PPGe - Doutorado em Geografia
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Tese A produção de dados e informações oficiais pelo IBGE: uma práxis reveladora do espaço geográfico brasileiro no século XXI(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-11-24) Souza, Suliman Sady de; Azevedo, Francisco Fransualdo de; http://lattes.cnpq.br/2719998085102847; http://lattes.cnpq.br/0994402720389111; Castelhano, Francisco Jablinski; http://lattes.cnpq.br/6679148883805360; Cavalcante, Leandro Vieira; https://orcid.org/0000-0002-3970-6655; http://lattes.cnpq.br/4840870286350506; Suberviola, Enrique Viana; http://lattes.cnpq.br/2678417226951235; Hespanhol, Antonio Nivaldo; https://orcid.org/0000-0001-5080-0223; http://lattes.cnpq.br/6472166033420989O espaço geográfico assume a função de “instância social” e somente pode ser plenamente decifrável se observado enquanto totalidade; caso contrário, ele se distancia da tarefa de ser o objeto da geografia. Entre os elementos constitutivos do espaço geográfico estão as instituições. Nada escapa ao espaço, nem mesmo o sujeito que lhe dá sentido, ou seja, o homem. Se às firmas cabe a função de prover o espaço de bens, serviços e ideias, as instituições cumprem o papel de materializá-lo, ordená-lo e até legitimá-lo. A noção abstrata relacionada ao espaço geográfico converte-se em algo mais inteligível se o tratarmos como um conteúdo constituído por fixos, objetos imóveis, e fluxos, objetos móveis, e no qual se dá um quadro de vida, sendo tal quadro híbrido e, ao mesmo tempo, revestido de materialidade e de vida social; eis o espaço geográfico historicizado, aqui convertido por Milton Santos e Maria Laura Silveira em sinônimo de território usado. No espaço geográfico do nosso tempo, que também se desdobra em espaço racional, estão contidas duas componentes: a técnica, que impõe hodiernamente uma sujeição do homem à máquina ou às coisas, e a informação, um trunfo indissociável da primeira quando pensamos o meio técnico-científico-informacional. Esse novo meio coincide com o período que lhe é homônimo, sendo forjado a partir de uma tecnosfera e de uma psicosfera próprias da nossa geração. A presença do IBGE se amalgamou na realidade brasileira ao longo de quase nove décadas de existência e, com uma vocação para ir além dos limites de suas instalações, o órgão sempre esteve atento às demandas da sociedade e às suas próprias necessidades. Na atualidade, o IBGE tem concentrado múltiplas tarefas e um dado que pouco se associa a ele é que a sua atuação favorece o exercício democrático. O projeto de país gestado na Constituição Federal de 1988 somente se concretiza com os dados que cotidianamente o IBGE fornece à sociedade. O Pacto Federativo vigente na Carta Magna trata, entre tantos temas, de composição de uma parte dos membros do Congresso Nacional e de rateio de verbas públicas pelos chamados entes da federação. Uma dessas fontes de recursos é o FPE, já uma segunda fonte corresponde ao FPM. Ambos são determinados pelos quantitativos populacionais registrados periodicamente pelo Instituto. Cabe então ao órgão prover a sociedade e os entes federativos de dados confiáveis que remetam à realidade do país para que o equilíbrio desse pacto acordado possa se manter intacto. A ideia de território é intrínseca ao cotidiano das atividades desenvolvidas pelo IBGE, daí não haver a dissociação entre estatística e geografia no órgão brasileiro, bem como é necessário relacioná-lo aos conceitos miltonianos de espaços geográficos (sistema de ações e sistema de objetos), uso do território e meio técnico-científico-informacional. Um acúmulo de dificuldades pelas quais passa o IBGE incide diretamente na sua autonomia técnica e financeira, condição necessária ao livre exercício das suas funções. Em nível mais abrangente, se o órgão nacional responsável pela produção de dados e informações que traduzem o Brasil como ele realmente é não goza de plenos poderes e condições ao cumprimento de seus deveres, pensamos que logo estaremos diante de um comprometimento da soberania nacional, pois um país que não se conhece acaba se fragilizando perante os demais. Com base no panorama apresentado, a presente pesquisa objetiva analisar a produção de dados e informações oficiais do Brasil pelo IBGE enquanto prática reveladora do espaço geográfico no século XXI. Para viabilizá-la, utilizamos como meios procedimentais de natureza teórica e metodológica os levantamentos bibliográficos em diferentes estágios dessa investigação e a pesquisa documental.Tese Território, indicação geográfica e economia criativa no nordeste brasileiro (2012-2021)(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-12-04) Monteiro Júnior, Irami Rodrigues; Azevedo, Francisco Fransualdo de; http://lattes.cnpq.br/2719998085102847; https://orcid.org/0000-0003-0109-1269; http://lattes.cnpq.br/9061999317000169; D'Alexandria, Marcel Azevedo Batista; http://lattes.cnpq.br/1720773247376743; Galvão, Iapony Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/6308597321587132; Barbosa, Jane Roberta de Assis; https://orcid.org/0000-0002-8424-5237; http://lattes.cnpq.br/7545246014722591; Menezes, Sônia de Souza Mendonça; https://orcid.org/0000-0001-6072-771X; http://lattes.cnpq.br/6207562888237389As Indicações Geográficas (IGs), especialmente as Indicações de Procedência (IPs), reorganizam, normatizam e tensionam os territórios artesanais do Nordeste brasileiro entre 2012 e 2022. São estudadas cinco IPs: renda irlandesa de Divina Pastora (SE), renda renascença do Cariri Paraibano (PB), bordado filé das Lagoas Mundaú–Manguaba (AL), bordado artesanal de Caicó (RN) e rede de dormir de Jaguaruana (CE). Esses territórios possuem forte enraizamento histórico e cultural, sustentados por práticas criativas, técnicas tradicionais e identidades locais, cujo espólio cultural passa a ser transformado em objeto de distinção e gestão territorial para fins econômicos. A Indicação Geográfica funciona como um instrumento híbrido que, ao proteger culturalmente, também regula economicamente o território, disciplinando técnicas, reorganizando poderes e produzindo hierarquias entre agentes hegemônicos e artesãos. O objetivo da pesquisa está em compreender o processo de uso e normatização do território pelas IGs, da espécie Indicação de Procedência, no Nordeste brasileiro, entre 2012 e 2021, em atividades artesanais vinculadas à Economia Criativa, considerando as intencionalidades e as relações de poder entre agentes hegemônicos e não hegemônicos que atuam nesses territórios. A metodologia integra revisão bibliográfica fundamentada no conceito de território a partir de alguns autores como Santos (1996; 2001; 2005), Antas Júnior (2004; 2005) e IG em Allaire et al. (2005), Bruch et al. (2010), Vivien e Ngo (2016), Brasil (1996; 2022), e Le Guerroué, Barjolle e Piccin (2022). Pesquisa documental da Revista eletrônica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e dos Acordos de Paris (1883), Acordo de Madri (1891) e Acordo de Lisboa (1958) e suas respectivas atualizações e amplo trabalho de campo. Foram realizadas 621 entrevistas presenciais e 644 remotas, envolvendo artesãos, gestores institucionais e atores da cadeia produtiva e comercial. Os resultados dados de campo revelam contradições significativas. Na IP Cariri Paraibano, 62% desconhecem seu significado; o nicho de vestuário concentra 66% da produção, seguido de acessórios (18%) e recém-nascido (8%). O consumo é liderado pelo Sudeste (43,3%), com destaque para São Paulo (16%), Rio de Janeiro (10,97%) e Minas Gerais (9%). Na IP Divina Pastora, o desconhecimento é estrutural: 64,2% das rendeiras não compreendem a IG e 78,5% a associam somente a um selo de valor. Sergipe concentra 26,9% da comercialização, enquanto o Sudeste lidera o mercado externo ao território (São Paulo 19,6%; Rio de Janeiro 11,5%; Minas Gerais 8,5%). A produção deslocou-se para vestuário (54,5%) e acessórios (25,1%), articulando-se à moda contemporânea. Na IP Região das Lagoas Mundaú–Manguaba, somente 12,5% da amostra de campo solicitou o uso da IG; 87,5% nunca tiveram acesso a esse instrumento. Para 75%, a IG não alterou condições de vida; 12,5% registraram ganho econômico. A produção concentra-se no Nordeste (51%), São Paulo (20%) e Minas Gerais (17%), liderada pelo segmento mesa (61%). A presença do turismo favorece a circulação de produtos não distintos, fragilizando a eficácia do signo. Na IP Caicó, 62,5% conhecem a IG, porém apenas 34,02% possuem autorização do Conselho Regulador. Aproximadamente 47,2% da produção é comercializada no RN, mas o nicho vestuário é liderado por São Paulo (24%). Na IP Jaguaruana, 66,7% conhecem a IG, mas só 5% solicitaram o uso; nenhum produtor comercializa peças aprovadas atualmente. 100% dos entrevistados afirmam que a IG não coíbe o uso do nome geográfico, com redes industrializadas sendo vendidas como “Jaguaruana” em plataformas online. Conclui-se que, embora ampliem visibilidade territorial e reconhecimento cultural, as IPs reforçam desigualdades internas, centralizam poder decisório e limitam a autonomia criativa das artesãs, operando como dispositivos de mercado e não como ferramentas de fortalecimento territorial.Tese Análise de risco à erosão costeira na planície litorânea dos municípios de Tibau e Grossos/RN entre os anos de 1985 e 2022(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-11-14) Dias, Gutemberg Henrique; Amorim, Rodrigo de Freitas; http://lattes.cnpq.br/9294061567973701; https://orcid.org/0000-0003-2147-8647; http://lattes.cnpq.br/6967204401614554; Peixoto, Filipe da Silva; https://orcid.org/0000-0001-5409-3001; http://lattes.cnpq.br/5905976485635222; Ferreira, Joyce Clara Vieira; http://lattes.cnpq.br/2614645969145259; Carvalho, Rodrigo Guimarães de; https://orcid.org/0000-0001-9556-3874; http://lattes.cnpq.br/4013877101488981; Sousa, Silvio Braz de; https://orcid.org/0000-0002-9776-3295; http://lattes.cnpq.br/5542860613403348; Lima, Zuleide Maria Carvalho; https://orcid.org/0000-0002-6971-9801; http://lattes.cnpq.br/1283103005046733O estudo de zonas costeiras, atualmente, é de grande importância para o gerenciamento costeiro em todo planeta, haja vista que entender a dinâmica natural e antrópica sobre esses espaços é condição primaz para a preservação dos ecossistemas costeiros. Nesse sentido essa tese tem por objetivo analisar a variação da linha de costa a partir do uso de imagens multitemporais de satélites para análise da erosão costeira, bem como, para avaliar os riscos à erosão costeira, entre os anos de 1985 e 2022 no litoral dos municípios de Tibau e Grossos, estado do Rio Grande do Norte. Os precediemntos metodológicos estão assentados no uso da plataforma CASSIE (Coastal Analyst System from Space Imagery Engine) para extração das linhas de costa e na análise dos parâmetros de recuo e avanço das mesmas a partir de imagens Landsat, na observação de campo para geoindicadores de erosão costeira, uso de geotecnologias para suporte a coleta e tratamentos de dados geoespaciais e, também, na Avaliação de Risco à Erosão Costeira com base na metodologia CERA (Coastal Emergency Risks Assessment). Os resultados demonstram que a variação da linha de costa está diretamente associada ao balanço sedimentar, influenciado principalmente pelas condições meteorológicas, pela morfodinâmica costeira e pela disponibilidade de sedimentos para a formação de cordões dunares. A baixa declividade do estirâncio, combinada à intensidade dos ventos, favorece a remoção de sedimentos da praia em direção ao continente. Observou-se também a influência de impactos antropogênicos ao longo da bacia hidrográfica do rio Apodi-Mossoró, como a construção de barragens e a atividade salineira na foz, que reduzem o aporte sedimentar, sobretudo nos períodos de menor pluviosidade. A ocupação desordenada da faixa de praia por empreendimentos residenciais e atividades turísticas contribui adicionalmente para o agravamento da erosão costeira, com impactos identificados sobre a infraestrutura pública e, pontualmente, sobre a economia local. A erosão costeira é atuante nos municípios de Tibau e Grossos, com maior intensidade neste último, onde foram identificados três trechos em retrogradação, apesar da baixa ocupação antrópica. No conjunto da área analisada, 47,77% apresentam retrogradação (14,93% erodidas e 32,84% criticamente erodidas), seguidas por trechos estáveis (35,82%) e em progradação (16,42%). Quanto ao risco à erosão costeira, predominam as classes muito baixo e baixo, indicando a necessidade de monitoramento contínuo. A tese conclui pela necessidade do monitoramento contínuo da variação da linha de costa e dos processos erosivos, controle da expansão urbana na faixa litorânea dos municípios, gestão costeira baseada em experiências nacionais e internacionais e, por fim, inserção do item Avaliação de Risco à Erosão Costeira nos estudos para licenciamento ambiental.Tese Fluxo de carbono e serviço ecossistêmico de regulação em áreas do domínio Semiárido da Caatinga, Nordeste brasileiro(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-11-17) Saraiva, Ana Luiza Bezerra da Costa; Costa, Diógenes Félix da Silva; Silva, Cláudio Moisés Santos e; https://orcid.org/0000-0002-2251-7348; http://lattes.cnpq.br/1394248306018449; https://orcid.org/0000-0002-4210-7805; http://lattes.cnpq.br/4149669138364420; http://lattes.cnpq.br/4801477643378732; Castelhano, Francisco Jablinski; http://lattes.cnpq.br/6679148883805360; Bezerra, Bergson Guedes; https://orcid.org/0000-0002-1566-3304; http://lattes.cnpq.br/1901216516407999; Mendes, Keila Rêgo; https://orcid.org/0000-0002-0278-6284; http://lattes.cnpq.br/1944170626580025; Anjos, Max Wendell Batista dos; https://orcid.org/0000-0001-6394-1324; http://lattes.cnpq.br/2730146407492791Este estudo analisou o fluxo de carbono em três áreas preservadas de Caatinga localizadas no Semiárido brasileiro: Serra Negra do Norte (RN), Serra Talhada (PE) e São João (PE). O objetivo foi compreender como a variabilidade climática anual influencia a dinâmica do carbono e o potencial mitigador do serviço ecossistêmico de regulação. Para isso, utilizaram-se torres micrometeorológicas do Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma Caatinga (ONDACBC), que permitiram mensurar a produção primária bruta (GPP), a respiração do ecossistema (Reco) e a troca líquida de carbono (NEE). Esses dados foram integrados a variáveis climáticas como precipitação, radiação solar, temperatura do ar, umidade relativa e déficit de pressão de vapor (VPD). Os resultados indicaram que, embora as três áreas apresentem características geográficas e um ritmo climático anual diferente, todas funcionaram como sumidouros anuais de carbono. Em Serra Negra do Norte, a sincronia entre radiação solar e precipitação potencializou a captura, resultando nos maiores valores de sequestro de CO₂ com 24,9 tCO₂ ha⁻¹ ano⁻¹ em 2014 com 825,5 mm e 19,42 tCO₂ ha⁻¹ ano⁻¹ em 2015 com 666,8 mm de chuva. Serra Talhada apresentou maior sensibilidade à variabilidade climática, com momentos de emissão temporária, mas manteve um saldo anual negativo de NEE no ciclo anual, atuando como um sumidouro com 16,2 tCO₂ ha⁻¹ ano⁻¹ com 533 mm em 2014 e 13,56 tCO₂ ha⁻¹ ano⁻¹ com 381,9 mm em 2015. São João destacou-se pelo regime pluviométrico mais regular e pelas temperaturas amenas, que favoreceram a fotossíntese líquida e a eficiência como sumidouro 23,46 tCO₂ ha⁻¹ ano⁻¹ com 945,2 mm. As diferenças na magnitude da captura entre os locais reforçam que a dinâmica do fluxo de carbono está diretamente associada à interação entre elementos climáticos e condições ambientais. Mesmo em anos classificados como secos, a Caatinga mostrou resiliência, confirmando sua relevância como um dos biomas mais eficientes no sequestro de carbono entre as regiões semiáridas globais e entre os domínios de natureza do Brasil. As principais contribuições cientificas desta tese de doutorado foram: avanço comparativo e metodológico sobre o fluxo de carbono na Caatinga; Integração entre fluxo de carbono e serviços ecossistêmicos de regulação climática: evidência do papel central da água disponível no sistema e do VPD no controle do fluxo de carbono; demonstração da resiliência da Caatinga frente à sazonalidade climática e a importância dessas áreas para mitigação: contribuição interdisciplinar e para o debate sobre políticas públicas e justiça climática. Conclui-se que a Caatinga é um sumidouro eficiente de carbono e desempenha papel estratégico para a mitigação das mudanças climáticas, oferecendo um serviço ecossistêmico essencial de regulação climática. Esses resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à conservação e restauração da vegetação nativa e da justiça climática, bem como à implementação de programas de pagamento por serviços ambientais que valorizem o potencial mitigador do Semiárido brasileiro e incentivem a recuperação de áreas de Caatinga degradadas.Tese Serviços ecossistêmicos e modelagem preditiva em nascentes de uma Bacia Hidrográfica Tropical(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-10-02) Souza, Yuri Gomes de; Costa, Diógenes Félix da Silva; Amorim, Rodrigo de Freitas; http://lattes.cnpq.br/9294061567973701; https://orcid.org/0000-0002-4210-7805; http://lattes.cnpq.br/4149669138364420; https://orcid.org/0000-0002-4198-0004; http://lattes.cnpq.br/4751266447174208; Alves, Agassiel de Medeiros; http://lattes.cnpq.br/0565488973448449; Castelhano, Francisco Jablinski; http://lattes.cnpq.br/6679148883805360; Camacho, Ramiro Gustavo Valera; https://orcid.org/0000-0003-3139-0067; http://lattes.cnpq.br/1079760233135463; Silva, Sebastião Milton Pinheiro da; https://orcid.org/0000-0002-0950-4622; http://lattes.cnpq.br/3202304089432033Consideradas áreas úmidas interiores e sistemas ecohidrogeológicos naturais indispensáveis à segurança hídrica das comunidades ecológicas e humanas, as nascentes, as quais são influenciadas pela dinâmica subterrânea e superficial terrestre, têm sido apontadas como um dos ecossistemas chaves de conservação, em escala global. A proposta de tese apresentada parte da premissa de avaliar os Serviços Ecossistêmicos (SE) prestados por nascentes da Bacia Hidrográfica do Rio Trairi - PB/RN (BHRT), examinando as configurações atuais e as projeções futuras de suas paisagens. Os preceitos teórico-metodológicos foram divididos, fundamentalmente, a partir das seguintes etapas: 1) Levantamento bibliográfico; 2) Identificação e classificação ecossistêmica das nascentes; 3) Análise físico-química e orgânica das amostras coletadas em cada um desses ecossistemas; 4) Classificação dos serviços ecossistêmicos de provisão e regulação/manutenção prestados pelas nascentes; e 5) Modelagem preditiva do uso e cobertura da terra na BHRT. Como resultados, identificou-se um total de 27 nascentes nos três principais compartimentos desta bacia, as quais foram inventariadas a partir das suas especificidades quanto aos pulsos de inundação (subsistema), às unidades geomorfológicas (classe), à hidrogeomorfologia (subclasse) e ao contexto fitofisionômico (geótopo). Além disso, os valores de granulometria, especialmente no que tange os teores de cascalho, areia, silte e argila, bem como os de MO, pH e CE apresentaram diferença significativa, ainda que indicando uma correlação fraca. Em se tratando dos serviços ofertados pelas nascentes, foi possível categorizar as seções de provisão e regulação/manutenção – funções representadas pelo fornecimento da água e pela regulação das condições físicas, químicas e biológicas da água, respectivamente. As finalidades desses processos hidrológicos e ecológicos desencadearam a presença dos SE de dessedentação humana, dessedentação animal, produção agrícola, utilização doméstica, assim como de conservação da biodiversidade. Neste capítulo, à luz da estrutura DPSIR (Driver – Pressure – State – Impact – Response), as forças motrizes de agricultura e pecuária, essencialmente, suscitaram as pressões: conversão da cobertura natural, cultivos temporários e permanentes, pisoteio animal e construções civis adjacentes à Área de Preservação Permanente (APP), resultando em estados e impactos negativos à estabilidade dos SE. Ainda, como resposta a tais desafios, esta matriz propôs alternativas de conservação e manutenção destes ecossistemas hidromórficos, a saber: a) Delimitação de corredores ecológicos e áreas prioritárias para conservação; b) Execução de projetos de reflorestamento com espécies nativas; c) Implementação de práticas educativas ambientais; e d) Monitoramento das condições hidrogeoquímicas. No que se refere à apresentação dos cenários futuros, projetou-se a ocorrência das classes de cobertura vegetal, uso antrópico, área urbana e outros – cuja dinâmica espaço-temporal entre os anos de 1985 e 2050 demonstrou uma tendência progressiva de supressão da classe cobertura vegetal de 866,9 km² (29%). Ademais, no entanto, percebeu-se que as variáveis Unidade de Conservação (UC) e nascentes apresentaram pesos de evidências compatíveis com a repulsão ao desmatamento e à atração de pixels de regeneração florestal, isto é, colonização e expansão de vegetação. Diante disso, acredita-se que o caráter diagnóstico e prognóstico desta tese de doutorado pode contribuir para a inadiável gestão integrada e participativa destes ambientes, bem como auxiliar o direcionamento de novos projetos e investigações científicas holísticas acerca desses ecossistemas de relevante interesse socioambiental.Tese Mirantes e estética na avaliação do geopatrimônio: perspectivas no estado do Rio Grande do Norte(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-10-20) Araújo, Isa Gabriela Delgado de; Diniz, Marco Túlio Mendonça; https://orcid.org/0000-0002-7676-4475; http://lattes.cnpq.br/3075753552167640; https://orcid.org/0000-0003-0775-6823; http://lattes.cnpq.br/7464456984396241; Albuquerque, Francisco Nataniel Batista de; https://orcid.org/0000-0001-8588-2740; http://lattes.cnpq.br/0659804309157966; Taveira, Marcelo da Silva; https://orcid.org/0000-0002-5174-7943; http://lattes.cnpq.br/3603092470145208; Nascimento, Marcos Antonio Leite do; http://lattes.cnpq.br/5356037408083015; Sales, Vanda Carneiro de Claudino; http://lattes.cnpq.br/2474440867143635A tese propôs um instrumento teórico-metodológico para avaliação quantitativa de mirantes, considerando os valores estéticos e científicos como centrais e aplicando-o ao estado do Rio Grande do Norte. A proposta surgiu diante da constatação de que, na literatura, esses locais eram tratados de forma generalista e muitas vezes negligenciados como potenciais geossítios. Com base em uma análise bibliográfica no Scopus, identificaram-se estudos que já destacam a estética como valor relevante na avaliação do geopatrimônio, reforçando seu papel na percepção cognitiva e sensorial da paisagem. Foram então definidos critérios divididos entre valores centrais (científicos e estéticos) e valores adicionais (turístico, cultural e didático), apoiados em referências internacionais e organizados em fichas de campo. A aplicação da metodologia exigiu a compreensão da análise geoambiental do Rio Grande do Norte, abrangendo aspectos geológicos, geomorfológicos, pedológicos, hidrológicos e climáticos. As fichas foram aplicadas em 16 mirantes, destacando 13 geossítios e 3 sítios da geodiversidade, o que evidenciou a diversidade física do estado e as diferenças entre os contextos analisados. Conclui-se que a tese oferece um referencial para futuras pesquisas sobre mirantes e estética, ampliando o conhecimento geocientífico, reforçando a relevância da ciência geográfica nas geociências.Tese Método para avaliação do patrimônio geomorfológico de geoformas em rochas(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-09-12) Queiroz, Larissa Silva; Diniz, Marco Túlio Mendonça; Medeiros, Jacimária Fonseca de; http://lattes.cnpq.br/7137009169288085; https://orcid.org/0000-0002-7676-4475; http://lattes.cnpq.br/3075753552167640; Farias, Juliana Felipe; http://lattes.cnpq.br/3431876696268959; Travassos, Luiz Eduardo Panisset; https://orcid.org/0000-0001-6264-2429; http://lattes.cnpq.br/9118322656718483; Pereira, Paulo Jorge Silva; Lima, Zuleide Maria Carvalho; https://orcid.org/0000-0002-6971-9801; http://lattes.cnpq.br/1283103005046733As reflexões sobre a Geodiversidade introduziram à Geografia novas formas de compreender os componentes abióticos, destacando suas fragilidades, riscos e relevância para a preservação da natureza. Entretanto, os elementos rochosos, como granitos e arenitos, permanecem pouco valorizados nas práticas conservacionistas, apesar de sua importância. Logo, essa pesquisa teve como objetivo propor uma metodologia de avaliação que considera a pareidolia e os valores científico, estético e cultural como centrais, tendo como lócus duas áreas serranas do Rio Grande do Norte, nomeadamente o Complexo Serrano Martins-Portalegre e as Serras do Agreste. A escolha pelo recorte empírico mencionado se deu em virtude da significativa ocorrência e representatividade dos plutons da Suíte Intrusiva Itaporanga (Plútons Serrinha dos Pintos e Portalegre e Plúton Monte das Gameleiras), bem como pela própria quantidade de geoformas associadas à essa unidade litodêmica. Para o embasamento teórico recorreu-se aos clássicos da temática como Gray (2004, 2013), Brilha (2005, 2016), Panizza (2001), Pereira (2006), Reynard (2006) e Pralong (2006), Coratza e Giusti (2007), Reynard e Coratza (2018), Claudino-Sales (2018), Mucivuna, Reynard e Garcia (2019), Pijet-Migoń; Migoń, (2022), Kubalíkova e Coratza (2023), Mikhailenko et al. (2024) e Migoń (2024). Além destes, também foram utilizados trabalhos de Piotr Migoń (2021, 2022), o qual suscitou a questão problema deste estudo. A metodologia adotada compreendeu o levantamento bibliográfico e produção do material cartográfico, elaboração da proposta metodológica, inventariação e aplicação em campo e, por fim, a análise e discussão dos dados sistematizados. Nesse sentido, um conjunto de critérios e indicadores foi estabelecido para cada tipo de valor, com ≥75% da pontuação máxima definida como limite para o reconhecimento de um geossítio e, aqueles que não alcançaram a pontuação em pelo menos um dos valores centrais, foram definidos como Sítios da Geodiversidade. Os resultados revelam a eficácia do método na classificação dos geossítios, ressaltando suas singularidades, pois dos 19 locais avaliados 15 foram classificados como Geossítios e 4 como Sítios da Geodiversidade. Ao integrar a pareidolia e atribuir igual ênfase aos valores científicos, estéticos e culturais, essa abordagem enfrenta as limitações previamente identificadas na avaliação de geossítios de geoformas rochosas. Além disso, destaca a importância da história e identidade cultural nas narrativas locais, contribuindo para a compreensão do Patrimônio Geomorfológico, Geoconservação e promoção geoturística. Os resultados também indicam que os geossítios selecionados correspondem a formas de relevo rochosas que são muito populares na região. Ressalta-se, por fim, a inovação desta pesquisa ao propor critérios específicos para a avaliação do valor cultural, apresentando avanços significativos na identificação desses elementos nas localidades estudadas e evidenciando sua versatilidade para aplicação e integração a outras propostas de avaliação de geossítios. Portanto, esta pesquisa avança na compreensão e na avaliação dos geossítios da Suíte Intrusiva Itaporanga, bem como oferece instrumentos práticos e replicáveis para outras áreas de estudos e outras metodologias, destacando o papel do Patrimônio Geomorfológico no contexto do Geopatrimônio e sua importância científica e cultural para as comunidades.Tese Caminhando eu vou para Canindé/CE: espaço vivido na romaria Dom Joaquim em honra a São Francisco das Chagas(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-06-30) Nascimento, Cláudia Regina Tavares do; Dantas, Eugênia Maria; http://lattes.cnpq.br/6296149707446296; http://lattes.cnpq.br/4698215373459783; Locatel, Celso Donizete; https://orcid.org/0000-0001-7006-1480; http://lattes.cnpq.br/2047387364725653; Melo, Evaneide Maria de; http://lattes.cnpq.br/2898356389788345; Morais, Hugo Arruda de; http://lattes.cnpq.br/9546392459265148; Torres, Maria Betânia Ribeiro; http://lattes.cnpq.br/1623941842037132A religiosidade popular no Brasil expressa-se de forma marcante nas festas religiosas e nas romarias dedicadas aos santos padroeiros, configurando práticas que ultrapassam o âmbito estritamente religioso e assumem dimensões culturais, sociais e territoriais. Inserida nesse contexto, a presente tese tem como objetivo analisar as romarias realizadas durante os festejos em honra a São Francisco das Chagas, na cidade de Canindé (Ceará), sob a perspectiva da geografia cultural. A escolha por Canindé justifica-se por sua relevância como o segundo maior centro de peregrinação do Nordeste, capaz de atrair milhares de romeiros e visitantes, o que ocasiona transformações temporárias na configuração física, social e econômica da cidade. O recorte espacial contempla o percurso de aproximadamente 131 quilômetros entre Fortaleza e Canindé, com ênfase nas experiências dos romeiros que realizam a caminhada a pé. Já o recorte temporal compreende os festejos de São Francisco das Chagas, realizados entre 24 de setembro e 4 de outubro, nos anos de 2023 e 2024. A pesquisa adota abordagem qualitativa com orientação fenomenológica, buscando compreender como os sujeitos vivenciam e atribuem sentido à caminhada e às celebrações religiosas. O procedimento investigativo baseou-se em entrevistas abertas, conduzidas por meio de diálogos espontâneos, sem modelo rígido previamente estabelecido. No total, foram ouvidas 80 pessoas, de um universo de 160 romeiros participantes da Romaria Dom Joaquim. Também foram entrevistados membros da família Braga, descendentes dos fundadores da Romaria, representados por José Gomes Braga, Levi Braga e sua esposa, Sílvia Braga. A análise fundamenta-se em conceitos centrais da geografia cultural, como espaço vivido, lugar e paisagem, que possibilitam compreender a construção e a experiência dos espaços sagrados nas práticas devocionais. Além disso, a discussão é enriquecida pelos conceitos de sagrado, profano e hierofania, contribuindo para interpretar as dinâmicas simbólicas que perpassam os festejos. Os resultados apontam que a romaria se configura como prática espacial de fé, identidade e pertencimento, continuamente ressignificadas pelos sujeitos envolvidos. A trajetória dos romeiros de Canindé revela-se, assim, como um fenômeno de forte densidade simbólica, no qual o espaço vivido é produzido pela fé, pela memória e pela relação com o outro. Trata-se de uma prática sagrada inscrita nos corpos, nas paisagens e nas relações, enraizada na cultura popular brasileira e vivida como um rito de passagem simbólico, em que a travessia externa reflete um movimento interno de transformação espiritual.Tese O circuito espacial de produção de petróleo e gás natural no Rio Grande do Norte - Brasil: território normado em contexto de transição energética(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-07-28) Fabricio, André Rodrigues; Locatel, Celso Donizete; Costa, Eduarda Pires Valente da Silva Marques da; https://orcid.org/0000-0001-7006-1480; http://lattes.cnpq.br/2047387364725653; https://orcid.org/0000-0002-4215-824X; http://lattes.cnpq.br/7767741857445428; Barbosa, Jane Roberta de Assis; https://orcid.org/0000-0002-8424-5237; http://lattes.cnpq.br/7545246014722591; Tavares, Matheus Augusto Avelino; http://lattes.cnpq.br/2153873060440643; Nonato Júnior, Raimundo; https://orcid.org/0000-0002-3685-6631; http://lattes.cnpq.br/2778825855162912Esta pesquisa examina as transformações no uso do território no estado do Rio Grande do Norte (RN), decorrentes da reestruturação do circuito espacial produtivo de petróleo e gás natural, em virtude das ações de desinvestimento da Petrobras. O estudo insere-se no contexto da transição energética global, marcada pela busca por fontes de energia mais sustentáveis, mas que observa a centralidade do petróleo como principal fonte energética nos curto e médio prazos. O problema centra-se nos impactos territoriais e socioeconômicos gerados pelo desinvestimento da Petrobras no estado do Rio Grande do Norte/Brasil, tradicional polo produtor onshore, hoje periférico na lógica de investimentos do Estado brasileiro na atividade. A metodologia adotada apoia-se em uma abordagem geográfica multiescalar e multifatorial, ancorada nos conceitos de circuito espacial produtivo e círculos de cooperação. Foram utilizados procedimentos como revisão bibliográfica, análise de dados secundários (estatísticos, espaciais e normativos), elaboração cartográfica e pesquisa de campo em áreas estratégicas. O recorte empírico considerou o território do RN, enquanto unidade de análise geográfica e político-institucional, evidenciando o presente geográfico do circuito espacial produtivo de petróleo e gás natural no estado, utilizando-se escalas temporais distintas derivadas dos fatores investigados, no período de 2000 a 2024. A discussão revela que a saída da Petrobras e a entrada de novos agentes econômicos resultaram na reorganização das dinâmicas territoriais produtivas da atividade no estado, com modificações nas estruturas técnicas, na configuração dos fluxos produtivos, técnico-científicos, institucionais e financeiros e no perfil do mercado de trabalho. Os resultados apontam para a redefinição do circuito espacial produtivo no estado, cujos impactos não se restringem à mera substituição dos agentes econômicos líderes da produção de petróleo, gás natural e derivados, e incluem a emergência de nova estrutura espacial produtiva cujo delineamento reafirma a relevância da atividade produtiva para o território investigado, independentemente do processo de transição energética em curso e da estratégia de investimento estatal.Tese Urbanismo tático e o habitar a cidade como arte e poética: por uma geografia da criatividade(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-05-15) Almeida, Geovane de Souza; Fernandez, Pablo Sebastian Moreira; Costa, Maria Helena Braga e Vaz da; https://orcid.org/0000-0002-3604-1483; http://lattes.cnpq.br/5114110813711387; http://lattes.cnpq.br/1897351088415800; http://lattes.cnpq.br/7803119538397211; Silva, Elaine Cabral da; Bayer, Hiram de Aquino; http://lattes.cnpq.br/3021692582897921; Barbosa, Jane Roberta de Assis; https://orcid.org/0000-0002-8424-5237; http://lattes.cnpq.br/7545246014722591; Macedo, Yuri Marques; https://orcid.org/0000-0003-4997-1628; http://lattes.cnpq.br/7965543059064328O urbanismo moderno surgiu como resposta ao aumento da população nas cidades e à aspiração de projetá-la como um macro-organismo controlável. Nessa perspectiva, foi compreendido tradicionalmente como uma disciplina pela qual os especialistas dos fenômenos urbanos uniam-se ao poder público para traçar planos de crescimento ordenado para os aglomerados humanos. As dinâmicas sociais e os próprios ritmos do capital nunca seguiram essas diretrizes à risca. Esta tese investiga o potencial do Urbanismo Tático e das gepoéticas que emergem por meio da criatividade dos citadinos, tornam-se ferramentas estratégicas para um novo paradigma de planejamento urbano e regional na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. Partindo de uma crítica aos modelos hegemônicos de planejamento, muitas vezes tecnocráticos e descolados das realidades vividas, a pesquisa explora como práticas espaciais criativas, ações geopoéticas e intervenções táticas emergem no tecido urbano, desafiando lógicas dominantes e propondo novas formas de habitar e produzir o espaço. Adota-se uma abordagem teóricometodológica que articula a teoria das territorialidades para analisar as relações de poder e a produção simbólica do espaço –O urbanismo tático configura-se como uma abordagem emergente dentro dos estudos urbanos, caracterizada por intervenções geopoética temporárias, ocupações artísticas territoriais de baixo custo e orientadas pela participação cidadã, com o objetivo de reconfigurar o uso e o significado dos espaços urbanos. Inspirado por práticas de ativismo urbano, design participativo e experimentações espaciais, o urbanismo tático propõe uma crítica prática ao planejamento tradicional, ao mesmo tempo em que revela possibilidades de reapropriação do espaço público a partir de ações locais e criativas. No contexto latino-americano, e particularmente nas cidades brasileiras, essas práticas ganham contornos singulares, expressando-se como formas de resistência, invenção cotidiana e construção de novos imaginários urbanos. Na falta de saneamento, iluminação, pavimentação e outras necessidades humanas básicas, como exigir do espaço público vocação social e estética? Diante da iminência do caos urbano e ambiental neste início do século 21, algumas ações têm emergido pelas mãos de cidadãos que buscam a cooperação e a solidariedade, na tentativa de sanar demandas urgentes. Mais que isso, de implementar iniciativas que resgatem a criatividade urbana, o convívio, a vida em comunidade e o respeito às diferenças. Fazse necessário uma reconsideração sócia urbanística, a respeito da importância da produção da cidade, através das potencialidades oriundas da criatividade dos indivíduos como ferramenta transformadora dos seus territórios. Isso provavelmente conduziria os técnicos e gestores a elaborarem planos urbanos e políticas públicas menos fragmentárias e mais estratégicas, pois o espaço e seus territórios não podem ser reduzidos apenas a uma localização, relações sociais da posse da propriedade e valor de troca – pois eles representam uma série de multiplicidades de preocupações psico-socio-materiais, o urbanismo, a arquitetura e os territórios são localizações físicas, peças de bem móvel e ao mesmo tempo uma liberdade existencial e uma expressão mental do ser criativo e na cidade que os indivíduos e coletivos habitam criativamente como poetas. O objetivo geral desta pesquisa de doutorado é compreender e analisar quais são os novos usos e ocupações criativas de territórios urbanos, através das práticas espaciais criativas e urbanismos táticos de sujeitos e atores públicos locais, como grafiteiros, interventores em ocupações artísticas, body-artists, creative place makers, praticantes de happenings, além de outros atores e práticas artísticas que contribuem na renovação, animação urbana e nos apresentam novos modos de executar um planejamento urbano criativo, estratégico, comprometido socialmente e eticamente com os habitantes do espaço intra-urbano de Natal na contemporaneidade.Tese (Re)estruturação urbana em Teresina-PI(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-04-10) Araújo, Francisco Jean da Silva; Gomes, Rita de Cássia da Conceição; http://lattes.cnpq.br/3188665123953039; http://lattes.cnpq.br/2305548505315077; Freitas, Paulo Rogério de; Façanha, Antonio Cardoso; Fonseca, Maria Aparecida Pontes da; Holanda, Virginia Célia Cavalcante deO padrão de localização dos equipamentos comerciais e de serviços tem assumido uma dimensão cada vez mais importante no processo de reestruturação intraurbana das cidades, especialmente aquelas de grande e médio porte, uma vez que a descentralização da atividade terciária para outras zonas urbanas reorienta fluxos e redefine a centralidade urbana. Em Teresina-PI, esse deslocamento dos equipamentos comerciais e de serviços para a Zona Leste provocou importantes mudanças no espaço, uma delas foi a reestruturação de algumas avenidas que se transformaram em importantes eixos comerciais e de serviços (ECS), em novas expressões de centralidade urbana. A partir desse delineamento, esta pesquisa tem como objetivo geral compreender o processo de reestruturação urbana de Teresina e a formação de novas expressões de centralidades com base no novo padrão de localização da atividade terciária na Zona Leste da cidade. Desse modo, a base teórico-metodológica da pesquisa é assentada na dialética, uma vez que o espaço urbano nas cidades é um produto da sociedade, sendo assim, corolário de processos complexos e contraditórios. Em conformidade com os objetivos propostos, os procedimentos metodológicos adotados foram a pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo; esta última, estruturada a partir de três instrumentos de coletas de dados: entrevistas, questionários e observação sistemática. O recorte espacial compreende os principais eixos comerciais e de serviços da Zona Leste da cidade, constituídos pelas seguintes avenidas: Nossa Senhora de Fátima, Raul Lopes, Jóquei Clube, Homero Castelo Branco, Dom Severino, João XXIII e Presidente Kennedy. Com base nas análises empíricas, constatou-se que a atividade terciária ocupa, em média, 70% das edificações instaladas ao longo dessas avenidas, com a proeminência dos equipamentos comerciais sobre os de prestação de serviços. A única exceção foi a Av. Nossa Senhora de Fátima, onde o uso de natureza comercial e de serviço atingiu 90%, colocando esse eixo como o mais saturado pelo comércio, consequentemente, aquele que apresenta a menor perspectiva de crescimento desta atividade. Verificouse ainda que o conteúdo abrigado pelas formas comerciais e de serviço é bastante dinâmico, o que revela a ausência de eixos especializados, embora o eixo formado pela Av. João XXIII tenha apresentado uma tendência à especialização. As formas assumidas pelos equipamentos comerciais e de serviços nos respectivos eixos apresentam algumas semelhanças, mas também se diferenciam, principalmente em relação ao tamanho das estruturas. Por meio desse delineamento, foi possível constatar que o novo padrão de localização da atividade comercial e de serviço na Zona Leste da cidade é resultado, principalmente, das deseconomias apresentadas pela área central da cidade, “centro principal”, frente às vantagens oferecidas pela referida zona, que emergiu nessa interface dialética como uma nova configuração espacial, em um contexto no qual a expansão do varejo moderno, a difusão do uso do automóvel, o aumento da importância dada ao lazer e ao consumo, solidariamente, corroboraram a reestruturação dessas avenidas, transformando-as em Eixos Comerciais e de Serviços (ECS), por sua vez, em novas expressões de centralidade urbana, haja vista tratar-se de espaços em que o fluxo diário de pessoas é intenso.Tese Áreas úmidas, serviços ecossistêmicos e trade-offs: avaliação dos macrohabitats costeiros do semiárido brasileiro(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-08-29) Saldanha, Denise Santos; Costa, Diógenes Félix da Silva; https://orcid.org/0000-0002-4210-7805; http://lattes.cnpq.br/4149669138364420; https://orcid.org/0000-0003-0259-3228; http://lattes.cnpq.br/2233997910233454; Troleis, Adriano Lima; Araújo, Paulo Victor do Nascimento; Sousa, Silvio Braz de; Furlan, Sueli ÂngeloNo litoral setentrional do Rio Grande do Norte, os macrohabitats costeiros de áreas úmidas se tornaram um dos ambientes mais expostos às forças motrizes humanas, principalmente em função da expansão das atividades econômicas. Estas, classificadas como macrohabitats artificiais, suscitam interferências diretas e indiretas na prestação dos serviços ecossistêmicos. Considerando a importância ambiental e socioeconômica dessas áreas úmidas, esta tese objetiva avaliar os macrohabitats costeiros no baixo curso da bacia hidrográfica do Rio Piancó-PiranhasAçu (RN/Brasil), a partir da relação entre a prestação de serviços ecossistêmicos ofertados pelos macrohabitats naturais e artificiais, bem como a influência dessa relação nos diferentes tradeoffs da área. Para alcançar este objetivo, os procedimentos metodológicos consistiram nos seguintes passos: 1) levantamento bibliográfico; 2) uso de geotecnologias para a caracterização e a espacialização dos macrohabitats costeiros; 3) aplicação de estatísticas multivariadas para análise sedimentológica dos diferentes macrohabitats naturais; 4) classificação dos serviços ecossistêmicos através do suporte teórico-metodológico da Classificação Internacional Comum de Serviços Ecossistêmicos (CICES); e 5) construção da matriz DPSIR (Driver–Pressão– Estado–Impacto–Reposta) para identificação dos indicadores de causa e efeito que influenciam na perda ou mudança de serviços (trade-offs). No baixo curso da bacia hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu, foram identificados seis macrohabitats costeiros: canais de maré, mangue, apicum, lagunas, salinas e carcinicultura. Esses se distribuem de forma heterogênea, com variabilidade sedimentológica devido à sua localização em zonas periodicamente inundadas, influenciados tanto pela dinâmica marinha quanto fluvial. Os principais resultados indicaram um aumento de 8.185,4 ha nas salinas solares e de 2.100 ha na carcinicultura ao longo dos 53 anos analisados, entre os anos de 1968 e 2021. Em contrapartida, houve uma redução de 3.055,95 ha nas áreas de apicum e de 439 ha nos bosques de mangue nesse mesmo período, o que revela uma crescente ocupação dos macrohabitats artificiais sobre os macrohabitats naturais de AUs. A identificação dos serviços ecossistêmicos demonstrou que esses ambientes naturais possuem uma alta capacidade de oferta, especialmente nas categorias de provisão, destacando-se a coleta de peixes e crustáceos, e de regulação/manutenção, com a regulação das condições físicas, químicas e biológicas. A análise dos indicadores da cadeia DPSIR observou que as demandas econômicas provocam variadas pressões nos macrohabitats naturais, de maneira que os impactos mais evidentes são as alterações das funções ecológicas e a impermeabilização do solo. Esses efeitos resultam 11 trade-offs, sendo três na seção de provisão e oito na de regulação/ manutenção, o que evidencia a necessidade de aferição dos diferentes usos e ocupações na paisagem. Para mitigar os danos, foram propostas três respostas: criação de áreas prioritária; elaboração do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas; e monitoramento ambiental. Essas medidas visam solucionar os impactos e promover o uso sustentável frente à dependência humana dos serviços ecossistêmicos. Espera-se que os resultados alcançados contribuam para o diagnóstico e prognóstico local, incentivem ações contínuas de educação ambiental, bem como à fiscalização e o monitoramento da água, do solo e da salinidade de tais áreas úmidas.Tese Centralidade, centros locais e turismo no Nordeste brasileiro: uma leitura além da hierarquia urbana(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-08-26) Silva, Moacir Vieira da; Gomes, Rita de Cássia da Conceição; http://lattes.cnpq.br/3188665123953039; https://orcid.org/0000-0003-1628-0935; http://lattes.cnpq.br/9146107637198026; Morais, Ione Rodrigues Diniz; Nonato Júnior, Raimundo; Alves, Larissa da Silva Ferreira; Lopes, Rosa Maria RodriguesGrande parte das pesquisas sobre a Centralidade Urbana, especialmente no contexto das interações entre cidades, concentra-se nas atividades terciárias (no comércio, nos serviços) e adota uma abordagem predominantemente funcional, econômica e hierárquica. A Teoria das Localidades Centrais, desenvolvida por Walter Christaller (1933), é uma das principais referências teóricas nesse campo de estudo. No entanto, essa teoria apresenta limitações, como a rigidez analítica, a desconsideração da historicidade do lugar e a exclusão de outros conteúdos socioeconômicos, culturais e políticos. Isso evidencia a necessidade de novas investigações que integrem dinâmicas mais complexas e diferentes horizontes de análise. Nossa tese surge nesse contexto, propondo uma outra leitura da centralidade interurbana, pensada e analisada a partir da relação sociedade, espaço e tempo (processo de produção do espaço); e das mudanças e complexidade das interações socioespaciais mais recentes, em um cenário globalizado. Dentro desse escopo, investigamos esse fenômeno espacial a partir de Centros Locais – dos municípios de Cairu, no estado da Bahia; de Tibau do Sul no Rio Grande do Norte; e de Jijoca de Jericoacoara no Ceará – e por meio das Atividades e Práticas Turísticas; e procuramos analisar, em uma perspectiva espaço-temporal, como o turismo influencia a dinâmica da centralidade interurbana nesses centros. Do ponto de vista metodológico, nossa tese foi desenvolvida a partir de três grandes eixos procedimentais, a saber: leituras e discussões conceituais, teóricas e analíticas sobre a problemática-chave da pesquisa; análises espaço-temporais (pesquisas geográficas, históricas e documentais) sobre os lugares investigados; e pesquisas de caráter empírico. A partir desse conjunto de ações, constatamos que esses municípios ocupam os patamares mais baixos no sistema hierárquico urbano do Brasil; paralelamente, estão no posto mais elevado na categorização do turismo nacional. Os eventos que marcaram essas áreas, especialmente seus destinos turísticos centrais, criaram um conjunto de (i) materialidades, práticas e representações que as posicionam como pontos centrais nas tramas (interações e conexões) espaciais. Embora não possuam grandes equipamentos de comércio e serviços, esses espaços atraem fluxos diversos, contíguos, interescalares e não-hierárquicos, por meio do seu conteúdo turístico (atrativos, infraestruturas e imagens), constituindo-se como centralidades. Esse fato revela diferentes possibilidades de compreensão e de apreensão sobre a importância dos lugares ou suas centralidades; mostra que esse fenômeno pode ser estudado a partir de diferentes perspectivas, escalas e conteúdos, ampliando os horizontes de análise e de descobertas.Tese Território, política e planejamento: as Transferências Voluntárias da União como estratégia de gestão do território(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-08-28) Paz, Diego Tenório da; Nonato Júnior, Raimundo; https://orcid.org/0000-0002-3685-6631; http://lattes.cnpq.br/2778825855162912; http://lattes.cnpq.br/2286410846761614; Tavares, Edseisy Silva Barbalho; Théry, Hervé Émilien René; Barbosa, Jane Roberta de Assis; Sampaio, Maria Lúcia PessoaOs fenômenos geográficos podem ser compreendidos através da análise da configuração territorial e das relações sociais. Enquanto fenômeno geográfico, as Transferências Voluntárias da União (TVU) contribuem para a constituição da configuração territorial, sua abrangência que atinge a escala nacional, com efeitos nos diversos entes e entidades nacionais, os projetos e recursos utilizados se materializam nos municípios, com isso, viabilizam infraestruturas em diversas áreas de interesse público. A relação política envolvida no processo de planejamento, de definição e destinação dos recursos é fundamental para a compreensão do tema. No âmbito nacional os recursos se concentram no eixo sudeste-nordeste. No Rio Grande do Norte as TVU, no período de 2008 a 2022, totalizam um montante de 2,6% de todos os recursos destinados pela União para os entes subnacionais. No período analisado o estado do RN reuniu objetos nas áreas de infraestrutura urbana, saúde, educação, assistência social, infraestrutura hídrica, segurança, assistência técnica e cultura. No processo relacionado às TVU o papel das normas é fundamental, dadas as regras para distribuição, liberação e utilização dos recursos. A tese tem como objetivo geral compreender a configuração territorial do estado do Rio Grande do Norte, a partir das implicações dos objetos instalados no território potiguar provenientes das Transferências Voluntárias da União (TVU). Para a organização e análise dos dados apresentamos uma categorização geográfica, que consideram as categorias fixo fixado, fixo circulante e não fixado do conjunto de objetos da TVU no território potiguar. Os resultados da pesquisa apontam que as Transferências Voluntárias da União têm sua origem composta por territorialidades e produz novas territorialidades, alterando a lógica entre materialidade e uso do território uma vez que sua distribuição não é apenas diferente, mas também seletiva e desigual, tendo ação da União como agente municipal, no exercício de uma estratégia de gestão do território.Tese Planejamento regional do nordeste: as infraestruturas como estruturas elementares do território(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-08-29) Rodrigues, Lucas Costa; Silva, Aldo Aloisio Dantas da; http://lattes.cnpq.br/7256935171597850; http://lattes.cnpq.br/6881303144203238; Théry, Hervé Émilien René; Nonato Júnior, Raimundo; Feitosa, Luciana da Costa; Costa, Wanderley Messias daEmbora a região Nordeste tenha sido amplamente estudada nas últimas décadas em termos de planejamento regional, persistem lacunas na compreensão da relação entre as infraestruturas e as políticas públicas de desenvolvimento. A pesquisa parte da hipótese de que existe uma relação de interdependência entre o modelo de planejamento estatal brasileiro, com foco no planejamento regional do Nordeste, e a configuração territorial das infraestruturas. Essa relação é caracterizada por uma influência mútua, em que o planejamento estatal condiciona e viabiliza a implantação de infraestruturas em porções específicas do território, ao passo que essas infraestruturas, enquanto estruturas elementares do território, não apenas resultam desse planejamento, mas também desempenham um papel na formulação, operacionalização e adaptação dos instrumentos de planejamento e das políticas públicas. O objetivo desta tese é analisar a relação de interdependência entre o modelo de planejamento estatal brasileiro, com foco no planejamento regional do Nordeste, e a configuração territorial das infraestruturas. A pesquisa sustenta que as infraestruturas são elementos centrais na configuração territorial, desempenhando um papel decisivo na dinâmica e fluidez do território, bem como no desenvolvimento regional. Para atingir esse objetivo, os capítulos desta tese abordarão a elaboração de uma cartografia temática detalhada, que subsidiará um panorama da configuração territorial das infraestruturas na região Nordeste, além de uma análise documental das principais políticas, programas e planos vinculados aos setores de infraestrutura. Além disso, a análise será apoiada por estudos de caso, como o Painel de Segurança Hídrica (PSH) e o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), que ilustram a interação entre infraestruturas, a dimensão normativa do território, as políticas de desenvolvimento regional e a aplicação da inteligência territorial. Esses elementos ressaltam a importância da informação geoespacial das infraestruturas para uma gestão territorial eficiente.Tese Geografia e Direito: a interface norma e território na Política de Segurança Pública do Piauí(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-08-21) Mendes, Larissa Sousa; Silva, Aldo Aloisio Dantas da; http://lattes.cnpq.br/7256935171597850; https://orcid.org/0000-0001-6673-9164; http://lattes.cnpq.br/5311901405613148; Locatel, Celso Donizete; Nonato Júnior, Raimundo; Costa, Marcondes Brito da; Nascimento, Eliana Freire doA questão da Segurança Pública é uma das que mais aflige nossa sociedade e uma das mais complexas para se solucionar. O crescimento da criminalidade e as crises recorrentes na segurança compõe o debate sobre a violência no Brasil, e o papel que as políticas públicas desempenham no seu controle faz da questão uma das principais agendas políticas do país hoje. Essas políticas públicas são construídas a partir de questões que envolvem diferentes campos do conhecimento e confrontos de interesses. Nessa direção, esta pesquisa parte da compreensão dos processos territoriais que envolvem as políticas que mobilizam esforços para o controle do crime, tendo como pressuposto o papel ativo do espaço na totalidade social e a sua relação com outras instâncias, como elementos fundamentais para as análises da segurança pública. Neste estudo, teve ênfase a relação com a instância jurídica. Isso porque a base de sustentação da política de segurança pública é o território político, compreendido como jurisdição de um Estado. Diante disso, definiu-se como objetivo compreender a relação entre a Geografia e o Direito a partir da interface entre a dimensão territorial e normativa na política de segurança pública do Piauí. Para balizarmos nossas análises, buscou-se apoio na concepção de território usado, território normado e configuração territorial, categorias de análise fundamentadas na teoria do espaço geográfico de Milton Santos (1994). Utilizou-se também a teoria do Planejamento Estratégico Situacional - PES (MATUS, 2005) para fundamentar as discussões sobre a validade teórica do conceito de território na política de segurança do Piauí. O estudo da dimensão normativa, bem como da forma como o conceito de norma se constituem na dimensão epistemológica do Direito, foi mediado por Boaventura de Sousa Santos (1988, 2014), Löic Wacquant (2007; 2008) e Sérgio Adorno (1999, 2006), entre outros. No que se refere aos procedimentos metodológicos, além da pesquisa bibliográfica, foi realizado um levantamento documental especificamente voltado para as leis e normas que regulam a segurança pública no Piauí. Finalmente, também foi elaborado uma proposta de cartografia analítica, que possibilitou oferecer instrumentos científicos para a interpretação e análise da relação entre segurança pública e uso do território. Conclui-se que a norma na relação entre uso do território e segurança pública apresenta-se na dimensão legal, as leis do lugar e a anomia. Há um conflito cognitivo no Plano Estadual de segurança do Piauí que denota uma cegueira geográfica e a inexistência de planejamento estratégico. Verificou-se que a organização das infraestruturas de segurança no espaço é seletiva e reafirma a exclusão territorial e a formação de arquipélagos das desigualdades sociais e territoriais no Piauí. Pôde-se ainda vislumbrar a necessidade do fortalecimento da tríade planejamento, gestão e monitoramento. Geograficamente, ficou evidente a relação estreita entre o uso do território e a norma no planejamento e implementação de políticas de segurança pública do Piauí. Desta forma, pode-se afirmar que o território e a interface com a dimensão normativa se constituem como um ângulo heurístico geográfico que permite espacializar os fenômenos da violência e pensá-los articulados com as qualidades territoriais como um fator relevante na busca pela elaboração de políticas de segurança mais eficientes e coerentes com a realidade dos territórios.Tese Poder financeiro e eleições estaduais no Brasil em 2014, 2018 e 2022(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-07-31) Almeida, Cássio Rodrigo da Costa; Albuquerque, Edu Silvestre de; http://lattes.cnpq.br/3353125804259611; https://orcid.org/0000-0002-9732-4145; http://lattes.cnpq.br/1337928327316971; Locatel, Celso Donizete; Barbosa, Jane Roberta de Assis; Araújo, Bruno Gomes de; Costa, Rodolfo Ferreira Ribeiro daA relação entre geografia política e contabilidade envolve a análise de como o espaço territorial e as dinâmicas de poder influenciam a distribuição de recursos financeiros no período eleitoral. neste sentido, a pesquisa teve como objetivo analisar a importância dos aspectos financeiros nas eleições majoritárias das Unidades Federativas (UFs) brasileiras nos pleitos de 2014, 2018 e 2022. Quanto aos objetivos específicos, buscou-se: identificar as fontes de arrecadação das campanhas eleitorais majoritárias das UFs; analisar a composição dos gastos das campanhas eleitorais majoritárias das UFs; e analisar a influência das variáveis independentes e de controles no êxito das campanhas eleitorais majoritárias das UFs. Nossa hipótese é de que a variável financeira é um fator que influencia em campanhas eleitorais, possibilitando maior alcance dos eleitores e o êxito eleitoral dos candidatos. Quanto aos procedimentos técnicos, adotou-se a análise comparativa histórica e definiu-se como amostra as candidaturas dos eleitos e não eleitos ao cargo de governador das 27 UFs nas eleições de 2014, 2018 e 2022. O levantamento dos dados ocorreu por meio do DivulgaCand (TSE). Para verificar o comportamento espacial dos dados através da localização, interação e representação dos fenômenos, empregamos o software aberto Qgis versão 3.32.0. Para a construção do modelo estatístico foi utilizado a técnica de Regressão Logística (Logit). Quanto às variáveis dependentes, foi caracterizada como os candidatos eleitos e não eleitos ao cargo de governador. Para as variáveis independentes, empregou-se as receitas e as despesas, financeiras e não financeiras. Quanto as variáveis de controle, foram: reeleição, gênero, patrimônio do candidato, IVS – infraestrutura e renda per capita. Os resultados mostraram que a variável “receita total” recebida pelos candidatos, não obteve um bom nível de significância, ou seja, não influenciou no caso dos eleitos. Da mesma forma, a variável “receita financeira” não obteve um bom nível de significância. Considerando a variável “despesa total”, a mesma também não obteve um bom nível de significância no caso dos eleitos. No entanto, a variável “despesa financeira” mostrou que na medida que mais gastam, aumentam em 1% a probabilidade de serem eleitos. Sobre as variáveis de controle, pode-se identificar que o “patrimônio” dos candidatos, mostrou que quanto maior for seus recursos, maior será a razão de chances de êxito. Da mesma forma, quando um candidato pleiteia a “reeleição”, sua razão de chances aumenta. Em termos percentuais, tal aumento representa 15,14% a mais de probabilidade de ser eleito. Com relação ao “gênero”, foi identificado que quando os candidatos são do gênero masculino, a sua razão de chances de êxito é maior. Quanto ao “IVS - dimensão infraestrutura”, das cidades onde residiam os candidatos no período eleitoral, quanto maior tal índice, maior a sua razão de chances de êxito. Da mesma forma a “renda per capita”, pois quanto maior for esse indicador nos estados em que concorreram, a sua razão de chances de êxito aumenta em 1%. Isto posto, a hipótese da pesquisa foi respondida, pois identificamos que o candidato que gasta mais, tem 1% de chance a mais de êxito. Assim, a hipótese testada foi considerada positiva, aliada ainda com as demais variáveis. Conclui-se que o modelo proposto ofereceu subsídios suficientes para analisar a importância dos aspectos financeiros nas eleições majoritárias dos estados brasileiros.Tese Práticas espaciais, religião e poder: uma análise geográfica da atuação política das denominações neopentecostais no Brasil (1988-2022)(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-05-28) Correia, José Leandro Fernandes dos Santos; Albuquerque, Edu Silvestre de; http://lattes.cnpq.br/3353125804259611; http://lattes.cnpq.br/6368842396010620; Carvalho, Antônio Alfredo Teles de; Araújo, Bruno Gomes de; Locatel, Celso Donizete; Morais, Hugo Arruda deAs igrejas neopentecostais representam um fenômeno religioso que se estruturou no Brasil desde a década de 1970. O objetivo geral desta pesquisa foi analisar as diversas estratégias de difusão espacial dessas instituições religiosas com foco na análise de suas ações políticas, considerando que o seu poder é demonstrado por meio da eleição de diversos parlamentares que são atores religiosos (bispos, pastores) e têm em sua estratégia a expansão, o controle e o gerenciamento territorial. Para tanto, foram considerados dados que explicam a lógica de crescimento das igrejas pesquisadas por meio do processo eleitoral, do controle de partidos políticos e da destinação de recursos públicos para a criação e manutenção de empreendimentos religiosos. A análise dos dados teve como base a teoria da problemática relacional de Raffestin (1993) e o conceito de práticas espaciais de Corrêa (1995) e Souza (2022). Dentre os resultados alcançados, foi possível demonstrar que as três maiores organizações religiosas pesquisadas nesta tese (Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus e Igreja Internacional da Graça de Deus) compõem em suas práticas espaciais um conjunto ordenado de mecanismos estratégicos que reforçam a relevância política dessas organizações no contexto do Estado brasileiro. Destarte, desde o recorte temporal que estamos tratando, isto é, o ano de 1988, com a publicação da Constituição Brasileira, até 2022, tais organizações religiosas lançam na agenda política posturas ideológicas que não se sustentam perante sua inserção no sistema de relações políticas. Outrossim, comprovou-se que, dentro da lógica patrimonialista e pragmática do chamado presidencialismo de coalizão, as igrejas neopentecostais participaram de todos os governos federais do período 1988-2022. Com isso, confirmou-se a tese desta pesquisa de que a estratégia espacial na expansão das igrejas neopentecostais se dá em função da busca por mais projeção social e poder, bem como a sua atuação institucional com discursos e práticas que não cabem em definições ideológicas, mas se adaptam a governos de distintas matizes ideológicas, propondo barganhas políticas e se encaixando no jogo político característico do chamado Estado Patrimonialista brasileiro.Tese A norma e a forma das regiões turísticas no Brasil: proposta teórico-metodológica de regionalização do turismo(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-06-14) Costa, Hugo Aureliano da; Fonseca, Maria Aparecida Pontes da; http://lattes.cnpq.br/4606530449881824; https://orcid.org/0000-0003-4607-1587; http://lattes.cnpq.br/0007418624637855; Azevedo, Francisco Fransualdo de; http://lattes.cnpq.br/2719998085102847; Taveira, Marcelo da Silva; Serra, Hugo Rogério Hage; Barros, Nilson Cortez Crocia deA regionalização proposta pelo Ministério do Turismo apresenta alguns problemas, uma vez que é possível identificar falhas conceituais e fragilidades nos critérios adotados, o que a torna superdimensionada e sem coesão. As dificuldades encontradas na regionalização oficial acarretam um descompasso da norma (limites regionais e municípios não articulados) com a forma-conteúdo da atividade turística. Mediante a observação desse problema, a presente tese propõe uma metodologia para a regionalização da atividade turística que contempla, entre outros elementos, o levantamento dos fixos e dos fluxos turísticos, procurando identificar na coerência funcional entre os lugares turísticos a constituição das regiões turísticas. A metodologia foi aplicada no estado do Rio Grande do Norte, onde observou-se a formaconteúdo da atividade turística e, assim, propôs-se uma nova regionalização para o turismo baseada em critérios geográficos, isto é, na coesão funcional da atividade turística visualizada a partir da integração e interação espacial entre os elementos do turismo. Com isso, espera-se que a presente pesquisa possa contribuir para avançar na discussão do turismo sob a perspectiva geográfica/espacial e que a proposição da metodologia de regionalização agregue novos elementos ao debate regional (do turismo). A proposta de regionalização turística para o Rio Grande do Norte procura unir forma e norma, possibilitando a constituição de regiões turísticas de acordo com a articulação espacial dos atores vinculados ao turismo e, dessa forma, tornando mais factível e operacional o processo do planejamento urbano-regional do turismo.Tese Poética e política das paisagens: experiências espaciais no cinema de Pernambuco(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2022-08-03) Gomes Júnior, Gervásio Hermínio; Costa, Maria Helena Braga e Vaz da; https://orcid.org/0000-0002-3604-1483; http://lattes.cnpq.br/5114110813711387; http://lattes.cnpq.br/9183829994881984; Dantas, Eugênia Maria; Nascimento, Francyjonison Custódio do; Cunha, Mariana Arruda Carneiro da; Costa, Otávio José LemosA presente tese procura pensar, a partir dos campos do cinema e da geografia, a paisagem enquanto uma experiência espaçotemporal. A experiência paisagística emerge do encontro do corpo e dos seus sentidos com o mundo, produzindo afetos, imagens poéticas e imaginações espaciais que trazem consigo implicações políticas relacionadas ao modo como vemos o mundo. Para pensar as experiências espaciais e a forma como elas produzem um devir paisagístico, mobilizamos o cinema que, de acordo com Deleuze (2018) cria uma apresentação direta do tempo, e produz um novo paradigma de imagem, a imagem-tempo. A imagem deixa de ser sensório-motora, a qual se prolongava na ação e passa a ser óptico-sonora, ou seja, torna sensíveis o tempo e o pensamento, torna-os visíveis e sonoros (DELEUZE, 2018, p.35). Algo semelhante ocorre à paisagem que figura aqui como uma experiência de tempo suscitada por determinadas espacialidades. O Cinema contribui, assim, para pensarmos a Geografia e os seus conceitos, deixando de ser apenas um acervo da representação dos lugares. O cinema produzido na atualidade em Pernambuco nos oferece a possibilidade de pensarmos essas experiências, na medida em que constrói em muitos momentos, encontros diversos entre os sujeitos e o mundo. Apresenta personagens videntes que se defrontam com a paisagem e com os afetos que são produzidos por esses encontros ou ligações. O cinema contemporâneo de Pernambuco constrói diferentes espacialidades: espaços urbanos, agrários e naturais, e personagens que são, por seu turno, afetados por esses espaços. Na paisagem enquanto devir ou experiência do tempo, esses espaços e suas respectivas problemáticas provocam afetos que podem ser negativos ou positivos, experiências de liberdade, autoritarismo, segurança, medo, beleza, feiura, lugar, nãolugar, entre outros. Além disso, o cinema de Pernambuco atualiza imagens poéticas e imaginações espaciais do Nordeste brasileiro, constrói uma política da paisagem que tematiza a cidade de Recife e os seus problemas, bem como outros espaços; rompe e, ao mesmo tempo, reproduz o regionalismo enquanto um imaginário espacial e, sobretudo, enquanto cinema autoral e conceitual nos faz refletir sobre o conceito de paisagem e a forma como o espaço geográfico é imaginado e reimaginado.
