Mulheres, militância política e ditadura civil-militar (1964 1985): como se conta a história de Iara Iavelberg?

Author Bandeira, Heloise Calado
Advisor

Dantas, Cândida Maria Bezerra

Publisher

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Date

2025-03-28

Keywords

Gênero

Ditadura Civil-Militar

Análise do discurso digital

Citation
Abstract

A pesquisa visa resgatar memórias de um período histórico brasileiro através das vivências das mulheres, e analisou, sob uma perspectiva feminista interseccional, os sentidos sobre a militância da guerrilheira Iara Iavelberg; as diferenças dos discursos produzidos sobre Iara por distintos autores e momentos históricos; e o processo de constituição de uma identidade militante a partir da trajetória de vida de Iara. A pesquisa é qualitativa, bibliográfica e documental, adotando a articulação de uma perspectiva pós-estruturalista e construcionista social. Foi utilizado o conceito de práticas discursivas para analisar documentos públicos de 1964 a 2024. As fontes incluem a Biblioteca Nacional Digital, o Sistema de Informações do Arquivo Nacional, Brasil: Nunca Mais, e a Comissão Estadual da Verdade de São Paulo. Nas análises dos documentos foi possível discutir as disputas discursivas entre depoimentos e produções de familiares e companheiros sobre e para Iara, permeados por afetos e admiração política, em contraste com o discurso conservador e hegemônico do Estado ditatorial. A disputa institucional pela construção da memória de Iara como alguém que promove a emancipação social só se torna possível após a redemocratização e ganha força com a Comissão Nacional da Verdade. Além do discurso de ódio por transgredir ao período ditatorial e à performance de gênero esperado pelo patriarcado, nas análises da construção de uma identidade militante em Iara foram discutidos os enfrentamentos dentro dos próprios movimentos de esquerda que atravessaram suas práticas políticas e a imagem reforçada em alguns documentos como uma “musa da esquerda”. O apagamento de ações e resistências políticas das mulheres não pode nos parar de produzir poder também nas resistências, articulando relações que promovam vida e emancipação social. A produção de discursos com a preservação e celebração da memória de Iara é uma forma de manter vivo o poder de resistência que ela inspirou.

Abstract

The research aims to recover memories of a Brazilian historical period through the experiences of women, analyzing, from an intersectional feminist perspective, the meanings of the militancy of guerrilla fighter Iara Iavelberg; the differences in the discourses produced about Iara by different authors and historical moments; and the process of constituting a militant identity through Iara's life trajectory. The research is qualitative, bibliographic, and documentary, adopting the articulation of a post-structuralist and social constructionist perspective. The concept of discursive practices was used to analyze public documents from 1964 to 2024. The sources include the Digital National Library, the National Archive Information System, Brasil: Nunca Mais, and the São Paulo State Truth Commission. In the document analyses, it was possible to discuss the discursive disputes between testimonies and productions by family members and companions about and for Iara, permeated by affection and political admiration, in contrast with the conservative and hegemonic discourse of the dictatorial state. The institutional dispute over the construction of Iara's memory as someone who promotes social emancipation only becomes possible after the redemocratization and gains strength with the National Truth Commission. In addition to the discourse of hatred for transgressing the dictatorial period and the gender performance expected by the patriarchy, the analyses of the construction of a militant identity in Iara discussed the confrontations within leftist movements that intersected with her political practices and the image reinforced in some documents as a "muse of the left." The erasure of women's political actions and resistances should not stop us from producing power also in resistances, articulating relationships that promote life and social emancipation. The production of discourses preserving and celebrating Iara's memory is a way to keep alive the power of resistance she inspired.

URIhttps://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/64081
CollectionsPPGPSI - Mestrado em Psicologia