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Título: Atividade antiofídica do decocto das folhas de jatropha gossypiifolia l. frente o veneno de bothrops jararaca
Autor(es): Silva, Juliana Felix da
Palavras-chave: Jatropha gossypiifolia;“pinhão-roxo”;Bothrops jararaca;serpentes;atividade antiofídica;venenos ofídicos
Data do documento: 25-Fev-2014
Editor: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Citação: SILVA, Juliana Felix da. Atividade antiofídica do decocto das folhas de jatropha gossypiifolia l. frente o veneno de bothrops jararaca. 2014. 195f. Dissertação (Mestrado Em Ciências Farmacêuticas) - Centro De Ciências Da Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2014.
Resumo: Antiophidic activity from decoct of Jatropha gossypiifolia L. leaves against Bothrops jararaca venom. Snakebites are a serious worldwide public health problem. In Latin America, about 90 % of accidents are attributed to snakes from Bothrops genus. Currently, the main available treatment is the antivenom serum therapy, which has some disadvantages such as inability to neutralize local effects, risk of immunological reactions, high cost and difficult access in some regions. In this context, the search for alternative therapies to treat snakebites is relevant. Jatropha gossypiifolia L., a medicinal plant popularly known in Brazil as “pinhão-roxo”, is very used in folk medicine as antiophidic. So, the aim of this study is to evaluate the antiophidic properties of this species against enzymatic and biological activities from Bothrops jararaca snake venom. The aqueous leaf extract of J. gossypiifolia was prepared by decoction. The inhibition studies were performed in vitro, by pre-incubation of a fixed amount of venom with different amounts of extract from J. gossypiifolia for 60 min at 37 °C, and in vivo, through oral or intraperitoneal treatment of animals, in different doses, 60 min before venom injection. The proteolytic activity upon azocasein was efficiently inhibited, indicating inhibitory action upon metalloproteinases (SVMPs) and/or serine proteases (SVSPs). The extract inhibited the fibrinogenolytic activity, which was also confirmed by zymography, where it was possible to observe that the extract preferentially inhibits fibrinogenolytic enzymes of 26 and 28 kDa. The coagulant activity upon fibrinogen and plasma were significantly inhibited, suggesting an inhibitory action upon thrombin-like enzymes (SVTLEs), as well as upon clotting factor activators toxins. The extract prolonged the activated partial thromboplastin time (aPTT), suggesting an inhibitory action toward not only to SVTLEs, but also against endogenous thrombin. The defibrinogenating activity in vivo was efficiently inhibited by the extract on oral route, confirming the previous results. The local hemorrhagic activity was also significantly inhibited by oral route, indicating an inhibitory action upon SVMPs. The phospholipase activity in vitro was not inhibited. Nevertheless, the edematogenic and myotoxic activities were efficiently inhibited, by oral and intraperitoneal route, which may indicate an inhibitory effect of the extract upon Lys49 phospholipase (PLA2) and/ or SVMPs, or also an anti-inflammatory action against endogenous chemical mediators. Regarding the possible action mechanism, was observed that the extract did not presented proteolytic activity, however, presented protein precipitating action. In addition, the extract showed significant antioxidant activity in different models, which could justify, at least partially, the antiophidic activity presented. The metal chelating action presented by extract could be correlated with SVMPs inhibition, once these enzymes are metal-dependent. The phytochemical analysis revealed the presence of sugars, alkaloids, flavonoids, tannins, terpenes and/or steroids and proteins, from which the flavonoids could be pointed as major compounds, based on chromatographic profile obtained by thin layer chromatography (TLC). In conclusion, the results demonstrate that the J. gossypiifolia leaves decoct present potential antiophidic activity, including action upon snakebite local effects, suggesting that this species may be used as a new source of bioactive molecules against bothropic venom.
metadata.dc.description.resumo: Os acidentes ofídicos são um grave problema de saúde pública. Cerca de 90 % dos casos na América Latina são associados a serpentes do gênero Bothrops. Atualmente, a principal forma de tratamento disponível é a soroterapia antiveneno, que apresenta algumas desvantagens, tais como ineficiência quanto a efeitos locais, riscos de reações imunológicas, custo elevado e difícil acesso em algumas regiões. Nesse contexto, a busca por novas alternativas para o tratamento de picadas de serpentes se faz relevante. Jatropha gossypiifolia L., espécie vegetal popularmente conhecida no Brasil como “pinhão-roxo”, é bastante utilizada na medicina popular como antiofídica. Portanto, o objetivo do presente estudo é avaliar a atividade antiofídica desta espécie frente às atividades enzimáticas e biológicas do veneno da serpente Bothrops jararaca. O extrato aquoso das folhas foi preparado por decocção. Os estudos de inibição foram realizados in vitro, pré-incubando-se quantidade fixa de veneno com diferentes quantidades do extrato por 60 min a 37ºC, e in vivo, através do tratamento oral ou intraperitoneal dos animais, em diferentes doses, 60 min antes da injeção do veneno. A atividade proteolítica sobre a azocaseína foi eficientemente inibida, o que indica ação inibitória frente metaloproteases (SVMPs) e/ou serinoproteases (SVSPs). O extrato inibiu a atividade fibrinogenolítica, o que também foi confirmado por meio de zimografia, onde foi possível visualizar que o extrato inibe preferencialmente enzimas fibrinogenolíticas de 26 e 28 kDa. As atividades coagulante sobre o fibrinogênio e sobre o plasma foram significativamente inibidas, sugerindo uma ação inibitória sobre enzimas semelhantes à trombina (SVTLEs), bem como sobre toxinas ativadoras de fatores da coagulação. O extrato prolongou o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa), o que sugere que o extrato inibe tanto SVTLEs quanto a trombina endógena. A atividade defibrinogenante in vivo foi inibida eficientemente pelo extrato pela via oral, confirmando os resultados anteriores. A hemorragia local também foi inibida significativamente pela via oral, indicando uma ação inibitória frente SVMPs hemorrágicas. A atividade fosfolipásica não foi inibida. Mesmo assim, as atividades edematogênica e miotóxica foram eficientemente inibidas, por via oral e intraperitoneal, o que pode indicar ação inibitória do extrato frente fosfolipases (PLA2) do tipo Lys49 e/ou SVMPs, ou ainda uma ação anti-inflamatória contra os mediadores químicos endógenos. Com relação ao possível mecanismo de ação, observou-se que o extrato não apresenta atividade proteolítica, porém apresenta capacidade de precipitar proteínas. Adicionalmente, o extrato apresentou significativa atividade antioxidante em diferentes modelos, o que pode justificar ao menos parcialmente a atividade antiofídica apresentada. A atividade quelante de metais apresentada pelo extrato pode ser correlacionada à inibição de SVMPs, uma vez que estas são enzimas dependentes de metais. A análise fitoquímica revelou a presença de açúcares, alcaloides, flavonoides, taninos, terpenos e/ou esteroides e proteínas, dos quais os flavonoides podem ser apontados como compostos majoritários, tendo em vista o perfil cromatográfico obtido por cromatografia em camada delgada (CCD). Em conclusão, os resultados demonstram que o decocto das folhas de J. gossypiifolia apresenta potencial atividade antiofídica, inclusive atuando sobre os efeitos locais da picada, sugerindo que esta espécie pode ser utilizada como uma nova fonte de moléculas bioativas contra venenos botrópicos.
URI: http://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/19306
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