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Título: Ser-tão de Buriti: o corpo de noturno rumor (a poética de Guimarães Rosa e o pensamento literário contemporâneo)
Autor(es): Segunda, Maria Guadalupe
Palavras-chave: Narrativa rizomática;Escritura rosiana;Imagem-tempo;Mito-poiesis;Teatralidade
Data do documento: 19-Fev-2016
Editor: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Citação: SEGUNDA, Maria Guadalupe. Ser-tão de Buriti: o corpo de noturno rumor (a poética de Guimarães Rosa e o pensamento literário contemporâneo). 2016. 212f. Tese (Doutorado em Estudos da Linguagem) - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2016.
Resumo: This thesis is to analyze the fictional texture of Buriti, novella by Guimarães Rosa, which makes part of Corpo do Baile. Gilles Deleuze‘s philosophical background as well as similar theorists such as Mircea Eliade, Derrida, Bataille, Foucault, Blanchot and Nie-tzsche constitute the main reference, as example of Guimarães Rosa‘s problematizing writing, since they present as basic element of thought the desterritorialization of con-cepts, standards and institutionalized knowledge by the dominant literary language. Along with the theoretical perspective of current alterity on these authors, Buriti is crossed by one aesthetics substantiated with a multiplicity of narrative points of view, opening gaps to other non-sacralized, nomadic voices, using polyphony as a way of breaking and destabilizing crystallized truths related to the canons of mother tongue. Interwoven by a poetic side of transgression, the narrative of Buriti finds especially marked by the signs of the backlands and of the night, which rhizomatically point to a sense of infinity, eternity, loneliness, vertigo before the abyssal, evoking the singularity of a ser-tão before the night, "the body of nocturnal rumor." The nights in the backlands in Buriti give rise to the emergence of a state of subjectivity, the ser-tão, whose nature is shown as a space of communion of the various beings that humans put on the same level of other living beings, setting up a sharing cosmic territory, enjoyment between pain and pleasure, between death and life. It is the night in the darkness, the shadows, the ser-tão is exposed, the being in his depth, facing himself with his internal rumors, which project themselves through the noise, the sound amplified by the vastness of the night at the desert backlands. "The backlands is the night." (ROSA, 1988, p.92).
metadata.dc.description.resumo: Esta tese tem como objeto de estudo a análise da tessitura ficcional de Buriti, novela de Guimarães Rosa, constante da obra Corpo de Baile. Constitui-se como principal referência o aporte filosófico de Gilles Deleuze e outros teóricos afins, como Mircea Eliade, Derrida, Bataille, Félix Guattari, Foucault, Blanchot e Nietzsche, os quais, a exemplo da escrita problematizadora de Guimarães Rosa, apresentam como matriz básica do pensamento a desterritorialização dos conceitos, das normas, do conhecimento institucionalizado pela estrutura canônica da língua. Em confluência com a perspectiva teórica de alteridade vigente nesses autores, Buriti se encontra atravessada por uma estética fundamentada na multiplicidade de pontos de vista narrativos, abrindo brechas para outras vozes não sacralizadas, nômades, utilizando a polifonia como uma forma de transgredir, desestabilizar verdades cristalizadas, pertinentes aos cânones da língua pátria. Entretecida por uma vertente poética, de transgressão, a narrativa de Buriti se acha especialmente marcada pelos signos do sertão e da noite, os quais apontam rizomaticamente para um sentido de infinitude, de eternidade, de solidão, de vertigens ante o abissal, evocando a singularidade de um ser-tão ante a noite, “o corpo de noturno rumor.” As noites do sertão em Buriti dão margem à irrupção de um estado de subjetividade, o ser-tão, cuja natureza se mostra como um espaço de comunhão dos diversos seres, em que os humanos se colocam no mesmo plano de outros seres vivos, configurando um território cósmico de partilha, de fruição entre a dor e o prazer, entre a morte e a vida. É a noite que em meio às trevas, à escuridão, revela o ser-tão, o ser em suas entranhas, confrontando-se com ele mesmo, com seus rumores internos, que se projetam através dos ruídos, dos barulhos da noite amplificados pela vastidão, pelo desértico do sertão. “O sertão é de noite.” (ROSA, 1988, p.92).
URI: http://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/21130
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