PPGH - Mestrado em História

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  • Dissertação
    Infoproletário: um update na identidade do professor historiador a partir da atuação profissional na plataforma Instagram (2020-2022)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-10-24) Nunes, Viviane Cristine Pereira; Souza, Fabíula Sevilha de; https://orcid.org/0000-0002-9854-2013; http://lattes.cnpq.br/0014755537333505; https://orcid.org/0009-0008-7107-2139; http://lattes.cnpq.br/2848974113695315; Santiago Júnior, Francisco das Chagas Fernandes; https://orcid.org/0000-0003-2690-5222; http://lattes.cnpq.br/8893350729538284; Nicolazzi, Fernado Felizardo; Silveira, Pedro Telles da; https://orcid.org/0000-0001-7576-5241; http://lattes.cnpq.br/9302624475760221
    O século XXI tem proporcionado aos historiadores novos desafios relacionados às suas atuações profissionais. Na era da Inteligência Artificial, nos vemos cada vez mais cobrados a acompanhar as mudanças e a reconfigurar nossas práticas, sob pena de sermos nós os próximos condenados à obsolescência. Entre os anos de 2020 e 2022, a migração do nosso trabalho para os ambientes digitais, sobretudo nas plataformas, foi acelerada em virtude da crise sanitária proporcionada pela Pandemia de COVID-19, catalisando as transformações nos nossos métodos de comunicar e compartilhar conhecimento histórico. No espaço da plataforma, nos vimos obrigados a atuar de acordo com as premissas do capitalismo de plataforma, inserindo-nos também no processo de plataformização. Esta pesquisa, portanto, analisa como os historiadores formados pela UFRN reinventam suas práticas profissionais no Instagram diante dos desafios impostos pelo capitalismo de plataforma e pela precarização do trabalho no mundo pós-digital. Para isso, utilizo a metodologia de Análise de Conteúdo de Laurence Bardin (1977) e Atitude de Presença de Bruno Leal Pastor de Carvalho (2016), além das categorias conceituais de plataformização (Poell, Nieborg e Van Dijck, 2020), capitalismo de plataforma (Srnicek, 2016) e espaço da plataforma (Srnicek, 2016).
  • Dissertação
    Uso, presença e sentidos: a cartografia visual de Marcelo D'Salete e a construção de um novo espaço de negritude
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-09-26) Sobrinho Neto, Antonio Zuza; Peixoto, Renato Amado; https://orcid.org/0000-0002-2342-4215; http://lattes.cnpq.br/4329353374197075; http://lattes.cnpq.br/3851967955571283; Santos, Magno Francisco de Jesus; https://orcid.org/0000-0002-2218-7772; http://lattes.cnpq.br/9046069221784194; Pessoa, Alberto Ricardo; https://orcid.org/0000-0002-0231-3778; http://lattes.cnpq.br/6167799335143402
    Esta dissertação propõe uma reflexão sobre os quadrinhos brasileiros contemporâneos como espaços de enunciação e afirmação da negritude, a partir da obra do artista Marcelo D’Salete. Historicamente marcada por apagamentos e estereótipos racializados, a linguagem dos quadrinhos no Brasil vem sendo ressignificada por vozes negras que, ao ocupar esse campo, transformam-no em território de memória, resistência e reexistência. O objetivo central é compreender se a cena atual dos quadrinhos pode ser interpretada como um novo espaço de negritude – não apenas enquanto representatividade, mas como gesto político, estético e epistemológico de ocupação simbólica. Para tanto, realiza-se uma análise crítica da graphic novel Angola Janga: uma história de Palmares, articulando os elementos visuais, narrativos e discursivos da obra às questões históricas e identitárias que ela convoca. A pesquisa adota uma abordagem que integra análise do discurso, leitura semiótica e crítica da representação, com ênfase na relação entre linguagem, memória e construção de subjetividades. Compõe ainda o corpus desta dissertação uma entrevista com o próprio autor, que oferece subsídios para compreender seu percurso criativo e os sentidos políticos de sua produção. Conclui-se que a obra de Marcelo D’Salete não apenas reinscreve a história da resistência negra no Brasil, mas também firma os quadrinhos como um espaço de negritude – um lugar de fala, escuta e disputa por outras memórias e outras formas de existir.
  • Dissertação
    Administração e institucionalização da justiça no Rio Grande do Norte Imperial (1835-1889)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-10-17) Silva, Yasmim Azevedo da; Alveal, Carmen Margarida Oliveira; Slemian, Andréa; Camarinhas, Nuno Miguel de Morais Pestana Tarouca; Dias, Thiago Alves
    O presente trabalho tem por objetivo analisar o processo de constituição do aparato judiciário norte-rio-grandense e a sua institucionalização durante o período imperial. Para este fim, o foco da discussão aqui apresentada consistirá no exame da construção da rede comarcã na província do Rio Grande do Norte entre os anos de 1835 e 1889. Os documentos tomados como fonte neste processo investigativo consistem nas falas, nos discursos e nos relatórios dos homens que ocuparam o cargo de presidente de província, bem como na legislação provincial promulgada no decorrer do recorte temporal proposto. Por meio dos dados e das informações apresentadas nesta documentação, procurou-se refletir sobre o ritmo de construção e a conformação da malha judicial norte-rio-grandense, bem como acerca das variáveis que estiveram relacionadas diretamente a este processo. Estes documentos, produzidos por agentes ligados à burocracia estatal imperial — pelos presidentes de província e pelos deputados provinciais, respectivamente —, foram escolhidos como fontes para a pesquisa aqui desenvolvida por apresentarem, do ponto de vista de uma narrativa discursiva oficial (do Estado, por meio de seus funcionários), como se conformava e como se entendia o delineamento desses espaços de justiça ao longo do Império em meio à estrutura administrativa adotada durante a vigência desse regime. Assim, procurou-se entender, com base nessas produções do passado, como um discurso institucionalizado da ordem estabeleceu e consolidou o arranjo judicial territorial no Rio Grande do Norte imperial.
  • Dissertação
    "Entre tábuas e zinco": o diário de Carolina Maria de Jesus como espaço de experiência em Quarto de Despejo (1955-1960)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-09-30) Silva, Elaine Alves da; Santos, Magno Francisco de Jesus; Peixoto, Renato Amado; Monteiro, Lívia Nascimento
    A partir da obra Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1960), de Carolina Maria de Jesus, e de fontes complementares, como edições das revistas O Cruzeiro, Manchete e periódicos da década de 1950, esta dissertação analisa a construção do diário como espaço de experiência e sua circulação no campo literário e midiático. O recorte temporal abrange o período de 1955 a 1960, compreendendo os primeiros registros do diário até sua produção, enquanto o recorte espacial corte espacial concentra-se na favela do Canindé, em São Paulo. A escrita de Carolina configura uma representação singular do ambiente marginalizado, atravessada pela sensorialidade, pela memória e pela vivência cotidiana. Sua imagem pública, contudo, foi mediada por figuras e instituições como o Jornalista Audálio Dantas e a Revista o Cruzeiro, cuja repercussão contribuiu para legitimar e, simultaneamente, enquadrar a voz da autora nos moldes editoriais da época. O objetivo central da pesquisa consiste em investigar de que modo os diários de Carolina Maria de Jesus elaboram um espaço de existência, revelando relações sociais e percepções sensoriais do ambiente, bom como sua dimensão mediada nos processos de pré-produção, edição e publicação de Quarto de Despejo. A metodologia ancora-se na Sociologia da Literatura, conforme Pierre Bourdieu, articulando texto, contexto e trajetória social. O referencial teórico abrange ainda o conceito de escrevivência, Conceição Evaristo, as reflexões de Roger Chartier e Stuart Hall sobre representação, as contribuições de Yi-Fu Tuan sobre a experiência sensorial do espaço e as ideias de Michel de Certeau sobre as praticas cotidianas. Análise demonstra como Carolina Maria de Jesus por meio da escrita diarística, construiu uma representação potente e complexa de sua experiência concreta, atravessada por mediações editoriais e midiáticas que moldaram sua recepção publica e literária.
  • Dissertação
    A expansão da fronteira colonial: atuação de particulares nos sertões do Baixo Amazonas (1684-1755)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-09-22) Jesus, Vitória Mascarenhas de; Alveal, Carmen Margarida Oliveira; https://orcid.org/0000-0002-1202-0231; http://lattes.cnpq.br/1118391491224309; http://lattes.cnpq.br/6894319940451074; Dias, Thiago Alves; https://orcid.org/0000-0003-4308-418X; http://lattes.cnpq.br/4789960762797571; Viana, Wania Alexandrino; https://orcid.org/0000-0002-7106-3995; http://lattes.cnpq.br/3899154572393491
    Este trabalho tem como objetivo compreender a expansão da fronteira colonial para a região do Baixo Amazonas durante o final do século XVII e a primeira metade do século XVIII. O período escolhido refere-se às primeiras iniciativas de avanço militar português verificados na criação de núcleos de administração colonial de defesa no Tapajós, Paúxis e Paru, definidos na documentação colonial como “sertões”. Por abrigarem recursos como a mão de obra indígena e as drogas do sertão, foram espaços estratégicos para a Coroa portuguesa e, portanto, precisavam de fiscalização proporcionada a partir de 1684 com a instalação das fortalezas. A expansão dessa fronteira contou com a participação de particulares que ocupariam os postos de capitães-mores. Logo, o foco desta análise está nas políticas de expansão que envolviam indivíduos comprometidos com a conquista ultramarina, sendo recompensados com títulos, postos e propriedades por meio do que é denominado “economia das mercês”. Buscamos entender quem eram esses sujeitos, como conquistaram os postos em questão, os conflitos que se envolviam com as demais autoridades locais e suas múltiplas formas de articulação nesses espaços mais afastados dos polos centrais do Estado do Maranhão e Grão-Pará. Além disso, destacamos como esses particulares se inseriam nos negócios lucrativos do sertão, mediante o envio de canoas para a coleta de drogas do sertão e descimento de indígenas, ações possibilitadas pela navegação dos rios amazônicos. Essas atuações, viabilizadas pela dinâmica do espaço, poderiam estar alinhadas ou não aos objetivos de expansão da Coroa portuguesa. As fontes utilizadas incluem crônicas, documentos do Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), do Arquivo Público do Estado do Pará (APEP) e do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT).
  • Dissertação
    A (des)construção da decadência da Ribeira, Natal/RN (1950-1980)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2022-12-22) Araújo, Bárbara Silva; Santiago Júnior, Francisco das Chagas Fernandes; https://orcid.org/0000-0003-2690-5222; http://lattes.cnpq.br/8893350729538284; https://orcid.org/0000-0002-9399-1119; http://lattes.cnpq.br/6778537492589318; Arrais, Raimundo Pereira Alencar; https://orcid.org/0000-0003-1731-1000; http://lattes.cnpq.br/8252775667149757; Freire, Diego José Fernandes; http://lattes.cnpq.br/7824839450030326; Silva, Wesley Garcia Ribeiro; http://lattes.cnpq.br/2125737316069934
    A ideia de que o bairro da Ribeira, Natal/RN, entrou em decadência é tão comum que ela surge com certa “naturalidade” e muitas vezes não se procura problematizar seu significado ou se sabe qual sua historicidade. Nesse sentido, esta pesquisa visa identificar a emergência da imagem de decadência associada a Ribeira na segunda metade do século XX a partir da análise de textos memorialísticos (1970-1980) e jornais locais (1950). Busca-se compreender quais e como se deu a construção dos significados do bairro que se tornaram centrais para certo tipo de seu enredamento da trajetória urbana no tempo histórico. Metodologicamente, esta pesquisa buscou analisar os significados dos elementos que constituem a imagem de decadência formulada pelos memorialistas, além de compreender como esses elementos estavam sendo lançados pelos jornais no espaço público na segunda metade do século XX. Fundamentam as análises desenvolvidas nesta pesquisa os conceito de representação (Roger Chartier, Sandra Jatahy Pesavento), memória (Paul Ricoeur, Maurice Halbwachz) e imagem (J. Mitchel), além das noções de experiência (Yi-Fu Tuan) e apego ao lugar (Edward Relph), bem como as reflexões sobre mídia na modernidade (John B. Thompson). A pesquisa destaca a memória do bairro da Ribeira como determinante de imagens, conceitos e discursos, presentes e atuantes hoje, sobre a forma de compreender a cartografia da cidade de Natal, que associa alguns de seus bairros a um passado superado. Evidencia-se que a construção da imagem de decadência da Ribeira tem base em questões políticas, econômicas e sociais, sendo a apropriação do espaço por populares um elemento basilar deste processo.
  • Dissertação
    Lei 10.639/03 e a universidade: a formação dos professores de História e as relações étnico-raciais (2004-2022)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-07-21) Oliveira, Sabrina Querem Apuque Lima Gomes de; Oliveira, Margarida Maria Dias de; https://orcid.org/0000-0002-8542-4173; http://lattes.cnpq.br/5565266295414497; http://lattes.cnpq.br/7364715115107585; Santos, Magno Francisco de Jesus; https://orcid.org/0000-0002-2218-7772; http://lattes.cnpq.br/9046069221784194; Souza, Juliana Teixeira; https://orcid.org/0000-0002-9537-7884; http://lattes.cnpq.br/7893663154086378; Gomes Neto, João Mauricio; https://orcid.org/0000-0003-0194-6802; http://lattes.cnpq.br/3179445874709053
    Esta dissertação analisa como a Lei 10.639/03 tem sido incorporada aos Projetos Político-Pedagógicos (PPPs) dos cursos de licenciatura em História em instituições públicas e privadas do estado do Rio Grande do Norte, sendo elas: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN – Natal e CERES), Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN – Mossoró e Assú) e Universidade Potiguar (UnP – Natal). A pesquisa parte da reflexão acerca da formação docente e busca compreender como as relações étnico-raciais são contempladas nos currículos e nas propostas institucionais de formação inicial. Adota-se a análise de conteúdo como metodologia investigativa (Bardin, 2011), a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, com categorias que envolvem consciência política da diversidade, fortalecimento de identidades e ações educativas antirracistas. Com apoio teórico em autores, a exemplo de Bourdieu (2001, 2007), especialmente os conceitos de habitus e capital simbólico; Certeau (1994), sobre práticas cotidianas e discursos; Nilma Lino Gomes (2017), em sua abordagem do pacto tácito e do currículo como campo de disputas; Almeida (2020), na definição de racismo estrutural e institucional; Abdias Nascimento (1978), sobre o genocídio simbólico do povo negro; e Djamila Ribeiro (2018), na conceituação de racismo como sistema de opressão, a pesquisa demonstra como os cursos ainda operam sob uma lógica curricular eurocêntrica, com avanços limitados na efetivação da legislação. O estudo evidencia que embora a inclusão da História da África nos currículos seja um marco, sua implementação depende da mobilização dos sujeitos e das disputas simbólicas no interior das instituições.
  • Dissertação
    Rotas do cativeiro: o Rio Grande do Norte nos circuitos do tráfico interprovincial de escravizados (c.1830-1885)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-04-03) Lima, Gillzicley Silva Carneiro; Dias, Thiago Alves; https://orcid.org/0000-0003-4308-418X; http://lattes.cnpq.br/4789960762797571; http://lattes.cnpq.br/6352505831225193; Alveal, Carmen Margarida Oliveira; https://orcid.org/0000-0002-1202-0231; http://lattes.cnpq.br/1118391491224309; Motta, Márcia Maria Manendes
    Esta dissertação tem como objeto de investigação o tráfico interprovincial de indivíduos escravizados entre a Província do Rio Grande do Norte e as províncias meridionais do Império brasileiro ao longo do século XIX, sobretudo após a promulgação da Lei Eusébio de Queirós (1850), que extinguiu o tráfico transatlântico de africanos. Valendo-se de documentação diversificada — incluindo o Censo Demográfico do Império de 1872, os Relatórios dos Presidentes de Província, periódicos oitocentistas, a Coleção de Leis Provinciais do Rio Grande do Norte e registros notariais de transações comerciais de escravizados —, objetiva-se analisar as dinâmicas estruturais desse comércio interno, bem como suas repercussões demográficas, sociais, fiscais e econômicas tanto na região expedidora (Rio Grande do Norte) quanto nas províncias receptoras. Adicionalmente, busca-se estabelecer correlações entre o tráfico interprovincial, a configuração da economia provincial potiguar e o crescimento das unidades produtoras de café no sul imperial, destacando como esse fluxo de mão de obra cativa integrou-se às lógicas de acumulação e expansão territorial vinculadas à agroexportação.
  • Dissertação
    Terras indígenas na vila de São José do Rio Grande: entre direitos e territorialidades
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-01-29) Varela, Anália Luíza de Lima Alcântara; Alveal, Carmen Margarida Oliveira; https://orcid.org/0000-0002-1202-0231; http://lattes.cnpq.br/1118391491224309; http://lattes.cnpq.br/7807872562708830; Cavignac, Julie Antoinette; https://orcid.org/0000-0003-0192-1103; http://lattes.cnpq.br/2111200163433960; Rolim, Leonardo Cândido; https://orcid.org/0000-0001-7295-3984; http://lattes.cnpq.br/8298520277046604; Maia, Ligio José de Oliveira; https://orcid.org/0000-0001-9683-1965; http://lattes.cnpq.br/3637992585281501
    A pesquisa analisa a história da antiga aldeia de Mipibu, que se transformou na Vila de São José do Rio Grande, focando nas dinâmicas de poder, territorialidade e direitos indígenas no contexto colonial do Brasil, especialmente após as reformas pombalinas. Destaca-se a flexibilidade do pluralismo jurídico que permitia a diferentes grupos, incluindo indígenas e colonos, navegar entre várias jurisdições, utilizando estratégias legais adaptadas às suas circunstâncias. O estudo explora a relação entre direitos indígenas e territorialidade, enfatizando a importância da memória coletiva e dos vínculos afetivos com o território. As cartas de concessão de sesmarias e outros documentos históricos demonstram que a terra transcendeu seu valor econômico, representando poder simbólico e político, estruturando hierarquias e consolidando a hegemonia colonial. A compreensão dos direitos indígenas sobre a terra em Mipibu é apresentada como um processo de tensionamento entre a legislação colonial e as estratégias de sobrevivência étnica, inserido em um contexto intersocietário, em que apesar da hostilidade do território colonial, os indígenas conseguiram manter sua existência e integrar-se à estrutura colonial, promovendo novas composições sociais. Em suma, a pesquisa contribui para a compreensão das complexas relações de poder e territorialidade na Vila de São José do Rio Grande, elucidando as lógicas de dominação e resistência que moldaram a história indígena na região, e destacando a necessidade de uma análise aprofundada das dinâmicas de conquista e dominação ao longo do tempo.
  • Dissertação
    "Nordeste sangrento": as reportagens de Severino Barbosa para o Diário de Pernambuco (1966-1967)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-07-04) Paiva, Alan Abel Cavalcante; Costa, Bruno Balbino Aires da; https://orcid.org/0000-0003-3538-182X; http://lattes.cnpq.br/6237253183382621; http://lattes.cnpq.br/2255808333883305; Albuquerque Júnior, Durval Muniz de; https://orcid.org/0000-0003-4153-9240; http://lattes.cnpq.br/7585947992338412; Falcão, Marcilio Lima; http://lattes.cnpq.br/5594231476327875; 51974096300
    Esta dissertação analisa uma série de reportagens sobre o banditismo no Nordeste, assinada por Severino Barbosa e publicada no Diário de Pernambuco entre 1966 e 1967, na qual o fenômeno é organizado em três ciclos: o ciclo do cangaceiro, o ciclo do jagunço e o ciclo do pistoleiro. Embora cada ciclo possua particularidades, todos se fundamentam em um discurso que configura a região Nordeste como um espaço essencialmente violento, e este estudo busca interpretar como essa leitura foi construída. Inicialmente, a pesquisa traça uma breve trajetória do jornalista no interior das dinâmicas do conglomerado midiático ao qual ele estava vinculado, sua transição por diferentes âmbitos da sociedade e o processo de produção de sua série. Na sequência, adentra nas reportagens, identificando os referenciais mobilizados. Este trabalho utiliza como fontes a série sobre o banditismo, além de outras produções assinadas por Severino Barbosa veiculadas em diferentes mídias e sua repercussão na imprensa. Possuindo um caráter qualitativo, o estudo emprega os procedimentos metodológicos de Heloísa de Faria Cruz e Maria do Rosário da Cunha Peixoto (2007) e de Tânia Regina de Luca (2008), que orientam a análise das dimensões espaciais, políticas, econômicas e sociais da imprensa. Além disso, recorre a análise semiolinguística do discurso de Patrick Charaudeau (2013) para explorar os elementos da escrita jornalística, enquanto os trabalhos de Ana Maria Mauad (1993; 2005a;2005b;2006) oferecem suporte para interpretar as fotografias presentes nas reportagens, levantando hipóteses sobre os sentidos atribuídos a elas. Em termos gerais, esta dissertação propõe demonstrar que Severino Barbosa, embora dialogue com diferentes vertentes, consegue produzir uma interpretação própria sobre o Nordeste, que gera impactos nos leitores que a consomem por meio das páginas do jornal.
  • Dissertação
    Corpos que falam: mulheres perseguidas, mas não silenciadas pela Ditadura Militar em Pernambuco (1968-1974)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-09-25) Cavalcanti, Luíza Vieira; Albuquerque Júnior, Durval Muniz de; https://orcid.org/0000-0003-4153-9240; http://lattes.cnpq.br/7585947992338412; https://orcid.org/0000-0003-0047-2481; http://lattes.cnpq.br/9609455791933620; Rosa, Susel Oliveira da; Sales Neto, Francisco Firmino; https://orcid.org/0000-0001-9647-4638; http://lattes.cnpq.br/3836760295812952
    Este trabalho objetiva discutir sobre o processo de resistência das mulheres diante da Ditadura Militar e quais os principais mecanismos utilizados pelo estado para reprimir os corpos femininos, tanto política como culturalmente, no estado de Pernambuco entre os anos de 1968 e 1974. Dessa maneira, consideramos o corpo como um espaço onde se fundem carnes, físicas, com o subjetivo, impalpável, resultando em seres humanos que são simultaneamente mente e materialidade. Neste espaço se operam relações de poder, gênero e linguagem, e são essas relações que buscamos estudar ao longo da pesquisa. Através dos documentos oficiais, nos concentramos em definir uma amostragem para a realização da pesquisa e a partir dela realizar um panorama de quem eram as mulheres que estavam sob a mira da repressão e de que forma o sistema se empenhou para penalizálas. Apesar disso, apenas o estudo com a documentação não seria suficiente para que pudéssemos alcançar nossos objetivos com o trabalho de pesquisa. Isso porque apenas a partir de relatos seria possível analisar a perspectiva de quem estava do outro lado do documento: as mulheres. Realizamos, portanto, entrevistas com algumas das sujeitas que foram presas e perseguidas durante o período e acessamos testemunhos dados à Comissão Nacional da Verdade (CNV) e Comissão Estadual Memória e Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC). A História Oral permite um movimento de cruzamento entre dados oficiais documentados por órgãos e instituições com tudo aquilo que não foi escrito; os sentimentos, as violências, os pensamentos, as sensações e dores vivenciadas pelos corpos femininos.
  • Dissertação
    "Verduras frescas com um mágico efeito como se estivessem na horta": as propagandas de geladeiras e os desejos de refrigeração nos lares burgueses cariocas (1928-1940)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-11-13) Dutra, João Fernando Correia; Rocha, Raimundo Nonato Araújo da; https://orcid.org/0000-0001-6246-6138; http://lattes.cnpq.br/2731237954780451; http://lattes.cnpq.br/6345890565879966; Silva Filho, Antonio Luiz Macedo e; Sales Neto, Francisco Firmino; Viana, Helder do Nascimento; https://orcid.org/0000-0003-3578-870X; http://lattes.cnpq.br/7276445057059197
    Este trabalho pretende discutir o processo de implantação de geladeiras no ambiente doméstico carioca nos anos de 1928 a 1940. Com o estabelecimento dos ideais de modernização no país, os primeiros locais que puderam vivenciar toda uma série de eventos modificadores no seu cotidiano, foram as grandes cidades brasileiras, em especial o Rio de Janeiro, capital federal. Essas transformações, dotadas de uma dúbia visão entre um futuro promissor e um presente controverso, a luz do progresso e da ciência, resultaram em inúmeras mudanças, desde o ambiente urbano tomando novas formas com as reformas empreendidas pelos agentes públicos, passando pelo cotidiano e os hábitos, até o surgimento de novos meios de comunicação, ou o seu aprimoramento. As invenções e os equipamentos domésticos renovavam-se, e um desses aparelhos, considerada uma das técnicas de conservação mais importantes e usadas até hoje, é a geladeira. Diante desse contexto, traçando um breve histórico sobre essa evolução, buscamos analisar as propagandas deste aparelho elaboradas pelas empresas que fabricavam o equipamento doméstico, utilizando do arcabouço teórico-metodológico encontrado em Meneses (2000) para análises de imagens publicitárias. Concluímos que esses anúncios retratavam o processo de modernização e racionalização do espaço da casa, a partir dos valores relativos ao período da modernidade doméstica, como conforto, simplicidade, saúde, estética e status. Além disso, identificamos os ideais de redução do tempo e do esforço necessários para as atividades do lar, como estratégias persuasivas das propagandas. No decorrer da pesquisa, observamos uma caraterística peculiar relativa às publicidades, que diz respeito ao uso de certos valores sociais e técnicos atribuídos aos gêneros masculino e feminino como forma de categorizá-los.
  • Dissertação
    Práticas religiosas no Egito greco-romano: o culto de Serápis - Volume I - Texto; Práticas religiosas no Egito greco-romano: o culto de Serápis - Volume II - Corpus
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-04-05) Fonseca, Danillo Melo da; Vasques, Márcia Severina; https://orcid.org/0000-0002-3633-143X; http://lattes.cnpq.br/2044586970276129; http://lattes.cnpq.br/0127029062820605; Baptista, Lyvia Vasconcelos; https://orcid.org/0000-0001-5887-7831; http://lattes.cnpq.br/1774502381871781; Fleming, Maria Isabel D'Agostino
    Serápis foi uma divindade concebida por Ptolomeu I Sóter, o primeiro faraó da dinastia lágida (305-30 a.C.), projetada para assumir o papel de guardião dos novos soberanos e da cidade de Alexandria, no Egito. Esta pesquisa tem como objetivo principal compreender as práticas religiosas associadas ao culto de Serápis durante o período do Egito greco-romano, adotando como principal fonte de análise a cultura material representada, principalmente, em estatuetas e lamparinas de terracota que retratam a divindade em diversas formas e contextos. Além do exame dessa cultura material, propomos catalogar, organizar e realizar uma análise dos dados materiais coletados, buscando entender não apenas as representações visuais de Serápis, mas também as práticas rituais e o contexto sócio-cultural nos quais tais peças foram produzidas e utilizadas. Este trabalho defende que a iconografia de Serápis, influenciada por características das divindades gregas e por elementos distintamente egípcios, como o seu próprio nome, reflete as interações culturais entre esses dois mundos e seus respectivos sistemas de crenças. Assim, com base na cultura material, esta pesquisa visa investigar como essas interações culturais se manifestaram na representação material da divindade e nas práticas de culto associadas a ela, permitindo uma compreensão mais profunda das dinâmicas religiosas e sociais do Egito greco-romano. Defendemos que Serápis emergiu do processo de emaranhamento das culturas egípcia e grega, conforme conceituado pelo arqueólogo Phillip Stockhammer (2012), evidenciando a complexidade das relações culturais e religiosas no Mundo Antigo, permeadas por influências e interações constantes.
  • Dissertação
    Do Centro Popular de Cultura ao Globo Repórter: a centralidade do Nordeste na formação fílmica de Eduardo Coutinho (1962-1979)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-11-06) Araújo, Bruno Wesley Soares da Costa; Sales Neto, Francisco Firmino; https://orcid.org/0000-0001-9647-4638; http://lattes.cnpq.br/3836760295812952; http://lattes.cnpq.br/0087053329102664; Santiago Júnior, Francisco das Chagas Fernandes; https://orcid.org/0000-0003-2690-5222; http://lattes.cnpq.br/8893350729538284; Uhle, Ana Rita
    Esta dissertação investiga a centralidade do Nordeste, em especial do Sertão nordestino, na produção fílmica do cineasta Eduardo de Oliveira Coutinho (1933-2014), centrando a análise no recorte temporal de sua atuação junto ao Centro Popular de Cultura e ao Globo Repórter (1962-1979). Em um primeiro momento, situo o cineasta nos espaços da arte engajada dos anos 1960 e no seu contato inicial com o Nordeste. No segundo e terceiro momento, dimensiono como o Sertão nordestino se tornou uma espacialidade central para a sua formação e representação do outro sertanejo. Demarcando sua movimentação pela região, trabalho conceitualmente com as categorias de espaço e lugar, de Yi-Fu Tuan (2013); e com uma concepção social de Sertão formulada por Candice Vidal e Souza (2015). Metodologicamente, analiso as representações do Sertão no longa ficcional Faustão (1970), a partir da narrativa clássica e da segmentação do filme propostas por David Bordwell e Kristin Thompson (2005, 2013); e do narrador formulado por Ismail Xavier (2019). Ao analisar os documentários-reportagens Seis dias de Ouricuri (1976), O pistoleiro de Serra Talhada (1977), Theodorico, o imperador do Sertão (1978) e Exu, uma tragédia sertaneja (1979), mobilizo a categoria de voz e os modos expositivo, observativo e participativo propostos por Bill Nichols (2005, 2016). Deste modo, a pesquisa evidenciou que a trajetória cinematográfica de Eduardo Coutinho esteve relacionada, diretamente, a suas relações sociais e culturais com o Sertão e o Nordeste, espacialidades que estavam no centro de seus interesses ao longo das décadas de 1960 e 1970. Este movimento o aproxima e o insere em um modo de pensar e ver a região no pensamento social brasileiro.
  • Dissertação
    Entre o poder imperial romano e as elites sociais provinciais: estudo sobre os Iulius, Aemilius e Cornelius em Augusta Emérita (I séc. a.C. ao II séc. d.C.)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-04-12) Silva, Pedro Gabriel dos Santos; Vasques, Márcia Severina; https://orcid.org/0000-0002-3633-143X; http://lattes.cnpq.br/2044586970276129; http://lattes.cnpq.br/5361335770730974; Baptista, Lyvia Vasconcelos; Oliveira, Airan dos Santos Borges de; Porto, Vagner Carvalheiro
    O presente trabalho tem como objetivo analisar a prática de produção epigráfica vinculada às elites sociais emeritenses como um hábito introduzido na região provincial a partir do contato com o Império Romano, no estabelecimento de redes de trocas, confrontos culturais e sociais que dão forma e moldam o espaço social e memorial de Augusta Emérita enquanto capital provincial da Lusitânia. Entre o I século a.C. e o II século d.C., observamos o crescimento progressivo da produção epigráfica vinculada a grupos específicos da elite emeritense que, de alguma forma, estão envolvidos na dinâmica provincial, possuem cidadania latina e localizam-se em meio a reprodução e adaptação de práticas culturais que moldam as relações de Emérita com o Império através da adoção do hábito epigráfico. Neste meio, propomos a análise do conjunto epigráfico emeritense vinculado às gens dos Iulius, Cornelius e Aemilius, entre as epígrafes votivas, funerárias e, em menor medida, imperiais, para compreender e problematizar novas formas de entender o Imperium como uma construção histórica, em que os textos/monumentos epigráficos servem de indicadores de como as redes de costumes compartilhados pelas elites do Império preenchem os espaços de memória e constituem uma cultura viva de representação social e preservação da genealogia familiar, frente às negociações com a dominação romana. Para tanto, pretendemos, metodologicamente, analisar à epigrafia emeritense a partir de duas ênfases: (1) como um fator ligado a nova gestão do espaço e a introdução do direito latino como regulador do processo de integração; por conseguinte (2) em um contexto conjuntural de práticas globais – no sentido de ser e existir no Império – no qual, o monumento epigráfico assume-se como um contrapoder, evocando a imagem de uma memória de uma identidade que não se quer perder, que não hesita em se fazer presente, em um meio artificialmente do espaço criado.
  • Dissertação
    "É a mulher brasileira a esperança viva da ressurreição da pátria": o periodismo católico e a construção dos espaços de poder pela arquidiocese de Olinda e Recife (1935-1940)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-10-07) Araújo, Joyce da Silva Alves; Peixoto, Renato Amado; https://orcid.org/0000-0002-2342-4215; http://lattes.cnpq.br/4329353374197075; Moura, Carlos André Silva de; Moura, Carlos André Silva de; Santos, Magno Francisco de Jesus; Santos, Magno Francisco de Jesus
    A Revista Maria, objeto e fonte da pesquisa, pertenceu à ‘Bôa Imprensa’ e estava inserida no âmbito das organizações femininas. Objetivamos compreender como a Revista Maria foi instrumentalizada pela Arquidiocese de Olinda e Recife, no recorte temporal de 1935 a 1940, para a produção de um espaço social que estabeleceu um padrão de gênero e religiosidade para as mulheres, pautados nos interesses da Instituição religiosa. Assim, busca-se perceber a adequação ao público feminino de um discurso sobre a cultura, política e religiosidade e analisar sua atuação intelectual na construção de um conservadorismo feminino, levando em consideração a influência dos líderes da recatolicização, bem como, a relação da Igreja Católica com o Estado no período. Serão examinadas as edições da Revista Maria como fonte principal, levando em consideração as reflexões de Tania de Lucas sobre o trabalho com esse tipo de documento. Destacamos ainda, as contribuições teóricas de de Yi-Fu Tuan, que compreende o espaço a partir das experiências que formulam seus constructos, desnaturalizando a construção do espaço por parte da Igreja Católica. E de Pierre Bourdieu sobre o habitus, percebendo que se tem a influência da posição social dos indivíduos no estabelecimento dos seus pontos de vista. Também de Renato Peixoto e Cândido Rodrigues que pesquisam a Igreja Católica e seus interesses políticos utilizando periódicos, os quais fundamentam as discussões sobre a presente análise. Neste trabalho ocorre o esforço de analisar a Revista Maria levando em consideração suas pautas políticas e religiosas, percebendo a religiosidade como um guia na construção dos moldes sociais para as católicas.
  • Dissertação
    Flashes da cidade do sol: a construção de uma imagem turística de Natal entre os anos 1968 a 1971
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-09-24) Chalegre, Gustavo Gabriel de Lima Silva; Pereira, Henrique Alonso de Albuquerque Rodrigues; https://orcid.org/0000-0002-5720-5942; http://lattes.cnpq.br/9609541796507055; http://lattes.cnpq.br/4576638007988494; Saraiva, João Gilberto Neves; Saraiva, João Gilberto Neves; Santos, Magno Francisco de Jesus; Santos, Magno Francisco de Jesus
    A cidade do Natal é vista hoje como um dos principais destinos turísticos do Nordeste brasileiro. Conhecida como “Cidade do Sol” ela ganha destaque pelas suas praias maravilhosas, mar exuberante, com águas quentes, banhadas pelo sol quase o ano inteiro. Esse espaço turístico por excelência é construído através de um conjunto de símbolos, textos e imagens publicados, principalmente, a partir da década de 1960. O presente trabalho aborda como reportagens do final da década de 1960 e início da década de 1970 dos diários O Jornal (RJ) e Diário de Notícias (RJ) contribuíram para a construção da cidade de Natal como espaço turístico. O principal método de análise usado foi a leitura fotográfica das diferentes imagens usadas nas matérias jornalísticas, buscando entendê-las não apenas como fotoilustração, mas também como objetos formadores de sentidos próprios sobre a imagem-espaço da cidade do Natal, relacionando com o texto-discurso presente naquelas matérias e entendendo como ambos, textos e fotos, contribuíram para a formação do ideário espaço da cidade turística e como ele contribuiu para a transformação da própria paisagem da cidade na década seguinte.
  • Dissertação
    O espaço da cristianização: as igrejas norueguesas de madeira do séc. XII como instrumentos de poder dominação
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-09-26) Galego, Guilherme Garcia; Langer, Johnni; http://lattes.cnpq.br/4211479285867912; Reis, Jaime Estevão dos; Reis, Jaime Estevão dos; Vasques, Marcia Severina; https://orcid.org/0000-0002-3633-143X; http://lattes.cnpq.br/2044586970276129; Vasques, Marcia Severina; Mota, Sandro Teixeira; Mota, Sandro Teixeira
    Esta pesquisa busca analisar como a cristianização da Noruega leva à criação de novos espaços de hibridização, sendo responsável pela formação de uma nova mentalidade, ao mesmo tempo em que podemos observar uma manutenção nas relações de poder e de dominação através da união entre os poderes dos “reis missionários” e da Igreja. Destacando as igrejas norueguesas de madeira do século XII – stave churches – como fonte principal da pesquisa, a análise aqui proposta se voltará para uma observação mais sistemática desses espaços sagrados de memória, descrevendo suas especificidades e analisando de que forma a presença de ideologias pré-cristãs pode ser vista como uma expressão de ideologias sociais, ligadas a manutenção das relações de poder e de dominação dentro de uma nova lógica social, na qual as igrejas foram utilizadas como ponto centralizador do poder e também como uma marca do processo de hibridização social existente entre a chegada do cristianismo e a as religiões nórdicas antigas.
  • Dissertação
    O direito a um passado na luta para existir no presente: disputas pela memória indígena nas escritas da História do Rio Grande do Norte (1994-2021)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-08-30) Pereira, Emerson Naylton Bezerra; Oliveira, Margarida Maria Dias de; https://orcid.org/0000-0002-8542-4173; http://lattes.cnpq.br/5565266295414497; http://lattes.cnpq.br/8971511801610565; Maia, Ligio José de Oliveira; Coelho, Mauro Cezar
    Em junho de 2005, a existência de povos indígenas no estado potiguar se tornou fato público na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. No entanto, tal feito entrou em conflito com as narrativas consolidadas pela historiografia clássica local, que admitiam um desaparecimento dessas identidades étnico-culturais no estado. Diante disso, os objetivos desta pesquisa são investigar como a memória do desaparecimento indígena no RN após o processo de emergência étnica de povos indígenas no estado tem sido enfrentada nas escritas da história norte-rio-grandense e identificar as principais rupturas e permanências nessas narrativas ao longo do período de 1994 a 2021. Essa problemática é levantada a partir da compreensão de que livros de história são lugares de memória (Nora, 1993) e que, nesses espaços, existem disputas travadas visando a consolidação de uma memória que atenda a determinados interesses políticos e sociais (Assmann, 2011; Chesneaux, 1995; Krenak, 1999; Menget, 1999). Para tanto, apropria-se da Análise de Conteúdo (Bardin, 1977) como metodologia e se estabelece dois conjuntos de fontes a serem analisados: a produção de livros didáticos de História Regional e as escritas da História Indígena do RN elaboradas no âmbito acadêmico, contemplando trabalhos de História e Antropologia. Pôde-se verificar permanências nas formas de se narrar a história do RN, como a concentração expressiva da história indígena no período colonial, principalmente levando-se em consideração a influência da historiografia clássica local e da tradição escolar. Identificou-se também rupturas que visam o atendimento de demandas postas pelo movimento indígena, como o reconhecimento da existência dos atuais povos indígenas do estado, a produção de pesquisas que priorizam abordar a agência indígena e o trabalho com a memória oral das comunidades, majoritariamente realizado na área da Antropologia. Concluiu-se que essas são conquistas importantes para sanar os danos causados pela memória do desaparecimento indígena no RN e se procurou refletir quais caminhos seguir para dar continuidade à construção de outra história do estado.
  • Dissertação
    “Acontecem no Japão coisas notáveis”: percepções de alteridade e territorialidade na ilha de Kyûshû (1603-1639)
    (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2023-09-29) Bezerra, Renata Nobre; Vainfas, Ronaldo; https://orcid.org/0000-0002-0578-2043; http://lattes.cnpq.br/2064688486807133; Alveal, Carmen Margarida Oliveira; https://orcid.org/0000-0002-1202-0231; http://lattes.cnpq.br/1118391491224309; Dias, Thiago Alves; Boscariol, Mariana Amabile
    No âmbito do comércio marítimo no Índico e no Pacífico no final do século XVI e início do século XVII, o Japão está no período da sua história conhecido como reunificação. Após o período de guerras internas, ou Sengoku Jidai, em 1603, a casa Tokugawa assumiu o título Shôgunal iniciando uma administração que duraria duzentos anos. No início do governo Tokugawa, os portugueses, espanhóis, holandeses e ingleses estavam ativamente fazendo comércio com os japoneses. Como mediadores entre os portugueses, os espanhóis e os japoneses estavam os membros da Companhia de Jesus, ordem que nasceu com o propósito de disseminar o cristianismo pelo mundo. Enquanto os mediadores entre os habitantes do arquipélago e os ingleses e os holandeses eram comerciantes que tinham chegado às ilhas antes da formação principal do comércio entre esses povos.O século XVI, para o Japão, foi um momento de transição de um período de conflitos intensos para uma época de relativa paz. Entretanto os primeiros anos da administração Tokugawa foram marcados por várias medidas que visavam, entre outros fins, evitar que os senhores de terras, ou Daimyô, tivessem a oportunidade de se rebelar de novo contra o governo central. Nesse cenário de mudanças está Kyûshû, uma das quatro maiores ilhas do arquipélago, que está localizada ao sul do arquipélago. Kyûshû, por sua posição geográfica privilegiada foi palco da maior interação entre os japoneses e os diversos povos estrangeiros, que estiveram presentes em solo nipônico. Este trabalho se propõe a analisar alguns dos principais espaços de contato entre os japoneses e os diferentes grupos de estrangeiros, dando enfoque aos europeus, que estavam presentes no arquipélago no início do período Tokugawa, 1603, até a publicação do édito que decretou o fechamento dos portos do Japão em 1639.Entendendo o conceito de Espaço como lugar praticado (CERTAU, 2014), e pensando este conceito aliado ao de territorialidade compreendido como um híbrido, nunca indiferenciado, de concreto e simbólico (HAESBAERT, 2004), e de alteridade (TODOROV, 2003), para analisar as mudanças territoriais e os diversos contatos que aconteceram na terra do sol nascente, dando enfoque à ilha de Kyûshû, que por sua especificidade que nos proporciona uma melhor compreensão do contexto analisado.