UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS LUCAS ALLAN DINIZ SCHWARZ DETERMINANTES DA DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA WEB-BASED DAS COMPANHIAS BRASILEIRAS DE SANEAMENTO BÁSICO Natal/RN 2017 LUCAS ALLAN DINIZ SCHWARZ DETERMINANTES DA DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA WEB-BASED DAS COMPANHIAS BRASILEIRAS DE SANEAMENTO BÁSICO Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador: Prof. Dr. Alexandro Barbosa Natal/RN 2017 Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Setorial do CCSA Schwarz, Lucas Allan Diniz. Determinantes da divulgação voluntária web-based das companhias brasileiras de saneamento básico / Lucas Allan Diniz Schwarz. - Natal, 2017. 71f.: il. Orientador: Prof. Dr. Alexandro Barbosa. Monografia (Graduação em Ciências Contábeis) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Departamento de Ciências Contábeis. 1. Saneamento básico - Monografia. 2. Governança - Monografia. 3. Divulgação voluntária - web-based - Monografia. I. Barbosa, Alexandro. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título. RN/BS/CCSA CDU 657:35 LUCAS ALLAN DINIZ SCHWARZ DETERMINANTES DA DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA WEB-BASED DAS COMPANHIAS BRASILEIRAS DE SANEAMENTO BÁSICO Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Apresentado em: ____/____/_______. BANCA EXAMINADORA ___________________________________________ Prof. Dr. Alexandro Barbosa Orientador ___________________________________________ Prof. Dr. Adilson de Lima Tavares Examinador ___________________________________________ Prof. MSc. Raimundo Marciano de Freitas Neto Examinador Natal/RN 2017 Dedico este trabalho ao meu pai, Alf Schwarz (in memoriam). AGRADECIMENTOS A Deus, pois sem Ele nada disso seria possível. Ao meu pai, Alf. Obrigado por ter me incentivado a continuar. Suas palavras nunca serão esquecidas e sei que estou dividindo cada vitória contigo, independente da distância. Sinto muito sua falta e faria de tudo para ter ao menos mais um minuto contigo. À minha mãe, Maria, pelos sacrifícios que me permitiram chegar até aqui. Pelo amor, carinho e toda dedicação. Ao meu irmão, Rodrigo, por todo o apoio dado. À minha namorada, Camila, que esteve ao meu lado durante toda essa trajetória, sempre me incentivando, mesmo nos momentos mais difíceis. A todos os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte que tiveram paciência e destreza em transmitir o conhecimento, sendo essenciais a minha formação. Ao professor Clayton, por ter me apresentado um lado da contabilidade até então desconhecido por mim e a professora Edzana, pela Iniciação Científica que me permitiu ter uma breve noção da vida acadêmica como ela é. Ao meu orientador de monografia e de Iniciação Científica, Alexandro Barbosa, pelas valiosas orientações e contribuições não só neste trabalho, mas à minha formação acadêmica. Obrigado pelos ensinamentos. A todos os meus amigos de graduação que compartilharam ou estão compartilhando da mesma luta. E também àqueles que conheci antes dela. A todos que sabem da importância de sua contribuição, direta ou indireta, nesta trajetória. Meu mais sincero obrigado. “If I have seen further it is by standing on the shoulders of giants.” Sir Isaac Newton RESUMO Considerado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico um dos seis pilares da governança corporativa, a transparência pode ser promovida por meio da divulgação de informações voluntárias. Sabendo-se da relevância da Internet como meio de comunicação que permite a disponibilização de informações de maneira tempestiva a um baixo custo e da relevância do setor de saneamento básico, o presente estudo teve o objetivo de verificar os fatores determinantes que explicam a quantidade de informações voluntárias divulgadas na Internet por meio dos websites das companhias brasileiras de saneamento básico. Para atingir o objetivo, foi necessário compor uma métrica capaz de avaliar a extensão da divulgação voluntária web-based. Foi verificado um Índice de Divulgação Voluntária médio de 0,3681. A amostra foi composta por um total de 68 companhias que prestam serviços de água, esgoto ou ambos, constituídas sob o regime de sociedade anônima. Os fatores analisados foram Tamanho, Tipo de auditoria, Custo do capital de terceiros, Estrutura de Propriedade, Regulação, Rentabilidade, Alavancagem e Liquidez. A análise econométrica foi realizada por meio de um Modelo Linear Generalizado. Foi verificado, por meio da análise de regressão, uma associação positiva entre Tamanho, Tipo de Auditoria, Estrutura de Propriedade e Regulação com um maior nível de divulgação voluntária web-based. Contudo, as variáveis Custo do capital de terceiros, Rentabilidade, Alavancagem e Liquidez não se apresentaram estatisticamente significantes. Palavras-chave: Saneamento básico; Governança; Divulgação voluntária web-based. ABSTRACT The Organisation for Economic Cooperation and Development considers the corporate transparency one of the six basis of the corporate governance. The corporate transparency can be improved by web-based voluntary disclosure practices. As are known, seeing the Internet as a powerful communication tool that allows the information dissemination in a timeliness-way with reduced costs and the relevance of the water industry, the present study aims to examine the relationship between corporate variables and the web-based voluntary disclosure level for the Brazilian water industry companies. To reach this objective, this study mixed previous web- based voluntary disclosure indexes used by the literature. It was verified an average web-based voluntary disclosure index of 0.3681. 68 water companies were investigated. The following variables were analyzed: Size, Audit firm type, Cost of debt, Ownership Structure, Economic Regulation, Profitability, Leverage and Liquidity. The econometric analysis was perfomed by a Generalized Linear Model. The regression analysis reveals a positive relationship between Size, Audit firm type, Ownership Structure, Regulation and a higher web-based voluntary disclosure level. However, there are no statistical relationship between the web-based voluntary disclosure level and the variables Cost of Debt, Profitability, Leverage and Liquidity. Keywords: Water industry; Governance; Web-based voluntary disclosure. LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Checklist ................................................................................................................ 34 Quadro 2 – Variáveis ................................................................................................................ 44 Quadro 3 - IDV por companhia ................................................................................................ 51 Quadro 4 - Sinais esperados e observados................................................................................ 60 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Características do setor de saneamento básico ........................................................ 21 Tabela 2 - Percentual de divulgação de informações contábeis e financeiras .......................... 46 Tabela 3 - Percentual de divulgação de informações de governança corporativa, responsabilidade social e recursos humanos ............................................................................ 47 Tabela 4 - Percentual de divulgação de informações acerca das ferramentas disponibilizadas aos usuários .............................................................................................................................. 49 Tabela 5 - Testes de normalidade ............................................................................................. 52 Tabela 6 - Estatística descritiva das variáveis independentes e de controle ............................. 53 Tabela 7 - VIF .......................................................................................................................... 55 Tabela 8 - Critério de Informação de Akaike dos modelos propostos ..................................... 56 Tabela 9 - MLG ........................................................................................................................ 56 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Porcentagem da população brasileira atendida com serviços de água e esgotamento sanitário .................................................................................................................................... 23 Figura 2 - Teorias que procuram explicar a divulgação voluntária .......................................... 26 Figura 3 – Estimativa de densidade Kernel .............................................................................. 50 Figura 4 - Boxplot (IDV) .......................................................................................................... 52 Figura 5 – Gráficos de dispersão dos erros para os modelos propostos ................................... 55 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABAR Associação Brasileira de Agências de Regulação AGESPISA Águas e Esgotos do Piauí B3 Brasil, Bolsa, Balcão BM&FBOVESPA Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo CAEMA Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão CAER Companhia de Águas e Esgotos do Roraima CAERD Companhia de Águas e Esgotos do Rondônia CAERN Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte CAESA Companhia de Água e Esgoto do Amapá CAESB Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal CAGECE Companhia de Água e Esgoto do Ceará CAGEPA Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba CASAL Companhia de Saneamento do Alagoas CASAN Companhia Catarinense de Águas e Saneamento CEDAE Companhia Estadual de Águas e Esgotos CESAN Companhia Espírito-Santense de Saneamento CODEN Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa COMPESA Companhia Pernambucana de Saneamento COPASA Companhia de Saneamento de Minas Gerais CORSAN Companhia Rio-Grandense de Saneamento COSAMA Companhia de Saneamento do Amazonas COSANPA Companhia de Saneamento do Pará CVM Comissão de Valores Mobiliários DAE DAE S/A – Água e Esgoto DESO Companhia de Saneamento de Sergipe EMASA Empresa Municipal de Água e Saneamento Ambiental EMBASA Empresa Baiana de Águas e Saneamento ESAP Empresa de Saneamento de Palestina FABZO Fab Zona Oeste FASB Financial Accounting Standards Board IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDV Índice de Divulgação Voluntária MLG Modelo Linear Generalizado OA Araguaia Odebrecht Ambiental – Araguaia Saneamento OA Blumenau Odebrecht Ambiental – Blumenau OA Cachoeiro Odebrecht Ambiental – Cachoeiro OA Limeira Odebrecht Ambiental – Limeira OA Mauá Odebrecht Ambiental – Mauá OA Porto Ferreira Odebrecht Ambiental – Unidade Porto Ferreira OA Santa Gertrudes Odebrecht Ambiental – Santa Gertrudes OA Sumaré Odebrecht Ambiental - Sumaré OA Uruguaiana Odebrecht Ambiental – Uruguaiana OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OMS Organização Mundial de Saúde PIB Produto Interno Bruto SABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SAEG Serviço de Água, Esgoto e Resíduos de Guaratinguetá SAMAR Soluções Ambientais de Araçatuba SANASA Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento SANEAGO Saneamento de Goiás SANEATINS Companhia de Saneamento do Tocantins SANEPAR Companhia de Saneamento do Paraná SANESOL Saneamento de Mirassol SANESUL Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul SNIS Sistema Nacional de Informações de Saneamento VIF Variance inflation fator SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 16 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA ........................................................................ 16 1.2 OBJETIVOS ....................................................................................................................... 17 1.2.1 Objetivo geral .................................................................................................................. 17 1.2.2 Objetivo específico .......................................................................................................... 17 1.3 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................... 18 2 O SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL ....................................................................... 19 3 FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA ...................................................................................... 24 3.1 DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA ...................................................................................... 24 3.2 DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA WEB-BASED................................................................ 30 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ..................................................................... 32 4.1 TIPOLOGIA DA PESQUISA ............................................................................................ 32 4.2 UNIVERSO E AMOSTRA ................................................................................................ 32 4.3 PROCEDIMENTOS PARA A ELABORAÇÃO DO ÍNDICE DE DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA WEB-BASED ................................................................................................. 33 4.4 DESENVOLVIMENTO DAS HIPÓTESES ..................................................................... 37 4.4.1 Tamanho .......................................................................................................................... 37 4.4.2 Tipo de auditoria .............................................................................................................. 38 4.4.3 Custo do capital de terceiros ............................................................................................ 39 4.4.4 Estrutura de propriedade .................................................................................................. 39 4.4.6 Rentabilidade ................................................................................................................... 40 4.4.7 Alavancagem ................................................................................................................... 41 4.4.8 Liquidez ........................................................................................................................... 42 4.5 VARIÁVEIS DE CONTROLE .......................................................................................... 42 4.6 PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS E MODELO ECONOMÉTRICO ........................ 43 5 ANÁLISE DOS RESULTADOS ........................................................................................ 46 5.1 ANÁLISE DESCRITIVA .................................................................................................. 46 5.2 ANÁLISE ECONOMÉTRICA .......................................................................................... 54 5.2.1 Validação e escolha do modelo econométrico ................................................................ 54 5.2.2 Determinantes da divulgação voluntária web-based ....................................................... 56 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 61 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 62 APÊNDICE A – Companhias da amostra e websites analisados ............................................ 69 APÊNDICE B – Dados da pesquisa ........................................................................................ 71 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA A governança corporativa, envolvendo uma série de mecanismos de controles interno e externos por meio de um conjunto de leis, contratos e normas que, segundo Honoré et al. (2015), visa minimizar o conflito de agência entre a gestão empresarial e os acionistas, possui como uma de suas premissas a promoção da transparência. Uma das formas de se fomentar a transparência é por meio da divulgação de informações, também conhecido por disclosure. A divulgação pode ser de natureza obrigatória (cujas informações são divulgadas a fim de atender exigências legais) ou de natureza voluntária (onde cabe ao ente que reporta divulgar ou não a informação). As informações divulgadas devem fornecer, aos usuários destas, subsídios ao processo de tomada de decisão, conforme colocado por Lan, Weng e Zhang (2013). Para o setor de saneamento básico, não é diferente. O saneamento básico é definido pela Lei 11.445 como um conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais. Sendo de suma importância para a saúde pública e a sociedade como um todo, é um direito assegurado pela constituição brasileira. Os serviços de saneamento básico podem ser prestados por companhias públicas ou privadas, por meio de regime de concessão. Prestando serviços de caráter público (como a universalização dos serviços de água e esgoto), as companhias de saneamento básico devem atender a esta demanda de informação por parte dos seus stakeholders (acionistas, mídias, ambientalistas, agências reguladoras, entre outros), que nem sempre é atendida apenas pela divulgação obrigatória. Vale ressaltar que, devido à natureza pública dos seus serviços, as companhias de saneamento básico também estão sujeitas a um maior controle social – que procura estabelecer práticas de vigilância e controle sobre ações da gestão pública. Com o objetivo de atender a esta demanda, a divulgação voluntária pode ser dada por meios físicos (como jornais de grande circulação ou diários oficiais) ou por meios eletrônicos (por meio de websites corporativos). O uso da Internet possibilitou, às companhias, uma nova forma de divulgar informações voluntárias, promovendo a transparência (GAJESWKY; LI, 2015), aumentando a frequência de divulgação (promovendo maior tempestividade) e, por outro lado, reduzindo custos. 16 Diante disso, considerando a relevância do setor de saneamento básico, a transparência que se vê necessária e a ascensão do uso de plataformas digitais para a divulgação de informações voluntárias, chega-se a seguinte questão de pesquisa: Quais são os fatores determinantes para a divulgação voluntária web-based das companhias brasileiras de saneamento básico? A resposta dessa questão possibilitará aos mais diversos usuários da informação um melhor entendimento acerca das práticas e dos motivos que levam as companhias brasileiras de saneamento básico a divulgarem voluntariamente informações financeiras e não financeiras na Internet, acrescentando aos fatores comumente utilizados pela literatura os impactos da regulação econômica por agências reguladoras e da estrutura de propriedade. O trabalho encontra-se estruturado em quatro capítulos, além deste, denominado Introdução: Fundamentação teórica, Procedimentos metodológicos, Análise dos resultados e Considerações finais. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo geral O objetivo geral deste estudo é verificar os fatores determinantes da divulgação voluntária web-based das companhias brasileiras de saneamento básico. 1.2.2 Objetivo específico Para atingir o objetivo geral formulado, foram traçados os seguintes objetivos específicos:  Elaborar uma métrica para mensurar a extensão das práticas de divulgação voluntária web-based que seja capaz de englobar os aspectos financeiros e não financeiros, incluindo também as particularidades do setor de saneamento básico.  Verificar quais fatores explicam a extensão da divulgação voluntária nos websites das companhias brasileiras de saneamento básico. 17 1.3 JUSTIFICATIVA As companhias do setor de saneamento básico desempenham um papel crucial no desenvolvimento da nação, ao fornecer água, recurso indispensável à vida humana, além de ser fundamental à saúde ao lidar com o esgotamento sanitário. Visto a sua importância, o saneamento público deve fazer parte de um conjunto de políticas públicas que visam semear a saúde da população. À vista disso, considerando a relevância deste setor, espera-se que o mesmo atue com transparência por prestar serviços públicos e pela evolução e promoção das práticas de governança corporativa. Por isso, viu-se importante verificar a extensão da divulgação de informações voluntárias por parte das companhias brasileiras de saneamento básico. No entanto, sabendo-se da tempestividade oferecida pela Internet, a verificação foi realizada por meio dos websites corporativos, que são tidos como uma forma rápida, eficiente e de baixo custo para a promoção da transparência por meio da divulgação de informações de natureza voluntária. Apesar de existir uma vasta literatura, tanto sobre divulgação voluntária web-based, quanto sobre seus determinantes, não foi encontrado estudo prévio que tenha analisado a divulgação de informações voluntárias, web-based ou não, por parte de companhias de saneamento básico, a nível nacional ou internacional. Por fim, apesar de utilizar diversas variáveis explanatórias comuns à literatura, o estudo também procurou verificar o impacto da regulação e da estrutura de propriedade (público ou privada), na extensão das práticas de divulgação voluntária web-based. Em resumo, trata-se de uma pesquisa relevante visto a importância do saneamento básico à população, analisando o nível de divulgação voluntária por meio da Internet das companhias do setor de saneamento básico, procurando explicar o que influencia esta divulgação, acrescentando a literatura aspectos regulatórios e de propriedade. 18 2 O SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL Definido como um conjunto de ações de saúde pública, compreendendo o abastecimento de água potável em quantidade suficiente para garantir a higiene adequada, assim como a coleta, tratamento e disposição adequada dos esgotos e resíduos sólidos (MORAES, 1993), o saneamento básico é tido como fundamental para a sobrevivência e dignidade humana (GONÇALVES, 2015). Apesar da relevância do tema, Oliveira et al. (2012) afirmam que a literatura sobre saneamento básico é carente, existindo 190 estudos publicados na área, até então. As diretrizes nacionais de saneamento básico, por exemplo, só vieram a ser estabelecidas com a promulgação da Lei 11.445 de 05 de janeiro de 2007, conhecida como “Lei do Saneamento”, revogando a Lei 6.528 de 11 de maio de 1978 que, diferente da Lei 11.445, abordava apenas aspectos tarifários estaduais sob o âmbito do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANASA), além de priorizar o abastecimento de água em detrimento da integralidade dos serviços (de água e esgoto). A Lei 11.445 caracteriza saneamento básico como um conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: a) Abastecimento de água potável: constituídas pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição; b) Esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente; c) Limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas; d) Drenagem e manejo das águas pluviais, limpeza e fiscalização preventivas das respectivas redes urbanas: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. A Lei designa, em sua estrutura, uma série de princípios fundamentais, dentre os quais destacam-se a universalização do acesso, a integralidade dos serviços, o abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente, a transparência das ações, baseada em sistemas de informações e processos decisórios institucionalizados, bem como o controle social. 19 Atendendo-se as questões sociais, ambientais, econômicas e, intrinsicamente, de saúde pública, ressalta-se a importância do saneamento para com este último. Sendo derivada, etimologicamente, do latim sanu, no sentido de tornar saudável, a sua ausência pode acarretar em graves consequências. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o saneamento básico precário é um dos chamados “riscos tradicionais” (junto da falta de habitação e abastecimento de água potável) à saúde, indicando que doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado causaram a morte de 1,6 de milhões de pessoas nos países de baixa renda, em sua maioria crianças (84%). Ainda de acordo com a OMS, estima-se que para cada US$ 1 gasto com saneamento, economiza-se US$ 4,3 com saúde pública (OMS, 2014). Por ser um setor com uma atividade bastante específica, o setor possui diversas particularidades. Em relação às características do setor, Galvão e Paganini (2009) sintetizam, conforme Tabela 1. 20 Tabela 1 - Características do setor de saneamento básico Características Repercussões Difícil determinação do estado de conservação, Maioria dos ativos (redes de água e custo de manutenção elevado e complexidade esgoto) encontra-se enterrada para detecção de vazamentos nas tubulações Poucos ganhos de eficiência mediante avanços Mudança lenta no padrão tecnológico tecnológicos e ativos com vida útil prolongada Necessidade de estrutura adequada para Qualidade dos produtos de complexa monitoramento da qualidade de produtos e verificação pelo usuário serviços ofertados pelas concessionárias Envolvimento de mais de um ente federado na Redes integradas em aglomerados gestão dos serviços e expansão da urbanos infraestrutura associada ao planejamento urbano Atendimento independente da capacidade de pagamento do usuário e geração de Essencialidade no uso e consumo dos externalidades positivas e negativas para a produtos (água e esgoto) saúde pública, meio ambiente, recursos hídricos, entre outros. Pouca flexibilidade para a periodização dos Custo fixo elevado investimentos Monopólio natural; inexistência de usos alternativos e baixo valor de revenda; Ativos específicos e de longa maturação possibilidade remota de saída das concessionárias do mercado (não contestável); e pouca atividade para investimentos Demais atores dependem da informação Assimetria de informações técnica e econômico-financeira disponibilizada pelas concessionárias Possibilidade de extração de rendas Demanda inelástica significativas pelo prestador de serviços (monopólio) Viabilidade de prestação dos serviços por uma Economias de escala única empresa (monopólio) Custos comuns na operação de serviços de água e esgoto e tratamento de esgotos, Economias de escopo tornando mais viável a prestação de serviços por única empresa. Fonte: Galvão e Paganini (2009). Diferentemente do setor de energia elétrica, as companhias do setor de saneamento básico, por exercerem um monopólio natural, devem ser reguladas em todas suas etapas. Enquanto há concorrência no processo de geração, monopólio regulado na transmissão e um monopólio natural regulado na distribuição (no setor de energia elétrica), no setor de saneamento básico há um monopólio natural em todas as suas fases: desde a captação até a distribuição, assim como o esgotamento sanitário, tratamento e lançamento. 21 Econômicas Físicas Madeira (2010) argumenta que a existência de concorrência nesse setor é inviável, considerando não ser eficaz no sentido econômico e espacial a existência de duas companhias atuando no fornecimento de água e tratamento de esgoto em um mesmo local. Segundo informações cadastradas no SNIS (2017), o Sistema de Abastecimento de Água e Coleta de Esgoto (SAACE) nacional é composto por companhias subdivididas em três categorias de abrangência: (a) regional, também conhecida por Companhia Estadual de Saneamento Básico (CESB), que atende diversos municípios em um estado; (b) microrregional, que abrange alguns municípios próximos e; (c) local, identificado também como Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), que atende apenas um único município. Há, ao todo, no Brasil, 1.442 prestadores de serviços de saneamento básico que atendem um total de 5.115 municípios com abastecimento de água e 2.336 municípios com esgotamento sanitário. Dos 1.442 prestadores, 1.408 são locais (abrangendo 1.061 municípios com abastecimento de água e 997 com serviços de esgoto), 6 microrregionais (abrangendo 18 municípios com abastecimento de água e 14 com serviços de esgoto) e 28 regionais (abrangendo 4.036 municípios com abastecimento de água e 1.325 com serviços de esgoto). Embora o saneamento seja de responsabilidade municipal, os serviços de saneamento básico de água e esgotamento sanitário são oferecidos, majoritariamente, por companhias regionais – responsável por 78,91% do abastecimento de água e 56,72% do esgotamento sanitário. Apesar de 83,3% da população brasileira ter acesso a água tratada, o Instituto Trata Brasil/Fundação Getúlio Vargas (FGV) (2015) reflete acerca dos 35 milhões de brasileiros sem acesso aos serviços e da baixa porcentagem dos domicílios com conexão à rede de esgoto (50,3%), totalizando mais de 100 milhões de pessoas sem acesso a esgotamento sanitário, despejando detritos e resíduos em locais não apropriados, aumentando a proliferação de doenças – existem cerca de 80 doenças que podem ser transmitidas ao ser humano a partir do contato com água contaminada. Entretanto, desde a criação da Lei do Saneamento, em 2007, há de se destacar uma evolução gradativa da cobertura de água e esgoto no país, conforme evidenciado na Figura 1. 22 Figura 1 - Porcentagem da população brasileira atendida com serviços de água e esgotamento sanitário 100,00% 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% Água 50,00% Esgoto 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Fonte: Instituto Trata Brasil e SNIS (2015). Grande parte dessas externalidades negativas decorre da falta de investimento no setor (SAMPAIO; SAMPAIO, 2007). Sendo um setor capital intensivo, possuindo elevados custos fixos, o setor de saneamento básico demanda o dobro de investimentos necessários no setor de energia elétrica (MADEIRA, 2010). Para a universalização dos serviços de água, esgotos, resíduos e drenagem, o Ministério das Cidades (2013) acredita ser necessário um investimento em torno dos R$ 508 bilhões entre 2014 e 2033. 23 3 FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA 3.1 DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA A governança, principalmente do que se trata da corporativa, se tornou um recorrente tópico entre acadêmicos das ciências econômicas e administrativas, profissionais da gestão e agentes reguladores. Englobando, em sua essência, um conjunto de leis, contratos e normas que regem a estrutura da companhia no qual as decisões são tomadas (SAMRA, 2016), a governança corporativa trata da forma como as sociedades são dirigidas. Para Honoré et al. (2015), a governança visa minimizar o conflito de agência entre a gestão empresarial e os acionistas. Este conflito de agência surge a partir do momento em que o titular da propriedade (acionista) delega à gestão empresarial o poder de decisão da companhia, cujo interesse nem sempre está alinhado ao do seu titular. Nesta perspectiva, a governança preocupa-se em garantir que o comportamento da gestão esteja alinhado, ao máximo, com o interesse dos acionistas. Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a governança corporativa é um sistema no qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, relacionando-se com os mais diversos agentes: sócios, membros do conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle, além das demais partes interessadas. Dentre os princípios básicos de governança corporativa mencionados pelo Instituto, encontram- se a equidade (tratamento isonômico de todos os sócios e stakeholders), accountability (prestação de contas de maneira clara e compreensível e, impreterivelmente, tempestiva) e, por fim, responsabilidade corporativa (zelo pela viabilidade econômico-financeira da entidade) (IBGC, 2015). Para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a governança corporativa intenta: (I) promover a transparência e mercados mais justos, permitindo uma alocação mais eficiente de recursos; (II) garantir e facilitar o exercício dos direitos dos acionistas de maneira igual, assim como reparações em casos de violação dos direitos; (III) prover incentivos ao mercado financeiro para que ele possa contribuir às boas práticas de governança; (IV) reconhecer os direitos dos stakeholders como estabelecido pela lei ou por acordos mútuos, encorajado cooperação entre as partes; (V) divulgar informações contábeis e financeiras, de desempenho, estrutura e de governança e; (VI) considerar que o Conselho de Administração deve ser monitorado e cumprir com suas responsabilidades (OCDE, 2017). 24 Colocado pela OCDE como um dos seis pilares da governança corporativa, a transparência pode ser promovida através do disclosure. Diversos escândalos financeiros e corporativos, como o da Enron Corporation, em 2001, ocorreram em decorrência da ausência (parcial ou completa) de um disclosure apropriado. De acordo com Murcia e Santos (2010), o disclosure consiste no ato de divulgar, evidenciar, disseminar, expor, revelar algo – publicamente. Tratando-se do cenário corporativo, nada mais é do que a divulgação de informações de natureza financeira ou não financeira por parte de uma determinada companhias. Para fins deste trabalho, entenda-se disclosure como divulgação ou vice-versa. Dessa maneira, a divulgação pode ser compulsória (informações que devem ser divulgadas com o objetivo de cumprir exigências legais e regulatórias) ou voluntária (informações cuja divulgação não é obrigada por lei, oferecendo transparência para a companhia no âmbito corporativo) (LIMA, 2007). Sendo sua divulgação de livre escolha (free choice) por parte da companhia, a divulgação voluntária refere-se, de maneira geral, a disseminação de informações de caráter não mandatório para os seus stakeholders, servindo de subsídio ao processo de tomada de decisão (LAN; WANG; ZHANG, 2013). O Financial Accounting Standards Board (FASB) define a divulgação voluntária como a divulgação de informações adicionais que não sejam requeridas pelas práticas contábeis geralmente aceitas vigentes ou por alguma exigência de agência reguladora, como a Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado acionário no contexto norte- americano (FASB, 2001). Essas informações não se limitam apenas a informações de cunho contábil e financeiro, devendo também abarcar aspectos socioambientais, de responsabilidade social corporativa e de sustentabilidade empresarial. Logo, entende-se que a divulgação de informações voluntárias procura trazer mais transparência aos stakeholders, sobre os mais diversos aspectos corporativos – do financeiro à responsabilidade social. Boesso e Kumar (2007) corroboram com essa ideia, afirmando que o disclosure voluntário é capaz não apenas de manter mais transparência da companhia junto aos seus interessados, como também é capaz de reduzir a assimetria informacional e reduzir os conflitos de agência entre a gestão empresarial e investidores. Porém, alguns autores acreditam que a motivação da gestão empresarial em divulgar estas informações voluntárias é enviesada, sendo divulgadas apenas informações de desejo do principal (considerando uma relação principal-agente) (CORE, 2001; EINHORN; ZIV, 2011). Salienta-se que o disclosure voluntário não deveria ser feito, exclusivamente, acerca de 25 informações positivas. Para que usuários da informação realizem julgamentos adequados, vê- se necessário utilizar informações tanto positivas, quanto negativas. Visto a complexidade do fenômeno, Scaltrito (2016) afirma que a divulgação voluntária não pode ser explicada por apenas uma teoria (como a Teoria dos stakeholders). Dentre as teorias comumente utilizadas pela literatura contábil para explicar a necessidade pelo disclosure voluntário, encontram-se: (I) Teoria da Agência; (II) Teoria da Sinalização; (III) Teoria da Necessidade de Capital e; (IV) Teoria da Legitimidade (SHEHATA, 2014). Por vezes, também é utilizada a abordagem de Análise custo-benefício. Figura 2 - Teorias que procuram explicar a divulgação voluntária Fonte: Adaptado de Scaltrito (2016).  Teoria da Agência: esta teoria identifica uma relação no qual uma parte, o principal, delega trabalho a uma segunda parte, o agente (JENSEN; MECKLING, 1976). Conflitos de agência podem surgir em condições de assimetria informacional, quando, por exemplo, a gestão empresarial possui acesso a mais informações que os acionistas. O disclosure voluntário pode amenizar essa assimetria entre dois ou mais agentes, por meio da divulgação da informação;  Teoria da Sinalização: esta teoria afirma que os sinais são ações que um agente pode realizar para transmitir informações (SPENCE, 1973). Desta maneira, companhias com maior valor procuram destacar-se das outras companhias, emitindo sinais por meio do disclosure voluntário; 26  Teoria da Necessidade de Capital (Capital need Theory): esta teoria sugere que ao reduzir a assimetria informacional e, consequentemente, incertezas, por meio do disclosure voluntário, as companhias podem obter capital a um custo mais baixo, visto a redução do risco (CHOI, 1973);  Teoria da Legitimidade: esta teoria parte do pressuposto de que uma companhia deve conduzir as suas atividades de acordo com os limites tidos como aceitáveis pela comunidade no qual opera (ROVER et al., 2011). Sendo assim, uma companhia procura transmitir uma boa imagem aos seus stakeholders. Uma das formas de influenciá-los é por meio o disclosure voluntário, a fim de conquistar aprovação;  Teoria dos Custos Políticos: esta teoria parte da ideia que companhias de maior tamanho possuem uma maior visibilidade no mercado e, por causa disso, atraem uma maior atenção da sociedade, do governo e de órgãos reguladores. Devido a maior exposição, essas companhias podem estar sujeitas a custos decorrentes da necessidade de atender regulamentações e leis. Estes custos são denominados custos políticos. Stigler (1971) acredita que um maior disclosure é capaz de minimizar esses custos;  Hipótese do custo-benefício: esta hipótese considera que a companhia coloca em questão o custo-benefício do disclosure voluntário. Ou seja, a ideia é de que os benefícios gerados por essa divulgação sejam superiores aos seus custos de divulgação. Quanto aos fatores determinantes da divulgação voluntária, diversos estudos analisaram os mais diversos contextos. Lan, Wang e Zhang (2013) procuraram verificar os fatores determinantes do disclosure voluntário no mercado de capitais chinês. Utilizando uma amostra composta por 80% das empresas listadas, os autores concluem que o disclosure voluntário está positivamente associado ao tamanho da companhia, aos assets-in-place (considerando a soma do Imobilizado, Estoque e Intangível) e ao retorno sobre o patrimônio líquido, enquanto encontra-se negativamente associado ao tipo de auditoria e ao nível de maturidade e sofisticação do ambiente regulatório. Contudo, a pesquisa não encontrou uma associação estatisticamente significativa entre a divulgação de informações voluntárias e um menor custo de capital, como esperado. Os resultados apresentados na pesquisa de Hossain e Hammami (2009) vão de acordo com o apresentado por Lan, Wang e Zhang (2013), exceto quanto à rentabilidade. Em uma amostra composta por 25 companhias abertas do Qatar, foi verificada uma associação 27 estatisticamente significativa entre disclosure voluntário, tamanho da companhia e assets-in- place. Neste estudo, também foi verificado uma associação positiva entre um maior disclosure voluntário com companhias em mais tempo no mercado. Scaltrito (2016) investigou os determinantes do disclosure voluntário das companhias de capital aberto da Itália. Analisando um total de 203 empresas para o ano de 2012, o autor concluiu que, dentre as informações divulgadas, destacam-se as sobre recursos humanos. Ao fim da pesquisa, constatou-se uma associação positiva entre o tamanho da companhia e o tipo de auditoria com um melhor disclosure. Também verificou que as empresas financeiras tenderam a prover menos informações voluntárias do que as empresas industriais. Kolsi (2012) analisou os determinantes da divulgação de informações voluntárias nas companhias de capital aberto da Tunísia. Em seu estudo, verificou que a alavancagem, qualidade de auditoria, atuação no ramo financeiro e rentabilidade são determinantes estatisticamente significativos do disclosure voluntário entre as companhias abertas da Tunísia. O autor evidencia que o importante papel do setor financeiro na economia do país pode ter influenciado a variável independente “Setor de atuação”. No entanto, ao contrário do esperado, tanto a estrutura de propriedade quanto o tamanho não foram determinantes significativos. No cenário corporativo sueco, Niléhn e Thoresson (2014) verificaram que tanto a assimetria informacional quanto os custos de agência são determinantes na extensão do disclosure de informações voluntárias. Verificou-se que empresas maiores tendem a reduzir os custos de agência e assimetria informacional aumentando a quantidade de informações voluntárias divulgadas ao mercado. Ben-Amar e Boujenouiu (2007) verificaram a relação entre a estrutura de propriedade, dualidade do Chief Executive Officer (CEO) e a qualidade do disclosure voluntário acerca de informações de governança corporativa em uma amostra composta por companhias canadenses. Os autores concluíram que há uma relação negativa entre a dualidade do CEO e a qualidade da divulgação de informações voluntárias acerca de governança. Por outro lado, verificaram uma relação positiva entre a independência da gestão empresarial e o tamanho com a qualidade do disclosure. Os estudos de Charumathi e Ramesh (2015) e Juhmani (2013) apresentam os mesmos resultados, acrescentando a alavancagem e tamanho como determinante. No contexto brasileiro, Rufino e Monte (2014), utilizando uma amostra composta por 100 companhias listadas na BM&FBOVESPA, identificaram que a divulgação voluntária se encontra associada à rentabilidade, tamanho da empresa e sustentabilidade empresarial. 28 Todavia, não verificaram uma associação estatisticamente significativa com as variáveis endividamento, concentração acionária, internacionalização e regulamentação. Quanto aos fatores determinantes do disclosure voluntário de informações de responsabilidade social corporativa e socioambiental, destacam-se os trabalhos de Gamerschlag, Möller e Verbeeten (2010), Ali, Frynas e Mahmood (2017) e Burgwal e Vieira (2014). Gamerschlag, Möller e Verbeeten (2010) verificaram os determinantes do disclosure de informações voluntárias sobre responsabilidade social corporativa no contexto alemão. Analisando 13 companhias abertas, identificaram que o disclosure de informações desse cunho está associado a empresas com maior visibilidade, assim como também está ligada a estrutura de propriedade. Verificou-se, também, que empresas com maior rentabilidade tendem a ter uma maior divulgação de informações ambientais. O setor de atuação também se mostrou relacionado como determinante de um maior disclosure de informações de reponsabilidade social corporativa. Ali et al. (2017), ainda sobre os determinantes do disclosure de informações sobre responsabilidade social corporativa, realizaram uma revisão da literatura empírica, composta por 76 estudos. Os autores verificaram que tanto para países em desenvolvimento quanto para países desenvolvidos os determinantes da divulgação são semelhantes: tamanho, setor de atuação, rentabilidade e mecanismos de governança corporativa. Contudo, ressaltam o papel de fatores políticos, sociais e culturais. Em países desenvolvidos, o disclosure de informações voluntárias tende a atender os interesses de órgãos reguladores, acionistas, investidores, ambientalistas e a mídia. Em países em desenvolvimento, essa divulgação é influenciada por players estrangeiros, como investidores ou órgãos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional ou Banco Mundial. Em relação à divulgação de informações socioambientais, Burgwal e Vieira (2014) constataram, numa amostra composta por 28 companhias abertas holandesas (que totalizavam um total de 90% da capitalização total das bolsas de valores da Holanda), uma associação significativa entre o tamanho da companhia, setor de atuação e o disclosure voluntário de informações socioambientais. Diferente do esperado, a associação entre disclosure e lucratividade não foi estatisticamente significativa. Não foram encontrados trabalhos sobre fatores determinantes do disclosure voluntário para as companhias de saneamento básico, até onde se sabe, na literatura nacional ou internacional. 29 3.2 DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA WEB-BASED Decorrente da maior demanda por transparência, as mais diversas entidades (privadas, públicas e do terceiro setor) recorrem à divulgação voluntária realizada por meio de plataformas eletrônicas (LEE; JOSEPH, 2013). A divulgação voluntária web-based consiste na disseminação voluntária de informações financeiras e não financeiras por meio de uma plataforma eletrônica, onde podem ser divulgadas demonstrações financeiras (por mais que não exista obrigatoriedade), assim como informações relacionadas a responsabilidade social corporativa. Como uma poderosa ferramenta de comunicação, a Internet propicia ao ente que informa a capacidade de estabelecer um contato direto entre administração da companhia e os seus stakeholders sem a necessidade de um intermediário, como meios de imprensa sob propriedade de terceiros, diminuindo custos de divulgação e aumentando a sua frequência – garantindo informações tempestivas (KELTON; PENNINGTON, 2012). A divulgação web- based por meio de websites possibilitou uma revolução favorável à transparência corporativa (GAJEWSKY; LI, 2015). Inicialmente, diversos estudos verificaram o assunto sob a perspectiva do Internet Financial Reporting (IFR), considerando, em suas análises, aspectos de divulgação exclusivamente financeiros. Essa perspectiva ganhou espaço com a publicação do relatório do FASB (2000) intitulado “Electronic Distribution of Business Reporting Information”, onde a divulgação de informações financeiras por meio de website corporativo é analisada por dois aspectos: apresentação e conteúdo. Dentre os estudos que verificaram a partir dessa perspectiva, encontram-se os de Debreceny, Gray e Rahman (2002), Kelton e Yang (2008) e Aly, Simon e Hussainey (2010). Contudo, alguns autores verificaram que a divulgação voluntária web-based não deveria limitar-se a aspectos puramente contábeis e/ou financeiros, também devendo alcançar outras questões tangentes a governança corporativa, responsabilidade social corporativa e sustentabilidade empresarial. Sendo assim, trabalhos mais recentes como o de Botti et al. (2014) e Furtes-Callén, Cuellar-Fernández e Pelayo-Velázquez (2014) consideram, em seus estudos, tais aspectos. Os termos utilizados para se referir a divulgação voluntária web-based de informações tanto financeiras quanto não financeiras são os mais diversos: Online Corporate Reporting, Internet Corporate Reporting, Web-Based Corporate Disclosure, entre outros. 30 Há diversos estudos que procuraram verificar os fatores determinantes da divulgação voluntária web-based. Tendo sido utilizados para o desenvolvimento das hipóteses, estes encontram-se no tópico 4.4, “Desenvolvimento das hipóteses”. Ressalta-se, no entanto, que não foram encontrados estudos sobre fatores determinantes da divulgação voluntária web-based para companhias de saneamento básico na literatura nacional ou internacional. 31 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.1 TIPOLOGIA DA PESQUISA De acordo com Baptista e Campos (2016) os trabalhos científicos podem ser agrupados quanto à natureza das estratégias de investigação e quanto à forma de coleta e análise de dados. Quanto à natureza das estratégias de investigação, um trabalho pode ser realizado por pesquisas experimentais ou de laboratório, por pesquisas observacionais (descritivas ou analíticas) ou por pesquisas documentais e bibliográficas (de levantamento). Em relação a forma de coleta e análise dos dados, uma pesquisa pode se enquadrar como quantitativa ou qualitativa. Este estudo classifica-se como uma pesquisa documental visto a utilização de fontes primárias de informação, utilizando-se das demonstrações financeiras para o exercício findo em 31 de dezembro de 2015 das companhias da amostra e, na sua ausência, a série histórica disponibilizada pelo SNIS para o Ano Referência de 2015, por exemplo. Também se classifica como uma pesquisa bibliográfica, uma vez que foi realizada uma investigação prévia no assunto por meio da literatura empírica (livros, artigos, monografias, dissertações e teses). Porém, em sua maior parte, é descritiva, ao buscar identificar as características gerais de uma amostra, estabelecendo relações entre variáveis. A abordagem do problema foi, por sua vez, quantitativa, dado que a coleta de dados e o seu tratamento se realizou de maneira objetiva, com o emprego de instrumentos estatísticos no processamento e tratamento dos dados, partindo do pressuposto da dedutibilidade, orientado pelos resultados. 4.2 UNIVERSO E AMOSTRA O universo da pesquisa é composto pelas 1.442 companhias de saneamento básico (água, esgoto ou água e esgoto) cadastradas na série histórica do SNIS para o Ano Referência de 2015. A amostra compreende as companhias prestadoras de serviços de saneamento básico que sejam, em relação a natureza jurídica, empresas privadas, sociedades de economia mista com administração privada ou sociedades de economia mista com administração pública, constituídas sob a forma de sociedades anônimas. A amostra inicial foi composta, ao todo, por 74 companhias. 32 Companhias sem websites e/ou companhias cujas demonstrações financeiras não tenham sido disponibilizadas por nenhum outro meio (como jornais de grande circulação ou diários oficiais) foram excluídas da amostra. Nenhuma companhia foi excluída da amostra por não possuir website. Contudo, seis companhias tiveram de ser removidas por não disponibilizarem as suas demonstrações financeiras, apesar das diversas tentativas de obtenção realizadas: Sociedade Anônima de Água e Esgoto do Crato, Águas de Peixoto de Azevedo, CAB Piquete, Águas de Paraty, Odebrecht Ambiental – Maranhão (Paço do Lumiar) e Odebrecht Ambiental – Maranhão (São José de Ribamar). A amostra final compreende, assim, 68 companhias, que podem ser visualizadas no Apêndice A. Há casos de companhias que, apesar de não possuírem website corporativo próprio, possuem uma seção específica no website da controladora. Para esses casos, analisou-se o site da controladora por completo. 4.3 PROCEDIMENTOS PARA A ELABORAÇÃO DO ÍNDICE DE DIVULGAÇÃO VOLUNTÁRIA WEB-BASED A fim de criar um índice capaz de abranger os mais diversos aspectos da divulgação voluntária, uma checklist foi elaborada para mensurar a extensão das práticas de divulgação voluntária web-based das companhias brasileiras de saneamento básico a partir dos trabalhos de Kelton e Yang (2008), Aly, Simon e Hussainey (2010), Botti et al. (2014) e Fuertes-Callén, Cuellar-Fernández e Pelayo-Velázquez (2014). O índice criado engloba aspectos de divulgação contábil e financeira – foco do trabalho de Kelton e Yang (2008) e Aly, Simon e Hussainey (2010) e aspectos da responsabilidade social corporativa e socioambiental – foco dos trabalhos de Botti et al. (2014) e Fuertes-Callén, Cuellar-Fernandes e Pelayo-Velázquez (2014). Por sua vez, como forma de agregar a checklist as particularidades do setor de saneamento básico, foi adicionado o trabalho de Ahmad et al. (2010), que aborda questões de transparência do setor estudado. A checklist elaborada é composta por 68 itens, sendo 17 itens referentes a informações contábeis e financeiras, 29 itens referentes a informações de governança corporativa, responsabilidade social e recursos humanos e, por fim, 22 itens referentes a ferramentas para usuários. A estruturação da checklist em três categorias teve como base a checklist utilizada por Fuertes-Callén, Cuellar-Fernández e Pelayo-Velázquez (2014). 33 A primeira categoria, “Informações contábeis e financeiras” aglomera informações provenientes das demonstrações financeiras e suas notas explicativas disponibilizadas nos websites, bem como informações sobre pagamento de dividendos e indicadores financeiros. A segunda categoria, “Governança corporativa, responsabilidade social e recursos humanos”, abarca aspectos da governança (como a composição do Board), sustentabilidade (como a existência de um Balanço Social e políticas sustentáveis) e transparência dos serviços prestados (por meio de relatórios de qualidade, por exemplo). A terceira e última categoria, “Ferramenta para os usuários”, trata das informações de estrutura do website assim como ferramentas que podem ser utilizadas pelo usuário da informação – como informações sobre os analistas, formatos do conteúdo disponibilizado, contatos para a Relação com Investidores (RI), além de outras informações. Xiao, Yang e Chow (2004) não verificaram diferenças relevantes no uso de peso para itens em checklists utilizados para mensurar a extensão das práticas de divulgação voluntária web-based. Dessa forma, a checklist utilizada neste estudo possui o mesmo peso para todos os itens. A mesma foi desenhada para englobar, além dos aspectos comuns a divulgação voluntária web-based, particularidades do setor de saneamento básico, conforme evidenciado no Quadro 1. Quadro 1 – Checklist Informações contábeis e financeiras (17 itens) Fonte Balanço Patrimonial do ano corrente B-C-D Balanço Patrimonial dos anos anteriores B-C-D Demonstração do Resultado do Exercício do ano corrente B-D Demonstração do Resultado do Exercício dos anos anteriores B-D Demonstração dos Fluxos de Caixa do ano corrente A-C-D Demonstração dos Fluxos de Caixa dos anos anteriores A-C-D Notas explicativas às demonstrações do ano corrente B Notas explicativas às demonstrações dos anos anteriores B GAAP utilizado para a elaboração das demonstrações do ano corrente B GAAP utilizado para a elaboração das demonstrações dos anos anteriores B Parecer de auditoria para as demonstrações do ano anterior (2015) B-C Assinatura do responsável pela auditoria (2015) B Nome da empresa responsável pela auditoria destacada no parecer (2015) B Cotação da ação diária A-B-C-D Histórico de pagamento de dividendos A-D Resultado por Ação B Resumo dos Indicadores financeiros C Governança corporativa, responsabilidade social e recursos humanos (29 itens) Fonte Histórico da companhia B Visão da companhia B 34 (Continuação) Balanço social do último ano fiscal C-D Código de ética B-C Política ambiental D Política energética C Contrato de concessão Sugerido pelo autor Regime tarifário Sugerido pelo autor Estudos tarifários Sugerido pelo autor Serviços e produtos ofertados B Qualidade e segurança dos serviços e produtos ofertados C-D Organograma da estrutura organizacional C-D Estrutura de propriedade C-D Doações e patrocínios C-D Seção sobre responsabilidade social corporativa/sustentabilidade C-D Divulgação de informações referente a risco e à gerenciamento de riscos B-D Composição do Conselho de Administração B-C-D Currículo vitae dos membros do Conselho de Administração C Remuneração dos membros do Conselho de Administração C-D Atividades paralelas dos membros do Conselho de Administração C Atas e propostas C-D Informações sobre o Comitê de Auditoria A-C-D População atendida pela companhia E Programas de capacitação dos funcionários C-D Quantidade de funcionários E Informações segmentadas E Consumo anual de água (da população atendida) E Capacidade de armazenagem de água E Informações sobre a agência reguladora Sugerido pelo autor Ferramenta para os usuários (22 itens) Fonte Seção de comunicados à imprensa/Notícias B-C-D Lista dos analistas A-C-D Detalhes dos analistas A-B Ratings B-C Perguntas mais frequentes (FAQ) B-C-D Calendário de eventos A-B-C-D Versão em inglês do website B-C Dados contábeis e financeiros em formatos processáveis (como .XLS) A-B-C Dados contábeis e financeiros em PDF A-B-C Link para o site da bolsa de valores no qual a companhia opera B Link para o site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) B Seção para Relação com Investidores/Demonstrações financeiras B-C E-mail para contato A-B-C Contato telefônico B-C Ferramenta de busca interna A-B-C Fatos relevantes do ano corrente B Fatos relevantes dos anos anteriores B Uso de imagens A-B-C 35 (Continuação) Uso de vídeos A-B-C Uso de áudios A-B-C Informações do webmaster B-C Fonte: A – Kelton e Yang (2008), B – Simon e Hussainey (2010), C – Botti et al. (2014), D – Fuertes-Callén, Cuellar Fernández e Pelayo-Velázquez (2014) e E – Ahmad et al. (2010). Por meio de uma análise realizada no website de cada companhia da amostra, no período de 3 de abril à 11 de abril de 2017, a divulgação de cada item da checklist foi verificada, fundamentando-se em uma escala binária no qual 0 equivale a não observância e 1 equivale a observância da divulgação do item. Esta checklist foi utilizada, essencialmente, na elaboração do índice que mensura a extensão da divulgação voluntária web-based. Este índice será intitulado “Índice de Divulgação Voluntária” (IDV), onde o IDV possui uma nota mínima de 0 (não divulga nenhum dos itens da checklist) e a nota máxima de 1 (divulga todos os itens da checklist). O IDV é calculado pela razão entre os itens divulgados pelo número total de itens da checklist aplicáveis a companhia analisada, conforme fórmula (1). Onde: ed = Item evidenciado n = Total de itens Porém, cabe destacar que alguns itens da checklist não são aplicáveis à todas as companhias. Para isto, resolveu-se realizar um escalonamento do índice. São itens aplicáveis apenas às companhias listadas na B3 (à época, BM&FBOVESPA): Cotação da ação diária, Resultado por Ação, Lista dos analistas, Detalhe dos analistas, Ratings, Link para o site da bolsa de valores no qual a companhia opera, Link para o site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Fatos Relevantes do ano corrente e Fatos relevantes dos anos anteriores (9 itens) São itens aplicáveis apenas às companhias que pagaram dividendos em 2015 ou anos anteriores: Histórico de pagamento de dividendos (1 item); apenas às companhias reguladas: 36 Informações sobre agência reguladora (1 item) e; apenas às companhias regionais: informações segmentadas (1 item). Exemplificando, uma companhia que não estava listada na BM&FBOVESPA, paga dividendos, é regulada e é regional, teria um total de 59 itens a serem evidenciados. Uma companhia que está listada na BM&FBOVESPA, porém paga dividendos, não é regulada e é regional teria um total de 67 itens a serem evidenciados. Este escalonamento foi considerado necessário visto que não seria adequado demandar informações cuja empresa, considerando suas características corporativas, não poderia fornecer. 4.4 DESENVOLVIMENTO DAS HIPÓTESES 4.4.1 Tamanho Do ponto de vista da Teoria da Agência, empresas maiores possuem maiores custos de agência devido a assimetria informacional entre o ente que reporta a informação e os seus usuários (JENSEN; MECKLING, 1976). No enfoque da Teoria dos Custos Políticos, companhias maiores atraem maior atenção no mercado, tornando-as mais suscetíveis ao que Gajewsky e Li (2015) denominam de “escrutínio público” – no sentido de atrair a opinião pública, bem como custos e riscos relacionados a regulação, nacionalização e/ou expropriação (OYELERE; KURUPPU, 2012). Deste modo, companhias maiores divulgam mais informações corporativas para reduzir seus custos de agência e atender a maior demanda de informação por parte dos seus usuários, levando em considerações a complexidade e o nível de cobrança de informação às organizações com maior porte e consequente influência no mercado. Vários estudos verificaram uma associação positiva entre maior tamanho e um maior nível de divulgação voluntária web-based nos mais diversos países e contextos: companhias listadas na China (XIAO; YANG; CHOW, 2004), Turquia (BOZCUK, 2012; AQEL, 2014; ÇALISKAN; GULER, 2015), França (BOUBAKER; LAKHAL; NEKHLI, 2011), Canadá (BEN-AMAR; BOUJENOUIU, 2007), Brasil (ANGONESE; SANCHES; BEZERRA, 2014), Jordânia (AL-HTAYBAT, 2011), Emirados Árabes Unidos (MINIAOUI; OYELERE, 2013), Marrocos e Tunísia (HENCHIRI, 2011), bem como organizações sem fins lucrativos nos Estados Unidos da América (LEE; JOSEPH, 2013). 37 H1 = Existe uma associação positiva entre maior tamanho e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based. Duas proxies foram utilizadas para medir o tamanho de uma companhia: Ativo Total e Receita Operacional Total. Apesar de grande parte da literatura utilizar o Ativo Total como proxy para mensurar tamanho, deve-se considerar que muitas companhias do setor de saneamento básico não realizaram, dentro do prazo estipulado pela legislação contábil para a adoção das normas internacionais de contabilidade, a reavaliação dos ativos. Visto isso, acredita-se que, para fins desta pesquisa, a Receita Operacional Total reflete, de maneira mais fidedigna, o tamanho de uma companhia. Entretanto, pelo Ativo Total ser uma proxy comum na literatura, também será utilizada. 4.4.2 Tipo de auditoria A Teoria da Agência sugere que a auditoria alivia conflitos de interesse entre a gestão empresarial e os investidores. Geralmente, pelo medo de perder reputação no mercado, companhias de auditoria maiores (PricewaterhouseCoopers, KPMG, EY e Deloitte) demandam, às auditadas, informações de qualidade e em maior quantidade. Na perspectiva da Teoria da Sinalização, espera-se que uma empresa procure atender a essas demandas, na tentativa de se destacar das outras companhias – isso explicaria o porquê de companhias com maior visibilidade contratarem, com maior frequência, firmas Big Four. Xiao, Yang e Chow (2004) argumentaram que as Big Four exercem um papel fundamental na difusão de práticas de governança, como a divulgação a voluntária web-based. Estudos verificaram uma associação positiva entre companhias auditadas por uma Big Four e um maior nível de divulgação voluntária web-based no contexto chinês (XIAO; YANG; CHOW, 2004), francês (BOUBAKER; LAKHAL; NEKHLI, 2011), turco (BOZCUK, 2012), bengali (NURUNNABI; HOSSAIN, 2011), brasileiro ((ANGONESE; SANCHES; BEZERRA, 2014), tunisino (KOLSI, 2012) e egípcio (AHMED et al., 2015). H2 = Existe uma associação positiva entre ser auditada por Big Four e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based. 38 Para a identificação da firma de auditoria, realizou-se uma análise dos pareceres de auditoria para as demonstrações financeiras de 2015. 4.4.3 Custo do capital de terceiros Choi (1973) aponta que, ao reduzir a assimetria informacional, companhias podem obter capital a um custo mais baixo. Corroborando com essa ideia, Healy e Palepu (2001) e Al- Htaybat (2011) argumentam que essa redução ocorre devido a redução do risco (associada a assimetria). Sendo a divulgação voluntária uma das formas de se reduzir a assimetria informacional e, consequentemente, o risco, pela ótica da Teoria da Sinalização, a gestão empresarial pode divulgar as qualidades da sua companhia e, assim, adicionar valor (seja pelo valor de mercado da companhia, seja pela redução do custo do capital). Verrecchia (2001), de maneira mais aprofundada, reflete sobre a relação existente entre o volume de informação divulgada e o custo de capital. Não foram encontrados trabalhos, até onde se sabe, que relacionem o custo do capital de terceiros a extensão da divulgação voluntária web-based. H3 = Existe uma associação positiva entre um menor custo de capital e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based. O custo do capital de terceiros foi calculado conforme a fórmula 2. Entende-se, como Passivo Oneroso, qualquer passivo que gera despesa financeira à companhia. 𝐷𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑎 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑎 (2015) 𝐶𝐶𝑇 = (2) 𝑀é𝑑𝑖𝑎 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑜 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑂𝑛𝑒𝑟𝑜𝑠𝑜 (2014) 𝑒 𝑜 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑂𝑛𝑒𝑟𝑜𝑠𝑜 (2015) 4.4.4 Estrutura de propriedade Não foram identificados estudos que tenham procurado verificar a diferença da extensão das práticas de divulgação voluntária web-based entre companhias privadas e companhias públicas. Acredita-se que companhias públicas, em teoria, estejam sujeitas a maior controle social, pois, além de prestarem serviços de natureza pública, são companhias controladas pelo 39 Estado. Vale destacar que, para fins deste trabalho, entende-se como companhias públicas aquelas que se constituem na forma de sociedade de economia mista, onde o Estado é o acionista majoritário. H4 = Existe uma associação positiva entre ser uma companhia pública e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based. 4.4.5 Regulação É esperado que companhias reguladas possuam uma maior extensão de práticas de divulgação voluntárias a partir do momento que estas companhias, além de procurar atender a necessidade de informação por parte dos seus stakeholders (em geral), também devem atender as solicitações das agências reguladoras. Não foi encontrado, na literatura conhecida, nenhum trabalho que tenha verificado a influência da regulação (no caso, a regulação dos serviços públicos de saneamento básico) na divulgação de informações voluntárias, web-based ou não. H5 = Existe uma associação positiva entre uma companhia ser regulada e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based. Para identificar se uma companhia é regulada ou não, foi realizada uma análise do relatório da ABAR intitulado "Saneamento Básico - Regulação 2015". 4.4.6 Rentabilidade Acredita-se que companhias com maior rentabilidade divulguem mais informações voluntárias. A razão, por trás disto, está embasada pela Teoria da Sinalização. Companhias com maior rentabilidade procuram disseminar informações acerca do maior retorno gerado pela companhia, atraindo capital e reduzindo o risco de ser subavaliada pelo mercado (GROSSMAN; HART, 1980; XIAO; YANG; CHOW, 2004; OJAH; MOKALELI- MOKOTELI, 2012). Companhias mais rentáveis, em contraponto as companhias menos rentáveis, acabam divulgando mais informações voluntárias como um sinal para se destacar das outras, angariando recursos mais facilmente. 40 Apesar de a teoria apontar uma associação, diversos estudos não verificaram uma associação significativa entre a divulgação voluntária web-based e maior rentabilidade (AHMED et al., 2009; OJAH; MOKALELI-MOKOTELI, 2012; JUHMANI, 2013; SHARMA, 2013; ANGONESE; SANCHES; BEZERRA, 2014; FUERTES-CALLÉN; CUELLAR- FERNÁNDEZ; PELAYO-VELÁZQUEZ, 2014). H6 = Existe associação entre maior rentabilidade e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based. A rentabilidade será mensurada pelo Retorno sobre Ativo (ROA). Essa escolha se deu por dois motivos: (I) por ser o indicador de rentabilidade mais utilizado pela literatura sobre divulgação voluntária web-based e; (II) devido algumas companhias da amostra apresentarem, em 2015, prejuízo e patrimônio líquido negativo (como a AGESPISA), o Retorno sobre Patrimônio Líquido (RSPL, mais conhecido como ROE) não representaria adequadamente a sua rentabilidade. Aceitou-se o ROA como indicador mais adequado. 4.4.7 Alavancagem Inicialmente, presumia-se que companhias mais alavancadas possuíam mais incentivos para divulgar informações voluntárias a fim de reduzir os seus custos de agência (KANG; GRAY, 2011). Jensen e Meckling (1976) sugerem que companhias mais alavancadas procuram satisfazer os interesses de informação dos seus credores por meio da divulgação voluntária. No entanto, Cormier, Ledoux e Magnan (2009) verificaram que empresas com maior alavancagem tendem a divulgar menos informações que outras companhias. Companhias com maior alavancagem, ao divulgar mais informações voluntárias, acabariam evidenciando seus riscos. Aerts, Cormier e Magnan (2007) também afirmam que há uma associação negativa entre alavancagem e divulgação voluntária. H7 = Existe associação entre a Alavancagem e a extensão da divulgação voluntária web-based. Destarte, a alavancagem será mensurada de duas maneiras, visto que não há um consenso na literatura: pela razão entre Passivo Total e Ativo Total e pela razão entre Passivo Não Circulante e Ativo Total. 41 4.4.8 Liquidez Para Lan, Wang e Zhang (2013), companhias com maior liquidez atuam, em teoria, em melhores condições. De acordo com a Teoria da Sinalização, companhias com melhor liquidez tendem a divulgar mais informações voluntárias. Neste sentido, Diamond e Verrecchia (1991) afirmam que uma maior extensão do disclosure voluntário está associado a maior liquidez. Entretanto, a Teoria da Agência sugere o contrário, ao se esperar que companhias com menor liquidez divulguem mais informações voluntárias como forma de reduzir a assimetria informacional e justificar a sua baixa liquidez junto aos shareholders e credores. Oyelere, Laswad e Fisher (2003) verificaram uma associação positiva, indo de acordo com a Teoria da Sinalização. Contudo, os estudos de Aly, Simon e Hussainey (2010), Aqel (2014) e Miniaoui e Oyelere (2013) ao procurar analisar a relação entre liquidez e a extensão da divulgação voluntária web-based, não encontraram associação significante. H8 = Existe associação entre liquidez e a extensão da divulgação voluntária web-based. Como proxy de liquidez, será utilizado a Liquidez Corrente, dada pela razão entre Ativo Circulante e Passivo Circulante. 4.5 VARIÁVEIS DE CONTROLE Duas variáveis de controle serão consideradas no modelo: Produto Interno Bruto (PIB) per capita da área atendida pela companhia e uma para identificação da listagem. A variável de controle Produto Interno Bruto per capita foi adicionado ao modelo a fim de captar os efeitos do desenvolvimento econômico na divulgação de informações voluntárias, visto que, em teoria, cidadãos em regiões mais desenvolvidas (considerando-se o PIB per capita como proxy para o desenvolvimento) tendem a cobrar mais transparência de companhias e instituições. A variável de controle para listagem, por sua vez, procura captar os efeitos dos requerimentos emitidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) às companhias listadas na bolsa de valores. Dessa maneira, torna-se mais fácil controlar a heterogeneidade entre as companhias. As companhias de capital fechado, diferente das companhias abertas, não possuem essa série de requerimentos. 42 4.6 PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS E MODELO ECONOMÉTRICO Com o objetivo de unificar um conjunto de técnicas estatísticas como a regressão linear, regressão logística e a regressão de Poisson, dentre muitos outros, Nelder e Wedderburn (1972) formularam uma extensão dos modelos clássicos de regressão que denominariam de modelos lineares generalizados. Os modelos lineares generalizados são, em sua essência, uma flexibilização das regressões conhecidas. Possuindo, como pressuposto, variáveis independentes no modelo e independência dos erros, os modelos lineares generalizados possuem uma variável resposta, variáveis explanatórias e uma função de ligação. A variável resposta (componente aleatório) pode pertencer a família de distribuições intituladas gaussiana (normal), gaussiana inversa, binomial, Poisson, binomial negativa e gama. As variáveis explanatórias constituem o componente sistemático do modelo. A função de ligação, por sua vez, é responsável por relacionar o componente aleatório ao componente sistemático; essa função de ligação pode ser dada por meio da função identidade, log, legit, probit, entre outras (CORDEIRO; DEMÉTRIO, 2013). O MLG utilizado para a análise dos dados considera uma família de distribuição gaussiana (-∞, +∞). A função de ligação foi dada pela identidade por meio da função Xβ = µ. Para se verificar a existência de multicolinearidade, utilizou-se do fator de inflação da variância (VIF) – foi considerado que VIF < 10 indica a não existência de multicolinearidade no modelo analisado (CHEN, 2008). É pressuposto do MLG, além de variáveis independentes no modelo, a independência dos erros. Para verificar essa independência, realizou-se uma análise por meio dos gráficos de dispersão dos resíduos dos modelos (por meio de um Scatter plot). Os dados em cross-section foram analisados nos softwares Stata 13 e IBM SPSS 23. O modelo econométrico utilizado foi estruturado da seguinte maneira: 𝐼𝐷𝑉 = 𝛼 + 𝛽1𝑇𝐴𝑀𝐴𝑁𝐻𝑂 + 𝛽2𝐴𝑈𝐷𝐼𝑇 + 𝛽3𝐶𝐶𝑇 + 𝛽4𝐸𝑆𝑇𝑅𝑈𝑇 + 𝛽5𝑅𝐸𝐺𝑈𝐿 + 𝛽6𝑅𝑂𝐴 + 𝛽7𝐴𝐿𝐴𝑉𝐴𝑁𝐶𝐴𝐺𝐸𝑀 + 𝛽8𝐿𝐼𝑄 + 𝛽9𝑃𝐼𝐵𝑃𝐶 + 𝛽10𝐿𝐼𝑆𝑇 + 𝜇 Onde: α = Intercepto da reta e µ é o termo de erro µ = Termo de erro 43 A variável dependente e as variáveis independentes e de controle estão, respectivamente, operacionalizadas no Quadro 2. Quadro 2 – Variáveis Sinal Variável Proxy Fonte esperado Variável dependente. Métrica Variável IDV elaborada pelo autor (conforme Websites das companhias. dependente Tópico 3.3). Demonstrações financeiras de Ativo Total (ATIVOTOTAL) ou 2015. Com exceção de duas Receita Operacional Total Tamanho companhias, cujas informações + (RECEITATOTAL), em milhares foram obtidas na Série Histórica do de reais. SNIS - Ano Referência: 2015. Variável dummy (AUDIT) que é igual a 1 se a companhia foi auditada por Big Four Parecer de auditoria para as Auditoria + (PricewaterhouseCoopers, KPMG, demonstrações financeiras de 2015. EY ou Deloitte) em 2015 e igual a 0 caso contrário. Custo do capital de terceiros (CCT) calculado pela fórmula Custo do capital Demonstrações financeiras de 2015 Despesa financeira (2015) ÷ - de terceiros e 2014 Passivo Oneroso (2014) + Passivo Oneroso (2015) Variável dummy (ESTRUTURA) Análise da estrutura de capital por Estrutura de que é igual a 0 se a companhia for meio das demonstrações financeiras + propriedade privada e igual a 1 caso seja de 2015 pública Relatório da Associação Brasileira de Agências de Regulação - Variável dummy (REGUL) que é "Saneamento Básico - Regulação Regulação igual a 1 se a companhia for + 2015" e, como complemento, regulada e igual a 0 caso contrário análise aos websites das companhias Retorno sobre Ativo (ROA) Rentabilidade calculado pela fórmula Lucro Demonstrações financeiras de 2015 + Líquido ÷ Ativo Total Alavancagem calculada pela fórmula Passivo Total ÷ Ativo Alavancagem Total (ALAV1) e Passivo Não Demonstrações financeiras de 2015 ± Circulante ÷ Ativo Total (ALAV2) Liquidez Corrente calculada pela Liquidez fórmula Ativo Circulante ÷ Demonstrações financeiras de 2015 ± Passivo Circulante (LIQ) 44 (Continuação) PIB per capita calculado pela fórmula PIB total dos municípios Base de dados do IBGE - Ano 2014 atendidos pela companhia ÷ Variável de PIB per capita e Série Histórica do SNIS - Ano População total dos municípios controle Referência: 2015 atendidos pela companhia (PIBPC), em reais. Variável de controle que é igual a 1 se a companhia esteve listada na Consulta ao site da B3 (à época, Variável de Listagem BM&FBOVESPA em 2015 e BM&FBOVESPA) controle igual a 0 caso contrário (LIST) Fonte: Elaborado pelo autor. Considerando a existência de duas proxies para Tamanho (ATIVOTOTAL e RECEITATOTAL) e Alavancagem (ALAV1 e ALAV2), propõe-se comparar quatro modelos diferentes, a fim de se decidir qual será analisado, conforme apresentado a seguir: Modelo 1 (ATIVOTOTAL e ALAV1) 𝐼𝐷𝑉 = 𝛼 + 𝛽1𝐴𝑇𝐼𝑉𝑂𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 + 𝛽2𝐴𝑈𝐷𝐼𝑇 + 𝛽3𝐶𝐶𝑇 + 𝛽4𝐸𝑆𝑇𝑅𝑈𝑇 + 𝛽5𝑅𝐸𝐺𝑈𝐿 + 𝛽6𝑅𝑂𝐴 + 𝛽7𝐴𝐿𝐴𝑉1 + 𝛽8𝐿𝐼𝑄 + 𝛽9𝑃𝐼𝐵𝑃𝐶 + 𝛽10𝐿𝐼𝑆𝑇 + 𝜇 Modelo 2 (ATIVOTOTAL e ALAV2) 𝐼𝐷𝑉 = 𝛼 + 𝛽1𝐴𝑇𝐼𝑉𝑂𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 + 𝛽2𝐴𝑈𝐷𝐼𝑇 + 𝛽3𝐶𝐶𝑇 + 𝛽4𝐸𝑆𝑇𝑅𝑈𝑇 + 𝛽5𝑅𝐸𝐺𝑈𝐿 + 𝛽6𝑅𝑂𝐴 + 𝛽7𝐴𝐿𝐴𝑉2 + 𝛽8𝐿𝐼𝑄 + 𝛽9𝑃𝐼𝐵𝑃𝐶 + 𝛽10𝐿𝐼𝑆𝑇 + 𝜇 Modelo 3 (RECEITATOTAL e ALAV1) 𝐼𝐷𝑉 = 𝛼 + 𝛽1𝑅𝐸𝐶𝐸𝐼𝑇𝐴𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 + 𝛽2𝐴𝑈𝐷𝐼𝑇 + 𝛽3𝐶𝐶𝑇 + 𝛽4𝐸𝑆𝑇𝑅𝑈𝑇 + 𝛽5𝑅𝐸𝐺𝑈𝐿 + 𝛽6𝑅𝑂𝐴 + 𝛽7𝐴𝐿𝐴𝑉1 + 𝛽8𝐿𝐼𝑄 + 𝛽9𝑃𝐼𝐵𝑃𝐶 + 𝛽10𝐿𝐼𝑆𝑇 + 𝜇 Modelo 4 (RECEITATOTAL e ALAV2) 𝐼𝐷𝑉 = 𝛼 + 𝛽1𝑅𝐸𝐶𝐸𝐼𝑇𝐴𝑇𝑂𝑇𝐴𝐿 + 𝛽2𝐴𝑈𝐷𝐼𝑇 + 𝛽3𝐶𝐶𝑇 + 𝛽4𝐸𝑆𝑇𝑅𝑈𝑇 + 𝛽5𝑅𝐸𝐺𝑈𝐿 + 𝛽6𝑅𝑂𝐴 + 𝛽7𝐴𝐿𝐴𝑉2 + 𝛽8𝐿𝐼𝑄 + 𝛽9𝑃𝐼𝐵𝑃𝐶 + 𝛽10𝐿𝐼𝑆𝑇 + 𝜇 Será selecionado para a análise o modelo que apresentar o menor Critério de Informação de Akaike. O Critério de Informação de Akaike serve como parâmetro para a seleção de um modelo que minimize, ao máximo, a quantidade de informação perdida. Sendo assim, quanto menos informações perdidas, melhor. 45 5 ANÁLISE DOS RESULTADOS 5.1 ANÁLISE DESCRITIVA As informações da checklist foram analisadas em três diferentes categorias: Informações contábeis e financeiras, Governança corporativa, responsabilidade social e recursos humanos e Ferramenta para os usuários. A Tabela 2 apresenta a porcentagem de divulgação para cada item da categoria Informações contábeis e financeiras. Tabela 2 - Percentual de divulgação de informações contábeis e financeiras Item % Balanço Patrimonial do ano corrente 0,00% Balanço Patrimonial dos anos anteriores 70,59% Demonstração do Resultado do Exercício do ano corrente 0,00% Demonstração do Resultado do Exercício dos anos anteriores 70,59% Demonstração dos Fluxos de Caixa do ano corrente 0,00% Demonstração dos Fluxos de Caixa dos anos anteriores 70,59% Notas explicativas às demonstrações do ano corrente 0,00% Notas explicativas às demonstrações dos anos anteriores 70,59% Padrão contábil (GAAP) utilizado para a elaboração das demonstrações do ano corrente 0,00% Padrão contábil (GAAP) utilizado para a elaboração das demonstrações dos anos anteriores 70,59% Parecer de auditoria para as demonstrações do ano anterior (2016) 51,47% Assinatura do responsável pela auditoria (2016) 51,47% Nome da empresa responsável pela auditoria destacada no parecer (2016) 48,53% Cotação da ação diária 25,00% Histórico de dividendos 27,78% Resultado por Ação 91,67% Resumo dos Indicadores financeiros 4,41% Divulgação média na categoria 38,43% Fonte: Elaborado pelo autor. A categoria Informações contábeis e financeiras aborda a divulgação das demonstrações financeiras, do parecer de auditoria e de informações complementares como assinatura e nome da firma responsável pelo parecer, cotação da ação diária e resultados por ação (para companhias listadas), histórico de dividendos (para companhias que pagam dividendos) e resumo dos indicadores financeiros. Nenhuma companhia publicou as demonstrações financeiras para o primeiro trimestre de 2017. Esperava-se, no entanto, uma maior extensão na divulgação dessa informação por parte das companhias listadas. Mais de metade das companhias divulgaram seus pareceres para 46 as demonstrações do ano de 2016, enquanto o percentual de divulgação da cotação da ação diária por parte das listadas foi baixa (25%), em contraponto a uma divulgação elevada do resultado por ação (91,67%). Por fim, nota-se que, das companhias que pagam dividendos ou dividendos em forma de juros sobre capital próprio, 27,78% divulgaram o histórico de dividendos. A divulgação média na categoria é de 38,43%. A Tabela 3 apresenta o percentual de divulgação dos itens da categoria Informações de governança corporativa, responsabilidade social e recursos humanos. Tabela 3 - Percentual de divulgação de informações de governança corporativa, responsabilidade social e recursos humanos Item % Histórico da companhia 94,12% Visão da companhia 64,71% Balanço social do último ano fiscal 8,82% Código de ética 17,65% Política ambiental 73,53% Política energética 2,94% Contrato de concessão 32,35% Regime tarifário 1,47% Estudos tarifários 1,47% Serviços e produtos ofertados 58,82% Qualidade e segurança dos serviços e produtos ofertados 75,00% Organograma da estrutura organizacional 30,88% Estrutura de propriedade 69,12% Doações e patrocínios 10,29% Seção sobre responsabilidade social corporativa/meio ambiente 80,88% Divulgação de informações referente a risco e à gerenciamento de riscos 55,88% Composição do Conselho de Administração 22,06% Currículo vitae dos membros do Conselho de Administração 2,94% Remuneração dos membros do Conselho de Administração 7,35% Atividades paralelas dos membros do Conselho de Administração 2,94% Atas e propostas 17,65% Informações sobre o Comitê de Auditoria 7,35% População atendida pela companhia 23,53% Programas de capacitação dos funcionários 25,00% Quantidade de funcionários 29,41% Informações segmentadas 17,86% Consumo anual de água (pelos clientes) 1,47% Capacidade de armazenagem de água 4,41% Informações sobre a agência reguladora (reguladas) 67,44% Divulgação média na categoria 31,29% Fonte: Elaborado pelo autor. 47 A categoria Informações de governança corporativa, responsabilidade social e recursos humanos é, dentre as três categorias presentes na checklist, a que engloba os aspectos mais diversos. Dentre as informações evidenciadas na Tabela 3, destaca-se a baixa divulgação do balanço social (8,82%), código de ética (17,65%), política energética (2,94%), contrato de concessão (32,35%), regime tarifário e estudos tarifários (1,47%, ambos) e organograma (30,88%). Também foi verificada uma baixa extensão na divulgação de informações sobre o Conselho de Administração - 22,06% sobre a composição do Board, 2,94% do CV, 7,35% da remuneração, e, por fim, 2,94% sobre as atividades paralelas desempenhadas pelos membros. A presença e/ou divulgação de informações sobre o Comitê de Auditoria também se revelou baixa: 7,35%. Informações de cunho operacional também tiveram uma baixa porcentagem de divulgação, como a população atendida pela companhia (23,53%) ou programas de capacitação dos funcionários (25%). 17,86% divulgaram informações segmentadas e, em relação ao consumo anual de água (1,47% e capacidade de armazenagem (4,41%), os valores foram inexpressivos. Entretanto, vale destacar que 67,44% das companhias reguladas divulgaram, em suas plataformas, informações como contato por e-mail ou contato telefônico das agências reguladoras. A divulgação média na categoria foi de 31,29%, possuindo, dentre as três categorias, a média mais baixa de divulgação. A Tabela 4 evidencia o percentual de divulgação dos itens da categoria Ferramenta para os usuários. 48 Tabela 4 - Percentual de divulgação de informações acerca das ferramentas disponibilizadas aos usuários Item % Seção de comunicados à imprensa/Notícias 95,59% Lista dos analistas 16,67% Detalhes dos analistas 16,67% Ratings 50,00% Perguntas mais frequentes (FAQ) 32,50% Calendário de eventos 2,94% Versão em inglês do website 23,53% Dados contábeis e financeiros em formatos processáveis (como XLS) 0,00% Dados contábeis e financeiros em PDF 72,06% Link para o site da bolsa de valores no qual a companhia opera 50,00% Link para o site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 33,33% Seção Relação com Investidores/Demonstrações financeiras 76,47% E-mail para contato 50,00% Contato telefônico 85,29% Ferramenta de busca interna 75,00% Fatos relevantes do ano corrente 58,33% Fatos relevantes dos anos anteriores 66,67% Uso de imagens 100,00% Uso de vídeos 30,88% Uso de áudios 7,35% Informações do webmaster 27,94% Ouvidoria 66,18% Divulgação média na categoria 47,15% Fonte: Elaborado pelo autor. A categoria Ferramenta para os usuários apresenta a maior média de divulgação: 47,15%. Tratando de ferramentas aos usuários e questões relacionadas a estrutura e forma do website, 95,59% das companhias possuem, em seus websites, uma seção específica para comunicados à imprensa. 16,67% das companhias listadas divulgaram lista dos analistas e detalhes relacionados a formação dos mesmos, enquanto 50% publicaram ratings realizados pela Fitch, Standard&Poors e Moody’s. Foi verificado que 32,50% das companhias possuem uma seção para perguntas mais frequentes, acompanhado de uma presença quase nula de calendários de eventos (2,94%). Também se observou que apenas 23,53% das companhias possuem uma versão do website em inglês. Em relação ao formato dos dados contábeis, nenhuma companhia disponibilizou demonstrações financeiras em formato processável (como XLS), optando, quando houve a divulgação, ao formato PDF. 50% das companhias listadas publicaram um link para acesso à 49 B3 e 33,33% à CVM. 76,47% possuem uma seção específica para Relação com Investidores ou para divulgação das demonstrações financeiras. No que concerne informações de contato, 50% divulgaram e-mails e 85,29% contatos telefônicos. 75% possuem ferramenta de busca interna e, em relação as companhias listadas, 58,33% publicaram fatos relevantes do ano corrente, enquanto 66,67% publicaram fatos relevantes dos anos anteriores. 100% das companhias utilizam imagens, 30,88% vídeos e 7,35% áudios, em suas plataformas eletrônicas. Averiguou-se que 27,94% das companhias divulgam informações do webmaster. Por outro lado, 66,18% possuem uma seção específica de ouvidoria. Como já mencionado, a divulgação média na categoria foi de 47,15%. Em relação a variável dependente, é possível verificar, por meio da estimativa de densidade Kernel, uma distribuição unimodal, conforme Figura 3. O pico de densidade mais elevado é de 2,7451, representando um IDV de cerca de 0,40. É possível observar que o IDV se concentra entre 0,20 e 0,60. Figura 3 – Estimativa de densidade Kernel 0 .1 .2 .3 .4 .5 .6 .7 .8 .9 IDV kernel = epanechnikov, largura de banda = 0.0575 Fonte: Elaborado pelo autor. 50 .12565871 Densidade 2.7451401 Como apresentado na Tabela 6, o IDV médio foi de 0,3681, indicando, de maneira geral, uma baixa adesão às práticas de divulgação voluntária web-based. O desvio padrão para o IDV foi de 0,1485, sendo a AGESPISA responsável por apresentar a menor extensão da divulgação voluntária web-based: 0,086. A companhia responsável por apresentar o maior IDV foi a SABESP, com 0,7794. O ranking do IDV encontra-se sintetizado no Quadro 3, do maior para o menor. Quadro 3 - IDV por companhia Companhia IDV Companhia IDV SABESP 0,7794 Águas de Joinville 0,3684 SANEPAR 0,7500 COSAMA 0,3684 COPASA 0,7164 SANESOL 0,3621 SANASA 0,6212 Águas de Andradina 0,3621 CASAN 0,5588 Águas de Paranaguá 0,3571 EMBASA 0,5424 Nascentes do Xingu 0,3571 SANEATINS 0,5373 Águas de Matão 0,3571 CAESB 0,5172 ESAP 0,3509 CORSAN 0,5075 SAEG 0,3333 SANESUL 0,5000 Águas de Castilho 0,3333 CEDAE 0,4925 SANEAGO 0,3284 PROLAGOS 0,4925 CAGEPA 0,3276 CAGECE 0,4853 CAERD 0,3158 COMPESA 0,4828 OA Porto Ferreira 0,2807 CODEN 0,4737 Tubarão Saneamento 0,2807 OA Araguaia 0,4737 DAE 0,2632 CESAN 0,4655 EMASA 0,2500 DESO 0,4561 FABZO 0,2321 Águas Guariroba 0,4545 Águas das Agulhas Negras 0,2143 OA Cachoeiro 0,4483 Águas de Pará de Minas 0,2143 Manaus Ambiental 0,4386 Águas de Itapema 0,2105 CAERN 0,4310 Águas de Jahu 0,2105 OA Limeira 0,4310 CAEMA 0,1930 OA Uruguaiana 0,4211 Águas de Votorantim 0,1930 SAMAR 0,4211 Águas de Araçoiaba 0,1786 OA Sumaré 0,4211 Águas do Imperador 0,1754 OA Blumenau 0,4035 Águas de Niterói 0,1754 OA Santa Gertrudes 0,4035 Águas do Paraíba 0,1754 CASAL 0,3966 COSANPA 0,1754 OA Mauá 0,3860 Águas de Juturnaíba 0,1695 Águas de São Francisco do Sul 0,3860 Águas de São José 0,1607 Águas de Sinop 0,3750 Saneaqua 0,1552 CAB Cuiabá 0,3684 CAESA 0,1053 CAER 0,3684 AGESPISA 0,0862 Fonte: Elaborado pelo autor. 51 A normalidade do IDV pode ser constatada nos resultados apresentados pelos testes de Kolmogorov-Smirnov e de Shapiro-Wilk. Considerando um nível de significância de 5% e que a hipótese nula de ambos os testes é a normalidade da distribuição, não se rejeita as hipóteses nulas. Tabela 5 - Testes de normalidade Testes de p-valor Hipóteses Interpretação Resultado normalidade H0: Os dados seguem uma distribuição p-valor > α, não Kolmogorov- 0,200 normal. H1: Os dados não seguem se rejeita a Normalidade Smirnov uma distribuição normal hipótese nula. H0: Os dados seguem uma distribuição p-valor > α, não Shapiro-Wilk 0,054 normal. H1: Os dados não seguem se rejeita a Normalidade uma distribuição normal hipótese nula Fonte: Elaborado pelo autor. Não foram identificados outliers, após uma análise de boxplot com os valores que compõem a variável IDV, como é possível constatar na Figura 4. Figura 4 - Boxplot (IDV) Fonte: Elaborado pelo autor. A Tabela 6 apresenta a estatística descritiva das variáveis dependente (IDV), independentes (ATIVOTOTAL, RECEITATOTAL, AUDIT, CCT, ESTRUT, REGUL, ROA, ALAV1, ALAV2 e LIQ) e de controle (PIBPC e LIST), informando média, desvio padrão, valor mínimo e valor máximo. 52 Tabela 6 - Estatística descritiva das variáveis independentes e de controle Desvio Variável Observações Média Mínimo Máximo padrão IDV 68 .3680522 .1485413 .0862069 .7794118 ATIVOTOTAL 68 1748725 4679919 3039 3.37e+07 RECEITATOTAL 68 585014.5 1342292 2393 8946825 AUDIT 68 .5147059 .5034996 0 1 CCT 68 .1412974 .0643847 .0079352 .3128752 ESTRUT 68 .4411765 .5002194 0 1 REGUL 68 .6323529 .4857495 0 1 ROA 68 -.0180291 .1282796 -.4795089 .1942467 ALAV1 68 .7578363 .5055141 .1282269 2.802.236 ALAV2 68 .4383397 .3196421 .0047445 1.599.599 LIQ 68 132.951 1.451.548 .0846097 910.223 PIBPC 68 33158.21 19561.13 8.614.573 120693.9 LIST 68 .1764706 .3840544 0 1 Fonte: Elaborado pelo autor. Observou-se um Ativo Total médio de 1.748.725, sendo a Águas de São José responsável por apresentar o menor Ativo Total, de 3.309, enquanto a SABESP, o maior, de 33.706.714. A Receita Operacional Total média foi 4.679.919, sendo novamente a Águas de São José responsável pelo menor valor, 2.393, e a SABESP pelo maior valor, 8.946.825. No que tange a firma responsável pela auditoria das demonstrações financeiras de 2015, 51,47% das companhias foram auditadas por Big Four. Com relação a estrutura de propriedade, 38 companhias da amostra são públicas, enquanto 30 são privadas. No que concerne o CCT, foi verificado um custo de capital de terceiros médio de 14,13%, sendo a CAERD responsável por apresentar o menor custo, de 0,01%, e a CAGECE o maior, de 31,29% – o alto custo da CAGECE, para o ano de 2015, advém de empréstimos em moeda estrangeira que incorreram em variações cambiais negativas decorrentes da alta do dólar. A liquidez média é de 1,329, sendo a menor liquidez apresentada pela Águas de Paranaguá, de 0,085, e a maior apresentada pela Águas de São Francisco do Sul, de 9,102. A rentabilidade média das companhias da amostra foi de -1,8%, onde a Águas de Jahu apresentou o menor ROA, de -47,95%, e a CAERD o maior, 19,42%. Em relação ao ALAV1, a média foi de 0,758, sendo o menor apresentado pela CODEN (0,1282) e o maior apresentado pela CASAL (2,802); para o ALAV2, a média foi de 0,4383. Entretanto, o menor foi apresentado pela ESAP (0,005) e, o maior, novamente pela CASAL (1,599). 53 Para as variáveis de controle, a estatística descritiva evidencia que apenas 17,65% das companhias de saneamento básico da amostra estavam listadas, em 2015, na BM&FBOVESPA (atual B3, antes da fusão entre a BM&FBOVESPA e CETIP). Em relação PIB per capita, o PIBPC médio foi de 33.158,21, sendo o menor valor apresentado pela COSAMA (8.614,57) e o maior apresentado pela Águas do Paraíba (120.693,92), demonstrando uma clara diferença entre a riqueza de cada região atendida. 5.2 ANÁLISE ECONOMÉTRICA 5.2.1 Validação e escolha do modelo econométrico Conforme já mencionado, a existência de duas proxies para Tamanho e Alavancagem tornou necessário escolher o melhor modelo dentre os quatro propostos. Considerando como critério de seleção (dentre os quatro modelos propostos), o Critério de Informação de Akaike. Contudo, antes de decidir qual será utilizado na análise, é necessário verificar o atendimento aos pressupostos do MLG. Apesar de não ser um pressuposto a adequabilidade do MLG, viu-se importante realizar uma análise do fator de variância, a fim de verificar a existência de multicolinearidade nos modelos propostos. Apesar da flexibilização dos modelos lineares generalizados em comparação a um modelo linear geral, é necessário atender ao pressuposto de independência entre os erros. Para isso, realizou-se uma análise dos resíduos para os quatro modelos, por meio de um gráfico de dispersão (para cada um), sendo o eixo X o resíduo e o eixo Y o número da observação. Sendo assim, não foi verificada nenhuma variável que tenha apresentado um VIF > 10, indicando que não existe multicolinearidade em nenhum dos quatro modelos propostos, conforme Tabela 7. 54 Tabela 7 - VIF Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3 Modelo 4 Variável VIF Variável VIF Variável VIF Variável VIF ATIVOTOTAL 1.72 ESTRUT 1.79 RECEITATOTAL 1.99 RECEITATOTAL 1.97 ESTRUT 1.72 ATIVOTOTAL 1.71 ESTRUT 1.81 ESTRUT 1.88 LIST 1.57 LIST 1.60 LIST 1.69 LIST 1.72 AUDIT 1.51 AUDIT 1.51 AUDIT 1.51 AUDIT 1.51 ALAV1 1.25 LIQ 1.27 ALAV1 1.25 LIQ 1.27 PIBPC 1.24 PIBPC 1.25 PIBPC 1.25 PIBPC 1.26 LIQ 1.23 ALAV2 1.23 LIQ 1.23 ALAV2 1.23 REGUL 1.18 REGUL 1.19 REGUL 1.18 REGUL 1.19 ROA 1.17 CCT 1.15 ROA 1.17 CCT 1.15 CCT 1.14 ROA 1.10 CCT 1.14 ROA 1.11 VIF médio 1.37 VIF médio 1.38 VIF médio 1.42 VIF médio 1.43 Fonte: Elaborado pelo autor. Visto que não há um padrão na dispersão, como evidenciado na Figura 5, o pressuposto de independência entre os erros foi atendido para os quatro modelos. Figura 5 – Gráficos de dispersão dos erros para os modelos propostos Fonte: Elaborado pelo autor. 55 Dessa maneira, considerando que os quatro modelos propostos foram validados, será selecionado o modelo que apresentar a menor perda de informação, baseando-se no Critério de Informação de Akaike, fundamentado na Teoria da Informação. A Tabela 8 apresenta o Critério de Informação de Akaike para os quatro modelos. O modelo que apresentou o menor valor foi o Modelo 4 (RECEITATOTAL e ALAV2). Logo, será o modelo analisado neste trabalho. Tabela 8 - Critério de Informação de Akaike dos modelos propostos Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3 Modelo 4 Critério de Informação de -1,733162 -1,734493 -1,743878 -1,745591 Akaike Fonte: Elaborado pelo autor. 5.2.2 Determinantes da divulgação voluntária web-based Na Tabela 9 é apresentado o resultado da regressão por meio do MLG proposto para o modelo selecionado, considerando uma família de distribuição gaussiana, visto a normalidade da variável dependente, e uma função de ligação dada pela identidade, considerada a função de ligação padrão para distribuições gaussianas. Tabela 9 - MLG Erro padrão da [Intervalo de confiança de IDV Coeficiente z P>z MIO 95%] RECEITATOTAL 2.18e-08 1.20e-08 1.81 0.070*** -1.74e-09 4.53e-08 AUDIT .1302811 .02804 4.65 0.000* .0753237 .1852385 CCT .1741119 .1908888 0.91 0.362 -.2000232 .548247 ESTRUT .089087 .0314853 2.83 0.005* .0273769 .1507971 REGUL .0515302 .0257969 2.00 0.046** .0009692 .1020913 ROA .0517693 .0940453 0.55 0.582 -.1325561 .2360947 - ALAV2 -.0185073 .0397773 0.47 0.642 -.0964693 .0594547 LIQ .0039583 .0089161 0.44 0.657 -.0135169 .0214335 - PIBPC -3.54e-07 6.57e-07 0.54 0.590 -1.64e-06 9.35e-07 LIST .1105892 .0391575 2.82 0.005* .0338419 .1873365 _cons .1877531 .0507 3.70 0.000 .088383 .2871233 Legenda: *significante a 1%; **significante a 5%; ***significante a 10%. Fonte: Elaborado pelo autor. As variáveis AUDIT, ESTRUT e LIST são significantes a 1%, a variável REGUL a 5% e a variável RECEITATOTAL a 10%, apresentando um p-valor < 0,01, 0,05 e 0,10, 56 respectivamente. Todavia, as variáveis CCT, ROA, ALAV2, LIQ e PIBPC não foram estatisticamente significantes. No que se diz respeito a tamanho, rejeita-se a hipótese nula da H1 = Existe uma associação positiva entre maior tamanho e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based, uma vez que a variável RECEITATOTAL apresentou-se significante a 10%. Foi verificado que, quanto maior o tamanho, maior a extensão das práticas de divulgação voluntária web-based. Considerando que a Teoria da Agência postula que empresas maiores possuem maiores custos de agência (devido a maior distância entre o ente que reporta e o usuário da informação), este resultado sugere que companhias divulgam mais informações voluntárias na tentativa de reduzir estes custos. Já da perspectiva da Teoria dos Custos Políticos, companhias maiores atraem uma maior atenção por parte do mercado (GAJESWKY; LI, 2015). Esta pressão pode ser dada por lobbies; dentre estes lobbies, há aqueles que pressionam pela distribuição das riquezas geradas pelas companhias mais rentáveis ou àquelas que exercem maior influência sobre uma comunidade. Essa maior visibilidade atrai custos e, sugere-se que, como forma de se evitar problemas relacionados a visibilidade, as companhias de saneamento mais influentes procuram atuar de maneira mais transparente. Entretanto, salienta-se que não foram identificados trabalhos que tenham utilizado Receita Operacional Total como proxy para Tamanho. Conforme já reportado, diversas companhias da amostra não realizaram a reavaliação dos ativos, dentro do prazo estipulado pela legislação. Acredita-se que a Receita Operacional Total represente, de maneira mais fidedigna que o Ativo Total, o tamanho de uma companhia. Em relação a auditoria, rejeita-se a hipótese nula da H2 = Existe uma associação positiva entre ser auditada por Big Four e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based, visto que a variável AUDIT foi significante a 1%. Dessa maneira, companhias de saneamento básico auditadas por Big Four divulgaram mais informações voluntárias na Internet do que as auditadas por outras firmas. Este resultado corrobora os resultados apresentados por Xiao, Yang e Chow (2004), Boubaker, Lakhal e Nekhli (2011), Bozcuk (2012), Nurunnabi e Hossain (2011), Angonese, Sanches e Bezerra (2014), Kolsi (2012) e Ahmed et al. (2015). Sugerindo que a auditoria alivia conflitos de interesse, a Teoria da Agência ressalta o seu papel na redução da assimetria. Sabe-se também que as grandes companhias de auditoria demandam, às auditadas, uma maior quantidade de informações, de melhor quantidade. Por 57 terem suas marcas geralmente associadas à uma melhor gestão, as Big Four procuram, ao máximo, atender os anseios do mercado. A Internet é uma dessas formas. O trabalho de Xiao, Yang e Chow (2004) destaca que as Big Four difundiram, no início da ascensão das plataformas corporativas eletrônicas, a necessidade de se divulgar informações por este meio. No que diz respeito ao CCT, não se rejeita a hipótese nula da H3 = Existe uma associação positiva entre um menor custo de capital e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based, já que a variável CCT não foi estatisticamente significante, apesar de Choi (1973) sugerir que, ao se reduzir a assimetria informacional, é possível obter capital a um custo mais baixo. Considerando que a divulgação é uma das formas de se reduzir a assimetria informacional, os resultados encontrados não corroboram com essa ideia. Por outro lado, companhias com menor custo de capital poderiam vir a divulgar menos informações voluntárias a fim de evitar mostrar riscos e, assim, terem maiores custos. Entretanto, essa hipótese também não pode ser comprovada, haja vista que não foi verificada associação alguma. No tocante a estrutura, rejeita-se a hipótese nula da H4 = Existe uma associação positiva entre ser uma companhia pública e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based, posto que a variável ESTRUT foi significante a 1%. Sugere-se que as companhias públicas, além de estarem sujeitas ao controle social por prestarem serviços de natureza pública, também são sujeitas a maior controle social por serem geridas pelo Estado. Quanto aos impactos regulação na extensão das práticas de divulgação voluntária web- based, rejeita-se a hipótese nula da H5 = Existe uma associação positiva entre uma companhia ser regulada e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based, a partir do momento que a variável REGUL foi significante a 5%. Sugere-se que companhias reguladas, diferente de companhias não reguladas, possuem maiores incentivos para divulgar informações voluntárias, a fim de reduzir custos de agência. Em relação à rentabilidade, não se rejeita a hipótese nula da H6 = Existe associação entre maior rentabilidade e ter uma maior extensão da divulgação voluntária web-based. A variável ROA não apresentou significância estatística. Apesar da teoria apontar que há uma associação entre maior ROA e maior divulgação voluntária web-based, os resultados desta pesquisa não se apresentaram de acordo. Entretanto, ressalta-se que não é um resultado inesperado, por mais que seja antagônico à luz da Teoria da Sinalização, visto que o resultado apresentado vai de acordo com o apresentado por muitos autores que também não verificaram nenhuma associação significativa 58 entre divulgação voluntária web-based e maior rentabilidade, como os trabalhos de Ahmed et al. (2009), Ojak e Mokaleli-Mokoteli (2012), Juhmani (2013), Sharma (2013), Angonese, Sanches e Bezerra (2014) e Fuertes-Callén, Cuellar-Fernández e Pelayo-Velázquez (2014). Também não foi verificada nenhuma associação entre alanvacagem e maior divulgação, não se rejeitando a hipótese nula da H7 = Existe associação entre a Alavancagem e a extensão da divulgação voluntária web-based, visto que a variável ALAV2 não foi estatisticamente significante, apesar de Kang e Gray (2011) argumentarem que companhias mais alavancadas possuem mais incentivos para divulgar informações voluntárias e Cormier, Ledous e Magnan (2009) apresentarem o oposto. No que concerne a liquidez, não se rejeita a hipótese nula da H8 = Existe associação entre liquidez e a extensão da divulgação voluntária web-based, visto que LIQ não foi estatisticamente significante. Apresentando a mesma situação da rentabilidade de não haver consenso na literatura sobre ter uma relação positiva ou negativa com a divulgação voluntária, neste trabalho, não foi verificada nenhuma associação. Este resultado vai de encontro com o resultado apresentado por Aly, Simon e Hussainey (2010), Aqel (2014) e Miniaoui e Oyelere (2013). Dentre as duas variáveis de controle, LIST se apresentou significante a 1%, evidenciando que companhias listadas divulgam mais informações voluntárias do que companhias que não são listadas. Este resultado pode estar ligado aos incentivos e mecanismos de governança que as companhias listadas possuem, diferente das companhias que não são listadas. Esses incentivos podem ser dados pela CVM ou pela própria B3, que incentiva elevadas práticas de governança. Dentre elas, acredita-se que uma boa presença digital seja, ao menos, sugerida. Apesar de não haver, até onde se sabe, nenhuma obrigatoriedade. Por outro lado, o PIBPC não captou nenhuma associação entre desenvolvimento econômico (riqueza) da região atendida e maior divulgação voluntária web-based, apesar de se ter sugerido que pessoas em regiões mais ricas (pressupondo que possuem um melhor grau de instrução) tendem a exercer maior controle social, que consequentemente acarretaria em melhores práticas de divulgação voluntária web-based. Têm-se no Quadro 4 uma síntese quanto aos resultados esperados e os resultados observados das hipóteses testadas: 59 Quadro 4 - Sinais esperados e observados Hipóteses Sinal esperado Sinal observado H1 + + H2 + + H3 - Não significante H4 + + H5 + + H6 + Não significante H7 ± Não significante H8 ± Não significante Fonte: Elaborado pelo autor. Sendo assim, rejeitou-se as hipóteses nulas das hipóteses H1, H2, H4 e H5, enquanto não se rejeitou as hipóteses nulas das hipóteses H3, H6, H7 e H8. Isso significa que, por meio da análise de regressão, verificou-se que empresas maiores, auditadas por Big Four, públicas ou reguladas tendem a divulgar mais informações voluntárias na Internet. Por outro lado, não foi verificada nenhuma associação entre maior divulgação voluntária web-based e custo do capital de terceiros, rentabilidade, alavancagem ou liquidez. 60 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo procurou averiguar, inicialmente, a extensão das práticas de divulgação voluntária web-based por parte das companhias brasileiras de saneamento básico. Logo após, procurou verificar quais foram os fatores determinantes que explicam essa divulgação. Oito hipóteses foram testadas, procurando verificar a associação do IDV com Tamanho, Firma de auditoria, Custo do capital de terceiros, Estrutura de propriedade, Regulação, Rentabilidade, Alavancagem e Liquidez. Por meio do IDV foi possível identificar que a média de divulgação dos itens presentes na checklist foi de 36,81%, indicando que ainda há lacunas a serem preenchidas a fim de se alcançar melhores práticas de governança eletrônica. A SABESP destaca-se, nesse cenário, positivamente, ao divulgar 77,94% dos itens de divulgação ao qual ela está suscetível. A AGESPISA, antagonicamente, divulgou apenas 8,62%. Porém, há de se ressaltar que todas as companhias possuem websites. O poder de divulgação dos websites tem sido, entretanto, subestimado. Após a proposição de quatro modelos econométricos com o objetivo de se testar as hipóteses de maneira inferencial, foi necessário validá-los para, logo após, se selecionar o modelo que apresentou a menor perda de informação, por meio do Critério de Informação de Akaike. Tendo sido selecionado o Modelo 4, partiu-se para a análise dos resultados do MLG. Em relação as hipóteses formuladas, quatro das oito hipóteses nulas foram rejeitadas. Foram rejeitadas as hipóteses nulas das H1, H2, H4 e H5, verificando-se uma associação entre IDV e Tamanho (RECEITATOTAL), Firma de auditoria (AUDIT), Estrutura de propriedade (ESTRUT) e Regulação (REGUL). Contudo, não foram rejeitadas as hipóteses nulas das H3, H6, H7 e H8, visto que CCT, ROA e ALAV2 e LIQ não foram estatisticamente significantes. Salienta-se, como limitações deste estudo, a constante mutabilidade do conteúdo e da estrutura dos websites das companhias analisadas, o que acarretaria, instantaneamente, em mudanças no IDV. A outra limitação relaciona-se à época da coleta, visto que nenhuma companhia havia publicado suas demonstrações financeiras para o 1º trimestre de 2017 no website, tendo a SABESP feito a publicação, por exemplo, em 25 de maio de 2017. Sugere-se, para futuros estudos, o emprego de outros métodos estatísticos e a adição de outras variáveis que possam vir a explicar a divulgação voluntária web-based e que não tenham sido utilizadas neste trabalho. 61 REFERÊNCIAS AERTS, Walter; CORMIER, Denis; MAGNAN, Michel. The Association Between Web- Based Corporate Performance Disclosure and Financial Analyst Behaviour Under Different Governance Regimes. Corporate Governance: An International Review, [s.l.], v. 15, n. 6, p.1301-1329, 12 dez. 2007. Wiley-Blackwell. http://dx.doi.org/10.1111/j.1467- 8683.2007.00648.x. AHMAD, Raja Adzrin Raja et al. Transparency and clarity of water accounting reporting. Journal Of The Asia Pacific Centre For Environmental Accountability, [s.i], v. 16, n. 4, p.4-19, dez. 2010. Disponível em: . Acesso em: 05 maio 2017. AHMED, Ahmed H. et al. The value relevance of corporate internet reporting: The case of Egypt. Advances In Accounting, [s.l.], v. 31, n. 2, p.188-196, dez. 2015. 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Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.jaccpubpol.2004.04.002. 68 APÊNDICE A – Companhias da amostra e websites analisados Companhia Website Águas das Agulhas Negras http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-agulhasnegras/ Águas de Andradina http://www.aguasdeandradina.com.br/ Águas de Araçoiaba http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-aracoiaba/ Águas de Jahu http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-jahu/ Águas de Matão http://www.aguasdematao.com.br/ Águas de Niterói http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-niteroi/ Águas de Pará de Minas http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-parademinas/ Águas de São Francisco do Sul http://www.aguasdesaofranciscodosul.com.br/ Águas de São José http://www.nascentesdoxingu.com.br/portfolio/aguas-de-sao-jose/ Águas de Sinop http://www.nascentesdoxingu.com.br/portfolio/aguas-de-sinop/ Águas de Votorantim http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-votorantim/ Águas do Imperador http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-imperador/ Águas do Paraíba http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-paraiba/ AGESPISA http://www.agespisa.com.br/ Águas Guariroba http://www.aguasguariroba.com.br/ Águas de Paranaguá http://www.cabaguasdeparanagua.com.br/ CAB Cuiabá http://www.cabambiental.com.br/cab-cuiaba CODEN http://www.coden.com.br/ Águas de Itapema http://www.aguasdeitapema.com.br/ Águas de Joinville http://www.aguasdejoinville.com.br/ CASAN http://www.casan.com.br/ CAESA http://www.caesa.ap.gov.br/ CAGECE https://www.cagece.com.br/ CAGEPA http://www.cagepa.pb.gov.br/ CAERD http://www.caerd-ro.com.br/ CAER http://www.caer.com.br/ CAERN http://www.caern.rn.gov.br/ CAESB https://www.caesb.df.gov.br/ CAEMA http://www.caema.ma.gov.br SABESP http://site.sabesp.com.br/site/Default.aspx CASAL http://casal.al.gov.br/ COPASA http://www.copasa.com.br/wps/portal/internet DESO https://www.deso-se.com.br COSAMA http://www.cosama.am.gov.br/ COSANPA http://www.cosanpa.pa.gov.br/ SANEPAR http://site.sanepar.com.br/ SANEATINS http://www.odebrechtambiental.com/tocantins/ SAEG http://www.saeg.net.br/ CESAN https://www.cesan.com.br/ CEDAE http://www.cedae.com.br/ 69 COMPESA http://servicos.compesa.com.br/ CORSAN http://www.corsan.com.br/inicial Águas de Juturnaíba http://www.grupoaguasdobrasil.com.br/aguas-juturnaiba/ DAE https://www.daejundiai.com.br/servicos/ Águas de Castilho http://www.aguasdecastilho.com.br/pages/v/aguas_castilho EMBASA http://www.embasa.ba.gov.br/ SANESUL http://www.sanesul.ms.gov.br/ ESAP http://www.esapsa.com.br/ EMASA http://www.emasaitabuna.com.br/ FABZO http://www.fozaguas5.com.br/ Manaus Ambiental http://www.manausambiental.com.br/ Nascentes do Xingu http://www.nascentesdoxingu.com.br/ OA Araguaia http://www.odebrechtambiental.com/para OA Blumenau http://www.odebrechtambiental.com/blumenau/ OA Cachoeiro http://www.odebrechtambiental.com/cachoeiro-de-itapemirim/ OA Limeira http://www.odebrechtambiental.com/limeira/ OA Santa Gertrudes http://www.odebrechtambiental.com/santa-gertrudes/ OA Sumaré http://www.odebrechtambiental.com/sumare/ OA Porto Ferreira http://www.odebrechtambiental.com/porto-ferreira/ OA Mauá http://www.odebrechtambiental.com/maua/ OA Uruguaiana http://www.odebrechtambiental.com/uruguaiana/ PROLAGOS http://www.prolagos.com.br/ SANEAGO http://www.saneago.com.br SANESOL http://www.sanessol.com.br/ Saneaqua http://www.saneaqua.com.br/ SANASA http://www.sanasa.com.br SAMAR http://samar.eco.br/ Tubarão Saneamento http://www.tubaraosaneamento.com.br/ 70 APÊNDICE B – Dados da pesquisa Companhia Obs IDV ATIVOTOTAL RECEITATOTAL LIST AUDIT CCT ESTRUT REGUL LIQ ROA ALAV1 ALAV2 PIBPC Águas Guariroba 1 0,4545 939171,00 467460,00 1 1 0,1244 0 1 0,9543 0,1142 0,7852 0,6466 28.349,62 AGESPISA 2 0,0862 1135276,67 433661,38 0 0 0,0801 1 1 0,1878 -0,1204 1,3211 0,0537 12.508,24 CAB Cuiabá 3 0,3684 473044,00 181918,00 0 1 0,1426 0 1 1,0478 -0,0549 1,0058 0,8938 35.666,92 Águas de Paranaguá 4 0,3571 193864,00 55062,00 0 1 0,1299 0 0 0,0846 -0,0224 0,8576 0,1005 42.192,81 CAEMA 5 0,1930 1763350,00 371469,00 0 0 0,0833 1 0 0,5838 -0,0072 0,6334 0,0849 12.287,29 CAER 6 0,3684 85837,00 63822,00 0 0 0,1820 1 0 0,1286 -0,3988 2,4336 0,4795 19.608,40 CAERD 7 0,3158 299555,45 142195,86 0 0 0,0079 1 0 0,1924 0,1942 2,7051 1,4026 19.751,18 CAERN 8 0,4310 1080925,14 528885,38 0 0 0,1868 1 1 2,3439 -0,0063 0,3573 0,2857 16.130,92 CAESA 9 0,1053 161416,28 50053,90 0 0 0,0785 1 0 0,1196 -0,2160 1,9834 0,9072 17.845,35 CAESB 10 0,5172 2717378,79 1671138,20 0 1 0,1827 1 1 0,9859 0,0037 0,5570 0,3666 69.216,80 CAGECE 11 0,4853 3649882,00 919535,00 1 1 0,3129 1 1 0,6776 -0,0353 0,3852 0,3012 15.188,31 CAGEPA 12 0,3276 1238741,00 644234,00 0 0 0,1734 1 1 1,0570 -0,0244 0,4722 0,1857 13.653,68 Águas do Imperador 13 0,1754 104948,00 90926,00 0 0 0,1942 0 0 2,0763 0,0762 0,5947 0,4417 38.139,11 Águas de Juturnaíba 14 0,1695 105832,00 69834,00 0 0 0,1351 0 1 1,6765 0,0697 0,6344 0,4659 19.329,01 Águas de Joinville 15 0,3684 471000,79 173914,85 0 0 0,1485 1 1 3,7790 0,0265 0,2756 0,2274 44.303,65 Águas de Niterói 16 0,1754 363400,00 333211,00 0 0 0,1401 0 0 1,5218 0,0768 0,6128 0,4174 49.493,56 Águas do Paraíba 17 0,1754 254652,00 156382,00 0 0 0,1537 0 0 2,4307 0,0635 0,5459 0,4069 120.693,92 CASAL 18 0,3966 311752,09 329620,47 0 0 0,1741 1 1 0,2052 -0,0756 2,8022 1,5996 12.341,91 CASAN 19 0,5588 2668241,00 901485,00 1 0 0,1523 1 1 1,7157 0,0041 0,5207 0,4344 31.683,71 CEDAE 20 0,4925 13311298,00 4475447,00 1 1 0,0963 1 0 1,1234 0,0187 0,5723 0,4809 37.425,45 CESAN 21 0,4655 2541675,00 708567,00 0 0 0,1032 1 1 1,2683 0,0257 0,1886 0,1274 33.000,60 CODEN 22 0,4737 31582,64 18264,34 0 0 0,2120 1 1 2,0578 0,0384 0,1282 0,0334 44.279,48 COMPESA 23 0,4828 5546941,00 1372264,00 0 1 0,2300 1 1 1,9078 0,0205 0,2490 0,1826 17.029,42 COPASA 24 0,7164 10938168,00 3464926,00 1 1 0,1190 1 1 1,3723 -0,0011 0,4837 0,3851 24.290,00 71 CORSAN 25 0,5075 3913118,00 2105010,00 1 0 0,1548 1 1 0,7586 0,0419 0,5718 0,4080 30.327,47 COSANPA 26 0,1754 1557194,21 204972,67 0 0 0,2193 1 0 0,4520 -0,1485 0,4408 0,3116 14.130,13 DAE 27 0,2632 307466,00 209847,00 0 1 0,1364 1 1 1,6065 -0,0066 0,1926 0,0918 91.312,64 DESO 28 0,4561 1455142,02 444053,99 0 0 0,2091 1 0 0,6199 0,0003 0,1727 0,0632 16.744,10 EMASA 29 0,2500 87906,00 45098,59 0 0 0,0534 1 0 3,3539 0,0594 0,7560 0,5566 16.753,23 EMBASA 30 0,5424 7464021,00 2240556,00 0 1 0,1894 1 1 1,3241 0,0079 0,3055 0,2334 15.295,24 OA Limeira 31 0,4310 128947,00 110359,00 0 1 0,0356 0 1 0,6671 0,0518 0,8471 0,5072 38.287,19 OA Cachoeiro 32 0,4483 190574,00 85665,00 0 1 0,0918 0 1 0,4354 0,0618 0,7348 0,5487 23.816,26 Manaus Ambiental 33 0,4386 856514,00 390917,00 0 1 0,1507 0 1 1,4216 0,0364 0,3894 0,2065 33.446,76 PROLAGOS 34 0,4925 684371,00 228631,00 1 1 0,1281 0 1 0,7440 0,0722 0,5466 0,3428 63.765,05 SABESP 35 0,7794 33706614,00 8946825,00 1 1 0,0719 1 1 0,9225 0,0159 0,5931 0,4821 44.225,78 SANASA 36 0,6212 1110005,00 684507,00 1 0 0,1955 1 1 0,4315 -0,0691 0,6982 0,4170 49.950,16 SANEAGO 37 0,3284 4473645,00 1596657,00 1 0 0,2571 1 1 0,6492 -0,0526 0,4778 0,3347 24.470,76 SANEATINS 38 0,5373 1028869,00 354736,00 1 1 0,1717 0 1 1,0880 -0,0198 0,9633 0,8294 18.457,25 SANEPAR 39 0,7500 8244675,00 3183352,00 1 1 0,0956 1 1 0,9958 0,0532 0,4930 0,4030 31.665,15 SANESUL 40 0,5000 747906,00 405343,00 0 0 0,0679 1 1 1,1187 0,0693 0,2901 0,1627 30.763,06 COSAMA 41 0,3684 28741,78 27313,21 0 0 0,0600 1 0 1,2365 -0,2330 0,4195 0,0081 8.614,57 OA Mauá 42 0,3860 298114,00 54337,00 0 1 0,1165 0 1 1,2545 -0,0123 0,8551 0,7734 25.245,34 Águas de Itapema 43 0,2105 92465,00 35489,00 0 0 0,1749 0 1 0,3665 0,1053 0,8912 0,6842 24.790,90 SANESOL 44 0,3621 35753,00 18284,00 0 1 0,1270 0 1 0,2578 0,0165 0,8914 0,3981 26.892,88 Águas das Agulhas 45 0,2143 71146,00 36489,00 0 0 0,1083 0 0 0,3922 -0,0079 0,5894 0,3696 62.389,93 Negras SAEG 46 0,3333 15731,76 36392,03 0 0 0,0575 1 1 0,8866 -0,4186 0,7185 0,0740 37.774,87 ESAP 47 0,3509 8220,00 3722,00 0 1 0,2006 0 0 0,3122 0,0540 0,6279 0,0047 22.763,77 Águas de Araçoiaba 48 0,1786 16655,00 7664,00 0 0 0,1902 0 0 0,8811 -0,1430 0,5235 0,3771 16.570,95 Águas de São José 49 0,1607 3039,00 2393,00 0 0 0,1575 0 0 0,4975 0,1379 0,6321 0,0369 29.627,02 Águas de Andradina 50 0,3621 32993,00 16300,00 0 1 0,0927 0 1 1,0926 0,0730 0,5553 0,4228 37.273,42 Saneaqua 51 0,1552 15905,00 11314,00 0 1 0,0401 0 1 1,5507 0,0509 0,7989 0,6538 33.682,03 Águas de Castilho 52 0,3333 7778,00 4416,00 0 1 0,1304 0 0 1,0785 0,1003 0,5792 0,4433 23.220,11 72 OA Uruguaiana 53 0,4211 141230,00 36845,00 0 1 0,0284 0 0 1,0101 0,0282 0,7560 0,6724 17.713,76 OA Blumenau 54 0,4035 221485,00 20404,00 0 1 0,0937 0 1 4,3557 -0,0364 0,6508 0,6213 50.200,62 OA Santa Gertrudes 55 0,4035 11377,00 5456,00 0 1 0,1972 0 1 3,7526 -0,0383 0,9038 0,8615 64.130,83 OA Porto Ferreira 56 0,2807 40742,00 17150,00 0 1 0,0821 0 1 1,2014 -0,0144 0,9556 0,8353 30.608,02 FABZO 57 0,2321 572238,00 229914,00 0 1 0,0440 0 0 2,7385 0,0553 0,7464 0,6356 46.461,82 SAMAR 58 0,4211 121245,00 64033,00 0 1 0,1912 0 1 0,4472 0,0021 0,7228 0,5252 34.554,62 Águas de Votorantim 59 0,1930 44663,00 32503,00 0 0 0,1372 0 1 1,3256 0,0226 0,7723 0,5840 40.347,28 Tubarão Saneamento 60 0,2807 24084,00 29319,00 0 0 0,2904 0 1 0,5133 0,1422 0,6712 0,0909 32.275,73 Nascentes do Xingu 61 0,3571 327956,00 76404,00 0 1 0,1563 0 0 0,1797 -0,0083 0,7435 0,1277 16.196,71 Águas de Sinop 62 0,3750 100651,00 7979,55 0 1 0,2354 0 0 4,9763 -0,0023 0,9207 0,7694 33.807,26 OA Araguaia 63 0,4737 35642,00 10146,00 0 1 0,2554 0 0 0,1922 0,0254 0,9218 0,2342 12.023,63 Águas de Matão 64 0,3571 58047,00 38366,00 0 1 0,1695 0 0 0,1440 -0,0588 0,8941 0,2381 40.326,02 Águas de Jahu 65 0,2105 36406,00 36015,00 0 0 0,1573 0 1 4,2003 -0,4795 1,1571 1,1011 28.242,95 Águas de Pará de Minas 66 0,2143 35062,00 15924,00 0 0 0,1550 0 0 0,1661 -0,4127 0,9933 0,0472 26.097,77 Águas de São Francisco 67 0,3860 49519,00 15111,00 0 1 0,0312 0 1 9,1022 0,0451 0,9142 0,8291 69.473,07 do Sul OA Sumaré 68 0,4211 121490,00 30499,00 0 1 0,1567 0 1 0,2079 -0,1628 1,1495 0,5789 45.632,87 73