maracajaú entre os meses de Agosto de 2008 e Agosto de 2009. Nota-se que os valores IHS não apresentaram grandes alterações, mas dois ligeiros incrementos podem ser observados próximos a Outubro de 2008 e Julho de 2009. As variações mensais no IHS das fêmeas não exibiram mudanças significativas (p>0,05), porém, o IHS dos machos mostraram mudanças consideráveis (ANOVA: F(8, 67)=4,6025, p=,00017), sendo maiores nos meses referidos anteriormente. A tabela a seguir exibe o perfil das capturas de raia de fogo na Área do Parracho de Maracajáu com relação aos estágios de maturação (tab. 4). 26 Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Total MACHOS Imaturo 1 - - - - 3 1 - - - - - - 5 Em maturação - - 3 1 - - - - - - - - 1 5 Adulto 2 - 5 2 6 5 23 12 - 10 - 1 - 66 Sub-total 3 - 8 3 6 8 24 12 - 10 - 1 1 76 FÊMEAS Imaturo 1 - 1 1 1 1 1 1 - - - 1 - 8 Em maturação - - - - - - 1 - 2 - 1 - 4 Adulto 2 - 1 4 6 0 4 5 - 1 - - 1 24 Grávida - - 1 1 - 1 2 2 - - - 1 - 8 Sub-total 3 - 3 6 7 2 7 9 - 3 - 3 1 44 Total 6 - 11 9 13 10 31 21 - 13 - 4 2 120 Tabela 4: Capturas de D. marianae de acordo com os estágios de maturação sexual entre os meses de Agosto de 2008 a Agosto de 2009. Nota-se que fêmeas grávidas começaram a ser capturadas a partir de Outubro de 2008. Em Abril, Maio e Junho de 2009 não houve ocorrência de exemplares grávidas, e a partir de Julho de 2009 tais registros recomeçaram. Dos indivíduos de D. marianae analisados 89% foram considerados maturos e 11% imaturos. Esta proporção é significativamente diferente de 1:1 (X² = 73,63; df = 1; p < 0,000). A tabela 5 apresenta a caracterização dos embriões provenientes das fêmeas capturadas na área de estudo. Em todos os casos de fêmeas grávidas foram observados apenas um embrião. Duas fêmeas capturadas no mês de Novembro apresentaram útero volumoso, porém flácido, característicos de parto recente, possivelmente provocado pelo estresse da captura. Sexo Peso (g) LD (cm) CD (cm) Clásper (cm) Vol. Vitelo (cm³) Mês M 65 11 11 0,9 0,1 Out NI 10 5,2 5,6 NI Nov F 56 10,5 10,5 0,24 Jan F 24 7,6 7,6 2,2 Fev F 15 6,8 6,9 1,6 Fev F 76 11,8 11,6 0 Mar M 53 10,7 10,1 0,8 0,08 Mar F 12 5,8 6,1 2,3 Jul Tabela 5: Caracterização dos embriões quanto ao sexo, peso, LD, CD, tamanho do clásper, volume de vitelo e mês de registro. (NI = não identificado) Os maiores embriões apresentaram menor quantidade de vitelo e foram registrados nos meses de Março e Outubro. Os menores exemplares foram registrados nos meses de Novembro e Julho. O embrião encontrado durante o mês de Novembro não estava totalmente formado, impossibilitando a identificação do saco vitelínico. 27 Durante a realização dos procedimentos de marcação de exemplares de raia de fogo no mês de Março foram registrados três partos precoces devido ao estresse gerado pela manipulação dos espécimes. Foram duas fêmeas, uma medindo 13cm de LD, 12,5cm de CD e 70g e a outra medindo 12cm de LD e CD, pesando 80g e um macho medindo 12cm de LD, 13cm de CD e 120g. Todos os filhotes já estavam completamente formados, sem presença de saco vitelínico e com atividade de natação e respiração aparentemente normais. O gráfico a seguir adiciona as informações mencionadas àquelas coletadas a partir dos exemplares provenientes da pesca (fig 18). 0 2 4 6 8 10 12 14 ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago LD (cm ) Figura 18: Distribuição do tamanho (Largura do Disco) dos embriões de acordo com período de registro. 5.2 - Abundância e densidade populacional da espécie D. marianae 5.2.1 - Características abióticas do local de estudo Entre Julho de 2008 e Dezembro de 2009, a temperatura média de fundo da água no local de estudo foi 27,8ºC. As maiores temperaturas foram registradas durante os meses de Dezembro de 2008, Maio e Dezembro de 2009 (29ºC, 29,5ºC e 29ºC, respectivamente) e as menores (25ºC) obtidas em Julho de 2008 (fig. 19). 28 23 24 25 26 27 28 29 30 Ju lho Ag os to Ou tub ro No ve m bro De ze m bro Ma io Ou tub ro No ve m bro De ze m bro Te m p. (ºC ) Figura 19: Valores médios de temperatura de fundo da água ao longo do período amostral (Julho de 2008 a Dezembro de 2009). Isoladamente, as variações nas temperaturas de fundo das localidades do complexo recifal apresentaram maiores valores nos recifes submersos (desvio padrão: 1,50), seguido por recifes emersos (desvio padrão: 1,42). As menores variações foram registradas na área de fanerógamas e fundo arenoso (desvio padrão: 0,52 e 0,39 respectivamente). O menor e maior valor médio de temperatura da água foi verificado respectivamente nos: recifes emersos e fundo arenoso (fig. 20). 26 27 28 29 Recifes emersos Recifes submersos Fanerógamas Fundo arenoso Te m p. (ºC ) Figura 20: Valor médio da temperatura da água para as localidades do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Segundo o teste t de Student, comparando as temperaturas de fundo registradas nas localidades com menores médias, recifes emersos e submersos, com fanerógamas e fundo arenoso, que apresentaram as maiores médias na temperatura de fundo, existe uma diferença significativa (t = -3,14558; df = 34; p = 0,003435). 5.2.2 - Censos visuais Foram realizadas 213 transecções lineares distribuídas nos diferentes habitats do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. O número de transecções realizadas por 29 localidade, em relação ao tipo de fundo, a área total coberta pelas transecções e o número de exemplares de D. marianae avistados são apresentados na tabela 6. Tipo de fundo Recifes emersos Recifes submersos Fundo de Fanerógamas Fundo arenoso Total Nº transecções 57 50 56 50 213 Área coberta (m²) 22800 20000 22400 20000 85200 Nº D. marianae 2 6 21 1 30 Tabela 6: Número de transecções; área percorrida, número de exemplares de D. marianae avistados na área do Parracho de Maracajaú. O fundo de fanerógamas concentrou a maioria dos avistamentos de raia de fogo durante a realização dos censos visuais (70%). Na área de fundo arenoso apenas um exemplar (3,3%) foi localizado na área amostrada. A figura 21 exibe os resultados quanto ao número de transecções onde ocorreram um ou mais exemplares de D. marianae. 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% Recifes emersos Recifes submersos Fanerógamas Fundo arenoso Total Figura 21: Frequência de ocorrência de exemplares de D. marianae através dos censos visuais nas diferentes localidades do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. A análise de variância unifatorial (One Way ANOVA) demonstrou haver uma diferença significativa da média do número de indivíduos avistados por transecção nas diferentes localidades do complexo (F(3, 209) = 8,7980; p = 0,00002) (Figura 22). 30 Figura 22: Valores médios de raias avistadas através de censos visuais para cada localidade do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Na localidade dos recifes emersos duas raias de fogo foram avistadas na mesma transecção. Apenas um exemplar foi registrado na localidade de fundo arenoso. Nos recifes submersos em apenas uma ocasião registrou-se a ocorrência de dois exemplares de raia de fogo, na mesma amostra. Já em fundo de fanerógamas, foram registradas duas raias em 31% (N = 5) das transecções com ocorrência positiva (N = 16). A tabela 6 exibe os resultados da razão sexual dos exemplares de avistados durante a realização dos censos visuais na diferentes localidades do complexo recifal. Frenquência Frenquência Machos (%) N Fêmeas (%) N Razão sexual x² P< RE 100,0 2 1 : 0 2 0,1573 RS 80,0 4 20,0 2 2 : 1 0,66 0,4142 F 29,4 6 70,6 15 1 : 2,5 3,85 0,0495 FA 100,0 1 1 : 0 1 0,3173 Total 45,8 13 54,2 17 1 : 1,3 0,53 0,4652 Tabela 6: Proporção de machos e fêmeas nas diferentes localidades através dos registros de censo visual no complexo recifal do Parracho de Maracajaú (RE – recife emerso; RS – recife submerso; F – fundo de fanerógamas; FA – fundo arenoso) e resultados dos testes Qui-quadrado. Apenas na localidade caracterizada pela ocorrência de fanerógamas é encontrada uma diferença na proporção de machos e fêmeas. Esta área apresentou maior número de fêmeas durante o período de amostragem. Os resultados referentes à extrapolação numérica, a partir da densidade de raias de fogo encontrada em cada localidade, para a área total do habitat são expressos na tabela a seguir (tab. 7). 31 Tipo de fundo Recifes emersos Recifes submersos Fanerógamas Fundo arenoso Total Densidade (Nº animais/km²) 87 300 937 50 352 Área total dos ambientes km²** 2,6 3,4 4,3 1,6 12 Nº estimado 226 1020 4029 80 4224 Tabela 7: Estimativa populacional de D. marianae para cada habitat e total por extrapolação numérica. (**AMARAL et al., 2005). A maior densidade e o maior número estimado de D. marianae foi registrada na área de fanerógamas. A maior área desta localidade e a maior densidade de exemplares na amostragem contribuíram para o destaque do ambiente caracterizado pelas fanerógamas. 5.2.3 - Marcação e recaptura de exemplares de raia de fogo Um total de 100 exemplares de D. marianae foi marcado com “Nylon loop tags” em 18 expedições (dias) durante os meses de Fevereiro e Março de 2009. O menor animal marcado foi uma fêmea medindo 24cm de LD, 24cm de CD e pesando 700g. O maior exemplar também foi uma fêmea, medindo 35cm de LD, 36,5cm de CD e pesando 2100g. Foram marcados 35 machos e 65 fêmeas, numa proporção sexual de 1 : 1,8 (X2 = 9 ; df = 1; p < 0,0027), apontando diferença significativa do esperado 1 : 1. Todas as capturas foram efetuadas na área de fanerógamas. Foi recapturada 1 e reavistada apenas 2 raias (3%), sendo 1 fêmea e 1 macho e um macho e uma fêmea, repectivamente (tab. 8). Todos os animais foram recapturados e reavistados na mesma localidade em que foram marcados e liberados, ou seja, na área de fanerógamas (fig.23). MARACAÇÃO RECAPTURA E REAVISTAGEM Nº da marca Data Sexo LD (cm) Peso (g) OBS. Data Intervalo (dias) Distância (m) LD (cm) Peso (g) OBS. ZT0129 12/03/09 F 34 2050 Prenhe 17/03/09 5 794 34 1970 Prenhe ZT0142 14/03/09 M 26 800 Sem espinho 7/5/09 54 543 - - Sem espinho ZT0191 25/03/09 F 32,5 2050 Prenhe 8/5/09 44 437 - - Sem espinho Tabela 8: Dados da recaptura e reavistamento de exemplares marcados: código da marca utilizada; data de marcação; sexo; LD; peso; data de recaptura e reavistagem; intervalo de tempo entre os dois eventos; distância em linha reta entre os pontos de marcação e recaptura e reavistagem; e observações relavantes. 32 X X Y ZT0191 Y ZT0129 X Y ZT0142 Figura 23: Mapa da área das fanerógamas (AMARAL et al., 2005) exibindo a posição de marcação (X) e recaptura (Y) das raias de fogo e a trajetória (linha reta) entre estes pontos. Aliando os resultados obtidos através do acompanhamento da pesca artesanal, da realização dos censos visuais, dos procedimentos de marcação de raias de fogo e de observações paralelas nota-se que apenas a área próxima a praia não apresenta segregação sexual. Nas localidades Parracho, Depois do parracho e áreas mais distantes e profundas ocorrem um maior número de exemplares machos adultos e na área de Fanerógamas é predominante a ocorrência de fêmeas adultas. 5.3 - Caracterização dos hábitos alimentares Foi analisado o conteúdo de 101 estômagos sendo então caracterizada a dieta de D. marianae através da identificação e importância dos itens alimentares na composição da mesma. A presença de iscas ocorreu em cerca de 21% dos estômagos (N = 21), totalizando uma biomassa de aproximadamente 56g, com uma média de 2,66g por indivíduo (desvio padrão = 2,75). As iscas foram identificadas como pedaços grandes cortados, como camarões (Dendrobranchiata) e peixes teleósteos da Família Engraulidae. Foram identificados treze (13) tipos diferentes de itens alimentares distribuídos em 5 amplas categorias: Sipuncula, Anelida, Nematoda, Arthropoda e Echinodermata. (Tab. 9). 33 Item alimentar FO% CPE% P% IRI% Filo Sipuncula 21,8 5,1 7,7 3,8 Filo Anelida Classe Polychaeta 40,6 10,5 11,3 12,2 Filo Nematoda 6,9 1,6 0,1 0,1 Filo Arthropoda Subfilo Crustacea 87,1 81,6 76,2 91,9 Ordem Brachiura 48,5 16,9 35,4 34,9 Subordem Dendrobranchiata 39,6 39,1 14,2 29,0 Subordem Pleocyemata 9,9 2,1 4,9 1,0 Infraordem Thalassinidea 1,0 1,3 2,1 0,0 Família Paguridae 1,0 0,2 0,2 0,0 Ordem Stomatopoda 41,6 11,3 14,7 14,9 Ordem Isopoda 15,8 5,6 1,0 1,4 Ordem Tanaidacea 1,0 0,2 0,0 0,0 C. NI 18,8 5,0 3,6 2,2 Filo Echinodermata Classe Holothuridea 5,0 1,1 4,7 0,4 Tabela 9: Freqüência de ocorrência (FO%), composição percentual (CPE%), percentual de peso (%P) e percentual do índice de importância relativa (%IRI) dos itens alimentares identificados nos estômagos de D. marianae capturadas através da pesca na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. (C. NI = crustáceos não identificados) Os itens mais representativos foram os crustáceos Brachiura e Dendrobranchiata, com 34,9% e 29,0% de IRI respectivamente. Exemplares da Ordem Tanaidacea, Infraordem Thalassinidea e Família Paguridae foram pouco representativos na dieta de raia de fogo. Abaixo, na tabela 10, está representada a qualificação da dieta de D. marianae em categorias de preferência (CP) através do coeficiente alimentar (Q) (HUREAU, 1970) e da análise do IRI (GOMES, 1995). 34 Item alimentar IRI CP (GOMES, 1995) Q CP (HUREAU, 1970) Filo Sipuncula 278,41 Secundário 39,21 Secundário Filo Anelida Classe Polychaeta 888,68 Secundário 119,65 Secundário Filo Nematoda 11,44 Complementar 0,08 Ocasional Filo Arthropoda Subfilo Crustacea Ordem Brachyura 2540,79 Preferencial 600,08 Preferencial Subordem Dendrobranchiata 2112,35 Preferencial 555,73 Preferencial Subordem Pleocyemata 69,43 Complementar 10,25 Ocasional Infraordem Thalassinidea 3,35 Complementar 2,69 Ocasional Família Paguridae 0,32 Complementar 0,03 Ocasional Ordem Stomatopoda 1084,06 Secundário 167,03 Secundário Ordem Isopoda 105,07 Complementar 5,82 Ocasional Ordem Tanaidacea 0,20 Complementar 0,01 Ocasional C. NI 160,38 Secundário 17,70 Ocasional Filo Echinodermata Classe Holothuridea 28,78 Complementar 5,25 Ocasional Tabela 10: Lista dos itens alimentares identificados nos estômagos de raias de fogo e valores de índice de importância relativa (IRI), coeficiente alimentar (Q) e suas respectivas categorias de preferência (CP). (C. NI = crustáceos não identificados) Os dois métodos de definição das categorias de preferência (CP) dos itens alimentares apontam uma preferência de crustáceos da Ordem Brachyura (caranguejos) e da Subordem Dendrobranchiata (camarões). A maioria dos estômagos de raia de fogo analisados apresentaram estado de preenchimento 1 (tab. 11) e apenas um macho adulto, capturado próximo à praia, estava com estômagos completamente vazio, dessa forma, o índice de vacuidade (IV) no universo amostral deste estudo foi 0,99%. EP N IR médio Desvio Padrão -1 30 0,49 0,29 0 19 0,81 0,37 1 52 0,96 0,45 Tabela 11: Índice de repleção (IR) médio para cada estado de preenchimento (EP) dos estômagos de raia de fogo. Analisando os valores de IR de todos os exemplares, por localidade de captura, encontrou-se uma diferença significativa no IR dos exemplares capturados nas fanerógamas (P < 0,05) (fig. 24). 35 Figura 24: Variação dos valores de IR das raias de fogo capturadas através da pesca em cada localidade do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. (ANOVA: F(4, 96) = 2,4685, p = ,04984). Os crustáceos foram os itens mais importantes na dieta da raia de fogo (IRI= 13754,42), apresentando os valores mais elevados para todos os índices calculados. Compuseram 81,6% das presas contadas, pesando 76,2% do total dos conteúdos estomacais e ocorreram em 87,1% dos estômagos amostrados. As poliquetas foram o segundo grupo de itens mais importante na dieta (IRI= 888,68), compondo 10,5% das presas e ocorrendo em 40,6% dos estômagos analisados (tab. 12). Item alimentar FO% CPE% P% IRI% IRI CP (GOMES, 1995) Q CP (HUREAU, 1970) Crustacea 87,1 81,6 76,2 91,9 13754,42 Preferencial 6222,93 Preferencial Polychaeta 40,6 10,5 11,3 5,9 888,68 Preferencial 119,65 Secundário Sipuncula 21,8 5,1 7,7 1,9 278,41 Secundário 39,21 Secundário Nematoda 6,9 1,6 0,1 0,1 11,44 Complementar 0,08 Ocasional Holothuridea 5,0 1,1 4,7 0,2 28,78 Complementar 5,25 Ocasional Tabela 12: Itens alimentares agrupados por filos zoológicos com valores de freqüência de ocorrência (FO%), composição percentual (CPE%), percentual de peso (%P) e percentual do índice de importância relativa (%IRI), índice de importância relativa (IRI), coeficiente alimentar (Q) e categorias de preferência (CP). (IRI ≥ 726,3 (PP); 80,7 < IRI < 726,3 (PS); IRI ≤ 80,7 (PC)) Em termos de categorias de preferência (CP), poliquetas difere entre os métodos utilizados. Nota-se a proximidade do valor de IRI deste item próximo ao limite entre a definição de presa preferencial (PP) e presa secundária (PS). A seguir é apresentada a tabela 13 mostrando os resultados da comparação entre o IRI dos machos e fêmeas para cada item alimentar identificado nos estômagos de D. marianae capturadas através da pesca na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. 36 IRI para sexos Itens Machos Fêmeas Stomatopoda 1950,12(1) 476,20(4) Dendrobranchiata 1754,65(2) 2726,87(2) Brachyura 1259,36(3) 4414,20(1) Polychaeta 1000,97(4) 876,13(3) Sipuncula 469,57(5) 135,56(7) Isopoda 93,17(6) 127,82(8) C. NI 70,69(7) 337,91(5) Holothuridea 31,49(8) 27,76(9) Nematoda 26,86(9) 0,95(11) Pleocyemata 2,96(10) 253,14(6) Paguridae 1,15(11) 0,00 Tanaidacea 0,65(12) 0,00 Thalassinidea 0,00(13) 16,78(10) Tabela 13: IRI dos itens alimentares para machos (N = 65) e fêmeas (N = 36). Dentro de parênteses estão indicados os números de ordem, do maior IRI para o menor. Os crustáceos Stomatopoda tiveram mais importância na dieta dos machos (nº de ordem 1) do que das fêmeas (nº de ordem 4). Por outro lado, Brachyura assumiu uma maior importância na dieta das fêmeas (nº de ordem 1). Também são verificadas algumas diferenças na ordenação dos itens menos importantes para a dieta de machos e fêmeas. Um exame visual geral na dentição dos exemplares de D. marianae indicou diferenças entre machos e fêmeas (figura 25). Nas fêmeas a coroa é ovalada, mais larga que longa e sem cúspide pronunciada e nos machos as cúspides são pontiagudas e pronunciadas. Figura 25: Dentição de Dasyatis marianae: mandíbula superior e inferior de um macho adulto (A e B) e fêmea adulta (C e D). Fotos: Ana Rita Onodera Palmera A tabela a seguir (tab. 14) apresenta os resultados da comparação entre raias de fogo adultas e imaturas, acerca do IRI de cada item alimentar identificado nos 37 estômagos de D. marianae capturadas através da pesca na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. IRI para estágios de maturação Itens Adultos Imaturos Brachyura 2814,29(1) 313,00(4) Dendrobranchiata 1578,19(2) 9627,57(1) Stomatopoda 1216,43(3) 276,21(5) Polychaeta 1014,38(4) 239,57(6) Sipuncula 337,58(5) 0,00 C. NI 150,59(6) 486,98(3) Pleocyemata 82,59(7) 0,00 Isopoda 46,15(8) 2418,39(2) Holothuridea 33,58(9) 0,00 Nematoda 11,83(10) 10,00(7) Thalassinidea 4,05(11) 0,00 Paguridae 0,40(12) 0,00 Tanaidacea 0,26(13) 0,00 Tabela 14: IRI dos itens alimentares para adultos (N = 92) e imaturos (N = 9) de D. marianae. Dentro de parênteses estão indicados os números de ordem, do maior IRI para o menor. A dieta dos indivíduos imaturos diferiu da dieta dos adultos principalmente quanto à importância dos Isopoda. Este item exibiu maior importância na dieta de raias de fogo imaturas (nº de ordem 2) do que na dieta de exemplares adultos (nº de ordem 8). No entanto, outro tipo de crustáceos, Brachyura, foram mais importantes na dieta das raias adultas (nº de ordem 1) do que na dieta de raias imaturas (nº de ordem 4). Crustáceos Dendrobranchiata foram os itens mais importantes para raias de fogo imaturas (nº de ordem 1). A comparação do IRI de cada item alimentar identificado de acordo com a localidade onde os exemplares foram capturados através da pesca na área do Complexo recifal é exibida na tabela abaixo (tab. l5). 38 IRI para as localidades Itens Praia Fanerógamas Parracho Depois do parracho ? Dendrobranchiata 3980,67(1) 932,91(4) 1369,62(2) 1950,90(2) 7421,65(1) Brachyura 3230,69(2) 2679,28(1) 3186,11(1) 2388,33(1) 321,98(3) Isopoda 717,15(3) 44,11(9) 30,35(8) 79,50(7) 0,00 Stomatopoda 254,21(4) 2420,41(2) 1336,74(3) 968,97(4) 0,00 Polychaeta 162,44(5) 1524,74(3) 747,85(4) 1023,07(3) 1074,94(2) C. NI 61,98(6) 360,66(5) 108,83(6) 150,95(6) 0,00 Pleocyemata 16,81(7) 163,57(7) 94,93(7) 47,37(8) 0,00 Nematoda 4,70(8) 10,89(11) 8,21(11) 26,53(10) 0,00 Sipuncula 0,00 307,83(6) 677,49(5) 484,72(5) 0,00 Holoturidea 0,00 66,89(8) 21,35(9) 45,69(9) 0,00 Thalassinidea 0,00 43,32(10) 0,00 0,00 0,00 Tanaidaceo 0,00 3,10(12) 0,00 0,00 0,00 Paguridae 0,00 0,00 8,42(10) 0,00 0,00 Tabela l5: IRI dos itens alimentares de D. marianae capturados nas localidades Praia (N = 17), Fanerógamas (N = 25), Parracho (N = 22), Depois do parracho (N = 31) e de origem desconhecida (?) (N = 6). Dentro de parêntesis estão indicados os números de ordem, do maior IRI para o menor. A dieta dos indivíduos não apresentou variações significativas em relação à localidade de captura, sendo predominante a importância dos crustáceos. No entanto, ao avaliar a importância de cada item notou-se que alguns itens que assumem uma grande importância na localidade Praia, como os camarões (Dendrobranchiata) e isópodes (Isopoda), principalmente, são menos importantes na dieta dos exemplares de D. marianae capturados nas outras áreas. Por outro lado, os caranguejos (Brachyura) apresentam uma importância relativamente semelhante na dieta de raia de fogo em todas as localidades. Outras diferenças menos significativas são encontradas nos número de ordem de quase todos os itens identificados. 5.4 - Aspectos comportamentais Não foi observada diretamente nenhuma interação intraespecífica nas raias de fogo, no entanto foram encontradas doze fêmeas adultas com marcas evidentes de mordidas nas nadadeiras peitorais. Todas as marcas estavam concentradas na porção posterior destas nadadeiras (fig. 26). 39 Figura 26: Figura ilustrativa de uma fêmea de D. marianae, com destaque (áreas escuras) para as áreas de concentração das marcas de mordidas. Quanto ao período de atividade de exemplares de D. marianae, em 130 ocasiões foram avistadas e/ou capturadas raias de fogo durante as atividades subaquáticas deste estudo e na maioria das vezes os indivíduos estavam ativos, exibindo comportamento de natação próximo ao substrato ou alimentar (tab. 16). Ativo Repouso Método N % N % Marcação (N = 100) 98 98 2 2 Censo visual (N = 30) 30 100 - - Total (N = 130) 128 98,5 2 1,5 Tabela 16: Número e porcentagem de indivíduos ativos e em repouso durante os censos visuais e marcação de raias de fogo. Pescadores locais que exploram a área de Recifes emersos (RE) mergulhando durante o período noturno informaram que comumente avistam exemplares de raia de fogo ativas na área durante este período. Segundo relato de um dos pescadores: “os bichos estão doidos à noite nos Parrachos”, se referindo as raias de fogo que talvez estejam ativas na área de RE. A atividade de alimentação é descrita a seguir através de uma seqüência eventos. Inicialmente o animal nada lentamente próximo ao substrato e ao detectar uma possível presa posiciona-se apoiando as margens das nadadeiras peitorais fortemente no substrato arqueando verticalmente a região escapular junto com a cauda. Esse processo era acompanhado por movimentos de sucção e freqüentemente foi observado um jato de areia saindo do espiráculo. Geralmente a raia de fogo desenvolve movimentos verticais 40 erguendo a porção anterior do disco e levando-a em direção ao substrato bruscamente (fig. 27). Durante este processo o animal pode desenvolver curtos movimentos horizontais para qualquer direção, adequando o posicionamento da boca sobre a presa. Figura 27: Sequência de eventos registrados durante a atividade de alimentação de exemplares de D. marianae: A – natação lenta próxima ao substrato; B – posicionamento das nadadeiras peitorais no substrato, arqueamento da região escapular e cauda; C – erguimento da parte anterior do disco; D – movimento da parte anterior do disco em direção ao substrato. Foram observados duas circunstâncias indivíduos das espécies Lutjanus analis e Carangoides bartholomaei seguindo a curta distância exemplares de D. marianae durante a atividade alimentar. Em outras duas ocasiões foram observados eventos de limpeza de exemplares juvenis de Pomacanthus paru sobre raias de fogo. Em Outubro de 2008 um exemplar macho de Sphyrna mokarran medindo 2,55m de CT foi capturado na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú e no estômago do tubarão martelo foi registrada a presença de um exemplar macho de D. marianae com cerca de 22cm de LD (fig. 28). 41 Figura 28: Exemplar de tubarão martelo, S. mokarran, capturado na área do Parracho de Maracajaú, e no detalhe um exemplar de D. marianae retirado do estômago do tubarão. 42 6 - DISCUSSÃO 6.1 - Caracterização da população de D. marianae Analisando a distribuição mensal de capturas de D. marianae na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú, nota-se que o maior número de capturas ocorreu durante os meses de Fevereiro e Março (31 e 21 exemplares, respectivamente), entretanto, considera-se esta amostragem pouco precisa para aferir características ecológicas acerca da ocorrência de D. marianae, pois os dados são provenientes da pesca e não se sabe se o esforço é o mesmo para todos os meses. (ver Cap. 2). Assim, para definição de algum padrão seriam necessárias amostragens independentes e contínuas. Quanto ao tamanho dos indivíduos, o maior exemplar de raia de fogo registrado na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú foi uma fêmea com 35cm de LD, sendo que a literatura menciona como maior tamanho 31cm de LD (GOMES et al., 2000), 33,3cm de LD (YOKOTA, 2005; YOKOTA & LESSA, 2007), 36cm de LD (PALMEIRA, 2009) e 38cm de LD para um exemplar coletado no Parcel Manoel Luís - MA (MOTTA et al., 2009), que assim é tido como tamanho máximo registrado. Em relação à proporção sexual, nota-se uma certa segregação sexual em todos os habitats, exceto na localidade Praia (p>0,05), corroborando a YOKOTA (2005) e PALMEIRA (2009) que registraram a ocorrência de segregação sexual para D. marianae em Caiçara do Norte (RN) e Almofava (CE), respectivamente. SNELSON et al. (1989) explica que o fato de exemplares de um sexo ocorrerem em determinadas áreas e não em outras onde ocorrem indivíduos do sexo oposto pode ser indicativos de segregação sexual, sendo este um evento comum entre elasmobrânquios (THORSON, 1983; HOENING & GRUBER, 1990). A segregação sexual em Maracajaú pode estar também associada com a disponibilidade de presas, visto que foi constatada neste estudo a diferença na dieta entre machos e fêmeas, o que será discutido posteriormente. A maior ocorrência de machos nas áreas mais afastadas e profundas corrobora a literatura, que cita que em algumas espécies de tubarões os machos aparentemente se dispersam mais que as fêmeas (PARDINI et al., 2001; FELDHEIM et al., 2002). OLIVEIRA et al. (2004) e AGUIAR (2005) encontraram mais fêmeas de D. americana em áreas mais rasas e próximas a praia, YOKOTA (2005) capturou apenas machos de D. marianae em um determinado canal de Caiçara do Norte (RN) e PALMEIRA (2009) registrou poucos machos próximo à praia em Almofava (CE). Aparentemente os machos de raia de fogo se distanciam mais de áreas mais protegidas, como áreas 43 próximas à praia e com menores profundidades. O fato das fêmeas de raias de fogo permanecerem em áreas mais rasas e perto da praia talvez esteja associado a aspectos reprodutivos, discutidos mais a diante. Mesmo que a área próxima da praia não seja a principal área de ocorrência dos machos, a presença de alguns machos nesta região pode estar relacionada ao fato dos animais utilizarem áreas mais costeiras como área de cópula. GARLA (2003) explica que isto ocorre em tubarões em Fernando de Noronha – PE. Em épocas específicas, como períodos reprodutivos, normalmente há uma tendência de agrupamento dos indivíduos de diferentes sexos, resultando então numa proporção sexual mais equivalente em certas áreas (AGUIAR, 2005). PALMEIRA (2009) esclarece o aumento nas capturas de machos de D. marianae próximo a praia nos meses de verão e inverno pode indicar uma migração para a região costeira relacionada à reprodução, evento característico do ciclo reprodutivo de alguns elasmobrânquios (LESSA et al., 1986; VOOREN, 1992; MOTTA et al., 2005). A maior ocorrência de raias de fogo de menor tamanho (LD) próximas à praia sugere que esta seja uma área de berçário/crescimento. Sabe-se que a concentração de indivíduos maiores nas áreas mais afastadas indica a ocupação de diferentes habitats ao longo da vida, como é o caso de D. crysonota (EBERT & COWLEY, 2003). LESSA et al. (1999) mencionam que o gênero Dasyatis é conhecido por abranger raias que utilizam a costa para dar a luz aos seus filhotes e AGUIAR (2005) explica que em Fernando de Noronha - PE exemplares de menor porte de D. americana são encontrados predominantemente nas praias. Assim, os resultados do presente estudo corroboram também a YOKOTA (2005), YOKOTA & LESSA (2006, 2007) e PALMEIRA (2009), que descrevem as áreas costeiras próximas à praia como berçário para exemplares de D. marianae. Com relação à LD e peso, as fêmeas são cerca de 3,1cm maiores e aproximadamente 400g mais pesadas que os machos, corroborando com PALMEIRA (2009), para a mesma espécie no litoral Oeste do Ceará. O maior tamanho das fêmeas é relatado para outras espécies de raias, como mostram MENNI & STEHMANN (2000), CHARVET-ALMEIDA (2001), ISMEN (2002), RODRIGUES (2003, 2004) e AGUIAR (2005). Esta característica pode ser relacionada a aspectos da reprodução vivípara dos Myliobatiformes (ARAÚJO, 1998). Em muitos casos, a literatura cita fêmeas maiores que machos, caráter provavelmente adaptativo à necessidade de corpos maiores para acomodar os filhotes e também de mais reservas energéticas para produção e manutenção dos mesmos durante o período gestacional. 44 6.1.1 - Aspectos reprodutivos Todas as fêmeas adultas apresentaram apenas o ovário e útero esquerdos bem desenvolvidos e funcionais, sendo tal característica comum a dasiatídeos de acordo com a literatura (RANZI, 1934; LOVEJOY, 1996; BIGELOW & SCHROEDER, 1953; BABEL, 1967; STRUHSAKER, 1969; THORSON, 1983; CAPAPÉ, 1993). Foi registrada a presença de trofonemata no interior do útero das fêmeas de D. marianae indicando o modo de reprodução da espécie, como vivípara aplacentária com trofonemata, corroborando a PALMEIRA (2009), que registrou o trofonemata na boca e espiráculos dos embriões quase a termo de D. marianae. A presença desta estrutura é característica das raias com espinhos (stingrays) (BABEL, 1967) e permitem a classificação de D. marianae como vivíparas matotróficas. HAMLETT & HYSELL (1998) e HAMLETT et al. (2005) caracterizam o leite uterino secretado pelo trofonemata, via sangue materno, como um suplemento às reservas do saco vitelínico. No entanto, os resultados de PALMEIRA (2009) e do presente estudo sugerem que no começo da gestação as reservas externas de vitelo nutrem o embrião, e posteriormente, o vitelo é substituído pelo leite uterino. Os presentes resultados indicam que a partir de 11cm de LD os embriões são nutridos apenas através dos nutrientes secretados pelo trofonemata. A primeira maturação para machos e fêmeas de D. marianae foi de 23,5 e 26,5cm de LD, respectivamente, com tamanhos semelhantes aos obtidos por PALMEIRA (2009), entretanto, diferindo dos tamanhos propostos por YOKOTA (2005) e YOKOTA & LESSA (2006) (26cm LD para machos, e 30cm LD para fêmeas), sendo que o últimos trabalhos tiveram um universo amostral restrito (14 machos e 8 fêmeas). Os machos maturam com tamanhos inferiores aos das fêmeas mantando o padrão geral registrado para elasmobrânquios (SPRINGER, 1960; CORTÉS, 2000). A identificação de duas fases de desenvolvimento dos cláspers corrobora a STRUHSAKER (1969), THORSON (1983), MARTIN & CAILLIET (1988), SNELSON et al. (1988) e RODRIGUES (2003) que citam que os batóides exibem uma abrupta transição na relação comprimento do clásper/largura do disco (com maior taxa de crescimento do clásper), apenas próximo ao tamanho de maturação. Segundo LESSA (1987), a capacidade reprodutiva depende essencialmente da maturidade funcional dos clásperes, evidenciada por seu estado de calcificação e por seu comprimento (CC), cujo valor na 1ª maturidade funcional para raia de fogo foi 4,3cm (23,5cm de LD), 45 corroborando a GOMES et. al. (2000), que mencionam um intervalo 4.4 a 5,7cm de CC para machos adultos de D. marianae. A ocorrência no presente estudo de um macho apresentando o clásper e testículo esquerdos atrofiados pode estar relacionado com o desenvolvimento deste testículo, conforme sugerido por COLLENOT (1969) e LESSA (1987), que explicam que o crescimento dos clásperes parece estar relacionado ao desenvolvimento gonadal e não ao comprimento do animal. Foi constatado neste estudo que dois machos de D. marianae medindo 23,5cm de LD apresentaram medidas de 3,3cm e 4,3cm de CC, mas apenas o segundo foi considerado adulto. BIGELOW & SCHROEDER (1953) observaram características semelhantes para D. guttata. SNELSON Jr. et al. (1988) relata a importância da relação do tamanho dos cláspers com a maturidade funcional em D. sabina e D. say. Desta forma fica claro que a distinção entre indivíduos juvenis e adultos é determinada pelo comprimento dos cláspers. Segundo PIERCE et al. (2009) é comum as raias da Família Dasyatidae gerarem um pequeno número de filhotes de grande tamanho. No presente estudo e em YOKOTA (2005), YOKOTA & LESSA (2006, 2007) e PALMEIRA (2009) foi registrado apenas um embrião em cada fêmea prenhe. O número de filhotes gerados em dasiatídeos varia de um a dez, como em Dasyatis americana (HENNINGSEN, 2000). YOKOTA (2005) e YOKOTA & LESSA (2006) descrevem o tamanho de nascimento dos filhotes de D. marianae entre 10,5 e 13,8 cm de LD. Entretanto, no presente estudo todos os embriões analisados com LD igual ou inferior a 11cm ainda apresentavam bolsas com suprimento vitelínico e PALMEIRA (2009) registrou um embrião com 15cm de LD no litoral Oeste do Ceará. Considerando o nascimento de exemplares saudáveis e sem vestígios de vitelo medindo de 12 a 13cm de LD no presente estudo e os dados da literatura, torna-se prudente assumir o tamanho de nascimento de D. marianae em torno de 12 e 15cm de LD. Proporcionalmente ao LD da menor fêmea prenhe registrada (27cm) os filhotes de raia de fogo chegam a nascer com mais da metade do LD da fêmea (55%). HENNINGSEN (2000) demonstrou que os filhotes de D. americana nascem com 45% da medida de LD da fêmea. Em outras espécies de dasiatídeos o padrão de filhotes grandes se mantém: para Potamotrygon orbignyi 45% (RINCON, 2006), D. Sabina 54% (SNELSON et al., 1988), Neotrygon kuhlii 54% (PIERCE et al., 2009) e Himantura walga 66% (WHITE & DHARMADI, 2007). Em algumas espécies esta proporção apresenta menores valores: para D. centroura 13% (CAPAPÉ, 1993) D. guttata 25% (YOKOTA & LESSA, 2007), D. pastinaca 33% (ISMEN, 2003). 46 Aparentemente as raias de menor porte tendem a gerar proporcionalmente filhotes maiores e segundo PIERCE et al. (2009), a fecundidade uterina pode influenciar inversamente no tamanho de nascimento dos filhotes, como para D. americana (HENNINGSEN, 2000). No presente estudo, os resultados apontaram um aumento significativo (p<0,05) no IHS dos machos nos meses de Outubro e Julho, corroborando PALMEIRA (2009) que encontrou os maiores valores de IHS nos machos nos mesmos meses, constatando que estas elevações no IHS dos machos antecedem os picos de IHS das fêmeas, o que indicam uma sincronia reprodutiva de período pré-copulatório. MARUSKA et. al. (1996) registrou a ausência de tendências significativas nos índices biológicos de D. Sabina, descrevendo um padrão estável ao longo do ano, assim como SECK et. al. (2004) e GRIJALBA-BENDECK et. al. (2008) que encontraram este mesmo padrão para Rhinobatos cemiculus e R. percellens, respectivamente. MARUSKA et. al. (1996) sugere cautela ao relacionar índices biológicos a picos reprodutivos. Neste sentido, foi necessária a adição de outros métodos para corroborar com os resultados apontados neste trabalho acerca da análise do IHS de D. marianae. Na análise do perfil das capturas de raia de fogo nota-se a presença de fêmeas grávidas de Outubro a Março, exceto em Dezembro e no mês de Julho. Tais dados associados aos dados de tamanho de nascimento caracterizam o período de Março a Abril como o final de um ciclo reprodutivo, quando ocorre a parturição. Assim, o incremento no IHS dos machos de raia de fogo no mês de Julho e a ocorrência uma fêmea com embrião pequeno e com grande volume de vitelo (2,3cm³) sugerem o período de início de um novo ciclo reprodutivo. Próximo aos meses de Outubro e Novembro considera-se o período de término de um ciclo reprodutivo e início de outro, devido o registro de embriões grandes (próximos ao tamanho de nascimento), fêmeas post-partum, embriões ainda não formados completamente e o aumento do IHS dos machos da espécie. Esta avaliação corrobora a PALMEIRA (2009), que analisou diversos aspectos reprodutivos em D. marianae além da presença de fêmeas prenhes com embriões quase a termo (largura do útero, largura e peso do maior folículo, peso do ovário, largura da glândula oviducal, circunferência da câmara do cérvix, IGS e IHS), indicando que o ciclo reprodutivo pode ocorrer 3 vezes por ano, com gestação de 3 a 4 meses, como ocorre em Potamotrygon circularis e Potamotrygon motoro (THORSON et al., 1983), D. centroura (CAPAPE, 1993), D. marmorata (CAPAPE & ZAOUALI, 1995) e Pteroplatytryigon violacea (RIBEIRO- PRADO, 2008). Segundo PALMEIRA (2009) isto não significa que a mesma fêmea dê à luz nos 3 ciclos, mas que fêmeas se 47 revezem nos partos ao longo desses 3 períodos. Os resultados encontrados por YOKOTA e LESSA (2007), acerca da captura de fêmeas de raia de fogo grávidas, post- partum e a análise dos embriões, apresentam um padrão que corrobora com o perfil descrito no presente estudo. No presente estudo foi observado que os machos de raia de fogo se dispersam mais e as fêmeas permanecerem em áreas mais rasas e próximas à praia, que é a provável área de berçário para a espécie, e foi indicado 3 ciclos reprodutivos comintervalos 3 a 4 meses. Analisando esta avaliação, somados ao fato de D. marianae apresentar processo de vitelogênese concomitante à gestação (YOKOTA & LESSA, 2007), percebe-se que as fêmeas estão ao longo do ano envolvidas em processos reprodutivos, o que justificaria o fato de permanecerem em áreas próximas às de berçário e cópula e com maior disponibilidade de presas, como é o caso das áreas das Fanerógamas (discutido porteriormente). 6.2 - Abundância e densidade populacional da espécie D. marianae 6.2.1 - Censos visuais A maior densidade e número de exemplares de D. marianae registrados na área de Fanerógamas, com ocorrência predominante de fêmeas adultas, podem estar relacionados com aspectos reprodutivos, citados anteriormente, e alimentares (discutidos adiante). Embora alguns trabalhos indiquem que a distribuição de peixes tem uma correlação positiva com o aumento da complexidade estrutural do ambiente (STEIMLE & ZETLIN, 2000; FERREIRA et al., 2001; FRIEDLANDER, 2001; SLUKA et al., 2001), os elasmobrânquios não exibem necessariamente este padrão, como no caso das raias de fogo no complexo recifal do Parracho de Maracajaú que, mesmo sendo uma espécie associada a ambientes recifais (GOMES et al., 2000), concentram-se na área mais em torno dos recifes, nas Fanerógamas, ambiente mais uniforme, quando comparado aos Recifes emersos e submersos. Mesmo sendo uma espécie associada aos recifes, certamente exemplares de D. marianae exibem um tipo de relação menos estreita com este ambiente do que peixes teleósteos recifais, pois há maior ocorrência destes animais no entorno e não propriamente sobre os recifes. A metodologia aplicada neste trabalho para as estimativas de densidade populacional da espécie D. marianae foi adequada e eficaz, pois a área de estudo apresenta locais que possibilitaram a execução dos censos de grande extensão (400 m2 no caso), entretanto, segundo AGUIAR (2005) estudos que abordam estimativas de densidade populacional de elasmobrânquios através de censos visuais subaquáticos não 48 são comuns, uma vez que as metodologias disponíveis na literatura foram elaboradas para peixes ósseos (BROCK, 1954; JONES & THOMPSON, 1978; BOHNSACK & BANNEROT, 1986). AGUIAR (2005) utilizou uma técnica semelhante para estimar a densidade de D. americana no Arquipélago de Fernando de Noronha e encontrou densidades semelhantes ao registrado no presente estudo. A autora registrou uma média de 0,73 indivíduos para cada 2000m² (0,85 de desvio padrão), em Maracajaú foi encontrada uma média de 0,68 indivíduos para cada 2000m² (0,82 de desvio padrão). 6.2.2 - Marcação e recaptura de exemplares de raia de fogo O número de recapturas foi considerado satisfatório (3%), visto que STEVENS (1976) registrou uma taxa de recaptura de 3.9% para tubarões marcados em águas portuguesas e mais da metade dos 52 estudos envolvendo marcação de tubarões revisados por KOHLER & TURNER (2001) apontam taxas de recaptura menores que 5%. Entretanto, falhas no desenho amostral prejudicaram a estimativa populacional de D. marianae através do método de marcação e recaptura, por outro lado, pode-se supor que esta taxa de recaptura indica um grande número de indivíduos na área, o que concorda com as estimativas obtidas através dos censos visuais. Já em relação à permanência na área, entende-se que ocorra por períodos não muito longos. Os dados analisados neste trabalho, considerando a pesca, censos visuais e marcação de raias, indicam grande importância da área de fanerógamas para a espécie, tendo em vista que é utilizada durante todo o ano aparentemente por muitos animais diferentes. Não houve notícia de exemplar marcado capturado por pescadores locais. 6.3 - Caracterização dos hábitos alimentares A análise do conteúdo estomacal revelou que a raia de fogo se alimenta de uma pequena variedade de organismos bentônicos que compõem a epifauna e infauna na área dos Parrachos de Maracajaú com preferência para crustáceos e poliquetas, estando de acordo com estudos sobre a dieta de raias (Dasyatidae) no Atlântico Oeste e Golfo do México, que revelaram que os crustáceos são um dos itens alimentares mais importantes (HESS 1961; STRUHSAKER 1969; SNELSON & WILLIAMS 1981; THORSON 1983; GILLIAM & SULLIVAN 1993). EBERT & COWLEY (2003) apontam que alguns moluscos são muito importantes na dieta de D. chrysonota, entretanto, discute-se aqui que ausência de moluscos na dieta de D. marianae seja devido a não preferência pelo item, uma vez que MARTINEZ (2008) realizou um estudo na área do complexo 49 recifal do Parracho de Maracajaú e indicou uma considerável ocorrência de moluscos nas Fanerógamas, que é a principal área de registro da raia de fogo. A captura de raias de fogo por pescadores utilizando iscas de peixes pode sugerir que estas raias se alimentem também de pequenos peixes mortos ou moribundos no fundo. MOTTA et al. (2009) registraram a ocorrência de peixes ósseos (2 scarídeos) no estômago de uma D. marianae (fêmea 38 cm LD e pesando 2600g) capturada nos Recifes Manoel Luís, no Maranhão. Teleósteos são importantes na dieta de alguns dasiatídeos (GILLIAM & SULLIVAN 1993; TANIUCHI & SHIMIZU 1993) e consideradas presas ocasionais para outros (HESS, 1961; EBERT & COWLEY, 2003). Alguns itens alimentares podem aparecer na dieta de animais em uma determinada área e não serem encontrados na dieta desta mesma espécie em outras, no entanto, peixes teleósteos, apesar de sempre disponíveis em áreas recifais, podem ser caracterizados como presas complementares ou ocasionais para D. marianae. O dimorfismo sexual encontrado na dentição e tamanho de D. marianae pode ser relacionado às diferenças observadas entre a dieta de machos e fêmeas. O consumo de presas com carapaças mais duras, como caranguejos (Brachyura), requerem, além de maior força, dentes mais planos (verificado apenas nas fêmeas), possivelmente mais eficientes para esmagar a carapaça das presas. A diferença na dentição entre machos e fêmeas em batóides, onde os machos apresentam dentes com cúspides pronunciadas e fêmeas não, é descrita na literatura (BIGELOW & SCHROEDER, 1953 apud. KAJIURA & TRICAS (1996). ELLIS & SHACKLEY (1995) e GOITEIN et al. (1998), estudando dimorfismo sexual e características ontogenéticas em elasmobrânquios, demonstraram que há diferenças significativas quanto à ingestão de itens alimentares entre os indivíduos. Segundo KAJIURA & TRICAS (1996), os machos de D. sabina apresentam uma adaptação na dentição para aumentar a eficiência reprodutiva, onde no período reprodutivo a dentição dos animais é modificada para cúspides mais pronunciadas e retorna ao estado após este período, visto que os dentes em pavimento, como das fêmeas, são mais funcionais na alimentação do que os com cúspide pronunciada. KAJIURA & TRICAS (1996) e KAJIURA et al. (2000) sugerem que o caráter sazonal na dentição dos machos de D. sabina ocorre devido os machos precisarem de dentes mais pontiagudos para segurar as fêmeas durante a corte. O processo de mudança na dentição dos machos de D. sabina ocorre num período de até dois meses e a espécie apresenta apenas um ciclo reprodutivo por ano (KAJIURA & TRICAS, 1996). Com base em observações macroscópicas das arcadas de exemplares capturados ao longo do ano e de suas características reprodutivas (três ciclos por ano), 50 acredita-se que D. marinae apresenta a forma dos dentes estática, corroborando a (MCEACHRAN, 1975; TANIUCHI & SHIMIZU, 1993; NORDELL, 1994), o que acentua as diferenças na dieta ao longo do ano e não apenas em períodos reprodutivos. No presente estudo verificou-se que a área de Fanerógamas é ocupada predominantemente por fêmeas adultas de raias de fogo e o Índice de repleção (IR) dos animais desta localidade apresentou o maior valor médio (IR = 0,95), mostrando que as raias consomem mais alimento nesta área. Devido a algumas características já discutidas, sobre a dispersão e os ciclos reprodutivos da espécie, acredita-se que as fêmeas permaneçam mais nesta área também devido a disponibilidade de alimento e consumam maiores quantidades deste recurso, o que pode contribuir para o maior tamanho e peso das fêmeas da espécie. A análise da dieta dos exemplares capturados nas áreas próximas a praia apontou que camarões (Dendrobranchiata), caranguejos (Brachyura) e isópodas são os itens mais importantes, resultado que difere principalmente quanto ao consumo de isópodas, das outras localidades. Em Maracajaú, a área próxima da praia é onde ocorre o maior número de indivíduos jovens e imaturos, sendo considerada área de berçário para raias de fogo. Mudanças na dieta associadas ao desenvolvimento ontogenético ocorrem em muitos elasmobrânquios e segundo AGUIAR (2005) as mudanças na alimentação acompanham a saída dos animais das áreas berçário para outras regiões mais profundas, à medida que estes crescem. Comparando a dieta de raias de fogo adultas e imaturas em Maracajaú, nota-se que os isópodes são consideravelmente mais importantes na dieta dos indivíduos imaturos, talvez pelo fato destes organismos serem no geral mais fáceis de mastigar, enquanto os adultos de D. marianae se alimentam principalmente de caranguejos (Brachyura). Segundo WETHERBEE et al. (1990) e LOWE et al. (1996), estas diferenças na dieta associadas ao desenvolvimento ontogenético podem indicar que os jovens têm uma dieta restrita e associada a habitats particulares, como as áreas berçário, o que diminui a competição de coespecíficos em diferentes estágios de vida. Entretanto, os resultados obtidos no presente estudo, como a ocorrência de isópodes nos estômagos de raias adultas e uma relativa importância deste item na dieta de machos (número de ordem 6), que se distanciam mais das áreas de berçário, sugerem que estas mudanças na alimentação podem estar relacionadas à capacidade de indivíduos de maior tamanho em ter acesso a presas mais difíceis de obter e processar ou inaccessíveis a animais menores, corroborando a literatura (SMITH & MERRINER, 1985; LOWE et al., 1996; EBERT, 2002; EBERT & COWLEY, 2003; AGUIAR, 2005). 51 Com relação à quantidade de alimento ingerido por D. marianae, através do estado de preenchimento (EP) dos estômagos, foi observado que os exemplares que apresentaram EP = 1 consumiram em média 0,96% do seu peso. Segundo GOMES et al. (1996), este valor pode ser considerado como a quantidade máxima de alimento ingerido numa refeição. WETHERBEE et al. (1990) explicam que tubarões são conhecidos por ingerirem menor quantidade de alimento, entre 0.4%-3.2% do seu peso, que os peixes ósseos. O fato de todos os exemplares terem sido capturados e observados através das atividades subaquáticas durante o dia e o índice de vacuidade (IV) ser mínimo (0,99%; N = 1) sugerem o período de atividade diurno de D. marianae. Entretanto, PALMEIRA (2009), através de um acompanhamento da pesca de curral com maior número de captura entre 4:00 e 6:00 horas sugere uma atividade predominantemente noturna para D. marianae em Almofava – CE. A autora não avaliou o conteúdo estomacal para indicar atividade alimentar e, no geral, a pesca de curral é desenvolvida em áreas rasas e próximas da praia, ambiente semelhante ao explorado pela pesca com tresmalhos (ver cap. 1). A ocorrência de raias de fogo nestas áreas durante o período noturno será discutida adiante. Atualmente diversos estudos com batóides mostram uma diversidade de hábitos, no que se refere a período de atividade: noturno, para Dasyatis lata (CARTAMIL et al., 2003); crepuscular, para Torpedo californica (BRAY & HIXON, 1978); contínuo, para Rhinoptera bonasus (COLLINS et al., 2007). 6.4 - Aspectos comportamentais Mesmo não sendo registrado evento de cópula no presente estudo, foram encontradas fêmeas de D. marianae com ferimentos e cicatrizes decorrentes de mordidas dos machos, como observado por PALMEIRA (2009), concentradas na porção posterior das nadadeiras peitorais. Mordidas desferidas por machos nas fêmeas em eventos reprodutivos de elasmobrânquios são bem documentadas na literatura (STEVENS, 1974; PRATT, 1979; MCCOURT & KERSTITCH, 1980, KLIMLEY, 1980; TRICAS, 1980; REED & GILMORE, 1981; CARRIER et al., 1994; NORDELL, 1994). Segundo TRICAS & LEFEUVRE (1985) em muitas espécies os machos se prendem às nadadeiras peitorais das fêmeas com a mandíbula para auxiliar na inserção do clásper. A maior incidência das marcas de mordidas na porção posterior das nadadeiras peitorais foi identificada também por KAJIURA et al. (2000) para Dasyatis Sabina e outros autores, como LUER & GILBERT (1985), REED & GILMORE (1981) e TRICAS (1980) indicam o mesmo padrão para outras espécies de raias. KAJIRURA et al. (op. cit.) discute sobre a possibilidade da maior concentração de marcas na porção 52 posterior das nadadeiras das fêmeas estar relacionada com a atração dos machos por feromônios originados na cloaca das fêmeas, perseguindo suas potenciais parceiras e desta forma mordendo a parte posterior de suas nadadeiras. No presente estudo interpreta-se esta situação da seguinte maneira: com o dimorfismo sexual, onde os machos são menores que as fêmeas, é necessário que o macho se posicione na metade posterior do corpo da fêmea para que haja a inserção funcional do clásper, caso contrário, o clásper não alcançaria a cloaca da fêmea. A presente hipótese não descarta a química envolvendo feromônios, sugerida por KAJIURA et al. (2000). CHAPMAN et al. (2003) registrou e descreveu o comportamento de cópula de D. americana em algumas localidades das Bahamas. O autor cita que durante a inserção do clásper os animais estão em posição denominada “ventral to ventral”, com a parte ventral dos dois animais em contato direto. YANO et al. (1999) sugere que esta postura é comum entre os batóides, o que talvez ocorra em D. marianae. Em relação ao comportamento alimentar, a sequência de eventos que caracteriza a atividade de alimentação de D. marianae é similar a descrita para D. crysonota (EBERT & COWLEY, 2003), D. americana (AGUIAR, 2005), D. Sabina mantidas em cativeiro (BLONDER & ALEVIZON, 1988) e Rhinoptera bonasus (SMITH & MERRINER, 1985). MOSS (1977) sugere que muitos batoides são capazes de se alimentar através da sucção pela expansão da cavidade orobranquial. O posicionamento das nadadeiras peitorais das raias de fogo contra o substrato reduz a chance de fuga da presa e estabiliza o corpo durante os movimentos da mandíbula, como observado para outras raias por BRAY & HIXON (1978), WILGA & MOTTA (1998) e DEAN & MOTTA (2004). Os movimentos verticais descritos neste trabalho podem estar relacionados à hipótese de algumas raias desenterrarem suas presas hidraulicamente, através de jatos de água produzidos por sua boca ou fendas branquiais (BABEL, 1967; GREGORY et al., 1979; SCHWARTZ, 1989). Aparentemente a sequência descrita neste trabalho é padrão para as raias que se alimentam no fundo, principalmente os dasiatídeos. De acordo com a análise dos valores do Índice de repleção (IR), foram observado os maiores valores de IR em raias capturadas na área de Fanerógamas, sugerindo uma maior concentração de presas neste ambiente que nas outras áreas. No entanto, não foi realizada uma análise de disponibilidade de presas necessária para corroborar ou não esta hipótese. Com relação à predação de exemplares de raia de fogo por S. mokarran na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú, sabe-se que esta interação entre 53 tubarões martelo e raias é bem documentada na literatura (SNELSON et al., 1984; CHAPMAN & GRUBER, 2002; STRONG et al., 1990; DELOACH & HUMANN, 1999). Indivíduos da Família Dasyatidae são importantes presas para diversas espécies de grandes tubarões (COMPAGNO 1984) e os espinhos caudais são freqüentemente encontrados cravados nas maxilas de muitas espécies (CLIFF et al. 1989; EBERT 1991; LOWE et al. 1996; VOOREN et al. 2005). Outros peixes de grande porte também podem se alimentar de raias de fogo na área, visto que GOMES et al. (2000) citaram a ocorrência de dois exemplares no estômago de um bejupirá (Rachycentron canadum). Analisando alguns aspectos do presente estudo como a baixa ocorrência de D. marianae na área de Recifes emersos durante o período diurno e o relato de pescadores sobre a presença de exemplares de raia de fogo ativas nesta área durante a noite, associados a informações obtidas em PALMEIRA (2009), que verificou um maior número de capturas na pesca de curral, próximo à praia, nas primeiras horas do dia, sugere-se a seguinte hipótese: os exemplares de D. marianae ficam concentrados na área de Fanerógamas, ambiente muito exposto, durante o período diurno e deslocam-se para áreas recifais (como RE) e/ou menos profundas próximas da praia (com características de berçário) para evitar a predação por grandes tubarões que ocorrem na área. Alguns aspectos que corroboram esta hipótese são mencionados a seguir. Segundo a literatura (GRUBER, 1982; GRUBER et al., 1988; NIXON & GRUBER, 1988; MORRISSEY & GRUBER, 1993; ACKERMAN et al., 2000; LOWE, 2002; CARTAMIL et al., 2003) a maioria dos elasmobrânquios, incluindo os tubarões do Gênero Sphyrna e Negaprion brevirostris, apresentam um padrão de maior mobilidade a noite. CARRIER et al. (2004) esclarecem que o uso do habitat é um mecanismo para se evitar predadores, onde a escolha de ambientes que dificultem o acesso dos predadores ou que as potenciais presas possam se esconder aumentam as suas chances de sobrevivência. O risco de predação em um determinado habitat é influenciado diretamente pela complexidade do ambiente, cor do substrato, iluminação, profundidade e turbidez da água (WERNER & HALL, 1988 apud. CARRIER et al., 2004; GOTCEITAS & COLGAN, 1989; LIMA & DILL, 1990; HUGIE & DILL, 1994; MINER & STEIN, 1996) e estas características podem determinar os padrões de utilização de uma determinada área por uma potencial presa (HEITHAUS, 2001). Durante a atividade alimentar as raias de fogo atraem algumas espécies de peixes seguidores. Geralmente a atividade alimentar de espécies que expõem presas crípticas atrai indivíduos de outras espécies (FRICKE, 1975; STRAND, 1988; SOARES & BARREIROS, 2003; SAZIMA et al., 2005). Os eventos registrados no presente 54 estudo indicam um comportamento de seguidor de L. analis e C. bartholomaei com D. marianae e segundo BRAIRD (1993), este comportamento é definido como “following behavior”, onde uma espécie (atendente) segue outra (nuclear) e enquanto esta última forrageia em busca de presas a atendente pode capturar presas que escapem do predador nuclear. Associações semelhantes entre batóides e teleósteos são descritas em STRAND (1988), DELOACH & HUMANN (1999) e AGUIAR (2007). Em relação ao comportamento de limpeza, apenas exemplares jovens de P. paru foram observados limpando as raias de fogo. Interações que envolvem limpeza de peixes maiores por peixes recifais são bem documentadas (FRANCINI et al., 2000; SAZIMA & MOURA, 2000). SNELSON et al. (1990) observaram estações de limpeza onde indivíduos de D. americana eram clientes de Thalassoma bifasciatum. Acredita-se que outras espécies desempenhem o papel de limpadores em interações com D. marianae na área do complexo recifal estudado. 55 7 - CONCLUSÕES - A população de D. marianae na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú é composta por indivíduos jovens (imaturos), subadultos (em maturação) e adultos, sendo que esta última categoria compõe a maior parte da população de raias de fogo no complexo. - Existe uma estratificação sexual e ontogenética na distribuição da espécie na área do complexo recifal, onde na área próxima a praia, considerada uma área de berçário, ocorre predominantemente indivíduos juvenis numa proporção equivalente entre os sexos, nas fanerógamas as fêmeas adultas ocorrem numa freqüência superior e nas áreas mais afastadas (parracho e depois do parracho) estão os machos adultos numa maior proporção. - As fêmeas subadultas e adultas apresentaram o útero, glândula oviducal e ovário direitos atrofiados, sendo observada a presença de trofonemata nas fêmeas adultas. Nos machos, os testículos e acessórios direitos e esquerdos são funcionais. - As fêmeas de D. marianae atingem maior peso e tamanho, atingindo a primeira maturidade sexual (L50) com dimensões maiores que os machos, que é cerca de 23cm de LD, tamanho de captura sugerido. - As características biológicas da espécie sugerem 3 ciclos reprodutivos ao longo do ano, gestação de 3 a 4 meses, tamanho de nascimento de 12 a 15cm de LD e baixa fecundidade uterina, apenas 1 filhote por gestação. - A espécie D. marianae é comum na área do complexo recifal do Parraxo de Maracajaú, no entanto sua ocorrência é significativamente maior na área das fanerógamas e a localidade com a menor probabilidade de ocorrência é o fundo arenoso. - A raia de fogo, D. marianae, exibe uma estratégia alimentar especialista, carnívora carcinofágica, com preferência de caranguejos (Ordem Brachyura) e camarões (Subordem Dendrobranchiata), de acordo com a dieta exibida por dasiatídeos em geral. - A espécie apresenta dimorfismo sexual quanto a dentição, mais plana na fêmeas e com cúspides pronunciadas nos machos, que pode influenciar diretamente na composição da dieta dos exemplares. Os caranguejos (Ordem Brachyura) são mais importantes na dieta das fêmeas adultas, as tamurutacas (Ordem Stomatopoda) na dieta dos machos adultos e os isópodes (Ordem Isopoda) são consideravelmente mais valiosos na dieta de raias de fogo imaturas, indicando certa segregação de hábitos alimentares que é associado ao comportamento e crescimento. 56 - As raias de fogo são ativas durante o período diurno na área do complexo recifal do Parracho de Maracajau e aparentemente há um padrão de movimentação onde no período noturno os indivíduos migram para áreas mais protegidas e/ou rasas sugerindo uma tática anti predatória. 57 8 - CONSIDERAÇÕES ACERCA DA CONSERVAÇÃO DA ESPÉCIE D. MARIANAE NA ÁREA DO COMPLEXO RECIFAL DO PARRACHO DE MARACAJAÚ – RN Os conhecimentos científicos obtidos no presente trabalho acerca da estrutura populacional, distribuição e reprodução de D. marianae podem colaborar para o desenvolvimento de estratégias de conservação para a espécie adicionando informações importantes ao plano de manejo da APARC (MENDES et al. 2009). Ressalta-se que a espécie D. marianae é comum na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú e utiliza as áreas próximas da praia como berçário, bem como apresentam uma concentração maior de exemplares na área das fanerógamas, principalmente fêmeas adultas. Desta forma, sugere-se a implementação de atividades educacionais e orientadoras junto à comunidade local para que os exemplares de menor porte (até cerca de 23cm de LD) e fêmeas grávidas (facilmente reconhecidas por seu abdome dilatado) sejam devolvidos ao mar. Esta recomendação se aplica principalmente à pesca de tresmalhos realizada próxima a praia (ver cap. II) que frequentemente captura raias jovens, imaturas e fêmeas grávidas. O manejo da pesca nas fanerógamas também é fundamental para a conservação de D. marianae. A educação ambiental deve abordar a seletividade das capturas de raias de fogo nesta área, onde é praticada principalmente a pesca através de mergulho (ver cap. II) e os pescadores podem selecionar visivelmente os indivíduos a serem capturados. Fica proposto que os mergulhadores evitem capturar fêmeas grávidas. Além da educação ambiental é importante o monitoramento da pesca de D. marianae ao longo do ano e a limitação da pesca de raias de fogo na área das fanerógamas durante os meses de verão (de Fevereiro a Abril), quando coincide o final de um ciclo reprodutivo (ocorrência de fêmeas grávidas no fim da gestação) com o período de água limpa, com maior visibilidade, na área (período que a pesca através do mergulho é acentuada nas fanerógamas). 58 - CAPÍTULO II – PESCA DE ELASMOBRÂNQUIOS NA ÁREA DO PARRACHO DE MARACAJAÚ E UMA ABORDAGEM ETNOICTOLÓGICA 59 RESUMO Os elasmobrânquios são peixes com reconhecida importância no sistema aquático, no entanto a composição da fauna e exploração destes animais ainda é pouco conhecida em algumas localidades, como por exemplo, na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN, o que dificulta o manejo adequado deste importante recurso ecológico e econômico. Este trabalho teve por finalidade identificar as espécies de elasmobrânquios que ocorrem na área e conhecer as particularidades da comunidade pesqueira local quanto à sua relação com os elasmobrânquios. A observação direta através de mergulhos e o acompanhamento do desembarque da frota artesanal local possibilitaram a identificação de 16 espécies, sendo 8 raias e 8 tubarões, onde 11 espécies foram registradas pela primeira vez para a área do complexo recifal e 3 para o Rio Grande do Norte, Negaprion brevirostris, Sphyrna zygaena e Mobula sp.. Em Maracajáu não existe pesca direcionada, mas tubarões e raias são frequentemente capturados por diversas artes de pesca. O tipo de embarcação mais utilizada por pecadores locais são jangadas movidas à vela para a pesca com linha e anzol. Com a aplicação de um questionário foram identificadas características da população pesqueira local. A faixa etária da maioria dos pescadores varia entre 26 e 35 anos e estes citaram Dasyatis americana e Ginglymostoma cirratum como os elasmobrânquios mais capturados na área, mas o acompanhamento dos desembarques aponta a maior captura de D. marianae e Rhizoprionodon porosus. A maioria dos pescadores locais acredita que a pesca e o turismo são responsáveis por uma provável diminuição de tubarões e raias na área do complexo recifal e citam que estes animais são importantes para o ecossistema recifal e também para o turismo local. A análise do consenso em relação à identificação de tubarões e raias por termos populares e a avaliação do Índice Popular de Conhecimento de Espécies (IPCE) apontaram que o grande número de nomes populares e o baixo valor de consenso (30%) entre os pescadores influenciaram diretamente nos valores negativos de IPCE. Desta forma, a identificação de espécies de elasmobrânquios através apenas da classificação popular dos pescadores não é considerada muito fidedigna em Maracajaú. Palavras chave: Elasmobrânquios; check-list; pesca; conhecimento popular; Praia de Maracajaú. 60 ABSTRACT The elasmobranch fishes are recognized importance in the aquatic system, but the fauna composition and operation of these animals is poorly known in some localities, eg in the area of the reef complex Parracho de Maracajaú - RN, which complicates the management appropriate to this important ecological resource and economic development. This study aimed to identify the species of elasmobranchs occurring in the area and know the specifics of the local fishing community as to its relationship with elasmobranchs. Direct observation through dips and monitoring of the artisanal fleet landing site allowed the identification of 16 species, with 8 rays and 8 sharks, where 11 species were recorded for the first time to the reef complex area and 3 in Rio Grande do Norte, Negaprion brevirostris, Sphyrna zygaena and Mobula sp.. In Maracajaú no directed fishery, but sharks and rays are often caught by various fishing gears. The types of boat used by most sites are rafts moved sailing to fishing with hook and line. With the application of a questionnaire were identified characteristics of the local fishing population. The age range of most anglers between 26 and 35 years and they have cited Dasyatis americana and Ginglymostoma cirratum like most elasmobranchs caught in the area, but the monitoring of landing points the biggest catch of D. marianae and Rhizoprionodon porosus. Most local fishermen believe that fishing and tourism account for a likely decline of sharks and rays in the area of the reef complex and mentioning that these animals are important to the reef ecosystem and to local tourism. Analysis of consensus regarding the identification of sharks and rays for popular terms and evaluation of Popular Content Knowledge of Species (PCKS) showed that the large number of popular names and the low value of consensus (30%) among the fishermen were directly affected in negative values of PCKS. Anyway, the identification of elasmobranch species only through the popular classification of fishermen is not considered very reliable in Maracajaú. Keywords: Elasmobranchs; checklist; fishing; popular knowledge; Maracajaú Beach. 61 1 - INTRODUÇÃO No Brasil, a quantidade de pessoas que vive e trabalha na zona costeira representa aproximadamente 38% da população total (CICIN-SAINT & KNECHT, 1999). Devido à grande diversidade natural nesta área do país e sua extensa costa, a pesca é intensamente praticada ao longo dos 8000 km de água jurisdicional brasileira. Porém, a atividade pesqueira marítima no país se desenvolveu de maneira lenta, conservando o seu caráter primitivo, ou seja, artesanal (SUGUIO, 1977). A pesca artesanal, ou pesca de pequena escala, explora principalmente as áreas costeiras que são as mais produtivas do ambiente marinho, abrigando ecossistemas de grande diversidade e capacidade suporte. Neste ambiente existe uma grande disponibilidade de recursos alimentares e diversidade de habitats que proporcionam abrigo para indivíduos de pequeno porte (SILVA-JUNIOR et al., 2008). Na região Nordeste, a pesca é caracterizada pela atividade artesanal, que apresenta desembarque descentralizado e emprega tecnologias pouco desenvolvidas (LESSA et. al., 2004). Segundo DIEGUES (1983), pesca artesanal é aquela que usa petrechos simples, geralmente de fabricação própria, e vendedores intermediários para comercialização de seus produtos e de acordo com a FAO (2005) este tipo de pescaria tradicional envolve trabalho familiar e constitui uma atividade de subsistência que utiliza pouco capital e energia para investidas curtas e próximas à costa. A produção é em parte consumida pela família e em parte comercializada, sendo os conhecimentos transmitidos ao pescador pelos mais velhos da comunidade ou adquirido pela interação com os companheiros do ofício. (MALDONADO, 1986). Esta atividade é mais intensa em ambientes recifais (RUSS, 1991) e PAIVA (1997) afirma que o tipo artesanal contribui com 75% das capturas. No Nordeste do Brasil os ambientes recifais costeiros estão entre os ecossistemas mais ameaçados em termos de interferências múltiplas decorrentes das pressões humanas (LEÃO et al., 2003). As formações recifais do Atlântico Sul são únicas e se distribuem numa extensão de cerca de 2000 km (MAIDA & FERREIRA, 1997), representadas por componentes que não são principalmente corais verdadeiros e que não exibem um padrão de zonação geralmente observado nos recifes de corais de outras partes do mundo (LEÃO & DOMINGUES, 2000). No que diz respeito à captura de raias e tubarões pela pesca artesanal, as áreas mais exploradas são as regiões costeiras, onde geralmente estão as áreas de berçário. Estas são mais vulneráveis às ações antrópicas, sofrendo com a degradação ambiental a 62 ação da pesca de pequena escala (CAMHI et al., 1998; LESSA et al., 1999). Características particulares associadas ao ciclo de vida dos elasmobrânquios os tornam recursos frágeis (BONFIL, 1994), como o crescimento lento, maturação tardia e a produção de poucos filhotes por gestação. Associado a tal panorama a ineficiência de políticas de conservação para o grupo, permite uma exploração prejudicial e praticada de forma não sustentável (VOOREN, 1997; KOTAS et al., 1995) e o tempo necessário para o restabelecimento de uma população impactada pode ser de décadas (HOENING & GRUBER, 1990; WALKER & HISLOP, 1998; MUSICK et al., 2000; STEVENS et al., 2000; ANAK, 2002). No Brasil, de um modo geral, os avanços das pesquisas não acompanham o aumento de intensidade da pesca. A pesca, dirigida ou acidental, envolve o paradoxo de que raias e tubarões têm baixo valor econômico, o que também lhes confere baixa prioridade em termos de pesquisa e conservação (BONFIL, 1994). No entanto, a preocupação com o impacto da pesca sobre as populações de tubarões e raias vem aumentando consideravelmente em todo o mundo e, conseqüentemente, mais informações sobre os elasmobrânquios vêm sendo geradas (AGUIAR, 2005). Quanto à questão social e aprendizado, considerando-se que a pesca é um dos veículos de aquisição de um extenso conhecimento sobre o meio ambiente, como as condições da maré, a identificação dos pontos de pesca, hábito e comportamento das diversas espécies de peixes (DIEGUES e ARRUDA, 2001). Esse conhecimento normalmente é aplicado para aumentar o sucesso produtivo, capturando mais exemplares ou espécies com maior valor de mercado. GALVÁN (1984) cita que em vários textos antropológicos o saber é tratado como um meio de produção, no mesmo nível que o barco e as artes de pesca, como um instrumento intelectual que faz com que a atividade pesqueira se converta num trabalho produtivo. Tais informações são chamadas de Conhecimento Ecológico Tradicional, consistindo em um aprendizado adquirido por tentativa e erro, acumulado e transmitido de geração em geração dentro de uma comunidade (DREW, 2005). A falta desta noção pode gerar limitações na atividade da pesca. O Conhecimento Ecológico Tradicional já foi amplamente reconhecido como uma ferramenta para auxiliar as formas usuais de medidas de manejo (HICKEY & JOHANNES, 2002). Isto ocorre devido à população local ter ciência da presença e distribuição de espécies e dos processos ecológicos nos quais elas estão envolvidas (POIZANT & BARAN, 1997; NABHAN, 2000). Nos últimos anos, pesquisas ecológicas em ecossistemas tropicais têm utilizado o saber tradicional como ferramenta complementar para propor práticas de 63 desenvolvimento com sustentabilidade ecológica e cultural (POSEY, 1984; OVERAL & POSEY, 1996) ou para o manejo e à conservação local de recursos (MORIN- LABATUT & AKATAR, 1992). O conhecimento tradicional acerca da biologia e ecologia das espécies de peixes ficou conhecido pelo termo etnoictiologia através dos trabalhos de MORRIL (1967) e ANDERSON (1967), com pescadores artesanais caribenhos e chineses, respectivamente. No Brasil, o primeiro trabalho com enfoque puramente etnoictiológico foi desenvolvido por um antropólogo, MARANHÃO (1975), que estudou uma comunidade de pescadores de Icaraí no litoral cearense. Historicamente, o povoamento de áreas costeiras ocorreu próximo a ambientes mais produtivos e diversas populações tradicionais se desenvolveram em locais próximos a ambientes recifais. Atualmente algumas destas áreas estão inseridas em Unidades de Conservação, como é o caso da Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Corais (APARC) no estado do Rio Grande do Norte, criada através do Decreto no 15.476 em Junho de 2001. Uma das comunidades da APARC está situada na Praia de Maracajaú, onde existe o uso direto e indireto a área dos recifes de Maracajaú, conhecidos como Parracho, a cerca de 7km de distância da praia. Os limites da APARC inclui uma parte da plataforma rasa em frente à linha de costa desde o Cabo de São Roque ao Cabo Calcanhar, abrangendo a faixa costeira dos Municípios de Maxaranguape, Rio do Fogo e Touros (AMARAL, 2002). Até o presente momento, são poucos os trabalhos enfocando a ictiofauna associada ao Parracho de Maracajaú, como FEITOSA et al. (2002), LIMA (2004) e FEITOZA (2005). MENDES et al. (2009) desenvolveram avaliações de fauna na área para implementação do plano de manejo da APARC. Estudos voltados, em particular, para elasmobrânquios inexistem para a localidade. Este trabalho teve por finalidade identificar as espécies de elasmobrânquios que ocorrem na área e conhecer as particularidades da exploração comercial de elasmobrânquios na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú (APA dos Recifes de Corais – RN). Segundo VECCHIONE et. al (2000), este conhecimento é necessário para avaliar os efeitos da pesca sobre a diversidade. Da mesma forma que o conhecimento acerca dos pescadores artesanais e suas atividades, com ênfase nas particularidades locais, é necessário para a preservação dessas comunidades e o manejo dos recursos explorados por ela (MOURÃO & NORDI, 2006). 64 2 - OBJETIVOS 2.1 - Objetivo geral Identificar as espécies de tubarões e raias que ocorrem na área e conhecer as particularidades da comunidade pesqueira local quanto à sua relação com os elasmobrânquios 2.2 - Objetivos específicos - Levantamento das espécies de elasmobrânquios que ocorrem na área do Parracho de Maracajaú (dados primários); - Levantamento das espécies de elasmobrânquios que ocorrem no litoral do Rio Grande do Norte (revisão de literatura); - Caracterização da pesca de tubarões e raias na área do Parracho de Maracajaú; - Aspectos etnoictiológicos: avaliar a confiabilidade da identificação de espécies de elasmobrânquios pelos pescadores locais. 65 3 - MÉTODOS 3.1 - Check-list das espécies de elasmobrânquios na área do Parracho de Maracajaú e litoral do RN As informações acerca das espécies de elasmobrânquios que ocorrem na área do Parracho de Maracajaú foram obtidas através do acompanhamento dos desembarques e também através de foram realizados mergulhos para observações diretas utilizando técnicas de apnéia, mergulhos autônomos (“SCUBA”) e mergulhos rebocados (plana- sub). No mergulho rebocado é utilizada uma prancha conectada ao barco por um cabo e puxada pelo mesmo. O observador tem assim a possibilidade de cobertura de extensas áreas. Os animais avistados e fotografados, sendo identificados utilizando COMPAGNO (1984). Além das informações a partir dos dados primários, também foi feita uma análise bibliográfica para complementar tais resultados. 3.2 - A pesca e a relação comunidade com os elasmobrânquios Para caracterizar a pesca de tubarões e raias na área foram analisadas todas as informações obtidas durante o acompanhamento do desembarque da frota artesanal na comunidade de Maracajaú – RN que atuou na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú de Agosto de 2008 a Fevereiro de 2010. Para descrever a relação da comunidade com os elasmobrânquios em termos de exploração, comercialização, conhecimento e distinção de espécies, foi utilizado um questionário semi estruturado direcionado aos pescadores artesanais da comunidade (anexo 1). Para verificar a percepção dos pescadores da comunidade com relação à distinção de espécies, foi desenvolvido um teste simples. Este teste foi denominado neste trabalho como “Índice Popular de Conhecimento de Espécies” (IPCE). O teste de IPCE consiste em exibir aos pescadores fotografias de animais, com algumas imagens distintas para uma mesma espécie. O entrevistado identifica todos os animais, um por um, da forma que está mais habituado e a análise dos resultados ocorre através da equação: IPCE = Acertos + (Erros) + (Ra +...+R∞) Onde cada acerto (de acordo com os critérios de identificação assumidos) recebe um ponto positivo e cada erro, um ponto negativo. As fotografias que não são reconhecidas pelos entrevistados não têm pontuação. Para o “R”, que são as repetições de um nome para espécies diferentes, o valor atribuído também é negativo. Porém, “Ra” 66 é entendido como a repetição de um nome para duas espécies, “Rb”, a repetição de um mesmo nome para três espécies e assim por diante. Portanto, o valor de “R” representa o número de espécies distintas identificadas por um mesmo termo menos um. Este valor está relacionado com o termo usado e não com o nome da espécie, podendo variar desde -1, quando um termo é utilizado para identificar duas espécies diferentes, ao número total de fotos usadas no teste menos um. Foram utilizadas 19 fotos neste trabalho (anexo 2) (Negaprion brevirostris - 1 foto; Carcharhinus falciformes - 1 foto; Carcharhinus acronotus - 1; C. leucas - 3; C. plumbeus - 1; C. limbatus - 2; C. perezi - 1; Sphyrna mokarran - 1; Sphyrna tiburo - 1; Dasyatis guttata - 1; Dasyatis americana - 1; Manta birostris - 1; Mobula hypostoma - 1; Gymnura altavela - 1; Narcine brasiliensis - 1; Rhinoptera bonasus - 1), com isso o valor mínimo é -18. Por exemplo, numa situação onde o entrevistado acerta a identificação de duas espécies, erra nove espécies, não reconhece 8 das 19 fotografias e repete um nome para 4 espécies distintas e outro nome para duas espécies o IPCE é calculado da seguinte forma: IPCE = 2 + (-9) + {(-3) + (-1)} IPCE = -11 Assim como MOURÃO (2003), a análise das informações obtidas foi de ordem qualitativa, efetuada por meio da interpretação das respostas dos entrevistados e sempre que possível justapondo o modelo percebido (conhecimento etnoecológico), considerando o consenso dos entrevistados, ao modelo operacional (conhecimento científico) existente, utilizando FREIRE & CARVALHO-FILHO (2009). O consenso dos entrevistados foi utilizado para avaliar o “IPCE Pop”, considerando os dois nomes com maior número de citações para uma determinada espécie, enquanto para avaliar o “IPCE Biblio”, foi utilizada a bibliografia existente, baseado em FREIRE & CARVALHO-FILHO (2009). A relação dos IPCE Biblio e Pop com a idade dos pescadores participantes foram analisadas através do método de regressão linear simples, após a confirmação dos testes de parametricidade: homocedasticidade e normalidade. 67 4 - RESULTADOS 4.1 - Levantamento das espécies (check-list) de elasmobrânquios 4.1.1 - Área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú A análise do desembarque da pesca aliada à realização de 47 mergulhos (tempo total de mergulho: mais de 115 h) utilizando técnicas de apnéia na área do Parracho de Maracajaú permitiu o registro de Quinze (15) espécies de elasmobrânquios, sendo oito raias e sete tubarões para a área do complexo recifal (tab. 17). Família Nome científico Métodos de registro Dasyatidae Dasyatis americana (Hildebrand & Schroeder, 1928) Desembarque e mergulho Dasyatis guttata (Bloch & Schneider, 1801) Desembarque e mergulho Dasyatis marianae (Rosa, Gomes & Gadig, 2000) Desembarque e mergulho Narcinidae Narcine brasiliensis (Olfers, 1831) Desembarque Rhinobatidae Rhinobatos percellens (Walbaum, 1792) Desembarque e mergulho Rhinopteridae Rhinoptera bonasus (Mitchill, 1815) Desembarque Myliobatidae Aetobatus narinari (Euphrasen, 1790) Desembarque e mergulho Mobulidae Mobula sp. Desembarque Carcharhinidae Carcharhinus acronotus (Poey, 1860) Desembarque Carcharhinus limbatus (Valenciennes em Müller & Henle, 1839) Desembarque Galeocerdo cuvier (Peron & LeSueur, 1822) Desembarque Rhizoprionodon porosus (Poey, 1861) Desembarque Negaprion brevirostris (Poey, 1868) Desembarque Sphyrnidae Sphyrna mokarran (Rüppell, 1837) Desembarque Ginglymostomidae Ginglymostoma cirratum (Bonnaterre, 1788) Desembarque e mergulho Tabela 17: Raias e tubarões com ocorrência na área do Parracho de Maracajaú e método de registro. Entre as raias registradas no presente trabalho para o Parracho de Maracajaú, a Família Dasyatidae foi a mais representativa com três espécies e para os tubarões a Família Carcharhinidae, com as cinco espécies. Todos os elasmobrânquios citados na tabela 17 foram capturados com redes de emalhe, arrasto de praia (tresmalhos), linha de mão e mergulho (arbaletes e/ou bicheiros). Onze (11) novos registros de elasmobrânquios foram obtidos para a área do complexo recifal do Parrcaho de Maracajaú, sendo seis tubarões (Carcharhinus acronotus, C. limbatus, Galeocerdo cuvier, Rhizoprionodon porosus, Negaprion brevirostris e Sphyrna mokarran) e cinco raias (Dasyatis guttata, Mobula sp, Rhinobatos percellens, Rhinoptera bonasus e Narcine brasiliensis). 68 4.1.2 - Litoral do Rio Grande do Norte A revisão bibliográfica aliada as informações obtidas no presente estudo referente à composição da fauna de elasmobrânquios do litoral do Estados do Rio Grande do Norte aponta a ocorrência de um total de 50 espécies, sendo 32 tubarões e 18 raias (tab.18). N Família Nome científico Referências 1 Ginglymostomidae Ginglymostoma cirratum + MOURA (2003); FEITOZA (2001); YOKOTA (2005); GARCIA (2006); LESSA et al. (1999); MENDES et al. (2009); Presente estudo 2 Rhincodontidae Rhincodon typus GARCIA (2006) 3 Triakidae Mustelus canis SOARES (1988) 4 Carcharhinidae Carcharhinus acronotus * YOKOTA (2005); Presente estudo 5 Carcharhinus falciformis YOKOTA (2005); GARCIA (2006); SOTO (2001) 6 Carcharhinus leucas YOKOTA (2005); LESSA et al. (1999) 7 Carcharhinus limbatus * YOKOTA (2005); Presente estudo 8 Carcharhinus obscurus SOARES (1988); LESSA et al. (1999) SOTO (2001) 9 Carcharhinus perezi + MOURA (2003); FEITOZA (2001); LESSA et al. (1999) 10 Carcharhinus plumbeus YOKOTA (2005); GARCIA (2006); SOTO (2001) Carcharhinus longimanus SOTO (2001) 11 Carcharhinus signatus YOKOTA (2005); SOTO (2001) Negaprion brevirostris * ** Presente estudo 12 Galeocerdo cuvier * MOURA (2003); YOKOTA (2005); GARCIA (2006); LESSA et al. (1999) SOTO (2001) Presente estudo 13 Prionace glauca YOKOTA (2005); SOTO (2001) 14 Rhizoprionodon lalandii GARCIA JR. (2006) 15 Rhizoprionodon porosus +* FEITOZA (2001); YOKOTA (2005); GARCIA (2006); LESSA et al. (1999) Presente estudo 16 Sphyrnidae Sphyrna lewini + FEITOZA (2001); YOKOTA (2005); SOTO (2001) 17 Sphyrna mokarran * YOKOTA (2005); GARCIA (2006); SOTO (2001) Presente estudo 18 Sphyrna tiburo SOARES (1988); LESSA et al. (1999) SOTO (2001) 19 Sphyrna media SOTO (2001) 20 Sphyrna tubes SOTO (2001) 21 Sphyrna zygaena + ** Presente estudo 22 Odontaspididae Odontaspis ferox GARCIA (2006); 69 SOTO (2001) 23 Alopiidae Alopias superciliosus GARCIA (2006) 24 Lamnidae Isurus oxyrinchus YOKOTA (2005) 25 Isurus paucus SOTO (2001) 26 Pseudocarchariidae Pseudocarcharias kamoharai SOTO (2001) 27 Hexanchidae Hexanchus griseus LESSA et al. (1999) 28 Dalatiidae Etmopterus bigelowi SOTO (2001) 29 Etmopterus pusillus SOTO (2001) 30 Squalidae Cirrhigaleus asper SOTO (2001) 31 Squalus sp. 1 SOTO (2001) 32 Squalus sp. 2 SOTO (2001) 33 Pristidae Pristis pectinata SOARES (1988) 34 Narcinidae Narcine brasiliensis * YOKOTA (2005); GARCIA (2006); Presente estudo 35 Narcine sp. GARCIA (2006) 36 Rhinobatidae Rhinobatos percellens * YOKOTA (2005); GARCIA (2006); Presente estudo 37 Dasyatidae Dasyatis americana + MOURA (2003); FEITOZA (2001); YOKOTA (2005); GARCIA (2006); LESSA et al. (1999); MENDES et al. (2009); Presente estudo 38 Dasyatis centroura YOKOTA (2005); GARCIA (2006) 39 Dasyatis guttata * YOKOTA (2005); GARCIA (2006); Presente estudo 40 Dasyatis marianae + MOURA (2003); FEITOZA (2001); GARCIA (2006); MENDES et al. (2009); Presente estudo 41 Dasyatis sp. 1 GARCIA (2006) 42 Dasyatis sp. 2 GARCIA (2006) 43 Urotrygonidae Urotrygon microphthalmum GARCIA (2006) 44 Gymnuridae Gymnura micrura YOKOTA (2005); GARCIA (2006); 45 Myliobatidae Aetobatus narinari + MOURA (2003); FEITOZA (2001); YOKOTA (2005); GARCIA (2006); MENDES et al. (2009); Presente estudo 46 Rhinopteridae Rhinoptera bonasus * YOKOTA (2005); Presente estudo 47 Mobulidae Manta birostris + FEITOZA (2001); YOKOTA (2005) GARCIA (2006) 48 Mobula sp. * Presente estudo 49 Mobula hypostoma YOKOTA (2005) 50 Mobula tarapacana GARCIA (2006) Tabela 18: Lista das espécies de elasmobrânquios que ocorrem no litoral do RN. +Ocorrência na Risca de Zumbi; *Primeiro registro no complexo recifal do Parracho de Maracajaú; **Primeiro registro no RN. As espécies Sphyrna zygaena (tubarão martelo liso), Negaprion brevirostris (tubarão limão) e Mobula sp. (mão de tranca) foram registradas pela primeira vez no Estado. O exemplar de tubarão martelo liso foi capturado na Risca de Zumbi e desembarcado na Praia de Maracajaú. 70 No anexo 3 são exibidas os registros fotográficos de todas as 16 espécies de elasmobrânquios identificados durante as atividades de campo do presente trabalho. 4.2 - Relação comunidade – elasmobrânquios 4.2.1 - Caracterização da pesca de elasmobrânquios no complexo recifal do Parracho de Maracajaú Na Praia de Maracajaú os tubarões são capturados com o uso de redes de emalhe (espera), linhas de mão, caça submarina (arpão e/ou bicheiro) e arrasto de praia (tresmalhos). Normalmente a captura de tubarões de maior porte, como S. mokarram, C. limbatus, N. brevirostris e G. cuvier, ocorre através do uso de redes de emalhe que são colocadas no final da tarde e retiradas no início da manhã do dia seguinte. Na captura específica de G. cirratum utilizando mergulho os pescadores comumente utilizam um cabo para laçar a cauda do tubarão, que por sua vez é puxado para a embarcação. A captura de raias é realizada através das mesmas técnicas de pesca, no entanto, existem algumas particularidades acerca da utilização da caça submarina. Na pesca através de mergulho, ao localizar uma raia de pequeno porte, como exemplares de Dasyatis marianae, o mergulhador utiliza um bicheiro, que é um petrecho caracterizado por um tipo de gancho com cabo alongado ou anzol de médio a grande porte fixado numa haste, ambos terminando numa empunhadura maciça, comumente utilizado para pesca de lagostas e polvos, para capturar o peixe, ferindo-o em um dos três pontos específicos: olhos, espiráculos e cloaca (fig. 29). No entanto, quando o peixe tem um porte maior o pescador amarra o bicheiro pela empunhadura num cabo e o conecta à embarcação, à uma bóia, ou até mesmo ao próprio corpo do mergulhador. Esta técnica pode variar, sendo executada apenas com um grande anzol ligado a um cabo. 71 Figura 29: Exemplares de D. marianae capturada na área das fanerógamas no complexo recifal do Parracho de Maracajaú durante a pesca de polvos. Detalhe: uso do bicheiro. Na comunidade de Maracajaú, atualmente não existe pesca particularmente direcionada à captura de elasmobrânquios gerando uma captura e desembarque esporádicos destes animais. As embarcações utilizadas são jangadas movidas à vela, o que resulta na baixa autonomia, normalmente executando incursões de um ou dois dias, nas proximidades do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Existem cerca de 70 embarcações deste tipo com medidas variando de 2,50 x 1,15m a 5,18 x 1,80m na Praia de Maracajaú, e estas transportam 3 ou 4 pescadores, apenas 4 pequenas jangadas são individuais e estas não ultrapassam os limites do Parracho. 4.2.2 – Resultados do questionário Foram entrevistados 138 pescadores da Praia de Maracajaú com idade entre 15 e 88 anos. A maioria dos entrevistados encontrava-se na faixa etária entre 26 e 35 anos (29%) (fig. 30). 72 0 5 10 15 20 25 30 35 15 - 25 26 - 35 36 - 45 46 - 55 56 - 65 66 - 75 76 - 85 86 - 95 NI Faixa etária Po rc en ta ge m (% ) Figura 30: Distribuição dos entrevistados (%) quanto à faixa etária (NI = não informado). Dos pescadores entrevistados, 71,7% (n = 99) não possui embarcação própria para exercer a atividade e 28,3% (n = 39) possui este equipamento. Ao serem questionados acerca do tipo de pesca que exerciam na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú a maioria respondeu a utilização da pesca com linha e anzol e redes de arrasto de praia, ambas com 25,16% das respostas (n = 40). A figura 31 mostra os resultados dos tipos de pesca citados pelos pescadores entrevistados Modalidades de pesca sem resposta 4% outras 11% todas 6% rede 8% mergulho 21% arrasto 25% anzol 25% Figura 31: Modalidades de pesca (%) citadas pelos pescadores de Maracajaú – RN. A pesca com rede foi citada por 13 entrevistados e a modalidade de mergulho por 33. Nove pescadores disseram praticar todas as modalidades. Sete deles não responderam e 17 citaram outro tipo de pesca (barco, N = 1; jangada, N = 15; covos, N = 1). Respondendo a esta pergunta os entrevistados podiam citar mais de uma modalidade, gerando um número de 159 respostas, 21 acima do número de entrevistados. Através dos questionários foi possível listar o nome popular das espécies de raias e tubarões que ocorrem na área de Maracajaú e associar aos animais encontrados 73 durante a análise do desembarque e mergulhos (tab. 17). Foram citados 21 nomes para identificar as espécies de raias que ocorrem na área do complexo recifal do Prracho de Maracajaú. Para as oito espécies de tubarões registradas foram citados 30 nomes (tab. 19). Raias Espécie Bico de remo, Lixa Dasyatis guttata Raia de pedra, Lixa, Branca D. americana Raia de fogo, Chapéu de couro D. marianae Pintada, Chita Aetobatus narinari Mão de tranca, Jamanta, Morcego Mobula sp. Viola Rhinobatus percellens Narinha, Narin, Narina, Morcego, Amarela Rhinoptera bonasus Treme treme, Choque Narcine brasiliensis Larija, Gereba, Mijona NI Tubarões Sicuri, Flamengo, Bico fino, Sicuri da galha preta, Tubarão, Cação, Galha preta, Sucuri Carcharhinus limbatus Sicuri, Flamengo, Papa terra, Tubarão, Cação, Sucuri, Sicuri do lombo preto, Caneixa C. acronotus Jaguara, Tintureira Galeocerd cuvier Papa terra, Sicuri, Galha preta Negaprion brevirostris Rabo seco, Cação Rhizoprionodon porosus Martelo, Tintureira, Panã Sphyrna mokarram Martelo, Tintureira, Panã Sphyrna zygaena Lixa, Cação Ginglymostoma cirratum Tuninha, Doce, Pintado, Lagartixa, Sicuri branco, Baleia, Vidago, Apano, Lombo preto, Branco, Espelho, Pintadinho NI Tabela1 9: Associação entre os nomes citados pelos pescadores da Praia de Maracajaú com as espécies registradas na área (NI = não identificado para a localidade). Os pescadores da Praia de Maracajaú utilizaram uma média de 2,5 nomes para cada espécie de raia e para os tubarões, cerca de 4 nomes. No geral, foram usados 3,2 nomes para cada espécie de elasmobrânquio identificado na área. A seguir, a figura 32 mostra os animais, mencionados por nomes populares, mais capturados pelas diversas artes de pesca utilizadas na área dos Parrachos de Maracajaú segundo os pescadores entrevistados. 74 Raias mais capturadas 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Ped ra Raia de f ogo Pint ada Bico de r em o Nar ina, nar in, n arin ha Mão de t ran ca Ger eba Viol a Nú m er o de ci ta çõ es N % Tubarões mais capturados 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Lixa Flam eng o Tint ure ira Rab o s eco Sicu ri Mar telo Bra nco Lom bo p reto Sicu ri do lom bo p reto Gal ha p reta Bico fino Nú m er o de ci ta çõ es N % Figura 32: Raias e tubarões (nomes populares) mais capturados na área dos Parrachos de Maracajaú de acordo com os pescadores entrevistados. Entre as raias, a espécie mais mencionada é a raia de pedra (Dasyatis americana), com 63% das citações dos entrevistados (n = 91). O tubarão mais citado é tubarão lixa (Ginglymostoma cirratum), apontado por 46% (n = 47) dos pescadores. O destino da carne das raias e tubarões capturados em Maracajaú é o comércio interno da localidade, indicado por 80,4% dos pescadores (n = 111), sendo comercializada com preços que variam de R$ 1,00 à R$ 7,00 o quilo através dos três comerciantes e seis peixarias existentes no local. Algumas espécies, como D. marianae e os menores exemplares de R. porosus, são considerados sem valor comercial, sendo utilizados para gratificar as pessoas que ajudam a tirar a embarcação (jangada) da água. Essas pessoas são chamadas localmente de “taipeiros”. Ao serem questionados sobre possíveis alterações na quantidade de raias e tubarões que ocorrem na área, 41,3% (n = 57) dos pescadores responderam que não há alteração. No entanto 4,3% (n = 6) pescadores relataram o aumento na quantidade de elasmobrânquios na área e 53,6% (n = 74) dos entrevistados responderam que perceberam uma diminuição na abundância destes animais. A figura 33 abaixo exibe os 75 motivos pelos quais os pescadores apontaram a diminuição dos elasmobrânquios na área do Parracho de Maracajaú. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 Pesca Turismo Sazonalidade Mudanças climáticas Sem resposta Motivo Nº de ci ta çõ es N % Figura 33: Motivos da diminuição no número de elasmobrânquios na área do Parracho de acordo com os pescadores entrevistados. Dentre os fatores apontados como causas do decréscimo no número de elasmobrânquios nota-se principalmente a pesca e o turismo (fig. 34). Figura 34: Atividade turística praticada na área de recifes expostos (RE) do complexo recifal do Parracho de Maracajaú. Quanto à importância dos tubarões e raias para o complexo recifal do Parracho de Maracajaú, os pescadores entrevistados responderam se acreditavam ou não na importância desses animais para o ambiente recifal e para o turismo (tab. 20). 76 Sim Não Sem resposta N % N % N % Turismo 85 61,6 51 37,0 2 1,4 Ambiente 112 81,2 24 17,4 2 1,4 Tabela 20: Respostas dos pescadores quanto à importância dos tubarões e raias para o turismo e para o Parracho de Maracajaú. A maioria dos pescadores entrevistados acredita que as raias e tubarões são de alguma forma importantes para o ecossistema recifal dos Parrachos de Maracajaú e para o turismo na área. Dezoito pescadores (13%) entrevistados sofreram algum acidente envolvendo raias ou tubarões (fig. 35), e a maioria dos acidentes em Maracajaú, 61,1% (N = 11), resultou em lesão na região da mão do pescador. A perna também foi mencionada por 16,7% (N = 3) dos pescadores como local da lesão, 11,1% (N = 2) dos pescadores indicaram o pé e apenas um, 5,5%, pescador indicou o peito como local da lesão (fig. 36). Este último caso trata-se de um pescador de 66 anos de idade chamado de Seu Titico. O próprio relatou que na ocasião do acidente estava manuseando um tubarão lixa (Ginglymostoma cirratum) dentro de um curral de peixes, arte de pesca que já não é mais utilizada na Praia de Maracajaú, quando o animal desferiu-lhe uma mordida na altura do peito direito. Durante alguns segundos o animal que media cerca de 1,50m de comprimento ficou preso pela mandíbula ao pescador. Segurando as nadadeiras peitorais do tubarão o pescador conseguiu afastá-lo. Neste caso, o pescador atribuiu o acidente a defesa natural do animal (fig. 37). Acidentes 77% 17% 6% raia tubarão sem resposta Figura 35: Acidentes envolvendo elasmobrânquios entre os entrevistados. 77 Figura 36: Cicatriz do ferimento causado pela mordida de um tubarão lixa na altura do peito direito do pescador chamado Seu Titico. Motivo do acidente 39% 50% 11% descuido defesa sem resposta Figura 37: Motivos mencionados como causadores dos acidentes envolvendo elasmobrânquios segundo os pescadores acidentados. No geral, os pescadores envolvidos em acidentes com raias e tubarões não procuram atendimento médico adequado. O mais comum entre os pescadores de Maracajaú é utilizar medicamentos presentes na embarcação ou na farmácia local. Os medicamentos utilizados geralmente são analgésicos e antiflogísticos. O pescador conhecido como Seu Dida, com 33 anos de idade, ferido na mão por um tubarão rabo- seco (Rhizoprionodon porosus), relatou que utilizou fumo mascado no tratamento do ferimento. Entre os entrevistados, 50% (N = 68) afirmaram temer tubarões e raias, no entanto, dentre os pescadores que sofreram algum tipo de acidente envolvendo estes animais apenas cinco pescadores (27,8%) afirmaram sentir medo de tubarões e raias. 78 4.2.3 - Índice popular de conhecimento de espécies (IPCE) Através da análise dos dados resultantes dos 138 testes realizados com as fotos de elasmobrânquios foi possível quantificar os nomes populares atribuídos a cada espécie pelos pescadores entrevistados e identificar os dois nomes mais citados, utilizados no cálculo do “IPCE Pop” como termos de consenso (tab. 21). As espécies que receberam mais nomes pelos entrevistados foram o tubarão Carcharhinus leucas e a raia Rhinoptera bonasus, com 40 e 18 nomes respectivamente. Os animais que receberam menos nomes foram a raia Dasyatis americana, com seis nomes e os tubarões Sphyrna mokarran e Sphyrna tiburo, ambos com nove. Espécie Bibliografia Maracajaú Consenso (%) Negaprion brevirostris 1 28 Flamengo (15,22%); Branco (10,14) Carcharhinus falciformes 8 19 Lombo preto (19,57%); Sicuri (9,42%) Carcharhinus acronotus 7 21 Flamengo (15,22%); Rabo seco (10,14%) C. leucas 12 40 Branco (7,30%); Sicuri (5,60%) C. plumbeus 2* 22 Sicuri (8,70%); Sicuri galha preta (2,90%) C. limbatus 16 24 Flamengo (13,60%); Galha preta (8,09%) C. perezi 9 20 Lombo preto (12,32%); Sicuri (6,52%) Sphyrna mokarran 7 9 Martelo (50%); Tintureira (29,71%) Sphyrna tiburo 16 9 Martelo (28,26%); Panã (22,46%) Dasyatis guttata 12 9 Bico de remo (57,97%); Pedra (15,22%) Dasyatis americana 10 6 Raia de pedra (62,32%); Bico de remo (8,70%) Manta birostris 8 13 Pintada (19,57%); Mão de tranca (12,32%) Mobula hypostoma 3 15 Mão de tranca (25,32%); Narin (6,52%) Gymnura altavela 10 14 Gereba (9,42%); Borboleta (7,97%) Narcine brasiliensis 8 10 Choque (30,43%); Viola (24,64%) Rhinoptera bonasus 10 18 Mão de tranca (18,12%); Narin (15,94%) Tabela 21: Espécies utilizadas no teste, número de nomes populares existentes na literatura consultada (FREIRE & CARVALHO-FILHO, 2009), em Maracajaú e os termos de consenso entre os pescadores locais. *GARCIA Jr (2006). O consenso entre os pescadores quanto aos termos que identificam elasmobrânquios na comunidade de Maracajaú variou de 2,90% para o termo “sicuri galha preta”, designado para Carcharhinus plumbeus, a 62,32% para “raia de pedra”, para Dasyatis americana. Uma média registrada de 18,4%, com maioria dos termos apresentando um consenso abaixo de 30%. A figura 38 abaixo mostra a comparação entre as médias dos valores do IPCE Bilio e o IPCE Pop através do teste t de “Student” (t = -10,5240; df = 137;p = 0,00). 79 Mean Mean±SE Mean±1,96*SE IPCE Biblio IPCE Pop -10 -9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 Figura 38: Comparação das médias dos valores do IPCE Biblio e IPCE Pop através do Teste t. A média do IPCE Biblio foi cerca de sete vezes menor que a média do IPCE Pop, apontando um melhor desempenho quando utilizados os termos de consenso local. No entanto, a média do IPCE Pop foi de 1,07 negativos. Os baixos números no IPCE Pop ocorreram devido aos erros e principalmente aos altos valores de “R” (repetições de um nome para espécies diferentes). A partir da análise do resultado do teste foi possível associar o numero de acertos e erros, da avaliação através da bibliografia (IPCE Biblio) (fig. 39) e do consenso popular (IPCE Pop) com a idade dos entrevistados. y = -0,1313x - 2,3014 R2 = 0,105 -25 -20 -15 -10 -5 0 5 10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Idade IP CE Bi bl io Figura 39: Associação entre os resultados do IPCE Biblio e a idade dos entrevistados. Os resultados apresentaram uma proporção inversa, onde quanto maior a idade menor os valores de IPCE Biblio. A análise de variância do modelo apresentou resultados de F = 15,71 e p = 0,00, indicando significância na proporção encontrada. O valor do coeficiente de correlação de Pearson para a relação linear das duas variáveis, idade e IPCE Biblio, foi r = 0,32, sugerindo que a variação nos valores de IPCE Biblo é afetada em cerca de 32% pelo fator idade. Para o restante, cerca de 65%, não se determinou quais os outros fatores influentes. 80 Não foi identificada relação proporcional significativa entre a idade e as variações dos valores do IPCE Pop. 81 5 - DISCUSSÃO 5.1 - Levantamento das espécies (check-list) de elasmobrânquios Em relação ao levantamento de elasmobrânquios para o litoral do Rio Grande do Norte a literatura (SOARES, 1988; LESSA et al., 1999; FEITOZA, 2001; SOTO, 2001; MOURA, 2003; YOKOTA, 2005; GARCIA, 2006; MENDES et al., 2009) menciona 47 espécies, sendo 30 tubarões e 17 raias. No presente estudo foram identificados 18 elasmobrânquios, entre estes duas espécies de tubarão (Sphyrna zygaena e Negaprion brevirostris) foram registrados pela primeira vez para o litoral do Estado do RN. No total, de acordo com os autores citados e o presente estudo, são 50 espécies de elasmobrânquios registradas com ocorrência no litoral do Rio Grande do Norte (32 tubarões e 18 raias). Entretanto, apenas uma espécie de tubarão (Ginglymostoma cirratum) e três espécies de raia (Dasyatis marianae, D. americana e Aetobatus narinari) haviam sido citadas anteriormente com referência à localidade do complexo recifal do Parracho de Maracajaú por FEITOZA (2005). Até o momento eram escassas as informações sobre elasmobrânquios na área dos recifes de Maracajaú. Entre os estudos com enfoque na ictiofauna associada a este ambiente (FEITOSA et al., 2002; LIMA, 2004; FEITOSA et al., 2002; FEITOZA, 2005; MENDES et al., 2009) apenas FEITOZA (2005) registrou elasmobrânquios nesta área. No presente estudo foram identificadas dezessete espécies na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú, sendo oito raias e sete tubarões. Com relação às duas espécies de tubarões registradas pela primeira vez no litoral do Estado, segundo a Instrução Normativa Nº 5, de 21 de Maio de 2004, N. brevirostris é considerada ameaçada de extinção e tem sua captura proibida, no caso de S. zygaena, o mesmo documento definiu o status de espécie como sobreexplotada ou ameaçada de sobreexplotação. Negaprion brevirostris é uma espécie de médio a grande porte, atinge cerca de 3,60m de comprimento total e ocorre em ambientes recifais continentais e insulares no Atlântico Ocidental, desde Nova Jersey (EUA) até o Brasil (COMPAGNO, 1984). Segundo BEZERRA et al. (1991) e GADIG (1994), a espécie teve poucos registros em águas costeiras nacionais no sudeste. De acordo com os autores, há registros da ocorrência da espécie na região norte e nordeste, no Amapá, Pará, Ceará e Bahia. SOTO (2001) menciona que a distribuição da espécie vai até o Rio de Janeiro, além do Atol das Rocas e do Arquipélago de Fernando de Noronha. Esta espécie é reconhecidamente mais comum em regiões insulares, no entanto, aparentemente exemplares de N. 82 brevirostris ocorrem nas áreas costeiras brasileiras em números menos expressivos e nunca foi registrada na região sul do país (BEZERRA et al., 1991; GADIG, 1994). Exemplares de S. zygaena, apresentam ciclo de vida que sugere a presença de neonatos e jovens na região costeira e adultos na área oceânica (MOTTA et al., 1996). A espécie possui distribuição mundial nas costas dos oceanos entre as latitudes de 50ºN e 50ºS, exceto nas águas equatoriais quentes. No Atlântico Sudoeste, a distribuição de S. zygaena é restrita à costa continental do Rio de Janeiro à Montevideo (Uruguai) (COMPAGNO, 1984; SOTO, 2001). A ocorrência de tubarão martelo liso em águas brasileiras é mais comum na litoral sul, com adultos distribuídos na região oceânica e jovens em praias desprotegidas (VOOREN e LESSA, 1981; BARLETTA e CORRÊA, 1989; MOTTA et al., 1999). Segundo KOTAS et al. (1997) e GADIG (1998), exemplares foram registrados na região sudeste, no litoral de São Paulo. No nordeste do Brasil são poucos os registros, no entanto, foram citados para o litoral do Piauí (BARBOSA, 1989 apud GADIG, 1994), Ceará (ROCHA, 1948 apud GADIG, 1994, Paraíba (GADIG, 1994), Pernambuco (MIRANDA-RIBEIRO, 1961 apud GADIG, 1994) e Alagoas (GILBERT, 1900 apud GADIG, 1994). Aparentemente a ocorrência de S. zygaena se estende para a região norte e nordeste, tendo registros de ocorrência em boa parte dos Estados da região, cobrindo uma extensa área de águas costeiras. O presente estudo revela que ainda são parcos os trabalhos referentes à comunidade de tubarões e raias para o litoral do RN, visto que apenas LESSA et al. (1999) SOTO (2001) e YOKOTA (2005) tiveram como foco os elasmobrânquios. Entretanto, no primeiro trabalho, os autores realizam um levantamento das espécies que ocorrem na costa brasileira, não permitindo uma amostragem mais aprofundada na costa de alguns estados, como o RN. No segundo trabalho, o autor desenvolveu uma compilação de dados pretéritos, no geral antigos registros. Por fim, em YOKOTA (op cit.), o esforço amostral é restrito a uma área específica, Caiçara do Norte. Ainda mais escassas são as informações sobre a ocorrência de espécies recifais. Atualmente há a necessidade de novos estudos para o conhecimento e compreensão da fauna de elasmobrânquios no litoral do Rio Grande do Norte e principalmente nos complexos recifais presentes ao longo da costa. LESSA et al. (1999) explica que cerca de 15% das espécies de elasmobrânquios brasileiros (19 espécies) ocorrem em ambientes recifais. Os resultados expressivos do levantamento das espécies de elasmobrânquios para Maracajaú neste trabalho indicam a relevância deste grupo de peixes tão pouco conhecido no Estado, visto que além de um valioso recurso econômico, explorado através da pesca ou turismo, os tubarões e raias desempenham um papel significativo no 83 ecossistema. Muitos autores citam que a diminuição dos estoques ou remoção destes animais podem afetar diretamente o ecossistema marinho e a abundância de outros peixes, entretanto a sobrepesca pode levar espécies a extinção antes que sua função ecológica seja totalmente elucidada. 5.2 - Relação comunidade elasmobrânquios 5.2.1 - Caracterização da pesca de elasmobrânquios no complexo recifal do Parracho de Maracajaú Conforme o observado em Maracajaú, os elasmobrânquios em muitos casos não são espécies alvo das diversas modalidades de pesca empregadas na atividade artesanal, no entanto, LESSA et al. (1999) menciona que estes animais são capturados em grande número pela pesca artesanal ao longo de toda a costa brasileira. Na comunidade estudada, atualmente não existe pesca direcionada à captura de elasmobrânquios gerando uma captura e desembarque esporádico destes animais. Segundo BONFIL (1994) quase metade das capturas de tubarões e raias ocorre por “by-cath” e não aparece na estatística pesqueira causando um grave problema no que diz respeito à conservação destes animais. HALL (1999) explica que um dos grandes problemas que atingem a produção pesqueira de raias são os descartes, resultando em mortalidade por captura acidental, principalmente dos exemplares de menor porte. Em Maracajaú a vela é o meio de propulsão prevalente nas embarcações, corroborando a IBAMA (2001), LESSA et al. (2004) e NÓBREGA & LESSA (2007), que verificaram que na região Nordeste existe um predomínio de embarcações movidas à vela e segundo NÓBREGA & LESSA (op. cit.), o predomínio das embarcações a vela reflete seu baixo custo de construção e manutenção, sendo adaptadas às condições climáticas da região, com ventos fortes ao longo de todo ano. O tamanho observado das jangadas da frota de Maracajaú está de acordo com a descrição do padrão mencionado para todo o Nordeste (NÓBREGA & LESSA, 2007). 5.2.2 - Questionário A captura de raias e tubarões na área de Maracajaú ocorre principalmente através da pesca com redes de tresmalhos e anzol. Considerando que o exercício do tresmalhos, ou arrasto de praia, necessita de grande número de pessoas envolvidas para puxar a rede, a arte de pesca com linha e anzol se destaca, corroborando a LESSA et. al.(2004), que identificou esta arte como sendo a mais difundida na região nordeste. O mergulho na área dos Parrachos de Maracajaú, citado por 21% dos entrevistados, tem como 84 principal alvo o polvo e a lagosta, fazendo parte da grande produção deste pescado no Estado (IBAMA, 2007), no entanto, os praticantes desta modalidade frequentemente capturam elasmobrânquios. SILVA et al. (2007) relata também que há captura de exemplares de D. americana por mergulhadores que utilizam compressor no litoral do Ceará. Apenas 8% dos entrevistados citaram a pesca com rede como principal meio de exploração utilizado. LESSA et al. (1999) que explica que o uso de redes de emalhe no nordeste perdeu a rentabilidade com redução das capturas a curto prazo e na maioria das embarcações foram substituídas por outras artes de pesca. Em relação ao conhecimento popular notou-se que o grande número de nomes populares atribuídos aos peixes pelos pescadores da Praia de Maracajaú é um fato comum em comunidades pesqueiras tradicionais, corroborando a SÁ (2007), que explica que é comum uma espécie apresentar diferentes nomes locais. DIAMOND & BISHOP (1999) mostraram que em Ketengban, na Nova Guiné, alguns peixes são conhecidos por dois nomes nas comunidades, já no Brasil, este número é muito maior, podendo chegar a 38 nomes para uma única espécie (FREIRE & CARVALHO-FILHO, 2009), entretanto, os autores brasileiros analisaram toda a costa brasileira e neste universo amostral existem várias comunidades que não se comunicam entre si, não havendo troca ou disseminação de conhecimento acerca da identificação e denominação dos peixes conhecidos. De acordo com FREIRE & CARVALHO-FILHO (2009) existem cerca de 7 nomes populares, em média, para cada espécie. Possivelmente a abrangência da área estudada, assim como o número de comunidades, têm influência direta sobre os resultados. Durante o acompanhamento dos desembarques da frota artesanal da Praia de Maracajaú notou-se uma significativa relevância nas capturas de D. marianae, porém, D. americana foi a mais citada como espécie mais capturada na área. Possivelmente tal inversão em relação aos registros da pesca e citação pelos pescadores tenha ocorrido devido ao fato de ter maior porte e valor comercial, do que exemplares de D. marianae, que são usualmente utilizados para gratificar pessoas. No caso dos tubarões, ocorre algo semelhante, onde o número de capturas de exemplares de R. porosus, principalmente os indivíduos jovens e neonatos capturados próximo à praia com arrasto de praia (tresmalhos), é expressivamente maior, entretanto, a espécie mais citada pelos pescadores entrevistados foi G. cirratum. Aparentemente os pescadores da região desconhecem a proibição da pesca de tubarões lixa, de acordo com a Instrução Normativa Nº 5, de 21 de Maio de 2004. 85 LESSA et al. (1999) explica que as capturas com mergulho é responsável pelo declínio populacional de populações localizadas de G. cirratum, citando como exemplo o estado de São Paulo, onde a espécie tornou-se rara. Segundo a autora, mesma situação é passível de ocorrer em outros locais, principalmente no Nordeste Brasileiro, onde exemplares da espécie são capturados com freqüência por um número cada vez maior de mergulhadores que exploram áreas recifais. Em relação ao consumo da carne de elasmobrânquios nota-se que há uma variação ao longo da costa de acordo com aspectos culturais. Na Bahia, QUEIROZ & REBOUÇAS (1995) relatam a utilização de Gymnura altavela, Dasyatis guttata e D. americana, que podem atingir preços equivalentes a garoupa, badejo ou mero, constituindo a base de pratos tradicionais. Os tubarões costeiros mais comuns, como Rhizoprionodon spp., são utilizados na alimentação ao longo de toda a costa brasileira (LESSA et al. , 1999). Observa-se que em Maracajaú o consumo de carne de tubarões e raias também é bem elevado, sendo que em alguns casos foi relatado pelos pescadores até mesmo o consumo das brânquias dos tubarões, aparentemente, com status de iguaria. Quanto à possibilidade de estar havendo uma diminuição do estoque de tubarões e raias na área de Maracajaú, considera-se que na área de intensa visitação turística o número de elasmobrânquios possa ter diminuído, uma vez que segundo a literatura (FEITOSA et al., 2002; FEITOSA, 2005; FEITOZA, 2005), algumas espécies parecem reagir à presença humana, tornando-se mais raras em áreas onde a intensa atividade antrópica ocorre. Segundo JACKSON et al. (2000) a presença ou ausência de determinadas espécies de peixes têm sido utilizadas como indicadoras de mudanças ambientais na avaliação da saúde do recife. Mesmo sem uma pesca direcionada para elasmobrânquios, no presente estudo verificou-se uma captura freqüente de raias e tubarões, bem como o elevado consumo da carne destes animais, indicando a atividade como potencial fator influente na distribuição de elasmobrânquios na área. De forma geral, a pesca em ambientes recifais pode gerar alterações na diversidade e abundância das espécies (ROBERTS, 1995; JENNINGS & POLUNIN, 1996). FEITOZA (2005) considera a pesca como responsável pela escassez de peixes com comprimentos superiores a 30 cm ou comercialmente valiosos. FEITOSA et al. (2002) ressaltam que as populações de peixes recifais na área do Parracho de Maracajaú tem sofrido grande declínios devido a atividade pesqueira. Por sua vez, o turismo, pode também estar diretamente relacionado com a diminuição na ocorrência de tubarões e raias na área, assim como GARLA (2003) esclareceu para a distribuição de Carcharhinus perezi em 86 Fernando de Noronha, onde há uma maior ocorrência nas áreas de acesso restrito ao turismo. A maioria dos pescadores entrevistados acredita que os elasmobrânquios são de alguma forma importantes para o ecossistema recifal do Parracho de Maracajaú, assim como para o turismo na área, estando de acordo com BASCOMPTE et al. (2005). Estes autores demonstraram que em cadeias alimentares complexas, como ocorre em ambientes recifais, os predadores de grande porte são importantes em termos de interações na teia alimentar, pois exibem mais ligações tróficas do que sua abundância numérica prevê, gerando efeitos potenciais em toda a estrutura da comunidade. Quanto à importância destes animais para o turismo a literatura aponta que sua ocorrência é muito valiosa (TISDELL, 2001; TOPELKO & DEARDEN, 2005; TIBIRICA et al., 2009; DICKEN & HOSKING, 2009), o que está de acordo com observações em Maracajaú, onde por exemplo, o aparecimento de raia durante o mergulho turístico é motivo de emoção para os visitantes. Atualmente, com o desenvolvimento do eco- turismo de mergulho, o encontro com tubarões e raias tornou-se uma atividade lucrativa e então destaca-se a importância deste recurso ser valioso em termos de pesca e turismo, sendo tais resultados divulgados nas comunidades. Os acidentes causados por animais marinhos são comuns em comunidades pesqueiras, principalmente devido aos longos períodos de manuseio dos animais. Os acidentes provocados por organismos marinhos podem estar associados a toxinas e/ou a traumas (HADDAD, 2000; HADDAD, 2003; CARDOSO et al., 2004), sendo que os acidentes por peixes venenosos marinhos, como as raias, corresponderam a cerca de 25% dos acidentes com animais marinhos observados (HADDAD, 2003). HADDAD & BARREIROS (2007) esclarecem que os peixes peçonhentos mais importantes são as raias que pertencem às famílias Dasyatidae e Myliobatidae. No geral, os pescadores envolvidos em acidentes com raias e tubarões na Praia de Maracajaú não procuram atendimento médico adequado, contrariando o proposto por HADDAD (2003, 2004), que sugere que o acidentes causados por raias devem sempre ser tratados inicialmente com água quente e, posteriormente, ter atendimento hospitalar. Entretanto, não foi constatado nenhum caso onde o ferimento resultou em sequelas severas, além de cicatrizes locais. 5.2.3 - Índice popular de conhecimento de espécies (IPCE) Os resultados do teste aplicado no presente estudo apontaram uma média de 17 nomes para cada espécie apresentada, um número elevado comparado a FREIRE & 87 CARVALHO-FILHO (2009) que mencionam uma média de 9 nomes para elasmobrânquios no litoral brasileiro. Segundo uma das premissas do Princípio de Berlin (BERLIN, 1992), espécies mais avistadas possuem mais nomes populares, no entanto, em Maracajaú ocorreu o inverso. As raias do gênero Dasyatis, dentre os animais representados no teste, são avistadas com maior freqüência em mergulhos e mais capturadas pela pesca na área, porém receberam menos nomes pelos pescadores. BERLIN (op. cit.) traz uma sistematização da classificaçõe popular, e faz proposição de princípios gerais (universais) sob os quais a etnoclassificação estaria submetida. Alguns autores como HUNN (1982) e HUNN & FRENCH (1984) contestam as idéias de Berlin e esclarecem que os resultados se distanciam da linha universalista de Berlin quando se estuda comunidades particulares, e defendem que a classificação popular de animais e plantas é uma construção cultural, particularista, isto é, própria a cada grupo humano. No presente estudo ficou claro que espécies mais comuns, como as mais avistadas e capturadas, são conhecidas por menos termos e o conhecimento destes termos pela população local é mais difundido, visto que apresentam os maiores percentuais de consenso. Neste caso, a comunidades de Maracajaú se apresenta como um caso não usual, quando comparado ao sistema de classificação biológica apresentado por BERLIN (1992) e corrobora a HUNN (1982) e HUNN & FRENCH (1984). Aparentemente os princípios gerais de BERLIN (1992) tendem a ser mais funcionais em análises de extensas áreas, que compreendam várias comunidades distintas. Foram identificados outros dois fatores que possivelmente influenciam o elevado número de nomes populares para os elasmobrânquios entre os pescadores da comunidade de Maracajaú. Um deles é o maior tamanho dos tubarões e raias capturados, comparados com outros peixes pescados na área, corroborando a HUNN (1999), que concluiu que espécies maiores tendem a apresentar um maior número de nomes. A captura de exemplares de médio a grande porte é rentável, visto que a carne destes animais é bem aproveitada no mercado interno da comunidade, gerando certa importância comercial deste recurso, que é apontada pela literatura (HUNN, 1982; BERLIN, 1992; PALOMARES et al., 1999; FREIRE & PAULY, 2005) como um dos atributos usados na nomeação de animais e plantas. O outro fator é o apelo cultural acerca de elasmobrânquios, principalmente os tubarões, que ao serem desembarcados na praia rapidamente despertam atenção de todos no local. Normalmente, a captura de um exemplar de médio a grande porte e comentada durante semanas na comunidade e em alguns casos, o fato é lembrado após anos. Acredita-se que a consideração do apelo cultural na nomeação popular das espécies seja mais importante que o fato de serem 88 mais ou menos avistadas, apresentarem ou não importância comercial, e outros aspectos descritos na literatura (HUNN, 1982, 1999; BERLIN, 1992; BEGOSSI & FIGUEIREDO, 1995; PALOMARES et al., 1999; FREIRE & PAULY, 2005) como aspectos responsáveis pelo destaque de um organismo. O consenso entre os pescadores da comunidade de Maracajaú, quanto aos termos populares utilizados para identificar espécies de tubarões e raias, na maioria dos casos é inferior a 30%. De maneira geral, uma espécie foi identificada pelos pescadores locais por vários nomes distintos, concordando com SÁ (2007), que explica que o mesmo nome local para diferentes espécies e nomes locais diferentes para a mesma espécie é comum. O consenso na comunidade é considerado como o resultado da transmissão do conhecimento ecológico tradicional através das gerações (BERKES, 1999) e segundo DIEGUES (1983), o conhecimento das variáveis ambientais, normalmente acumulada de maneira empírica pelos pescadores e passada de geração em geração, é fundamental para preparar um bom pescador. MILLER et al. (2004) cita que o consenso de uma população é uma importante ferramenta para pesquisas antropológicas, biológicas (etnobiologia) e ecológicas (etnoecologia). O nome dos peixes, que é parte do conhecimento ecológico tradicional, deve ser transmitido através da interação da comunidade local e esta interação possibilita um consenso mais concreto, acima de 50%. MOURÃO & NORDI (2003) indicam que o levantamento de peixes feito por meio do conhecimento dos pescadores do estuário do rio Mamanguape, na Paraíba, é confiável, com uma aproximada idéia da riqueza da comunidade de peixes no sistema estuarino. Entretanto, para a comunidade de Maracajaú, um levantamento das espécies de elasmobrânquios a partir apenas do conhecimento dos pescadores, no que diz respeito à individualização das espécies por termos populares, seria inconsistente e confuso. Os pescadores costumam criar categorias genéricas que agrupam varias espécies e segundo BEGOSSI et al. (2008) e BERLIN et al. (1966) para o agrupamento de espécies podem ser utilizadas as seguintes características: similaridades morfológicas; a formação de cardumes; alimentação semelhante; comportamentos parecidos; e habitar o mesmo lugar. As categorias genéricas são consideradas as mais comuns na sistemática popular. Este tipo de taxonomia é resultado da avaliação dos animais e do ambiente. A quantidade de categorias genéricas aumenta à medida que o conhecimento sobre as espécies e a interação entre os pescadores diminui, de modo que diferentes pescadores citam diferentes categorias genéricas (BEGOSSI et al., 2008). Em outras palavras, quanto menos os pescadores conhecem os peixes, maior é a diversidade de nomes. A 89 grande quantidade de nomes e categorias citadas pelos pescadores entrevistados, principalmente para os tubarões, e a pouca interação entre eles, no que diz respeito à transmissão do conhecimento, podem ter proporcionado valores de “R” elevados, contribuindo de forma negativa no IPCE Pop. A freqüência significativa das repetições (R) nos resultados do teste de identificação de espécies pode ser atribuída, em parte, a falta atenção dos entrevistados em relação aos detalhes morfológicos visíveis nas fotos. O caráter invariável dos valores de IPCE Pop em relação à idade dos entrevistados já era esperado. As características locais de uma comunidade contribuem para que os termos populares que identificam as espécies sejam difundidos entre seus membros no convívio diário. SICK (1997) cita que um nome popular antigo, arraigado, passa de pai para filho, não muda nunca. Neste sentido, ANDRADE (1985) afirmou que os nomes populares podem ser transferidos por tradição oral, tornando-se uma denominação consagrada pelo uso. Em Maracajaú, é comum ouvir discursos como: “esse tubarão é o galha preta, mas fulano de tal diz que é um sicuri”, o que remete a transmissão do conhecimento, mesmo que este não seja aceito pelo ouvinte. A comunidade se caracteriza de forma atípica, neste sentido. Mesmo com a transmissão do conhecimento, neste caso, termos populares que identificam espécies de elasmobrânquios, não há uma consagração de um único termo popular, seja genérico ou específico, para identificar uma espécie. Já no caso do IPCE Biblio, o fato deste diminuir com o aumento da idade talvez esteja relacionado ao comportamento dos pescadores mais jovens da Praia de Maracajaú, considerando os dois seguintes aspectos principais: a interação dos pescadores mais jovens com turistas, visitantes e pesquisadores, o que possibilita uma maior troca de conhecimento acerca da identificação dos animais, e também o acesso às informações na internet. Estes fatores podem estar facilitando o contato com denominações difundidas em outras áreas. 90 6 - CONCLUSÕES - Quinze espécies de elasmobrânquios, sendo 8 raias e 7 tubarões, ocorrem na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú, sendo que 11 espécies (Carcharhinus acronotus, C. limbatus, Galeocerdo cuvier, Rhizoprionodon porosus, Negaprion brevirostris, Sphyrna mokarran, Dasyatis guttata, Mobula sp, Rhinobatos percellens, Rhinoptera bonasus e Narcine brasiliensis) ainda não haviam sido registradas nesta área. - Através dos dados do presente estudo e de uma revisão da literatura disponível foram encontradas 50 espécies de elasmobrânquios, sendo 32 tubarões e 18 raias, com ocorrência no litoral do Rio Grande do Norte, sendo que dois tubarões (Negaprion brevirostris e Sphyrna zygaena) e uma raia (Mobula sp.) foram registrados pela primeira vez no Estado. - Atualmente não existe uma pesca direcionada para elasmobrânquios na Praia de Maracajaú, no entanto, tubarões e raias são capturados por todas as artes de pesca praticadas na localidade, o que sugere a necessidade de manejo adequado do recurso. - A comunidade pesqueira local é relativamente jovem, com uma faixa etária de 26 a 35 anos, e utilizam como embarcação principalmente jangadas movidas à vela para acessar os pontos de pesca. O petrecho mais utilizado pelos pescadores locais são a linha e anzol, caracterizando tipos de pesca artesanal e tradicional repassada de pais para filhos. - Os elasmobrânquios mais capturados na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú são Dasyatis marianae e Rhizoprionodon porosus, porém os pescadores citam D. americana e Ginglymostoma cirratum como tal, principalmente devido ao maior valor econômico destas espécies. O destino da carne de tubarões e raias é o comércio local, situação que indica a possibilidade de impacto sobre o recurso, mesmo este sendo caracterizado como subsistência. - A atividade turística e pesqueira contribuiu para a diminuição no número de elasmobrânquios na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú, no entanto o turismo tem maior influência na área de intensa visitação. - O consenso em relação aos nomes populares de tubarões e raias entre os pescadores da comunidade de Maracajaú é baixo, interferindo na consagração de um termo para identificar uma espécie de elasmobrânquio. 91 - Os pescadores locais normalmente criam categorias genéricas para classificar determinados grupos de tubarões e raias, proporcionando a identificação de mais de uma espécie por apenas um termo popular. - Em Maracajaú a identificação de espécies de tubarões e raias através apenas da classificação popular dos pescadores não é confiável, isto é, a individualização das espécies por termos populares é inconsistente. 92 7 - CONCIDERAÇÕES ACERCA DA CONSERVAÇÃO DE ELASMOBRÂNQUIOS NA ÁREA DO COMPLEXO RECIFAL DO PARRACHO DE MARACAJAÚ Neste capítulo, foram geradas informações importantes referentes à composição da fauna de elasmobrânquios que ocorrem na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN e características particulares da exploração deste recurso na comunidade local. Estas informações podem ser utilizadas para elaborar estratégias de manejo da pesca e conservação de tubarões e raias que ocorrem na área, auxiliando no planejamento e execução do plano de manejo da APARC (MENDES et al., 2009). Embora não sejam atualmente espécies alvo da pesca local, a atividade pesqueira é a principal ameaça para a conservação em longo prazo dos elasmobrânquios em Maracajaú – RN, principalmente a pesca de tresmalhos próxima a praia, local de berçário de D. marianae e outras espécies de tubarões e raias (YOKOTA, 2005; YOKOTA & LESSA, 2006) que também ocorrem na área, onde são capturados na maioria das vezes indivíduos pequenos e imaturos. A pesca com redes de emalhar na área recifal do complexo, atividade irregular segundo o Plano de Gestão dos Recursos Pesqueiros da APARC (RESOLUÇÃO Nº 06/2007 do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente – IDEMA/CONEMA), captura geralmente exemplares maiores, incluindo as espécies mais raras na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú e no Estado. Desta forma, sugere-se, além do incentivo a programas de educação ambiental na comunidade, a realização de cursos de capacitação de pescadores, guias turísticos e membros da comunidade para identificação de tubarões e raias, possibilitando o monitoramento da pesca mais preciso em relação às espécies exploradas na área. A captura de exemplares imaturos e neonatos próximos a praia pela pesca com tresmalhos deve ser monitorada para avaliar impactos reais às populações de tubarões e raias que utilizam esta área como berçário. A conscientização dos pescadores que utilizam este petrecho pode proporcionar a devolução ao mar dos exemplares com menor porte. Visto que a atividade turística se limita a uma pequena área no complexo recifal dentro dos recifes emersos (RE) e durante a o período de maré baixa, assim exibindo pouca influencia na distribuição de tubarões e raias na área, sugere-se a valoração dos elasmobrânquios como recurso turístico, com campanhas para informação da população sobre os benefícios da exploração não destrutiva destes animais. Por exemplo, raias de 93 fogo, D. marianae, que são comuns em algumas áreas do complexo recifal ao longo do ano (ver cap. I) podem ser ícones desta estratégia. Uma possibilidade viável para o tipo de turismo desenvolvido na área atualmente seria a realização de mergulhos acompanhados por guias/instrutores capacitados, onde os visitantes seriam levados até o início da área de fanerógamas, local com maior probabilidade de ocorrência de D. marianae no complexo, na tentativa de observação direta de raias. Na área de fanerógamas também ocorrem com maior frequência exemplares de D. guttata, A. narinari e R. percellens (fig. 40) Figura 40: Exemplares de R. percellens (A), A. narinari (B) e D. guttata (C) avistados na área de fanerógamas do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN. 94 8 - BIBLIOGRAFIA ACKERMAN, J. T.; KONDRATIEFF, M. C.; MATERN, S. A. & CECH Jr, J. J. (2000). Tidal influence on spatial dynamics of leopard sharks, Triakis semifasciata, in Tomales Bay, California. Environmental biology of Fishes, 58: 33-43. AGUIAR, A. A. (2005). 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Mar. 48 : 249-257 109 9 - ANEXOS 9.1 – Anexo 1: Questionário direcionado aos pescadores artesanais da Praia de Maracajaú – RN QUESTIONÁRIO DO PROJETO RAIA-DE-FOGO - Nome ou apelido ____________________________________________idade ______ - Há quanto tempo você é pescador na Praia de Maracajaú?_______________________ - Qual tipo de pesca você pratica?___________________________________________ - Você tem embarcação própria?____________________________________________ - Você já viu tubarões ou raias nas proximidades do Parracho de Maracajaú?__________________ Como?_____________________________________ - Quais os tubarões e raias ocorrem em Maracajaú? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ - Que tipo de raia e tubarão é mais capturado? __________________________________________________Como?_______________ - Existe uma época onde há mais captura?_____________________________________ - Esses animais são vendidos ou consumidos?__________________________________ - Por qual valor estes animais são vendidos?___________________________________ - Onde são vendidos (em Maracajaú ou fora)?__________________________________ - Você acha que houve alterações na fauna de elasmobrânquios em Maracajaú?________Motivo?______________________________________________ - Você acha que eles são importantes para os parrachos?_________________________ E para o turismo?________________________________________________________ - Onde tem mais tubarões e raias na área de Maracajaú?__________________________ - Já sofreu algum ferimento causado por esses animais? _________________________ SIM Onde foi ferido? ___________________________________________________ Como foi o acidente? _______________________________________________ ______________________________________________________________________ Foi ao hospital? ___________________________________________________ Caracterize o ferimento, o tratamento e a recuperação? Escala de dor (1 – 10) ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Há seqüelas? (foto) ________________________________________________ Por que você acha que foi ferido? _____________________________________ - Você tem medo de desses animais?_________________________________________ - Existe algum peixe que não existe mais na área de Maracajaú? Qual? Por quê?___________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Teste das fotos 110 9.2 – Anexo 2: Fotografias utilizadas na aplicação do teste (IPCE) com os pescadores de Maracajaú - RN Figura 41: fotografias utilizadas na aplicação do teste (IPCE) com os pescadores da comunidade (1 - Carcharhinus falciformes; 2 - Negaprion. brevirostris; 3 - C. acronotus; 4, 7, 12 – C. leucas; 5 – C. plumbeus; 6, 9 - C. limbatus; 8 - Sphyrna mokarran; 10 - Dasyatis guttata; 11 - D. americana; 14- S. tiburo; 15 – Manta birostris; 17 – Mobula hypostoma; 18 – Gymnura altavela; 19 – Narcine brasiliensis; 20 - C. perezi; 21 – Rhinoptera bonasus. 111 9.3 – Anexo 3: Registro fotográfico das espécies de elasmobrânquios identificadas na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú Figura 42: Registro fotográfico das espécies de tubarões e raias identificadas na área do complexo recifal do Parracho de Maracajaú – RN. (A – S. mokarran; B – S. zygaena; C – R. porosus; D – C. acronotus; E – C. limbatus; F – A. narinari; G – R. bonasus; H – D. marinanae; I – G. cuvier; J – D. americana; L – G. cirratum; M – D. guttata; N – N. brasiliensis; O – N. brevirostris; P – R. percellens) 112 9.4 - Anexo 4: Programa de educação ambiental Incluído nas atividades deste projeto houve uma ação voltada para educação ambiental e conscientização da população com foco em elasmobrânquios. De maneira que foi elaborado um programa de educação ambiental destinado principalmente aos alunos e moradores da praia de Maracajaú, de forma secundária, aos visitantes. O programa de educação ambiental realizado neste trabalho consistiu em 2 encontros com os professores e 21 encontros com os alunos da Escola Municipal Professor Calixto (1º ao 4º ano) e Escola Municipal Eva Varela Cavalcante (5º ao 9º ano) durante os meses de Setembro e Outubro de 2009. Para os professores foram desenvolvidas palestras para esclarecer as relações biológicas envolvidas na manutenção do ambiente recifal (fig. 40). Figura 43: Palestra destinada aos professores das escolas municipais da Praia de Maracajaú – RN. O trabalho realizado com os alunos em sala de aula foi dividido em quatro etapas: - 1ª etapa: Foi realizada a atividade denominada de “cara-metade” com objetivo de descontrair o ambiente da sala de aula, incentivar a interação entre os alunos e perceber o nível de conhecimento dos alunos quanto à importância dos predadores (tubarões e raias) no ambiente marinho (fig. 41). Técnica utilizada: todos os alunos recebem a metade de uma fotografia, neste caso de tubarões e raias, que estão embaralhadas. Após a entrega das metades das fotografias os alunos procuram a outra metade da sua foto, ficando junto ao outro aluno. Dupla por dupla, eles são chamados à frente da turma para 113 se apresentar, identificar o animal na fotografia e relatar o que saber sobre este animal. Tempo necessário: cerca de 20 minutos. Figura 44: Alunas da E.M. Eva Varela Cavalcante durante a atividade de “cara-metade”. - 2ª etapa: Atividade envolvendo um grande painel (aproximadamente 3 x 3m) ilustrativo do mapa da APARC e suas localidades (Praias: Barra de Maxaranguape, Caraúbas, Maracajaú, Pititinga, Zumbi, Rio do Fogo, Peroba, Carnaubinha e Touros; Parrachos: Maracajaú, Rio do fogo, Touros e a Risca de Zumbi). O objetivo dessa atividade foi apresentar APARC e suas peculiaridades. Técnica: novamente são distribuídas fotografias de todas as localidades e das atividades praticadas em cada uma. Após um breve momento para discussão entre os alunos, cada um fixou a fotografia no local correspondente no mapa. Todos os outros participantes podiam sugerir posições. Após completar o quadro o monitor tirou as dúvidas dos alunos e explica as características de cada local representado pelas fotografias (fig. 42). Tempo necessário: cerca de 30 minutos. 114 Figura 45: Aluno da E.M. Professor Calixto participando da atividade do mapa da APARC. - 3ª etapa: Aula sobre os processos ecológicos que envolvem a conservação dos recifes de corais, importância dos grandes predadores (tubarões e raias) e exploração sustentável dos recursos (fig. 43). Esta aula objetivou o esclarecimento dos alunos em relação ao uso consciente do ambiente recifal. Técnica utilizada: aula expositiva e dinâmica utilizando fotos, vídeos e objetos. É importante sempre levantar questionamentos entre os alunos a respeito das informações transmitidas. Tempo necessário: 20 a 30 minutos. Figura 46: Monitora ministrando aula para alunos da E. M. Professor Calixto. - 4ª etapa: Na última etapa do encontro com os alunos foram realizadas oficinas para incentivar a percepção ambiental dos alunos. As oficinas envolviam desenho e pintura de gravuras ilustrativas do ambiente recifal e peixes; construção de jogo de damas (tubarões x raias); confecção de origamis de animais marinhos (peixes, raias, baleias, 115 tartarugas e tubarões); reutilização de materiais descartados (fabricação de brinquedos e móveis com garrafas pet; carteiras e porta moedas com embalagem de papelão); construção de um jogo de tabuleiro com temática ambiental intitulado “Corrida Ecológica” (ver BERNA, 2001); produção de um filme para divulgação das regras para visitação e conservação dos Parrachos de Maracajaú (baseado nas orientações da cartilha Conduta Consciente em Ambientes Recifais – Projeto Recifes Costeiros); produção de “aquários” com caixas de papelão e peixes desenhados representando os parrachos. Tempo necessário: cerca de 40 minutos. Como a conclusão do ciclo de encontros com os alunos, foi realizado no dia 11 de Outubro um evento aberto à comunidade (1ª ECOMAR - FEIRA ECOLÓGICA DO PROJETO RAIA DE FOGO) (fig. 44). Neste evento, entre muitas atividades, foram expostos todos os trabalhos realizados durante as oficinas e parte do material biológico do Laboratório de Zoologia (DBEZ – UFRN). O evento contou com a participação de 8 monitores voluntários do curso de Ciências Biológicas da UFRN. Figura 47: Cartaz de divulgação da 1ª ECOMAR - Feira Ecológica do Projeto Raia de Fogo. Foram programadas palestras abertas para a população local, no entanto, para atingir um maior número de pessoas, foram realizadas entrevistas e comunicações periódicas através da Rádio Litoral. Uma rádio comunitária que alcança as comunidades de Caraúbas, Maracajaú, Pititinga e parte do Município de Ceará Mirim. O programa de educação ambiental vinculado ao presente trabalho, assim como as outras atividades de campo, proporcionou certa visibilidade ao projeto, o que pode auxiliar na divulgação da pesquisa e na aplicação de estratégias de manejo e conservação na área.