Navegando por Autor "Fernandes, Vinícius Rodrigues Vieira"
Agora exibindo 1 - 1 de 1
- Resultados por página
- Opções de Ordenação
Dissertação Trajetória dos assentamentos rurais financiados pelo crédito fundiário no Estado do Rio Grande do Norte: uma análise da experiência do assentamento da Fazenda Paz no município de Maxaranguape/RN(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2014-02-14) Fernandes, Vinícius Rodrigues Vieira; ; http://lattes.cnpq.br/0252534020824779; ; http://lattes.cnpq.br/0541089462206023; Nunes, Emanuel Márcio; ; Souza, Lincoln Moraes de; ; http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4794937H2A Reforma Agrária Assistida de Mercado (RAAM) vem se constituindo como uma alternativa de reforma agrária financiada pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). Trata-se de uma política de aquisição, distribuição e utilização da terra disseminada ideologicamente e financiada pelo Banco Mundial na perspectiva da inserção produtiva de trabalhadores rurais sem terra. Nesse sentido, este estudo procura analisar a trajetória dos assentamentos rurais financiados por esta política, buscando-se compreender quais os fatores que promovem ou limitam o processo de desenvolvimento rural desses assentamentos. Para tanto, toma-se como referência um estudo de caso do Assentamento da Fazenda Paz, no município de Maxaranguape, no estado do Rio Grande do Norte. Do ponto de vista metodológico, foram utilizadas pesquisas bibliográfica e documental, além de visitas ao assentamento e realização de entrevistas semiestruturadas com os assentados, lideranças sindicais, consultores e técnicos ligados ao projeto. Partindo-se dos relatos dos entrevistados, constrói-se, inicialmente, a hipótese de que as instituições formais e informais presentes no Assentamento da Fazenda Paz não foram capazes de coordenar de forma eficaz as ações dos agentes. Os resultados obtidos evidenciaram a existência de um empreendimento bastante complexo, com uma área total de 607 hectares e 80 famílias assentadas, dotado de água de boa qualidade e infraestrutura de irrigação, com um patrimônio de aproximadamente R$ 5 milhões de reais. A experiência vivenciada pelos assentados compreendeu o desenvolvimento de complexos sistemas de produção e comercialização de frutas e hortaliças, com destaque para a cultura de mamão numa área de 45 hectares com base em moderno sistema de irrigação e uso intensivo de tecnologia. A gestão coletiva da produção, da comercialização, das receitas e dos custos destacou-se como um grande desafio para os assentados e suas organizações representativas, isto é, a Associação Comunitária e a Cooperativa. A partir desta constatação foi possível identificar dois momentos na trajetória do Projeto: o primeiro, entre 2007-2011, considerado pelos entrevistados como exitoso, no qual a integração de políticas públicas e a entrada abundante de receitas provenientes da comercialização dos frutos da Paz, principalmente através da venda do mamão e do abacaxi nos mercados nacional e internacional, permitiram uma remuneração média de R$ 800,00 a R$ 1.000,00 por assentado/mês, além da produção de hortaliças e de outros tipos de produtos para a venda e o autoconsumo; o segundo, a partir de 2012, caracterizado como um fracasso, em virtude da descontinuidade do cultivo, da produção e da comercialização de frutas com base no modelo coletivo de trabalho implantado. Importantes fatores explicam a descontinuidade do projeto, dentre os quais, o modelo de agricultura implementado, dificuldades relacionadas à gestão da produção, da comercialização e das finanças do empreendimento, além da quebra de confiança entre a diretoria da Cooperativa e os associados e o distanciamento das organizações governamentais mais diretamente responsáveis pelo Projeto. Conclui-se, portanto, que é preciso repensar o desenvolvimento rural como um fenômeno multidimensional, demandando um amplo envolvimento entre Estado e sociedade sob as bases de um contrato territorial de desenvolvimento