PPGAU - Doutorado em Arquitetura e Urbanismo
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/11891
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Tese Tessitura de uma arquitetura esparsa: localidades litorâneas enquanto economias de movimento(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-08-20) Martins, Mauricio Pereira; Trigueiro, Edja Bezerra Faria; http://lattes.cnpq.br/2279771493519042; https://orcid.org/0000-0002-1088-6074; http://lattes.cnpq.br/0487412008527147; Teixeira, Rubenilson Brazão; https://orcid.org/0000-0001-8472-9197; http://lattes.cnpq.br/8646138560231908; Cavalcanti, Emanuel Ramos; http://lattes.cnpq.br/6805137553894905; Silva, Felipe Tavares da; Lopes, Flávia Monaliza Nunes SecundoEsta tese é uma investigação da relação entre disposição esparsa da ocupação edilícia e o conceito de movimento natural como “a proporção do movimento [...] determinada pela estrutura da malha urbana em si, e não pela presença de atratores ou magnetos específicos” (Hillier, 1996b, p.120). Abrange cerca de 160 localidades distribuídas em 25 municípios — as sedes de João Pessoa-PB e Natal-RN junto com suas conurbações, e todas as localidades e municípios costeiros ou atravessados pela rodovia federal BR-101 entre essas duas capitais. A ampliação do recorte de observação para além das bordas das localidades contribui para a avaliação dos efeitos de atração e afugentamento de atividades humanas numa rede de localidades, considerando as possibilidades de movimentação. Também aborda como a configuração viária favorece ou restringe possibilidades de rotas, incluindo aquelas que transcendem as localidades e o recorte regional, levando em conta a confluência de fluxos internacionais com fluxos locais de pessoas, bens e mercadorias, em processo de tessitura desde o período colonial até o turismo contemporâneo. A Análise da Sintaxe do Espaço (Hillier; Hanson, 1984) foi aplicada à malha viária do recorte para construir um modelo de análise da configuração viária. O intuito de aferir as relações entre as variações de potencial de movimento geradas pela configuração viária e os padrões de disposição das localidades no espaço levou a uma concepção ampliada de cidades enquanto economias de movimento (Hillier, 1996a), na qual são reconhecidos padrões de distribuição de localidades associados ao potencial de alcance dos segmentos constituintes da malha viária e avaliadas confluências entre destinos e caminhos interligando as localidades. Os resultados revelam associações e eventuais disparidades entre os padrões de movimento na malha viária e a distribuição edilícia. Identificou-se uma ligação entre potencial de movimento e disposição das localidades, particularmente quando distintos alcances máximos das rotas foram considerados. A configuração espacial espelha uma diferenciação e complementaridade na articulação entre localidades: uma estrutura de acessos capitais-mar (conectando localidades maiores, com maior esparsamento) complementada por acessos vicinais privilegiando a interligação de pequenas localidades.Tese Entre o visível e o oculto: os desafios de integração do planejamento urbano à segurança hídrica a partir do olhar sobre as águas subterrâneas de Natal/RN(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-07-30) Barbosa, Laise Kelley Lemos; Silva, Alexsandro Ferreira Cardoso da; http://lattes.cnpq.br/8083307867459651; http://lattes.cnpq.br/5438252589843507; Bentes Sobrinha, Maria Dulce Picanço; http://lattes.cnpq.br/3773171291305294; Ferreira, José Gomes; http://orcid.org/0000-0002-2539-1111; http://lattes.cnpq.br/8740764604882277; Cardoso, Ana Cláudia Duarte; Moretti, Ricardo de SousaNo contexto de mudanças climáticas e desafios socioambientais, o conceito de Segurança Hídrica tem ganhado relevância para a sustentabilidade urbana. A intensa urbanização gera desafios relacionados à captação de água potável e manejo dos Recursos Hídricos, somando-se aos graves problemas de poluição e exploração excessiva. Diante desse panorama, surge o questionamento sobre a possibilidade de integrar instrumentos de planejamento urbano aos preceitos da Segurança Hídrica em cidades de porte médio. Esta tese parte do reconhecimento dessa viabilidade e investiga os caminhos para consolidar estas possibilidades de integração, com enfoque na captação hídrica por poços subterrâneos públicos e privados em Natal/RN. Este local de estudo foi escolhido por ser uma cidade costeira de porte médio com alta vulnerabilidade, onde a demanda hídrica crescente pressiona os aquíferos subterrâneos, tornando o tema crítico para a sustentabilidade urbana. A pesquisa desenvolveu uma fundamentação teórica pautada no conceito de Segurança Hídrica, planejamento urbano integrado, propondo uma leitura do Plano Diretor sob o recorte dos pressupostos voltados à disponibilidade e acessibilidade à água potável. Utilizou como base de dados o cadastro oficial dos poços públicos e privados destinados ao abastecimento de água, que foi estruturado em um Sistema de Informações Geográficas (SIG). Neste sentido, os poços passaram a constituir um elemento central, sendo tratados não apenas como importantes dispositivos técnicos de captação do abastecimento de água, mas como interfaces concretas entre o ambiente superficial e o sistema subterrâneo. Os resultados demonstram que compreender a dinâmica subterrânea depende diretamente do conhecimento das interferências antrópicas à superfície, como o uso e ocupação do solo, adensamento construtivo e infraestrutura urbana. Essa integração com ferramentas SIG se destaca como uma inovação metodológica que facilita a análise da relação entre uso do solo e os Recursos Hídricos subterrâneos. A análise espacial identificou áreas críticas de sobrecarga dos aquíferos, baixa permeabilidade e contaminação por nitrato, sobretudo em bairros densamente ocupados. Os dados evidenciaram a dependência de poços como fonte principal de abastecimento, o que confere aos aquíferos um papel central na Segurança Hídrica do município. Esta abordagem também contribuirá para o avanço do conhecimento científico ao propor novas diretrizes de planejamento urbano sustentável, integrando aspectos hidrológicos e urbanísticos, e oferecendo um modelo replicável para cidades médias em contextos similares. A pesquisa reforça a urgência de políticas integradas que articulem o visível da cidade construída com o oculto dos recursos subterrâneos, em prol da sustentabilidade urbana e hídrica.Tese Método de auxílio às decisões projetuais de edifícios de energia positiva do tipo escritório em clima quente(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-08-13) Fonseca, Thiago Vieira; Pedrini, Aldomar; https://orcid.org/0000-0002-6607-2176; http://lattes.cnpq.br/9012296636400514; https://orcid.org/0000-0003-4807-2057; http://lattes.cnpq.br/7010909490441323; Pinto, Edna Moura; https://orcid.org/0000-0002-2863-385X; http://lattes.cnpq.br/3789406301829141; Zomer, Clarissa; https://orcid.org/0000-0002-6711-7129; http://lattes.cnpq.br/2570777324125679; Santos, Isis Portolan dos; https://orcid.org/0000-0003-1314-3628; http://lattes.cnpq.br/6044616240941209; Ruther, Ricardo; https://orcid.org/0000-0003-1240-796X; http://lattes.cnpq.br/5669240020541721Esta tese aborda a importância da quantificação de parâmetros energéticos e econômicos no projeto de edifícios com metas de balanço de energia, como os edifícios de energia positiva (EEP). Essas metas fazem parte de crescentes políticas internacionais de redução da emissão de CO2 das edificações para o combate às mudanças climáticas. Seu atendimento aumenta a complexidade do processo projetual à medida que o balanço entre a energia consumida e a produzida pela edificação depende de decisões arquitetônicas tomadas desde o início do projeto, quando a maioria das características do edifício não foi definida, inviabilizando a quantificação do desempenho por meio de simulações. A pesquisa parte desse problema e propõe um método baseado em espaço de projeto para apoiar as decisões arquitetônicas desde as primeiras fases do processo projetual de edifícios de energia positiva (EEP) do tipo escritório, considerando critérios energéticos e econômicos em clima quente. O método proposto elaborou espaços de projeto parametrizados, com foco nas variáveis mais influentes, e interfaces gráficas interativas, combinando simulações por meio do metamodelo da INI-C, programa SAM e cálculos complementares em planilhas eletrônicas. As simulações foram realizadas para o clima quente e úmido de Natal/RN. Os procedimentos de análise do espaço de projeto e seus campos de solução reproduziram os mesmos de elaboração de briefings quantitativos, teste de hipóteses e a seleção de alternativas mais promissoras com base em lógica condicional (“se... então...”), recorrentes nas primeiras fases de projeto. Foram identificadas as variáveis mais influentes e suas faixas aceitáveis e discriminadas as interdependências das variáveis projetuais. O método explorou uma ampla faixa de geometria de edificações para representar um vasto espaço de projeto e identificar tendências. Os fatores geométricos que mais influenciaram o saldo de energia do edifício foram o número de pavimentos e o fator de forma, enquanto o percentual de zona térmica interna foi o fator que mais influenciou a etiqueta. O atendimento de metas de energia de EEP depende de combinações com variados níveis de especificidades. Quanto mais próximo do limite do balanço zero, maior é a especificidade das combinações quanto à forma da edificação, desempenho de envoltória e potencial de produção de energia. A maioria das alternativas de eficientização de uma envoltória com nível “A” de eficiência energética não é economicamente viável. Apenas a redução do tamanho das aberturas diminuiu o consumo de energia, reduziu o custo total de construção da envoltória e gerou um VPL (Valor Presente Líquido) significativamente maior que zero. A geração de energia fotovoltaica utilizando a área disponível na envoltória do edifício é viável em praticamente todos os casos simulados e mais atrativa para o investidor do que investir na eficientização de uma envoltória que já tem a etiqueta “A”. Deste modo, a atratividade financeira da produção de energia justifica sua priorização para aumentar o saldo de energia, uma vez que a eficiência mínima exigida para EEP limita o aumento de sua eficiência energética.Tese Decidindo processos, julgando espaços: o princípio do acesso à justiça na arquitetura forense(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-06-12) Filgueira Neto, Silvio Justino; Trigueiro, Edja Bezerra Faria; http://lattes.cnpq.br/2279771493519042; http://lattes.cnpq.br/9575315247795162; Elali, Gleice Virginia Medeiros de Azambuja; https://orcid.org/0000-0001-5270-4868; http://lattes.cnpq.br/3061713076071714; Teixeira, Rubenilson Brazão; https://orcid.org/0000-0001-8472-9197; http://lattes.cnpq.br/8646138560231908; Griz, Cristiana Maria Sobral; https://orcid.org/0000-0002-5439-5680; http://lattes.cnpq.br/8817889040814093; Medeiros, Valério Augusto Soares de; https://orcid.org/0000-0003-2040-8241; http://lattes.cnpq.br/4671263508814146A tese trata de relações entre arquitetura forense e usos do espaço, tendo como casos empíricos os edifícios da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte – Brasil. Fundamentase na Teoria da Sintaxe do Espaço, para quem a arquitetura cria as estruturas espaciais em que vivemos e nos movimentamos, atuando, em certas circunstâncias, como geradora de relações sociais mediante efeitos de propriedades espaciais que modulam movimento, encontros e evitamentos (Hillier; Hanson, 1984). Sabendo-se que a Justiça Federal vem empregando diversas ações com o propósito de tornar-se mais acessível e propõe em seu Discurso ser mais democrática, buscou-se conhecer qual seria a participação da arquitetura nesse processo e em que medida ancora o princípio do acesso à Justiça. A pesquisa teve como fontes plantas dos edifícios da Seção Judiciária, cedidas pelo órgão em 2021, donde foram extraídos dados do arranjo do espaço, quanto às naturezas geométrica e topológica, e levantamento do programa arquitetônico. Também foram utilizadas informações de registros de visitação aos ambientes dos edifícios. Os Resultados motivaram a elaboração de Questionário para aplicação junto a usuários dos prédios, com o objetivo de verificar a percepção da aplicação do Discurso nos espaços judiciários. As análises dos dados indicaram que o edifício judiciário apresenta restrições espaciais, com separação de usuários e segregação nos ambientes de Vara, especialmente em relação ao Gabinete de Juízes(as). Essa condição, entretanto, está de acordo com o Texto do edifício, que estabelece diretrizes em nome da administração da justiça e proteção aos operadores do direito. O Edifício contribui para o acesso à justiça, por sua diversidade de uso (audiência pública, programas como Escola na Justiça, Instância das Artes), por sua escala humana (a maioria de seus edifícios são térreos), pela humanização em salas de acolhimento (como brinquedoteca, amamentação), pelo reconhecimento de Visitantes de haver espaços acessíveis e adequados ao funcionamento, embora entendam que edifício não aproxime o judiciário da comunidade, podendo aprimorar-se em aspectos como ambientes de espera externa, sinalização, relocação de ambientes, abertura de pontos de inclusão digital, e reativação de espaços atrativos, como restaurante e biblioteca. Há no estudo, afinal, um dilema exposto entre Texto do edifício, discurso institucional e forma construída, permeado por diversos fatores intervenientes, simbólicos ou operacionais, como a Virtualização processual. A Tese é uma clara exposição desse panorama, e de como esse dilema se manifesta na materialidade de sua arquitetura.Tese Arquipélagos verdes urbanos: estrutura da paisagem natural na perspectiva da cobertura vegetal em espaços livres protegidos da zona costeira, Natal/RN(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-07-17) Silva, Emmanuelle Séfora Cabral; Ataide, Ruth Maria da Costa; http://lattes.cnpq.br/6598437988746248; http://lattes.cnpq.br/1279530504904764; Borba, Adriana Carla de Azevedo; http://lattes.cnpq.br/7879009812738843; Julianelli, Anna Rachel Baracho Eduardo; http://lattes.cnpq.br/1171820374307734; Bentes Sobrinha, Maria Dulce Picanço; http://lattes.cnpq.br/3773171291305294; Donoso, Verônica Garcia; http://lattes.cnpq.br/7791541625837991A expansão das cidades e as necessidades da vida urbana resultam em alterações e desequilíbrios nos espaços naturais. Estes, inicialmente cobertos por vegetação, vêm sendo transformados por ações de desmatamento, terraplenagem, ocupação do solo e gradual impermeabilização. Tais ações alteram as paisagens e as dinâmicas dos ambientes naturais dos espaços livres de edificações, tornando-os cada vez mais restritos e fragmentados em remanescentes de diferentes escalas, distribuições e usos. A estrutura da paisagem transformada e a cobertura vegetal resultante influenciam não só as composições paisagísticas e condições de conforto ambiental, mas também as funções ecológicas do lugar, afetando a vida de inúmeros outros organismos. Na zona costeira, a crescente ocupação do solo desperta preocupações sobre a perspectiva dessas mudanças, quanto aos impactos que afetam as paisagens de relevante valor histórico, cultural, ambiental e paisagístico. Como reflexo desse processo, uma série de regramentos são estabelecidos como instrumentos normativos que visam a proteção do meio ambiente, com fins de manutenção do equilíbrio ecológico e condições que permitam a recuperação dos ecossistemas locais. Em Natal, o Plano Diretor (Natal, 2022a), assim como as legislações específicas que incidem sobre a Zona de Proteção Ambiental - ZPA, não estabelecem parâmetros claros quanto à proteção desses espaços naturais. Diante dessa lacuna, esta pesquisa questiona como a cobertura vegetal dos espaços livres costeiros pode ser um parâmetro para estabelecer e delimitar as áreas reservadas à preservação e conservação ambiental. Como hipótese, a pesquisa pressupõe que a estrutura da paisagem da cobertura vegetal nativa, revelada pelo estrato, forma e distribuição, não é totalmente contemplada na delimitação das subzonas de preservação e conservação, onde os potenciais de uso e ocupação do solo devem ser mais restritivos. Para esta pesquisa, o recorte espacial envolve quatro unidades ambientais, instituídas pelo regramento urbanístico do município como frações da ZPA, que abrangem: o Forte dos Reis Magos e seu entorno - ZPA 7; o Farol de Mãe Luiza e seu entorno - ZPA 10; o Parque Estadual das Dunas de Natal e área contígua ao parque - ZPA 2; e o Morro do Careca e dunas fixas contínuas - ZPA 6. A investigação objetivou compreender a distribuição e estrutura da paisagem a partir da cobertura vegetal nativa, visando entender o aporte biofísico, identificar as unidades de paisagem, discutir os elementos que a compõe e evidenciar atributos de análise da paisagem a serem considerados na proteção ambiental. Entre os procedimentos metodológicos, a extensão e distribuição da cobertura vegetal foi mapeada a partir de imagens de satélite, utilizadas como base para a interpretação dos dados e sobreposta aos regramentos específicos das respectivas frações estudadas. A pesquisa revelou uma estrutura da paisagem antropizada e fragmentada, configurada apenas por elementos de manchas e corredores na ZPA 7 e ZPA 10. Nestas frações, foram identificadas inconsistências nas regulamentações sancionadas, com redução das áreas protegidas, bem como indicações de uso e ocupação em trechos em que a preservação dos ecossistemas naturais deveria ser prioritária, definições não compatíveis com os objetivos de proteção ambiental, o que confirma a hipótese. Além das manchas e corredores, o elemento caracterizado como matriz foi identificado apenas na ZPA 2 e na ZPA 6, juntamente com um novo elemento da estrutura da paisagem, nomeado como “Retalhos”. A predominância da vegetação primária nestas frações, associada à menor interferência humana direta, inspirou classificá-las como detentoras de “Paisagens Primárias”. Apesar das regulamentações recentemente sancionadas, compreende-se que há um retrocesso quanto à proteção da paisagem natural, mesmo após diversos momentos de discussões junto à prefeitura e ao Ministério Público. Ressalta-se ainda que a ZPA 2 é reconhecida como uma Unidade de Conservação estadual, regida por um Plano de Manejo, mas, assim como a ZPA 6, permanece sem regulamentação municipal específica. Incoerentemente, as normativas consolidadas em 2025 tendem a flexibilizar ainda mais a ampliação da ocupação do solo e os parâmetros construtivos, agravando a retração e descontinuidade dos espaços livres vegetados na franja litorânea do município de Natal.Tese Casas para o nosso tempo: desvendando características espaciais de casas autorais no Brasil, na Argentina e no Chile, entre 2002 e 2024(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-08-13) Santana, Ugo Dantas de; Dantas, George Alexandre Ferreira; Trigueiro, Edja Bezerra Faria; http://lattes.cnpq.br/2279771493519042; https://orcid.org/0000-0002-8352-7590; http://lattes.cnpq.br/9782385817332156; https://orcid.org/0009-0001-3881-4363; http://lattes.cnpq.br/7068832174593384; Silva, Heitor de Andrade; https://orcid.org/0000-0003-2651-1012; http://lattes.cnpq.br/3609522159356242; Valença, Márcio Moraes; http://lattes.cnpq.br/7057449448661416; Gurgel, Ana Paula Campos; https://orcid.org/0000-0002-0189-2958; http://lattes.cnpq.br/1436971182834432; França, Franciney Carreiro de; http://lattes.cnpq.br/6342158936669343A presente pesquisa envolve casas contemporâneas no Brasil, na Argentina e no Chile, e foca na estrutura espacial, na distribuição das funções e nas possibilidades de movimento e visibilidade, considerando privacidade e separação de usuários. Ou seja, os padrões de organização espacial encontradas nas casas estudadas. Tem por base metodológica a Teoria da Sintaxe do Espaço (Hillier e Hanson, 1984) partindo de sua premissa de que códigos sociais estão gravados na configuração espacial da edificação. Essas casas foram projetadas por arquitetos e construídas em um contexto predominante de produção em massa de edificações multifamiliares e crescente densidade urbana. A ideia é a comparação entre casas brasileiras, considerando suas realidades urbanas, e àquelas de outros países, baseado em autores que pesquisaram o espaço residencial unifamiliar do século XX no Brasil. A pesquisa envolve a análise de 729 casas dos três países. Para a compreensão das relações espaciais, foi realizada a análise das plantas baixas com a definição, identificação e classificação de cada espaço, considerando: interior e exterior, setores, funcional e específico para circulação. Procedimentos complementares foram conduzidos para identificar áreas contínuas de espaços conectados sem a existência de portas e aquelas que podem ser interrompidas temporariamente. Um programa foi desenvolvido para quantificar, medir e comparar informações sobre os espaços no que diz respeito às classificações, conexões entre espaços, distâncias entre eles, profundidade a partir do espaço público, possibilidade de rotas para os usuários e outras medidas auxiliares. A análise de visibilidade foi aplicada em um subgrupo de casas para complementar os procedimentos topológicos. A análise revelou casas projetadas com uma multiplicidade de espaços de lazer, normalmente associadas a visuais controladas do exterior, atributos que sugerem serem construídas para o consumo de experiências. Espaços sociais projetados, ao que parece, para a reunião de habitantes e visitantes, são completamente desconectados do espaço público, e comumente conectados a uma paisagem no interior do lote. Parte da experiência espacial parece ocorrer através de pontos de vista controlados dentro dos espaços funcionais, mas também ao longo de circulações, sugerindo uma certa dramatização de sequências espaciais. Espaços internos e externos expõem objetos associados a certos estilos de vida, indicando diferenciação de gostos. As áreas de serviço segregadas, muito comuns nas casas brasileiras há não muito tempo, são quase completamente incorporadas pelas áreas sociais nessas casas. Estas mudanças, combinadas a outras, mais ou menos enraizadas em um período amplo, sugerem que estes edifícios são, de fato, casas para o nosso tempo.Tese A expressão tectônica na contemporaneidade: um estudo sobre os edifícios-cidades do BIG(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-06-18) Rosa, Lessandro Machado da; Silva, Heitor de Andrade; https://orcid.org/0000-0003-2651-1012; http://lattes.cnpq.br/3609522159356242; http://lattes.cnpq.br/3885870472124993; Pinto, Edna Moura; https://orcid.org/0000-0002-2863-385X; http://lattes.cnpq.br/3789406301829141; Rocha, Germana Costa; Vieira, Júlio Luiz; http://lattes.cnpq.br/8820108543055890; Valença, Márcio Moraes; http://lattes.cnpq.br/7057449448661416A arquitetura contemporânea caracteriza-se pela pluralidade de abordagens formais e conceituais, impulsionada por transformações sociais, tecnológicas e ambientais. Nesse contexto, observa-se a ascensão dos grandes edifícios, também denominados edifícios-cidades, que articulam múltiplas funções e ampliam a escala arquitetônica, alterando as dinâmicas urbanas. Essas construções frequentemente desafiam os limites entre técnica, materialidade e expressão formal, exigindo novas interpretações sobre a relação entre estrutura e significado arquitetônico. Diante desse cenário, esta tese investiga a expressão tectônica na contemporaneidade, considerando as implicações das grandes escalas edificadas na materialização e significação da poética construtiva. A pesquisa parte da seguinte questão central: como o caráter tectônico se expressa na arquitetura contemporânea, especificamente em edifícios-cidades? O objetivo geral consiste em refletir sobre a importância da poética construtiva na estrutura formal da arquitetura produzida entre os anos de 2005 e 2025, contribuindo para o debate sobre suas especificidades e singularidades. Os objetivos específicos incluem: compreender a poética construtiva na estrutura formal de edifícios-cidades contemporâneos; identificar parâmetros analíticos que possibilitem a leitura tectônica de projetos arquitetônicos; e avaliar o caráter tectônico presente em obras do escritório BIG. A tese parte da hipótese que é possível, por meio de técnicas de leituras iconográficas e modelos digitais, identificar uma expressão tectônica consistente e significativa na arquitetura contemporânea especialmente nos edifícios-cidades projetados pelo escritório BIG por meio da articulação da forma, técnica, materialidade e contexto. A metodologia articula revisão bibliográfica, análise gráfica formal, (re)desenhos e modelagens digitais. A aplicação de ferramentas computacionais no processoanalítico permitiu aprofundar a leitura das relações tectônicas, favorecendo a compreensão da materialidade e da estrutura como elementos narrativos do espaço arquitetônico. Foram analisados três edifícios: a 8 House (Copenhague, 2006), o VIA 57 West (Nova Iorque, 2016) e o Sluishuis (Amsterdã, 2022), selecionados por suas características formais, dimensionais, funcionais e pelo diálogo com o entorno urbano. Os resultados indicam que a tectônica contemporânea nesses edifícios transcende a expressão estrutural visível, emergindo como resultado de decisões projetuais que integram sistemas construtivos, eficiência funcional, conectividade espacial e expressão simbólica. A análise revela que a vivência e a experimentação da tectônica digital configuram não apenas um conceito teórico, mas uma experiência perceptiva do edifício, acessível por meio de instrumentos analíticos digitais. Conclui-se que as obras do BIG articulam de forma singular tradição e inovação, consolidando um campo fértil para o debate sobre a tectônica na contemporaneidade e contribuindo para o desenvolvimento de abordagens críticas e analíticas acerca dos modos atuais de conceber, representar e construir a arquitetura.Tese A materialidade da tectônica da arquitetura do cotidiano em edifícios de uso misto na América Latina publicados em revistas técnicas online (2000-2021)(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2025-06-26) Lôbo, Haziel Pereira; Veloso, Maisa Fernandes Dutra; https://orcid.org/0000-0002-3224-2245; http://lattes.cnpq.br/4974901249133556; https://orcid.org/0000-0002-2298-996X; http://lattes.cnpq.br/2327808723928308; Dantas, George Alexandre Ferreira; https://orcid.org/0000-0002-8352-7590; http://lattes.cnpq.br/9782385817332156; Medeiros, Renato de; https://orcid.org/0000-0003-3903-6767; http://lattes.cnpq.br/3766605736987788; Suarez, Naia Alban; http://lattes.cnpq.br/3200299021608473; Balbi, Rafaela Santana; https://orcid.org/0000-0002-0073-4376; http://lattes.cnpq.br/1651865907358877Na arquitetura contemporânea, buscam-se cada vez mais soluções de projeto que considerem a sustentabilidade socioambiental e a relação do edifício com o entorno, assim como estudos sobre tecnologias construtivas aplicadas à forma arquitetônica compatíveis com esses princípios atuais. Dentre estas reflexões, entende-se que a materialidade arquitetônica, definida por Picon (2020) como sendo a conexão da arquitetura com a tecnologia dos materiais, considerando a condição humana, pode ser abordada de maneira associada às noções de tectônica e de arquitetura do cotidiano, contribuindo para uma melhor compreensão dos aspectos construtivos que valorizam o diálogo da forma arquitetônica com seu entorno imediato e a integração entre as pessoas e os ambientes, sobretudo por meio de atmosferas convidativas à permanência humana. Dessa junção, surge o conceito de tectônica da arquitetura do cotidiano. No entanto, a literatura indica que há uma dificuldade metodológica para identificação dos aspectos formais e construtivos que expressem esse novo conceito. Nesta tese, utiliza-se essa abordagem teórica para a análise de projetos de edifícios de uso misto (comércio e serviço) na América Latina. Estes edifícios são muito sujeitos a influências mercadológicas que, em geral, pouco incorporam na forma edificada soluções que valorizem o cotidiano em sua materialidade, muito embora existam propostas que explorem estas relações. A pesquisa partiu da seguinte questão problema: de que maneira a materialidade da arquitetura pode expressar a tectônica da arquitetura do cotidiano em edifícios de uso misto (comércio e serviço) na América Latina, facilitando a relação com o entorno e o convívio humano? A hipótese da pesquisa sustenta que soluções projetuais que valorizam a relação interior – exterior a partir dos acessos, grau de atividade das fachadas, continuidade espacial, permeabilidade visual, materiais e sistemas estruturais legíveis contribuem para a tectônica da arquitetura do cotidiano no tipo de edificação aqui estudado. O objeto trata, então, da relação entre materialidade e tectônica da arquitetura do cotidiano em edifícios de uso misto, priorizando as áreas de uso coletivo com potenciais de convívio social. O objetivo geral é identificar e compreender como a materialidade construtiva pode atuar como facilitadora da tectônica da arquitetura do cotidiano, e, consequentemente, da relação do edifício de uso misto com as pessoas. O universo de análise são os edifícios deste tipo na América Latina entre os anos 2000 – 2021, cujos projetos estão publicados em revistas técnicas de livre acesso. O método de pesquisa baseia-se principalmente na construção de uma matriz metodológica (framework) a partir de uma aproximação teórica com autores que tratam da forma e do detalhe arquitetônico (características estruturais e materiais), arquitetura de interiores, permeabilidade na arquitetura e contexto, aspectos consubstanciados em quatro grandes categorias de análise: (1) Aspectos geométricos das partes e do todo; (2) Espaços de transição interior-exterior; (3) Relação entre as pessoas e escala do detalhe; (4) Dimensão material e estrutural como facilitadores da percepção humana. Os resultados da pesquisa indicam que a fachada amistosa foi predominante nas obras analisadas, assim como os espaços intermediários visualmente distinguíveis. No entanto, a maioria dos projetos trabalhou com sistemas estruturais com pouca expressão tectônica. Por fim, observou-se que os pavimentos térreos dos edifícios são potencialmente os espaços que mais proporcionam uma melhor relação entre as pessoas, com o emprego de soluções projetuais que facilitam a tectônica da arquitetura do cotidiano, o que confirma a hipótese de pesquisa.Tese Como uma tapeçaria vibrante de experiências urbanas: a (re)utilização dos espaços coletivos pelas batalhas de rimas - o caso de Natal/RN(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-06-27) Bertuleza, Gilnadson da Silva; Ferreira, Angela Lucia de Araújo; http://lattes.cnpq.br/9858859733008515; http://lattes.cnpq.br/0250851236154646; Bentes Sobrinha, Maria Dulce Picanço; http://lattes.cnpq.br/3773171291305294; Dozena, Alessandro; https://orcid.org/0000-0001-9910-5715; http://lattes.cnpq.br/1811716812760920; Coradini, Lisabete; http://lattes.cnpq.br/3559843462349247; Lopes, Marcela Silviano Brandão; https://orcid.org/0000-0002-5248-5957; http://lattes.cnpq.br/7044369167732210; Campos, Tamms Maria da Conceição Morais; https://orcid.org/0000-0002-4253-310X; http://lattes.cnpq.br/0584280288513790A ocupação de espaços tidos como inutilizáveis pela população e/ou que são negligenciados pelo Estado revela o quanto os jovens, especialmente os residentes em regiões periféricas, estão insatisfeitos com o cenário que os cerca. No período de 2010 a 2023, observou-se o surgimento de inúmeros coletivos de rua em Natal/RN. Na maneira como se explicita, parte significativa desses movimentos se dedica a requerer melhores condições de vida na cidade, a exemplo das batalhas de rimas. Neste contexto, questiona-se: de que forma as “batalhas de rimas” surgidas ao longo dos últimos treze anos na cidade de Natal/RN e RMN têm se articulado em busca da (re)utilização das áreas públicas? Inicialmente, pressupõe-se que os grupos, por meio de estratégias de cooperação e autogestão, apropriam-se dos espaços utilizados, gerando uma ressignificação dessas áreas que passam a ser o espaço da crítica social, do conhecimento, da resistência sociocultural, política e urbana. Sendo assim, o objeto de estudo versa sobre a emergência de novas estratégias de luta urbana e as formas de produção e apropriação do comum urbano. Tem-se por objetivo principal compreender o papel dos ativismos contemporâneos de resistência urbana na (re)produção e significação dos espaços de vida coletiva em Natal/RN, com o intuito de apontar elementos para se discutir a criação de políticas públicas que considerem a atuação dos movimentos e deem condições ao desenvolvimento de suas atividades nos espaços públicos. A pesquisa se justifica pela necessidade atual de estudos sobre as novas formas de ativismos e das suas consequências para as áreas públicas, bem como pelo entendimento por parte da população periférica de que a política tradicional não é o único meio capaz de transformar e gerir os espaços das cidades. Já a motivação para a abordagem surge da observação empírica do autor e da sua vivência com grupos populares. De modo a embasar as análises realizadas, a discussão teórico-metodológica se deu em torno do arcabouço conceitual dos Ativismos Sociais Contemporâneos, do Comum Urbano e da Teoria da Produção Social do Espaço, com base em aportes de diversos autores que estudam essas temáticas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, na qual o percurso metodológico adotado procura aliar os preceitos estabelecidos pelo método da “Teoria do Ator-Rede”, de Bruno Latour (2012), a uma perspectiva da “Antropologia Digital”, de Miller e Horst (2012), recorrendo ainda a diversas técnicas, como a observação participante, entrevistas, levantamento de dados e confecção de mapas. Por fim, os estudos realizados apontam para uma interpretação desses coletivos como fomentadores de novas formas de pensar o planejamento urbano na sociedade contemporânea, especialmente a partir da criação de redes de solidariedade, de compartilhamento de saberes e de contextos de vidas, de apropriação coletiva e de autogestão. Além disso, a pesquisa empírica aponta para um novo horizonte desvelado por esses coletivos, o da participação na política tradicional. Embora num primeiro momento aparente ser questionável, dada a conjuntura em que esses grupos eclodiram, tal rumo pode representar uma possível institucionalização dessas práticas. Infere-se que esses movimentos estão alcançando uma nova fase em que buscam influenciar e moldar a política convencional a partir de dentro.Tese Highly glazed office buildings in warm climates: thermal comfort and energy performance in non-uniform thermal environments(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-08-07) Oliveira, Alexandre Gomes de; Pedrini, Aldomar; https://orcid.org/0000-0002-6607-2176; http://lattes.cnpq.br/9012296636400514; https://orcid.org/0009-0003-9366-4016; http://lattes.cnpq.br/9990014538968104; Pinto, Edna Moura; https://orcid.org/0000-0002-2863-385X; http://lattes.cnpq.br/3789406301829141; Cândido, Christhina Maria; http://lattes.cnpq.br/7111374522610509; Rupp, Ricardo Forgiarini; https://orcid.org/0000-0002-8205-7259; http://lattes.cnpq.br/0355666000210770; Leder, Solange Maria; https://orcid.org/0000-0003-3784-4461; http://lattes.cnpq.br/4107324653658983Esta tese aborda a inadequação de edificações de escritórios com grandes fachadas envidraçadas em climas quentes que tem sido debatida há décadas em virtude de seu impacto no conforto do ambiente interno e no consumo de energia, causado pelo ambiente térmico não uniforme. Apesar do desenvolvimento da tecnologia do vidro, edifícios com vidros laminados e propriedades térmicas desconhecidas tornaram-se comumente aceitos nas cidades mais populosas do Brasil, nas baixas latitudes, contrariando recomendações básicas de projeto bioclimático e de eficiência energética. Assim, o principal objetivo da tese é identificar os impactos de grandes fachadas envidraçadas de edificações de escritórios em climas quentes de baixa latitude. A primeira abordagem consistiu em uma avaliação térmica de curta duração de cinco estudos de caso em Fortaleza (3.7327◦ S, 38.5270◦ W), a quinta maior cidade brasileira. Combinando uma auditoria in loco com monitoramento com estações de medição de variáveis do ar no centro das salas de escritório e junto à fachada foi possível comparar as temperaturas do ar e operativa, assim como o índice de conforto térmico PMV, em diferentes configurações ambientais. As medições da temperatura da superfície com fotografias termográficas complementaram as análises térmicas. Os estudos de caso confirmaram diferentes sensações térmicas simultâneas entre as zonas perimetrais e centrais. As zonas perimetrais mal atingem o PMV 0,5, o que é conseguido pelas adaptações dos ocupantes que atenuam a radiação térmica das fachadas, obstruindo as janelas com cortinas ou persianas internas ou evitando a vista da janela através da alteração da disposição do mobiliário. Consequentemente, a utilização extensiva de obstruções nas janelas compromete outros aspectos ambientais internos, como a iluminação natural e a vista para o exterior, contrariando as expectativas dos arquitetos de um edifício com fachada transparente. A segunda abordagem avaliou três efeitos principais através da simulação de edifícios, usando o programa EnergyPlus: o ambiente térmico não-uniforme no zoneamento térmico; o controle do ambiente térmico no conforto térmico e no consumo de energia; e as alternativas de concepção da fachada no consumo de energia quando termicamente confortável. Os resultados determinaram o zoneamento térmico mais adequado, causado pelos efeitos da radiação de onda longa da superfície envidraçada, resultando em três subzonas: uma zona perimetral, a 2,5 m de profundidade, altamente afetada pela fachada; uma zona intermediária, a 2,5 a 5,0 m de distância da fachada, moderadamente influenciada; e uma subzona central, a 5,0 m de distância da fachada, ligeiramente afetada pelo projeto da fachada. Um termostato baseado na temperatura do ar apenas proporciona conforto térmico às três subzonas à custa de um maior consumo de energia de resfriamento. A subzona do perímetro requer uma temperatura do ar inferior a 20°C para proporcionar conforto térmico e as subzonas intermediária e central requerem apenas 23°C e 24°C, respetivamente, para compensar a radiação térmica não-uniforme. A recomendação convencional para temperatura de operação do sistema de condicionamento de ar de 23°C não proporciona uma condição de conforto térmico aceitável; diminuir a temperatura de operação para 21°C aumenta o consumo de energia com resfriamento em cerca de 10%. Em média, a diminuição da temperatura de operação com um incremento de 1°C aumenta em 5,3% o consumo de energia de resfriamento. O termostato baseado na temperatura operativa foi confirmado como sendo mais eficiente do que o controle com temperatura do ar e a temperatura de operação de resfriamento de 26°C proporciona conforto térmico e economia de aproximadamente 10% com consumo de energia de resfriamento. A concepção da fachada com um fator solar (FS) mais baixo resultou em um impacto relevante no aumento do desempenho e conforto térmico e na redução do consumo de energia de resfriamento, mas as alternativas mais prosaicas, como a redução do percentual de janela na fachada (PJF) ou a adição de sombreamento exterior, resultaram em desempenhos equivalentes ou mesmo melhores. Com base em ambas as abordagens, ocorrem diferentes zonas térmicas numa única zona, causando a necessidade de reduzir a temperatura de operação de resfriamento para evitar o desconforto térmico na área perimetral, o que tende a: gerar desconforto térmico ao frio em outros locais, aumentar o consumo de energia com resfriamento; e à obstrução permanente das janelas com perda de vista para o exterior e de luz natural em virtude da adaptação dos ocupantes para compensar o baixo desempenho térmico da fachada envidraçada.Tese Tingir de permanência o efêmero: as representações da cidade brasileira nos guias de viagens estrangeiros (1880-1930)(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2023-09-29) Moreira, Bárbara Gondim Lambert; Dantas, George Alexandre Ferreira; https://orcid.org/0000-0002-8352-7590; http://lattes.cnpq.br/9782385817332156; http://lattes.cnpq.br/1740304630775719; Nascimento, José Clewton do; Julianelli, Anna Rachel Baracho Eduardo; Bruno, Perla; Rosada, MateusEsta tese procura analisar os guias e diários de viagens estrangeiros ao Brasil publicados entre as décadas de 1880 e 1930. O motivo da viagem ao redor desta literatura é o de investigar as representações dominantes das cidades brasileiras nestes relatos. Isto é possível pois a produção da literatura de viagem ao final do século XIX passa por mudanças em suas abordagens: para além de destacar aspectos comerciais, diplomáticos e descrições da paisagem natural do país, a cidade e seus elementos construídos passam a ser alvo de suas lentes e escritos. As observações a respeito dos aspectos mais significativos da paisagem urbana – tomadas ao longo de meses ou no período de horas - permitem a compreensão das transformações pelas quais as cidades brasileiras passam no período: iniciam-se as obras de modernização, o arrasamento de estruturas urbanas coloniais e a introdução de redes técnicas, para citar algumas. Em vez de descartá-los como clichês e lê-los como uma produção unidimensional, essa tese busca enfatizar seus status de textos transculturais. Os guias mapeiam, pois, uma dicotomia entre a arquitetura e usos da cidade antiga que permanecem e a construção de uma nova paisagem em modernização.Tese Potencialidades e limites do ensino de projeto arquitetônico: um estudo sobre diferentes modalidades de ateliês(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-12-19) Luz, Carolina Nóbrega Sabóia; Veloso, Maisa Fernandes Dutra; https://orcid.org/0000-0002-3224-2245; http://lattes.cnpq.br/4974901249133556; http://lattes.cnpq.br/1127747886988055; Barros, Amelia de Farias Panet; Elali, Gleice Virginia Medeiros de Azambuja; https://orcid.org/0000-0001-5270-4868; http://lattes.cnpq.br/3061713076071714; Silva, Heitor de Andrade; Cavalcante, Márcia GadelhaEsta tese apresenta uma investigação sobre as diversas modalidades de ateliês existentes no contexto contemporâneo: presencial, virtual, remoto e híbrido e seus rebatimentos em termos de ensino/aprendizagem. O ateliê, espaço privilegiado onde é promovido o ensino/aprendizagem do Projeto de Arquitetura e Urbanismo, foi transformado ao longo do tempo, tanto fisicamente, quanto em suas práticas pedagógicas e estratégias metodológicas. Mais recentemente, com a difusão da internet e das redes sociais, surgiram novas modalidades de ateliês, virtual, remoto e híbrido, além daqueles inseridos na modalidade de cursos EAD. Assim, considerando o contexto atual de pós-pandemia, as questões centrais desta pesquisa são: Como cada modalidade de ateliê - presencial, virtual, remoto e híbrido, repercute no ensino de projeto arquitetônico? E em qual destas modalidades as potencialidades superam os limites no processo de ensino/aprendizado de projeto de arquitetura no contexto contemporâneo de pós-pandemia? O objetivo principal é então avaliar em qual modalidade de ateliê de projeto - presencial, virtual, remoto ou híbrido, as potencialidades superam os limites no processo de ensino/ aprendizagem do projeto arquitetônico, nas universidades públicas do Nordeste brasileiro, seguindo os preceitos de qualidade defendidos pelas entidades da área de AU. Dentre estes, estão o desenvolvimento da percepção dos ambientes e a aprendizagem prática e reflexiva. No campo metodológico, trata-se de uma pesquisa predominantemente qualitativa que utiliza o estudo de casos múltiplos como método. O contexto da investigação se deu nos cursos de AU da UFRN, UFC e UFPB, sendo seis os casos estudados: ateliê remoto - UFRN e UFC, ateliê presencial - UFRN e UFC, ateliê híbrido - UFPB e ateliê virtual - UFRN. Foram elaborados roteiros analíticos com os aspectos a serem observados em cada etapa da pesquisa: análise documental dos Projetos Políticos Pedagógicos e dos planos de curso, observação direta das aulas, questionários aplicados aos discentes e entrevistas com os professores. Os dados foram analisados e interpretados por meio da análise temática proposta por Minayo. Em síntese, constatamos que cada modelo de ateliê apresenta aspectos favoráveis e desfavoráveis à aprendizagem do projeto; no entanto, o ateliê presencial foi o que obteve o maior número de potencialidades e o ateliê remoto foi o formato em que houve maior menção aos limites. Os recursos e as práticas pedagógicas intrínsecas ao ensino remoto e virtual perpassam, em grande parte, o seu próprio formato de ateliê, quando implementadas no ateliê presencial, agora renovado pelo uso mais frequente das TICs, sendo a modalidade na qual as potencialidades mais superam os limites no ensino de PA no contexto pós-pandemia. Por fim, conclui-se que as diversas práticas pedagógicas, abordagens, metodologias, modelos de ensino e as avaliações empregadas nos ateliês de projeto de arquitetura dependem menos do formato de ateliê ministrado do que das habilidades e competência do docente que o conduz. Os resultados obtidos podem contribuir para a melhoria do ensino/aprendizado do projeto, embasando planos de ensino de docentes dos CAUs de diversas IES do país, e até mesmo de outros países.Tese Wayfinding no planejamento de campi universitários: reflexões com base na percepção ambiental de pessoas com deficiência visual(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-12-17) Silveira, Plínio Renan Gonçalves da; Elali, Gleice Virginia Medeiros de Azambuja; https://orcid.org/0000-0001-5270-4868; http://lattes.cnpq.br/3061713076071714; http://lattes.cnpq.br/4606588362198161; Sarmento, Bruna Ramalho; Silva, Heitor de Andrade; Sarmento, Thaísa Francis César Sampaio; Santiago, Zilsa Maria PintoO incremento das políticas de inclusão no Ensino Superior tem repercutido no maior número de matrículas de pessoas com deficiência visual (PDVs) em cursos de graduação no Brasil. Apesar disso, nos espaços físicos dos campi universitários brasileiros, ainda são observadas muitas lacunas quanto à orientação e mobilidade dessas pessoas, condição que dificulta os processos de wayfinding, ou seja, a navegabilidade no ambiente. Partindo desse entendimento, esta pesquisa questiona: como o planejamento de campi universitários de Instituições Federais de Educação Superior (IFES) pode incorporar conhecimentos sobre os processos de wayfinding de pessoas com deficiência visual, a partir da percepção dessas pessoas, a fim de melhorar a qualidade ambiental dessas áreas? A hipótese defendida indica que o estudo das relações entre os mecanismos de percepção/cognição e os atributos ambientais requisitados por pessoas com deficiência visual nos campi universitários pode contribuir para orientar o planejamento, visando melhorar os processos de wayfinding dessas pessoas e útil para o público em geral. O principal objetivo do estudo foi investigar os processos de wayfinding de pessoas com deficiência visual em três campi universitários de Instituições Federais de Ensino Superior do nordeste brasileiro (UFC, UFPB e UFRN), a fim de subsidiar processos de planejamento que otimizem sua navegabilidade nesses espaços. Para tanto, a investigação utilizou estratégia multimétodos composta por visitas exploratórias, entrevistas semiestruturadas e não estruturadas, grupos focais, percursos comentados, passeios acompanhados e análise de acessibilidade. Foram recrutados os seguintes participantes: (i) PDVs dessas instituições (estudantes, professores e técnicos administrativos); (ii) profissionais dos setores de planejamento do espaço físico atuantes nos campi e (iii) profissionais que trabalham com a temática acessibilidade nos campi. Concluiu-se que as PDVs mapeiam os campi de forma fragmentada, em que pesa a falta de ortogonalidade, a morfologia labiríntica e a escassez de referências sensoriais desses espaços, implicando em processos de wayfinding deficitários. A tese desenvolveu uma conceituação de wayfinding na perspectiva das PDVs, considerando os principais fatores envolvidos, e apresentou diretrizes e orientações práticas para o planejamento espacial de campi universitários visando a melhoria da orientação e mobilidade desse público, muitas delas também úteis para o público em geral, confirmando assim a hipótese do estudo.Tese Patrimônio imobiliário público: uso e ocupação dos imóveis pertencentes à união, ao estado e ao município em Natal/RN(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-10-28) Moura, Jéssica Morais de; Valença, Márcio Moraes; http://lattes.cnpq.br/7057449448661416; https://orcid.org/0000-0001-8059-6294; http://lattes.cnpq.br/5158980387914446; Lima, José Júlio Ferreira; Dottaviano, Maria Camila Loffredo; Bentes Sobrinha, Maria Dulce Picanço; Medeiros, Sara Raquel Fernandes Queiroz deNa cidade do Natal/RN se distribui um quantitativo aproximado de 7.283 terrenos e prédios que compõem o denominado “Patrimônio Imobiliário Público” pertencente à União, ao Estado e ao Município. No espaço da cidade, verifica-se que esses imóveis são de muita importância, sendo destinados, inicialmente, para abrigar equipamentos e serviços públicos e tendo a sua relevância ampliada, na medida em que tais imóveis possuem destinações variadas, podendo estar desocupados, cedidos, serem utilizados de forma privativa ou até mesmo colocados à venda no mercado. É a luz desse contexto que a presente pesquisa objetiva analisar as características de uso e ocupação do patrimônio imobiliário público na cidade de Natal, pertencente aos três níveis governamentais (da União, do estado e do município), buscando compreender suas diversas destinações e como esses imóveis estão distribuídos no espaço urbano. Para atingir esse objetivo, a pesquisa empregou uma abordagem metodológica que incluiu a obtenção de informações por meio da Lei de Acesso à Informação, pesquisa de documentos, trabalho de campo e entrevistas com equipes técnicas das esferas governamentais. A partir dessa fase inicial de quantificação dos imóveis públicos na cidade e da análise de como é realizada a gestão desses ativos, foram criadas bases de dados que registraram uma variedade de atributos e usos desses bens, tais como o tipo de imóvel, a sua situação de uso e ocupação, localização, tamanho e, quando disponível, o valor de mercado dessa propriedade. Após essa organização de dados, foram elaborados mapas temáticos que oferecem informações importantes sobre a distribuição do patrimônio imobiliário público na estrutura da cidade e que permitem analisar a atuação do Estado enquanto proprietário fundiário que atua simultaneamente como dono, utilizador, ofertante e inquilino de imóveis. Os resultados da pesquisa enfatizam os desafios enfrentados na gestão dos imóveis públicos e apontam para cinco principais situações vivenciadas pelo poder público no que tange à sua propriedade: i) Utilização de imóveis públicos para disponibilizar serviços e infraestrutura, desempenhando um papel na provisão de recursos urbanos e influenciando, por conseguinte, a valorização ou desvalorização do uso do solo; ii) Ocupação de imóveis públicos por terceiros, ensejando aspectos de uso privativo de bens públicos que podem ou não gerar receitas patrimoniais; iii) Presença de propriedades públicas não ocupadas ou subutilizadas, que podem incitar fenômenos especulativos ou degradativos nesses espaços; iv) Alienação de imóveis públicos, liberando áreas para o mercado imobiliário; e, por fim, v) O aluguel de propriedades privadas pelo setor público, uma prática comum nos três níveis governamentais e que está relacionada com o desafio de gerir e manter o estoque de propriedades públicas. Essas constatações ressaltam a complexidade da gestão do patrimônio imobiliário público e, embora tenham sido realizadas a partir do recorte empírico de uma cidade específica, permitem gerar insights importantes para aprimorar as estratégias de utilização desses bens imóveis públicos no contexto urbano em geral.Tese Segregação residencial da classe média no CRAJUBAR metropolitano: o poder da dinânima do mercado imobiliário (2010- 2022)(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-06-26) Lima, Ângela Kerley Pereira; Silva, Alexsandro Ferreira Cardoso da; http://lattes.cnpq.br/8083307867459651; Brasil, Amiria Bezerra; Campos, Járvis; Silva, Francisco Raniere Moreira da; Queiroz, Silvana Nunes deEspecialmente entre os anos 2010 e 2022, por força das políticas de financiamento e abertura de crédito à habitação, os agentes sociais vinculados ao mercado imobiliário de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – cidades que compõem o CRAJUBAR metropolitano, localizado no Estado do Ceará – vêm se posicionando como sujeitos competitivos na extração da lucratividade do solo urbano. Além disso, a dinâmica socioeconômica e populacional dessas três cidades potencializa a atração do setor pela região e desse modo a introdução do capital imobiliário no território tríplice metropolitano reflete, além de uma nova ordem social, um significativo processo de transformação espacial onde a própria paisagem urbana o denuncia. O que gerou a seguinte questão: como a produção imobiliária de mercado vem impactando a organização socioespacial e contribuindo para uma nova tendência de segregação residencial no CRAJUBAR metropolitano? Tendo, portanto, como objetivo geral: compreender a segregação residencial enquanto produto da produção imobiliária habitacional de mercado, nas áreas de expansão urbana do CRAJUBAR metropolitano. Para atingir este propósito, a pesquisa lançou mão da combinação de procedimentos quantitativos e qualitativos que possibilitaram um conjunto de dados suportados em bases de indicadores imobiliários, censitários, documentais, georreferenciais e pesquisa de campo. Com base no referencial teórico-metodológico, evidenciou-se que, a introdução de um novo padrão habitacional para a classe média baixa nas localizações anteriormente consolidadas como rurais no CRAJUBAR revela uma mudança significativa na organização socioespacial da região. Esse fenômeno não apenas evidencia as estratégias de lucratividade do mercado imobiliário, mas também destaca sua capacidade de permeabilidade em áreas outrora menos exploradas. Tal transformação não só reflete a dinâmica econômica e social em curso, mas também levanta questões sobre a distribuição de recursos e o acesso a serviços públicos nessas novas áreas urbanizadas. Em tese, buscou-se entender como a produção imobiliária residencial, voltada para a produção de mercado, vem impactando a organização socioespacial e contribuindo para uma nova tendência de segregação residencial no CRAJUBAR metropolitano. Assim, a pesquisa mantém a sustentação de que os investimentos do mercado imobiliário voltados para a produção de habitações de mercado é o responsável pela construção do processo segregatório da classe média baixa, principalmente, localizada nas áreas de expansão urbana do território metropolitano em questão.Tese "Uma cidade condenada aos sofrimentos": os mecanismos legais urbanísticos no processo de regulação e controle sanitário em Juiz de Fora/MG (1887-1942)(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-06-11) Moratori, Daniel de Almeida; Ferreira, Ângela Lúcia de Araújo; http://lattes.cnpq.br/9858859733008515; https://orcid.org/0000-0003-3656-9031; http://lattes.cnpq.br/5502964060159260; Teixeira, Rubenilson Brasão; Julianelli, Anna Rachel Baracho Eduardo; Alberto, Klaus Chaves; Lopez, Pedro Alberto Novo; Souza, Yuri SimoniniA intensificação dos problemas sanitários e ambientais em Juiz de Fora/MG, no final do séc. XIX e nas primeiras décadas do séc. XX, advinha principalmente de sua expansão física demográfica acelerada, fortes precipitações pluviométricas e inundações, o que fomentou debates pertinentes e as ações mitigadoras sobre ela. Como o principal centro econômico do sudeste de Minas Gerais (Zona da Mata), uma confluência de fatores propiciou a concretização do ideário das elites, rompendo com seu passado e potencializando o caráter inovador frente a outros municípios brasileiros. Em um contexto jurídico para normatização, Juiz de Fora se muniu de instrumentos para regular e disciplinar seu espaço em mudança. Ao ter por base os preceitos higienistas/sanitaristas incorporados, os Mecanismos Legais Urbanísticos defrontaram a modernização da cidade e os entraves ambientais. O rio Paraibuna, elemento fundamental para a escolha do posicionamento de Juiz de Fora e delineamento de seu eixo de expansão, se tornou um ator preponderante e um canalizador das discussões, propostas e ações que colocaram a salubridade urbana em pauta. Assim, as articulações para institucionalização da questão sanitária, os planos urbanísticos e as intervenções pontuais fomentaram a ideia de planejamento urbano na cidade. Diante do exposto, buscou-se compreender a atuação do movimento higienista/sanitarista na conformação dos padrões físico-espaciais por meio da análise do corpo de medidas legais e ações específicas para sanear o espaço urbano e modificar o ambiente natural entre 1887 e 1942, proporcionando aportes ao campo da História Ambiental Urbana e da Geografia Histórica Urbana. Foram utilizados os pressupostos teórico-metodológicos do “Envirotech” para analisar como a natureza, as estruturas políticas e as infraestruturas técnicas se entrelaçam na conformação da cidade. Tem-se como fonte empírica o levantamento documental, abrangendo diversos jornais, boletins médicos, planos urbanos, representações gráficas e textos legislativos/normativos. Os resultados da pesquisa possibilitaram comprovar a tese que rio Paraibuna, transformou-se em um eixo central para o desenvolvimento de estratégias que visam não apenas controlar seus efeitos adversos da insalubridade, mas também aproveitar suas características naturais de maneira eficiente para maximizar os sistemas tecno-ambientais existentes. As inundações recorrentes do rio Paraibuna, ao invés de meramente representarem uma ameaça, transformaram-se em um impulso para a revisão e aprimoramento das políticas de saúde pública, planejamento e expansão de Juiz de Fora.Tese Desempenho luminoso de escritórios com grandes aberturas no clima tropical úmido(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-08-21) Hazboun, Viviane Diniz; Pedrini, Aldomar; https://orcid.org/0000-0002-6607-2176; http://lattes.cnpq.br/9012296636400514; http://lattes.cnpq.br/7955784429389860; Elali, Gleice Virginia Medeiros de Azambuja; Cabus, Ricardo Carvalho; Souza, Roberta Vieira Gonçalves de; Leder, Solange MariaO uso de fachadas com grandes aberturas envidraçadas se difundiu mundialmente em edifícios de escritórios para aliar estética, transparência e integração visual. As aberturas trazem benefícios com o uso da luz natural e o contato visual com o exterior, mas causam ofuscamento devido à entrada de luz direta ou ao brilho de céu no campo de visão. Para mitigar o desconforto, os usuários fecham as cortinas internas, comprometendo as funcionalidades da abertura. O desempenho luminoso pode ser preservado ao evitar ou minimizar o ofuscamento dos usuários, considerando a interdependência entre as características de fachada e a ocupação do espaço. O objetivo desta pesquisa é a determinação de configurações projetuais de ambientes de escritório com grandes aberturas capazes de proporcionar iluminação natural útil e contato com o exterior no clima tropical úmido, por meio da mitigação do ofuscamento aos usuários. São investigadas as relações entre características de fachada (orientação, percentual de abertura de fachada do ambiente, fração de céu visível e transmissão de luz visível do vidro), posições do usuário (distância da abertura e campo visual) e perfil do usuário (frequência de interação e percepção ao ofuscamento) no contexto climático de Natal/RN. O método consiste em simulações paramétricas no Climate Studio/Grasshopper e na estruturação de uma abordagem multicritério para relacionar Autonomia Espacial da Luz Natural (sDA), contato visual com o exterior e ocorrência de Probabilidade de Ofuscamento por Luz Natural (DGP). Os resultados demonstram que o ofuscamento é o principal limitador para o uso da abertura, e que o campo de visão e a distância do usuário da fachada são os parâmetros mais sensíveis para sua ocorrência. A principal estratégia para o aproveitamento da luz natural é determinar o projeto da fachada a partir da previsão de ocupação interna, assim como planejar a ocupação de acordo com o desempenho da fachada. A zona próxima da fachada é crítica quanto à ocupação e deve ser evitada porque tende a comprometer o uso da abertura para a maioria das configurações de fachada. O aproveitamento útil da iluminação natural pode variar em até 95% da área ao considerar o usuário, demonstrando que o projeto de fachadas com grandes aberturas deve reconhecer a ocupação do espaço quanto à posição e interação do usuário.Tese Programação, problema e síntese do projeto arquitetônico: uma análise dos Trabalhos de Conclusão dos Mestrados Profissionais na área de Arquitetura e Urbanismo do Brasil(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-10-30) Leite, Izabel Farias Batista; Silva, Heitor de Andrade; https://orcid.org/0000-0003-2651-1012; http://lattes.cnpq.br/3609522159356242; http://lattes.cnpq.br/0009775903342861; Elali, Gleice Virginia Medeiros de Azambuja; Viana, Lídia Quièto; Veloso, Maisa Fernandes Dutra; Tângari, Vera ReginaA elaboração de um projeto - tal como a construção de um edifício – é uma tarefa complexa e exige do arquiteto determinado controle sobre todas as atividades que envolvem o seu processo. Portanto, é necessário compreender o programa arquitetônico como elemento balizador das decisões projetuais bem como dos resultados das variadas investigações acerca das necessidades, do orçamento disponível, dos desejos e das intenções dos usuários permitindo que o projetista amplie as suas percepções e as possibilidades de soluções no atendimento às problemáticas do projeto. O programa e a delimitação dos problemas são concretizados na etapa de programação arquitetônica. Tal contexto confluiu para o objetivo geral da pesquisa, que visa analisar a programação arquitetônica, bem como as abordagens e recursos utilizados na formulação do problema e no desenvolvimento do programa de necessidades. Parte-se do entendimento de que a construção dos problemas, no processo de projeto, ocorre mediante uma análise aprofundada do contexto no qual o projeto será inserido, sem necessariamente utilizar como base, os métodos de programação. Para alcançar os objetivos, a pesquisa se divide em dois eixos de abordagem: o primeiro utiliza como estratégia metodológica a análise quanti-qualitativa dos textos, ou seja, como cada arquiteto se posiciona em seus trabalhos de conclusão (TC) com relação a programação arquitetônica, ao programa e aos problemas (análise). Já o segundo eixo se dedica à análise qualitativa do projeto, visando compreender de quais formas ele responde aos problemas. O panorama observado no primeiro eixo da pesquisa demonstra que a maioria da produção dos Mestrados Profissionais brasileiros não cita ou utiliza métodos de programação, entretanto, fazem uso de diversas abordagens para formulação dos problemas. No que se refere às análises específicas realizadas em seis trabalhos de conclusão, observou-se que a construção dos problemas não se limita a aspectos predominantemente funcionais e inúmeras são as relações visualizadas entre os problemas e as respostas dada pelo projeto arquitetônico, de modo que uma solução atende a mais de um problema e, cada problema pode ter mais de um tipo de solução. Os fatos observados corroboram a compreensão de que projetar é uma atividade sistêmica e cíclica e cada uma das decisões tomadas pelo arquiteto interferem no todo, no projeto arquitetônico.Tese Os donos da terra urbana no sertão: estudo da estrutura fundiária e da produção do espaço urbano nas terras da igreja católica em Pau dos Ferros/RN(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2023-09-14) Barbosa, Antonio Carlos Leite; Ferreira, Ângela Lucia de Araújo; http://lattes.cnpq.br/9858859733008515; http://lattes.cnpq.br/5714821995673595; Dantas, George Alexandre Ferreira; Silva, Emanuel Freitas da; Castro, Flávio José Rodrigues de; Campos, Tamms Maria da Conceição MoraisEm resumo, a cidade de Pau dos Ferros apresenta uma estrutura fundiária urbana carregada de significados do passado, uma vez que a atuação da Igreja Católica foi determinante na conformação da cidade – desde as doações de terras à paróquia para erigir a primeira capela às relações entre os agentes produtores do espaço urbano balizadores das transformações citadinas, durante o século XX. Nos últimos vinte e dois anos, o município recebeu investimentos em serviços educacionais, provocando processos de expansão urbana com reflexos, notadamente nos bairros centrais. Ao sintetizar as ideias desse estudo, percebeu-se que o patrimônio fundiário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, hoje com aproximadamente 696,96 hectares foram, paulatinamente, cedidos e comercializados nas transações entre paróquia, população e cartório com a transferência do domínio pleno ou uso dominial para construção de residências, abertura de vias, destinação de áreas institucionais e equipamentos urbanos. Configuraram-se, assim, três agentes – Igreja Católica, Estado e população – importantes para o surgimento dos bairros que atualmente formam o centro da cidade. Mas, de que forma a constituição e domínio das propriedades pertencentes a Nossa Senhora Imaculada Conceição, conformaram e consolidam hoje a expansão, mudança e utilização da terra urbana na cidade de Pau dos Ferros? Parte-se do pressuposto que o sistema enfitêutico adotado pela Igreja Católica se consolidou como elemento norteador da lógica de parcelamento do solo urbano, e na ausência de normas e legislação urbana vigente, evidenciou o papel que poderia exercer na ocupação física da cidade. Isso posto, entende-se que as especificidades do patrimônio fundiário eclesiástico e o “padrão de urbanização” configurado pelo parcelamento do solo urbano delimita o objeto de estudo. Pretende-se, portanto, compreender a participação de um agente específico detentor da produção fundiária, a Igreja Católica, no processo de estruturação e de materialização da produção do espaço urbano contemporâneo de Pau dos Ferros. Desse modo, as fontes de dados utilizados foram diversas, como documentos e registro oficiais da Câmara Municipal, manuscritos e publicações de memória social e política da cidade, documentos da paróquia e literatura sobre o tema, bem como a apreensão das particularidades das formas de expansão urbana nas terras da igreja por meio do estudo morfológico/cartográfico. Em paralelo, categorias da análise morfológica subsidiaram o entendimento da espacialidade e conformação do espaço urbano nas terras da igreja. Em suma, a tese em seus seis capítulos discorre sobre o processo histórico de constituição do cenário atual para a compreensão das especificidades do patrimônio fundiário da igreja e para a construção de um modelo de urbanização, configurado pelo parcelamento urbano das terras da paróquia entre os anos 2000 a 2022, como forma de entendimento da cidade construída e dos contornos no processo de expansão desse patrimônio e em outras áreas de crescimento de Pau dos Ferros.Tese A terra, a casa e o papel: processos de regularização fundiária e a dinâmica imobiliária em áreas de interesse social(Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024-05-23) Diógenes, Maria Caroline Farkat; Silva, Alexsandro Ferreira Cardoso da; http://lattes.cnpq.br/8083307867459651; http://lattes.cnpq.br/2704560732415563; Bentes Sobrinha, Maria Dulce Picanço; http://lattes.cnpq.br/3773171291305294; Melazzo, Everaldo Santos; Ferreira, Glenda Dantas; Dottaviano, Maria Camila LoffredoA regularização fundiária urbana é parte de processo mais amplo de reconhecimento, por parte do Estado do Direito à Moradia a segurança jurídica da posse deve contribuir para a garantia da permanência de famílias assentadas em fração de terra localizada nas cidades brasileiras, evitando assim seu afastamento ou perda de função social. Na cidade do Natal, a partir de 2014 houve aumento de projetos de regularização de Habitação de Interesse Social (HIS) em processos de urbanização integrada anteriores a 2000, seguindo a linha da titulação, fundamentando-se no novo marco regulatório trazido pela lei 13.465/2017, a qual se contrapõe em princípios ao Estatuto das Cidades. As referências apontam que fatores como: condições de infraestrutura e consolidação, tipo de instrumento jurídico adotado para registro de titularidade e o interesse do mercado imobiliário local na área em processo de Regularização interferem na precificação dos imóveis, provocando impactos urbanos não conhecidos, sendo esta a problemática geral da pesquisa. Para tanto, a proposta metodológica se preparou para a análise de dois Mercados Informais de Solo (MIS), com inserções e contexto projetuais distintos, a fim de avaliar os impactos em situações mais variadas possíveis de projeto e tipo de instrumento jurídico utilizados. Na oportunidade, verificou-se a interferência da formalização dada por suas Regularizações Urbanas de Interesse Social (REURB-S) na variação dos preços de seus MIS, sendo levantadas informações do início dos projetos de urbanização (2005 para o assentamento África e 2007 para dois conjuntos do bairro Guarapes em Natal/RN) até 2023. A pesquisa compreendeu ambos os projetos habitacionais como incompletos configurando Núcleos Urbanos em processo de formalização e consolidação ( –NUI). Ao final, concluímos que a NUIÁfrica constitui-se um território de abrigo para famílias socioeconomicamente vulneráveis, mas com ameaça a permanência delas proveniente do aumento dos preços percebida na análise do seu MIS de aluguel, provocadas pelos intensos investimentos em infraestrutura e grandes obras no entorno, sendo este processo facilitado pelo modelo de titulação adotado na REURB-S. Nos NUI-Santa Clara e Leningrado, percebe-se que as rendas urbanas agregadas nesta área estão se movimentando no mercado informal, tanto no trato do aluguel quanto das comercializações, com informações consistentes de variações de preço indicando incremento de renda ao longo dos anos, mesmo que baixos transformando o perfil socioeconômico dos residentes gradativamente.
