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Título: A epopeia do negro brasileiro: a produção da república dos palmares na escrita de Arthur Ramos
Título(s) alternativo(s): Epic black brazilian: the production of the negro republic of palmares written in Arthur Ramos
Autor(es): Souza, Thyago Ruzemberg Gonzaga de
Palavras-chave: Historiografia;Negro brasileiro;Quilombo dos Palmares;Arthur Ramos
Data do documento: 8-Set-2014
Editor: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Citação: SOUZA, Thyago Ruzemberg Gonzaga de. A epopeia do negro brasileiro: a produção da república dos palmares na escrita de Arthur Ramos. 2014. 223f. Dissertação (Mestrado em História) - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2014.
Resumo: In the second half of the twentieth century saw the rise of the Quilombo dos Palmares image and its leader Zumbi as heroes of freedom, black people and the Brazilian nationality. However, in the late nineteenth century the image of Quilombo was far from positive, represented everything that Brazilian intellectuals and political elites would not like that was linked to nationality. In almost a hundred years the Quilombo dos Palmares went from enemy nation to the status of national hero; ceased to be a group of Africans who impede the progress of Brazilian civilization, to be the great epic of the Brazilian black. The amount of writings that addressed this issue, has increased considerably during the twentieth century, demonstrating the importance attributed to Palmares, the intellectuals of this period. Among scholars, he was the doctor and Alagoas anthropologist Arthur Ramos, lecturer of a conference in 1938 entitled "The associative spirit of the black," and author of the chapter "The Republic of Palmares", published in 1939 in the book "The black in Brazil ". The goal, therefore, was to analyze the imaginary space, the Quilombo dos Palmares, composed by Ramos in his writings, relating to the construction of this space with the historiographical tradition of Palmares and the "scene production" in which the author was inserted. The research was conducted among field of Cultural History of Spaces and History of Historiography. The Quilombo dos Palmares was understood as imaginative space, following Edward Said collaborations focusing on symbolic or poetic meanings. To analyze the historiography, we use discourse analysis, grounded in the deconstruction of Jacques Derrida, we thought of as a procedure of questioning, decomposition and re-organization of discourse. Along with the historiographical operation Michel de Certeau, enabled us to understand the mechanisms of historical writing. The writings of Arthur Ramos, were concentrated the main conclusions of a new perspective on Palmares. Professor Ramos put himself as the heir of Raimundo Nina Rodrigues, continuing research on the black population in Brazil, resulting in a concentrated narrative Palmares themselves, not their conquerors. However, distanced himself from racist perspective Rodrigues, approaching the North American cultural anthropology, enabling the production of Palmares as resistance to acculturation process imposed on slaves. As productions of Pernambuco and Alagoas Institutes, mainly Jaime Altavilla and Manoel Aaron reader, knew a heroic narrative of the event, although linked to the construction of state identities. Arthur Ramos extended this discourse, to produce the Quilombo dos Palmares, according to their quality and capacity of the Brazilian Negro.
metadata.dc.description.resumo: Na segunda metade do século XX houve a ascensão da imagem do Quilombo dos Palmares e de seu líder Zumbi como heróis da liberdade, do povo negro e da nacionalidade brasileira. Porém, no final do século XIX a imagem do Quilombo estava longe de ser positiva, representava tudo que as elites intelectuais e políticas brasileiras não gostariam que estivesse vinculada a nacionalidade. Em quase cem anos o Quilombo dos Palmares passou de inimigo da nação ao status de herói nacional; deixou de ser um grupo de africanos que impediria o progresso da civilização brasileira, para ser a grande epopeia do negro brasileiro. A quantidade de escritos que abordavam esse tema, aumentou consideravelmente, durante o século XX, demonstrando a importância atribuída a Palmares, pelos intelectuais deste período. Dentre os estudiosos, estava o médico e antropólogo alagoano Arthur Ramos, ministrante de uma conferência em 1938, intitulada “O espírito associativo do negro”, e autor do capítulo “A República de Palmares”, publicado em 1939 no livro “The negro in Brasil”. O objetivo, por conseguinte, foi analisar o espaço imaginário, o Quilombo dos Palmares, composto por Ramos nos seus escritos, relacionando a construção desse espaço com a tradição historiográfica sobre Palmares e a “cena de produção” em que o autor estava inserido. A pesquisa foi desenvolvida entre os campos da História Cultural dos Espaços e da História da Historiografia. O Quilombo dos Palmares foi compreendido como espaço imaginativo, seguindo as colaborações de Edward Said concentrando-se nos significados simbólicos ou poéticos. Para analisar a historiografia, utilizamos a análise do discurso, fundamentada na descontrução de Jacques Derrida, na qual pensamos como um procedimento de questionamento, de decomposição e de re-organização dos discursos. Juntamente, com a operação historiográfica de Michel de Certeau, possibilitou compreender os mecanismos da escrita da história. Nos textos de Arthur Ramos, estavam concentradas as principais conclusões de uma nova perspectiva sobre Palmares. O professor Ramos, colocou-se como herdeiro de Raimundo Nina Rodrigues, dando continuidade as pesquisas sobre as populações negras no Brasil, ocasionando uma narrativa concentrada nos próprios palmarinos, não nos seus conquistadores. No entanto, distanciou-se da perspectiva racista de Rodrigues, aproximando-se da antropologia cultural norteamericana, possibilitando a produção de Palmares como resistência ao processo de aculturação imposto aos escravos. Como leitor das produções dos Institutos Pernambucano e Alagoano, principalmente de Jaime Altavilla e de Manoel Arão, conhecia uma narrativa heroica do evento, ainda que ligada a construção das identidades estaduais. Arthur Ramos ampliou esse discurso, ao produzir o Quilombo dos Palmares, como obra da qualidade e capacidade do Negro brasileiro.
URI: http://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/19731
Aparece nas coleções:PPGH - Mestrado em História

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